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CAPÍTULO 2 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS

2.2 Procedimentos operacionais

2.2.3 Mapeamento dos elementos socioambientais

Como a etapa de caracterização do território intraurbano é primordial para elaboração de qualquer plano de gestão urbano foi definida uma metodologia que contemplou a análise do espaço urbano. Esta previu a caracterização dos fatores socioeconômicos e dos fatores físicos da cidade de Montes Claros de forma integrada, como pode ser observado na figura 08.

A partir dessa metodologia pôde-se organizar o banco de dados contendo o número e a localização dos equipamentos urbanos, além da infraestrutura disponível na área de estudo. A fonte primária dos dados de localização de serviços públicos de atendimento a população, bem como das instituições de ensino superior, pública e particular, foi a Secretaria Municipal de Planejamento, embora tenha havido necessidade de trabalho de campo para atualização e localização desses dados. Esses dados foram espacializados gerando mapas de distribuição dos serviços de educação, saúde e infraestrutura da cidade de Montes Claros. Os produtos cartográficos obtidos ilustram fidedignamente a realidade estrutural dessa cidade, permitindo conhecer o espaço urbano como um todo.

Figura 08 - Elementos socioambientais mapeados

Org.: Leite, M. E. 2008.

É válido salientar que a Secretaria Municipal de Planejamento possui uma base cartográfica digital da área urbana, entretanto esta apresenta problemas que se originaram no processo de construção das camadas. A presença de polígonos que não estão fechados e linhas quebradas são exemplos dessas deficiências, que comprometem a qualidade da cartografia da cidade de Montes Claros, além de interferirem na fase de cruzamento de banco de dados com a base cartográfica.

Os dados demográficos, também, auxiliaram na caracterização do espaço urbano da cidade estudada. Esses dados foram obtidos junto à seção do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE de Montes Claros, que forneceu os dados por setores censitários, ou seja, a menor unidade para disponibilizar os dados do censo demográfico de 2000. Embasado nas informações adquiridas, a partir dos respectivos dados foi realizada uma análise da condição socioeconômica da população de Montes Claros.

O processo de aquisição dos dados ambientais mostrou maior complexidade, em função da inexistência desses dados em formato digital. Para superar esse empecilho foram usadas as técnicas de sensoriamento remoto, de CAD e de SIG.

ESPAÇO

INTRAURBANO

Físico-territorial

Socioeconômicos

Ambiental

Estrutural

Serviços

Demográfico

Hidrografia Relevo Declividade Estradas Ferrovias Equipamentos urbanos Dados censitários

Para mapeamento em formato digital é essencial uma base cartográfica que, neste trabalho, estava disponível em meio analógico, através de plantas topográficas e levantamento aerofotogramétrico do perímetro urbano, bem como em formato digital, com as imagens Ikonos e Quick Bird.

Na fase de mapeamento hipsométrico e declividade do perímetro urbano de Montes Claros, o trabalho foi facilitado, devido à existência dos dados em formato digital com boa qualidade e precisão. Esses dados encontrados na Secretaria Municipal de Planejamento foram gerados a partir da digitalização de 71 pranchas do levantamento semicadastral realizado pela empresa de topografia AeroSul S.A, em 1990. As pranchas estão em uma escala de 1:2000, em que as curvas de nível apresentam equidistância de 0,5 metros.

As pranchas digitalizadas foram georreferenciadas no sistema de projeção UTM, fuso 23, com datum de referência o SAD 69, tendo assim um arquivo raster de saída no formato Tiff. Em seguida, esse arquivo serviu de base para a vetorização das isolinhas no software Auto CAD Map 2000 com zoom de 1/5. Na sequência, as linhas vetorizadas receberam os seus respectivos valores altimétricos.

Para executar a modelagem numérica do terreno (MNT), os arquivos shape das curvas de nível e dos pontos cotados foram trabalhados no software SPRING. Inicialmente a qualidade do georreferenciamento desses arquivos foi testada. Para isso, foram sobrepostos à imagem Quick Bird que está registrada com o mesmo sistema de referência das isolinhas e dos pontos cotados.

Depois de avaliada a precisão das isolinhas e dos pontos, geraram-se as grades retangular e triangular. A opção por gerar também a grade triangular, apesar do procedimento para processamento desse tipo de grade ser mais complexo e mais demorado que a grade retangular, está baseada na eficácia da representação das feições geomórficas da superfície, bem como pela precisão quantitativa dos dados gerados, principalmente para o caso da declividade.

A partir de alguns testes, visando definir parâmetros específicos e satisfatórios para uma escala de 1:2000, foi gerada a triangulação desejada. A grade triangular de

Delaunay teve como parâmetros: Tolerância de Isolinhas (m)= 0.4; Distância entre pontos de Isolinhas (m)= 8.0 e Tolerância de Linhas de Quebra (m)= 0.4. Adotou-se, ainda, interpolador com linhas de quebra e o valor da menor Aresta (m)= 0.04. O resultado da grade com esses parâmetros possibilitou gerar classes de hipsometria e de declividade compatíveis com a escala definida para esta pesquisa.

A geração das grades foi o ponto primário para realizar o trabalho de modelagem numérica, conforme apresentado na figura 09; com essa metodologia realizou-se o mapeamento hipsométrico e clinográfico da cidade de Montes Claros. Os dados sobre o relevo da área estudada contribuíram para analisar a relação entre a geomorfologia e a ocupação do espaço, além de revelar as condições de risco de deslizamento de encostas, uma vez que a declividade, associada aos fatores geológicos e pedológicos, são variáveis ambientais determinantes para identificar área com potencial para movimento de massa de solo.

A grade representa o modelo numérico do terreno e, dessa forma, é possível gerar o mapa hipsométrico. Para obter esse produto cartográfico, inicialmente, foram definidas as classes que seriam usadas no mapa. Essas classes foram estabelecidas através de uma análise prévia do valor da cota máxima e mínima das isolinhas. A menor cota foi de 585 metros e a maior de 940 metros, o que mostra que a altitude do relevo da cidade de Montes Claros apresenta uma variação de 355 metros.

Figura 09 - Etapas para gerar mapas hipsométrico e clinográfico

Org.: Leite, M. E., 2008.

Com essa análise, foram definidas cinco classes altimétricas, adotando a opção de fatiamento no software SPRING com o passo variável. As classes usadas, com a unidade de medida em metro, foram: menor que 610; entre 610 e 630; entre 630 e 650; entre 650 e 670; entre 670 e 690 e, por fim, maior que 690 metros. Depois que o software executou o comando, as fatias foram associadas às classes, gerando assim o mapa hipsométrico. Em seguida, esse arquivo foi exportado como shape e, no software Arc GIS, foi configurado, como exposto na figura 10. A escolha da Arc GIS para a função de edição do mapa final está baseada na qualidade dos elementos cartográficos disponíveis no Layout desse software.

Associação de fatia e classe Fatiamento Grade retangular Mapa Hipsométrico Associação de fatia e classe Fatiamento Grade triangular Mapa Clinográfico Associação de isolinhas e valores altimétricos

Figura 10 - Organização dos mapas no Arc GIS 9.3

Para o mapa de declividade o procedimento é semelhante ao do mapa hipsométrico, entretanto a etapa se iniciou com a grade triangular que, depois de definidos os parâmetros da declividade, passou por processo de fatiamento. Nesse momento, foram estabelecidas as classes de declividade em porcentagem e, após processada a imagem com a declividade em porcentagem, as fatias foram agregadas às classes definidas previamente no modelo de dados do SPRING. Assim como o mapa hipsométrico, a edição do mapa de declividade foi realizada no software Arc GIS.