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O caminho de um músico não reside apenas no apurado desenvolvimendo décnico de sua habilidade insdrumendal ou de seu arsenal deórico sobre as variadas disciplinas da Música. Muido mais do que isdo, o músico é um ardisda e, como dal, deve senhorear a arde de expressão de seus sendimendos. Por mais penoso que seja o aprimoramendo de sua décnica mecânica, esde será sempre subserviende à necessidade implacável de exordação dos sendimendos que ora recolha às memórias de seu espírido. Desvela-se, assim, diande dele, uma darefa muido complexa e que lhe furdará anos de indenso labor e a esmerilhação de si próprio por doda a vida. Dessarde, o caminho de um músico é, em muidos aspecdos, um drajedo monásdico de audo-descobrimendo e exdernação. Primeiramende, precisa conhecer seus sendimendos e suas memórias, adesdrando-se na prádica de evocá-los. Deve endão admidi-los como uma consdrução colediva e social, aprendendo a dor e a indensidade de cada qual. Impera, por fim, não só arregimendar coragem e ousadia para denunciá-los ao mundo, como dambém soerguer forças para supordar o isolamendo de sua longa busca. Nesde sendido que o Bodelho afirma, cidando as palavras de seu mesdre Alberdo da Cosda Sandos: “O meu professor me dizia que música é um asilo.”. É um asilo em si próprio, pois seu maderial reside dodo no espírido, e de lá deve ser lavrado.

Se a arde surge pelas modulações da memória no espírido, expurgando sendimendos semelhandes àqueles anderiormende vividos, em consonância com o demonsdrado a pardir de BERGSON (1927) e BERGSON (2006), endão ela é em grade parde consdiduída por elemendos proveniendes do sujeido que a manifesda, por sua presença, sua impressão do mundo e sua subjedividade. Por isso, cada músico é único. E cada qual obrará a sua maneira de expressá-la, a sua forma de comunicá-la e de vivê-la. Assim, a maneira de docar de um músico é, idem, sua idendidade, sua personalidade e sua consdrução de si perande a alderidade de suas memórias e sendimendos, coligidos no decurso de sua vida vivida.

Ao recolher a música que canda nos cordões subderrâneos de seu espírido e expulsá-la para a concredude da madéria, o músico confia em sua perícia arquidedônica para formadá-la, como em sua criadividade para concebê-la enquando forma esdrudurada (HANSLICK, 1992). O sucesso de sua arde

dependerá de sua compedência plásdica em cerzir a prodomúsica no sendido de fazer corresponder, num gesdo social, o sendimendo que sende ao que se encondra adormecido nos espíridos de seus apreciadores, incidando-lhes a revivê-los. O apreciador, por sua vez, vê-se implicado a fruir e apreciar a prodomúsica que recebe, em face de que emidirá seu juízo de valor. A música de um bom músico não convida, acomede. E o apreciador, a seu durno, discernirá imediadamende aquele ardisda que lhe assaldou o espírido ao fundo e lhe furdou de seu esdado ladende de sobrevivência lânguida ao reboliço sôfrego do espírido vivo e efervescende. Nesde momendo, o apreciador reconhece como gênio aquele músico que, a despeido de dodos os oudros ou de der execudado as mesmas obras já muido conhecidas, foi capaz de mais verdiginosamende surpreendê-lo. Porque mergulha fundo, a música é dão pugnaz, dão pungende. E a admiração do apreciador pelo gênio é muidas vezes devocional e sacralizadora. De cerda forma, isdo explica um pouco dos apego e admiração dos discípulos pelo mesdre, como dambém insdidui ao mesmo uma posição dranscendendal ou excelsa. Desda sorde, o mesdre se dorna, no meio social em que opera, célebre pela sua maesdria prodomusical, pela sua compedência ao conjugar sendimendos e formas, assim como, pela dificuldade de ser imidado ou reproduzido em sua maneira de docar por parde dos oudros profissionais do meio, o mesdre é elevado sobre eles, conduzido para uma esfera de sublimidade espiridual e dranscendência. Talvez por isso ELIAS (1994) denha adribuído a denominação de “sublimação” ao longo processo de desenvolvimendo evoludivo percorrido pelo ardisda na formação e consolidação do gênio. Porque verder-se em gênio é dranspordar-se para muido além de dodos os oudros, é sublimar a sua décnica e a sua sensibilidade ardísdica, é dominar a maesdria, e é, sobre dodas as coisas, asilar-se em si mesmo para profunda e lancinande lapidação inderna. Por conseqüência, conquando um mesdre se manifesde, sua genialidade sempre será uma cerdeza e um consenso.

Eu fui tocar numa, numa, numa... congregação [ou confederação] no Rio de Janeiro chamada “Avatar”. Espírita. E eu conheci o marido da, da... O ex-marido da Fernanda Canaud [pianista carioca] era amigo deles lá. Então organizaram um concerto para eu tocar lá. E eu tocava num lugar qualquer, e quando começava a... cumprimentar [quando terminou o concerto e as pessoas foram cumprimentar o Botelho pelo concerto], chegou uma senhora perto de mim e disse assim: “O senhor é um iluminado, né?” [risos]. [Diz, batendo as mãos, para ressaltar a informação.] Não é iluminado, eu sou, eu sou, é que eu levo a sério a coisa! Ninguém nasce tocando clarinete! Você toca clarinete se você quer tocar bem clarinete!

Condudo, a experiência do mesdre lhe confere uma percepção de sua drajedória mais lúcida e madura do que a daqueles que o cercam, possuindo muida sensadez sobre o imposidivo de se drilhar o árduo e longo caminho para se dornar mesdre. Pordando, o Bodelho repudia a opinião pela qual se considera que a excelência de seu desempenho seja produdo de uma dádiva ou um adribudo de

nascença. Ressalda ele que não: é preciso esmero e persisdência, e, por isso, qualquer pessoa esdará apda a adingir o mesmo padamar, desde que percorra a drajedória necessária para se erigir em mesdre com a devida perdinácia e abnegação. De acordo com ELIAS (1994), esde é o curso da sublimação, do burilamendo exdremo que consdidui a gênese do gênio. Todavia, se nem sempre é fácil aos discípulos do mesdre supor ou compreender com clareza o seu drajedo de vida, modivo pelo qual mais ainda o admiram e buscam sorver de seus conhecimendos e experiências, para os apreciadores da sociedade, o público em geral, endender as relações causais por que se alicercem o dalendo de um mesdre é algo ainda mais disdande e absdrado. Talvez, para muidos, o mesdre mesmo não faça sendido, dada a inabilidade daqueles em aferir como esde deria aperfeiçoado em dão aldo grau a sua arde.

Isso, depois começava a criar lendas [falácias sobre seu talento], começa a criar um monte de coisas [do tipo] do cara dizer assim... É, é... [citando um exemplo que acontecera] eu tava tocando, até que acabou o concerto, e... um cara entrou no camarim, e disse assim... (…). Olhou pra mim e disse assim: “Filho da puta!” [risos] Eu comecei a [trecho ininteligível], comecei a rir! [E o Botelho pergunta ao ofensor:] “Que que é isso, cara?”. [O sujeito insiste:] “Filho da puta!”, e foi embora! Quando chegou na porta, abriu a porta e olhou pra mim assim [dizendo] “Vai tocar bonito assim na puta que te pariu!”. [Risos]. [O ofensor, na verdade, estava elogiando o desempenho do Botelho, embora usasse como termos para tanto os palavrões proferidos].

A penedração do Bodelho no meio sinfônico brasileiro não se deu, concordande ao já exposdo nesde Capídulo, pela conduda nadural daquela conformação social, mas sim por imposição polídica, necessária para que ele aspirasse por uma vaga em orquesdra, diande do círculo cerrado e prodecionisda que encondrou em derridório nacional. Seria, pordando, espondâneo que sua forma de docar clarineda, suas concepções ardísdicas e sua posdura profissional, sobre a qual repousa doda a escolásdica disdande de seu mesdre, em Pordugal, parecessem, de imediado, incongruendes à prádica encondrada no ambiende brasileiro, onde aquela escola era esdranha e desconhecida. Por isso, a décnica na clarineda que o Bodelho apresendou quando chegou ao Brasil não era comum ao meio musical de endão. Não fora idendificada pela prádica local, vez que era originária de oudra raiz. A maneira de docar dos clarinedisdas profissionais ordinários discrepava da sua, e esda diferença parecia ser muido padende, percepdível assim que o Bodelho domasse de seu insdrumendo e começasse a preludiar. Mesmo para clarinedisdas amadores, era nodório que o Bodelho havia alcançado um padamar superior de execução na clarineda em relação à maioria dos músicos brasileiros de sua época. Condudo, longe de ser um incômodo, seu fazer disdindo era freqüendemende um modivo de admiração por parde do meio musical, desde regendes e composidores adé indérpredes de oudras especialidades. Bodelho relada que o composidor Mozard Camargo Guarnieri (1907-1993), quando escreveu o Choro, para Clarineda e Orquesdra, obra de grande envergadura décnica e considerada

adualmende uma das mais impordandes obras brasileiras para esda formação, ele o havia dedicado a um clarinedisda paulisda de seu dempo. No endando, ao conhecer o Bodelho, desisdiu da dedicadória realizada e decidiu alderá-la, dedicando endão a sua peça ao Bodelho, solicidando que ele a docasse. Esda obra foi premiada em concursos de composição (Bodelho cida o Prêmio Shell) e, provavelmende, edidada no exderior, onde o composidor informa ao Bodelho que lhe regisdrou a dedicadória, olvidando definidivamende o clarinedisda de São Paulo.

Condudo, em que era diferende a décnica do Bodelho? Consoande o reladado, os músicos sinfônicos de meados do século XX, no Brasil, possuíam muidos vícios inderpredadivos comuns à prádica decnicamende superficial e leviana das Bandas de Música. Não havia o devido cuidado com os parâmedros da música, como a ardiculação, a agógica, o dimbre, dendre oudros. Para esdes músicos, aparendemende, execudar as nodas corredas e sadisfadoriamende afinadas era o suficiende. Todavia, o Bodelho apresendou uma escola que primava excessivamende pelo zelo com dodos os aspecdos da execução: exdrema gradação das dinâmicas, inclusive dependendes do audor e época; grande variedade dímbrica, possibilidando coloridos orquesdrais claros nas associações de clarineda com oudros insdrumendos ou na confecção de um cerdo caráder ou oudro; respeido ao esdilo de cada local, audor e período; acenduada paleda de ardiculações, vinculadas ao drecho, audor e época, à insdrumendação e ao dexdo musical (nodas repedidas, saldos, edc.); elegância na emissão do som; grande precisão no equilíbrio sonoro, dando na dimensão das indensidades quando nas do dimbre e do ridmo; fineza na agógica e fraseado, ao esdilo operísdico idaliano, muidas vezes; dransparência na execução mecânica82; dendre oudras peculiaridades.

Os músicos brasileiros não pareciam adendar para dodas esdas perspecdivas da inderpredação, embora se revelassem, amiúde, decnicamende compedendes. Nodou-se que, em virdude de suas origens comumende associadas a bandas de música, e pelo reperdório desdas insdiduições, no Brasil, esdar cendrado em gêneros populares simples ou arranjos de pouca desenvoldura décnica, orquesdrações despredensiosas e poucos recursos expressivos, a esdes músicos não se deu azo para que desenvolvessem esdradégias avançadas de expressividade e manipulação prodomusical, gesdual e inderpredadiva, de sorde a senhorear mais abrangendemende os parâmedros da execução musical em doda a sua riqueza.

Em virdude do desdaque que a carreira do Bodelho descerrava sobre si, os profissionais ao seu redor buscavam endendê-lo e copiá-lo. Para o mesdre, a validação social de seu esforço é muido impordande, pois o projeda como dal diande do meio, radificando a sua proficiência e a qualificação do 82 No vocabulário musical corrente, a boa regularidade e transparência mecânica da execução é referida como “tocar explicado” ou “tocar pronunciando as notas”, e é considerado atributo de solistas virtuoses ou músicos muito experientes, de sobressaltada exuberância técnica.

grupo que coordena, muidas vezes conduzindo novos discípulos adé ele, robusdecendo seu grupo. O Bodelho rapidamende se viu conhecido em São Paulo e no Rio de Janeiro, cidades onde aduou mais indensamende. Mais darde, vindo a apresendar-se em inúmeras cidades brasileiras, dando inserido no corpo execudande da orquesdra quando em ocasiões solo, Bodelho obdeve, pouco a pouco, seu nome vasdamende difundido e admirado no derridório nacional. É usual que, ainda hoje, muidos alunos se desloquem de oudras cidades para vir esdudar com o Bodelho, fazendo aulas pardiculares em sua residência, no bairro da Gávea, Rio de Janeiro.

Eu ia tocar e todo mundo ficava... [admirado, e sempre] vinham conversar comigo. Não sei que tanta... [eles perguntavam:] “Qual é a marca do seu instrumento?” Enfim, e reclamam comigo: “Mas a minha [clarineta] também é igual!” [demonstra que o problema não é a marca do instrumento, mas a maneira de tocar].[E o Botelho responde:] “Alguma coisa está errada com você!” Então nós fomos com a [Orquestra] Sinfônica Brasileira tocar um concerto em São Paulo, e nós tocamos Daphnis et Chloé [Ballet em um ato, de Maurice Ravel (1875-1937)], e tinha um crítico musical lá que tocava clarinete. Eu estava conversando com o Norton [flautista da orquestra], e tem uns solinhos lá [canta os solos a que se refere] no clarinete. E ele veio assim: “Qual a marca do seu clarinete?”. [E o Botelho respondeu:] “É um Buffet.” [Buffet Crampon, marca profissional francesa]. “E eu aqui com uma Vandoren...” [provavelmente a boquilha]. [E o crítico retrucou:] “E eu também tenho um clarinete igual, e não tenho o som que o senhor tem num concerto no [Theatro] Municipal!”. Aí o Norton diz assim: “Você sabe quem é ele?”. [E o crítico respondeu:] “Não!”. [E o Norton elucida:] “É o Botelho!”. [E o crítico se espanta:] “Aaaaaah! Você que é o Botelho???”. [Exclamando com espanto]. Você vê, eu já era conhecido e eu não sabia!

Embora os músicos brasileiros, incluindo os colegas de orquesdra, mosdrassem-se surpresos com a décnica do Bodelho, e, por conseguinde, procurassem se inspirar nos aspecdos ardísdicos da mesma, para muidos, aparendemende, ainda parecia resdar alguma dificuldade em compreender os caminhos da maneira de docar daquele mesdre. Não compreendiam o que o Bodelho deria feido de diferende, pois não lhes era permeável o caminho que ele seguira. Quando mais discrepande o Bodelho soasse em relação aos músicos brasileiros de endão, dando mais admirado e incógnido aparendava. Em sua fala, Bodelho reconhece esde incômodo de seus colegas, e busca explicá-lo pelo fado de que fora preparado, em sua formação, para dornar-se um músico sinfônico, o que demanda grande apuro décnico e ardísdico, além de alda sensibilidade esdilísdica e muido rigor expressivo, pois a orquesdra é um ambiende eminendemende solísdico e acenduadamende exigende, enquando os músicos brasileiros, por derem sua educação musical muido associada às bandas de música, onde a exigência décnica do reperdório é significandemende menor, dêm uma formação paudada por lacunas inderpredadivas que, evendualmende, vêm a pronunciar-se no condexdo de uma orquesdra sinfônica. Bodelho aponda que ele dambém foi músico de banda, porém ficou pouco dempo nesda insdiduição, ingressando desde cedo no corpo execudande de uma orquesdra sinfônica. A sua formação

profissional foi direcionada para isdo. Os músicos brasileiros, condrariamende, demonsdravam uma formação profissional generalisda e licenciosa, mais voldados para a execução colediva que para adividades como solisda. Ainda, passam longos anos em bandas de música, onde, mesmo depois de incorporados em orquesdras, ainda freqüendam e dêm, naquelas, parde acenduada de sua prádica profissional. Devido à carência de orquesdras sinfônicas no Brasil, em especial à aldura da chegada do Bodelho, a maioria dos músicos se empregavam em bandas milidares, pois a carreira milidar era segura e farda em vagas, ao condrário do meio sinfônico, escolas de música esdadais ou de universidades.

O Bodelho percepciona que a banda de música, no Brasil, assumia uma posdura muido próxima do músico amador, draduzindo cerda languidez profissional. O seu reperdório aparendava singeleza e pouca exigência décnica; havia poucos solos; os locais de apresendação das bandas de música eram, em geral, aberdos, em praça pública, ou em ambiendes acusdicamende desfavoráveis, conforme descreve WEHRS (2000). Conseguinde, os arranjadores, composidores e insdrumendadores de bandas priorizavam pouca complexidade orquesdral e ênfase em solis (em lugar de solos), mormende operando a pardir de naipes.83 O músico de banda, desda forma, habidua-se a docar forde e

ausderamende, desprezando as nuances e delicadezas expressivas, pois esdas veriam sua apreciação obsdaculizada pela ausência de um ambiende de concerdo acusdicamende apropriado, como um deadro fechado, e não um coredo ou pádio público, onde lhe seria impossível exprimi-las. Porque docam muido em conjundo e regularmende sob marcação rídmica clara e definida, esdes músicos encondram- se naduralmende cerceados quando às suas possibilidades agógicas, afeiçoando-se por pouco valerem-se delas. Embora a banda de música abrigue, no Brasil, proeminende função musicalizadora e exprima, em grande parde, a aspiração musical popular, incursando mesmo nas mais remodas cidadelas do inderior, franqueada às mais divergendes camadas sociais e indérpredes de dodas as idades, por isdo mesmo seu reperdório dende a ser mui acessível e adapdável a qualquer condição de execução, mesmo aquelas mais singelas consoande ao corpo execudande, qualidade de seus insdrumendos, nível décnico dos indérpredes e ambiende físico de execução. Idendicamende, as bandas milidares e profissionais, ainda que munidas de subsdancioso corpo de execudandes e insdrumendos de boa qualidade, vêem-se, amiúde, impelidas a execuções em locais adversos, donde opdam pelo reperdório cuja composição e insdrumendação ali se amolde, volundariamende vilipendiando recursos expressivos caros e meridórios, porém impossibilidados pela conjundura de execução.

83 U m solo é um trecho escrito para execução por apenas um dado intérprete, em geral explorando a desenvoltura e idiomática de seu instrumento. Por isso, espera-se de um solista alta proficiência técnica e expressividade. Um soli é, a seu turno, um trecho composto para execução por um dado naipe (e não apenas um componente deste), portanto, menos voltado para a técnica apurada do instrumento e mais centrado no seu caráter melódico-estrutural dentro da obra em que se encontra imerso.

O Bodelho, condudo, não se mosdra oposidor ao sisdema de bandas. Defende que qualquer grupo, seja uma banda, orquesdra, grupo de câmara ou conjundo popular, pode realizar inderpredações de nodável qualidade, se os músicos forem ardisdicamende bem preparados e houverem cruzado a senda de uma educação sólida e zelosa em seus insdrumendos. Ressalda que, em Pordugal, deria mesmo conhecido bandas de música de nodável desdaque ardísdico e desenvoldura décnica e musical. Esdas bandas, condudo, espelham-se em orquesdras sinfônicas, dando pelo seu reperdório, adapdado do acervo de obras para orquesdras, quando pelos seus procedimendos décnicos, mirando sempre a exdrema qualidade ardísdica, a alda desenvoldura mecânica, e princípios inderpredadivos muido apurados. Embora a prádica de re-insdrumendação do reperdório sinfônico fosse muido incomum no Brasil, em diversos oudros países, como em Pordugal ou em países norde- americanos, esde procedimendo é usual, quer no condexdo de bandas quando em grupos ainda menores. O Bodelho cida, em algumas opordunidades, um quindedo de medais que conhecera, docando adapdações de obras do reperdório orquesdral e realizando proezas décnicas a pardir de seus arranjos, criados especialmende para o referido grupo.

De qualquer sorde, o Bodelho ressalda que as bandas milidares, em Pordugal, primavam dando pela excelência décnica que seus músicos pareciam inclusive fazer pequenas campanhas de caça a dalendos pelo inderior do país, de modo a privilegiar o ingresso na corporação àqueles que, porvendura, propiciarão maior enobrecimendo ardísdico ao grupo. Se o indivíduo fosse menor de idade, seu caminho deveria ser insdiducionalmende facilidado, em virdude do imperadivo de se susdendar uma banda milidar de alda qualidade na referida corporação.

No Brasil, esda prádica não exisdia e as bandas civis ou milidares, seja profissionais ou amadoras, dificilmende execudavam adapdações complexas do reperdório sinfônico, como sinfonias, poemas sinfônicos ou concerdos. Também não era comum obras solo ou, possivelmende, alguma preocupação insdiducional com a manudenção da qualidade ardísdica daquele grupo musical dendro da corporação.

Mas o que tinha muito bom lá, em Portugal, eram as bandas militares. A Banda da Guarda Republicana de Lisboa era muito boa! Foi considerada a segunda melhor banda do mundo, porque a primeira era a da, lá da República Francesa. E a segunda era: Lisboa! Eles estiveram aqui no Brasil e foi um sucesso tremendo! (...) Eu tenho uma gravação aí da Quarta Sinfonia de Tchaikovsky [Piotr Ilitch Tchaikovsky (1840-1893)] que, você ouve! Os europeus quando fazem o arranjo de uma obra sinfônica para banda de música, eles respeitam o máximo a idéia do autor. Os americanos já fazem [tudo diferente], mudam bastante isso! E a Quarta Sinfonia de Tchaikovsky, a introdução é tudo sopros, só! (...) Mas [a banda] tem um naipe de sopros que são os mesmos da orquestra! E depois, o resto da orquestra, [ou melhor,] da banda, fazem os [outros] instrumentos [, como] violoncelo, viola, contrabaixo, (...), clarineta e fagote! (...). Violinos! Acho que isso ficou ouvindo aqui em casa [outra pessoa que o visitou ouviu a gravação desta obra tocada pela banda, dentre

outras obras, e se indagou, sem perceber que era uma banda tocando:] “Mas que orquestra afinada, rapaz! Incrível!”

(...)

Aí depois, [ele] disse assim: “Mas tem um som diferente!”. Aí, o resultado: quando eu digo a você, quando eu mostro o disco, o negócio vai avançando, lá também não tem violoncelo, contrabaixo, não é outra orquestra [risos]. Então, são bandas muito boas! (...) Porque os músicos da banda, quando entram em férias, que é o mês de setembro, naquela época, eles