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Mas afinal, por que programação para crianças?

No documento Mídia, infância e prática pedagógica (páginas 132-136)

A discussão sobre a importância do ensino de progra- mação e da formação do pensamento computacional de crianças vem ganhando destaque nos principais eventos que envolvem as áreas de informática e tecnologias educacionais, num reco- nhecimento de que diversas profissões do nosso século exigem essa formação. Para Silva et al. (2015), o acesso ao ensino de programação no Brasil está ainda muito restrito a quem procura cursos de graduação na área ou cursos correlatos, diferente- mente de países como Estados Unidos e Estônia onde tal ensino é oferecido desde as séries iniciais - uma ação que entende que o desenvolvimento de tais competências em seus alunos, gerará impactos na economia, pelo fato destes estarem mais preparados para as mudanças atuais. Tais autores ainda ressaltam:

Os resultados de estudos realizados na área, particular- mente em Jogos, Robótica, Ferramentas, Metodologias e Técnicas, indicam que os alunos se sentem empenhados e motivados por essa nova experiência de aprendizagem, produzindo níveis mais altos de ativação de estudante, mais emoções positivas, melhores atitudes em relação ao material de aprendizagem do que os métodos convencionais de ensino. Entretanto, a aplicação efetiva e em escala do ensino de programação no ensino básico ainda requer mais pesquisas e o desenvolvimento de novas abordagens (SILVA et al., 2015).

Esse ponto de vista evidencia muito além de uma preocu- pação com uma formação para o futuro, mas a compreensão de que o uso de ferramentas computacionais traz benefícios atuais, quando impulsiona a aprendizagem das crianças, em virtude do interesse destas pelos recursos e linguagem computacional. É importante ressaltar que para a Sociedade Brasileira da Computação (SBC), a computação deve ser tratada como qualquer outra ciência que auxilie diretamente no desenvolvi- mento do educando, constituindo-se como um requisito para a evolução do país (BRAGA et al., 2016).

O pensamento computacional é um método para solução de problemas baseado nos fundamentos e técnicas da Ciência da Computação (WING, 2016). Sua proposta é aplicar habilidades utilizadas para criação de programas computacionais como metodologia para resolução de problemas gerais.

Segundo Iste (2013, p. 43), o pensamento computacional é considerado como um processo de solução de problemas que inclui características tais como:

Formular problemas de modo que seja possível usar um computador para ajudar a resolvê-los; organizar os dados logicamente de modo que, futuramente, seja possível analisa-los; representar dados através de abstrações, tais como modelos e simulações; criar formas de auto- matizar as soluções através do pensamento algorítmico; permitir identificar, analisar e implementar soluções possíveis, com o objetivo de conseguir a combinação mais eficiente e eficaz de etapas e recursos; generalizar e transferir este processo de solução de problemas a uma variedade de outros problemas.

Diante de tantas habilidades envolvidas, percebemos o quanto o desenvolvimento do pensamento computacional é de

grande importância para toda a sociedade, pois são saberes a serem aplicados para a vida toda, tanto no âmbito pessoal quanto profissional, que auxiliam na busca de soluções de problemas, em qualquer área (WING, 2016).

Tedesco et al. (2016), reafirmam a necessidade de formação do pensamento computacional para crianças, equiparando-a ao processo de aquisição da leitura e da escrita, pelo fato de reme- ter-se à estratégias para a resolução de problemas que envolvem o uso/desenvolvimento do raciocínio lógico e formal. Para tais autores, os cidadãos do século XXI devem ser capazes de entender e projetar sistemas utilizando conceitos da área computacional. Em artigo apresentado em congresso na área computacional, tais autores levantam questionamentos em torno de quais conceitos elementares do pensamento computacional estariam em jogo e por quais meios deve se dar o seu ensino - o que nos indica que essas são questões em evidência, que demandam maior clareza e, consequentemente, muitos debates.

Dentre as experiências com uso de jogos na formação do pensamento computacional, Tedesco et al. (2016) destacam o uso do site3 Code Studio (mesma plataforma que está sendo utilizada

na experiência do NEI), o qual compila uma série de atividades lúdicas que buscam apresentar conceitos de programação para crianças a partir dos quatro anos de idade. A maioria dos desa- fios oferecidos por este site utiliza blocos de código encaixáveis, em que os jogadores fornecem os comandos a serem executados por personagens. Encontrar relatos desta natureza nos indica que o que acontece na nossa escola está em consonância com as práticas atuais que estão sendo disseminadas com o intuito de abordar noções de conhecimento de programação com crianças.

Entendendo que os programas “são escritos em linguagens que foram especialmente projetadas com um conjunto limi- tado de instruções para dizer aos computadores o que fazer” (MADEIRA et al., 2016, p. 302), estamos oferecendo por meio do projeto “A Hora do Código”, que será apresentado na próxima sessão, a possibilidade de vivenciar o exercício da programação e o desenvolvimento do pensamento computacional fazendo com que nossos alunos possam criar soluções para problemas do cotidiano de maneira simples e divertida. Considerando a rapidez com que a tecnologia é impulsionada para atender as necessidades humanas, imaginemos que os programas exis- tentes hoje poderão estar obsoletos, em tempo relativamente breve. Essa é uma das importâncias de se aprender a programar. Sem falar que a computação está presente em todas as áreas influenciando nossas relações de trabalho, estudo, família e comunicação. O projeto A Hora do Código assim pode ser descrito:

Hora do Código é uma iniciativa global voltada para a desmistificação do ensino da programação de computa- dores. A iniciativa já foi aplicada em mais de 180 países totalizando dezenas de milhões de estudantes. [...] Em pouco tempo, a iniciativa da Hora do Código evoluiu, contando com tutoriais e cursos mais completos sobre atividades do ensino de programação. De uma maneira geral, as atividades são organizadas em 4 cursos conforme a faixa etária dos alunos e os conhecimentos a serem adquiridos. (MADEIRA et al., 2016, p. 304). 4

Tais autores são os responsáveis pela implementação do projeto no NEI, o qual também encontra uma justificativa para

além do ensino de programação: a necessidade do desenvol- vimento do raciocínio lógico, essencial para qualquer área de conhecimento e/ou atuação.

A Hora do Código: resgatando a

No documento Mídia, infância e prática pedagógica (páginas 132-136)