Durante o 3º bimestre a turma realizou o estudo sobre o Tema de Pesquisa3 computador. O trabalho desenvolvido com a
turma sobre o computador foi a primeira experiência na escola que abordou a ferramenta como objeto de estudo, ao investigar o que é, para que serve, como surgiu, quais os cuidados que devemos ter, oportunizando às crianças conhecer mais sobre a ferramenta, (re)significando-a, valorizando-a e utilizando-a de maneira responsável.
Nessa perspectiva, objetivamos por meio deste, registrar/ refletir sobre a prática realizada e, ao mesmo tempo, favorecer a construção de novos saberes e fazeres com outros grupos, acerca do Tema de Pesquisa o computador. Esperamos que este trabalho possa ser realizado em outras turmas, tendo em vista
3 Tema de Pesquisa é a metodologia utilizada no NEI-CAp/UFRN, na qual
se articulam três dimensões básicas no processo de ensinar e aprender: o conhecimento das áreas de conteúdo que se quer tornar disponível às crianças; o contexto sociocultural das crianças, ou seja, suas realidades imediatas e os aspectos vinculados à realidade (RÊGO, 1999).
que o computador é uma ferramenta atrativa, e que cada vez mais cedo está presente do dia a dia das crianças, despertando desejos e curiosidades de como utilizá-lo.
Desde o estudo - a história do livro - realizado com a turma no 1º bimestre, que as crianças demonstravam um grande interesse e curiosidade pelo computador, havia um desejo em aprender a utilizá-lo para jogar, desenhar e pesquisar. Quando havia aula na sala de multimídia, as crianças ficavam eufóricas querendo manusear os computadores, nesses momentos perce- bíamos que já tinham consciência de algumas possibilidades da máquina e de alguns conhecimentos básicos (ligar/desligar, acessar a internet...), tendo em vista que a informática, cada vez mais, está presente no dia a dia das crianças.
Durante o 3º bimestre a turma foi escolhida para participar do projeto RoboEduc4, que utiliza a robótica como ferramenta de
ensino/aprendizagem. Nesse projeto são realizadas oficinas de robótica pedagógicas, onde as crianças são convidadas a solu- cionar problemas a partir do controle de robôs e, esse controle é feito pelo computador, sendo necessário que as crianças aprendam alguns conhecimentos básicos sobre informática.
Nesse sentido, a pesquisa se deu tanto pelo desejo de utilizar o computador da sala de aula e da multimídia e curio- sidade de saber como funciona, quanto pela participação da turma no projeto Roboeduc. Além disso, tínhamos a consciência que ao possibilitar a interação criança/computador estaríamos permitindo que as crianças se familiarizassem desde cedo com o computador e suas possibilidades.
4 Segundo Silva (2007) Roboeduc é um Projeto de Inclusão Digital com
Robôs, concebido pelo Departamento de Engenharia da Computação e Automação (DCA/UFRN).
Partimos, então para um diálogo com as crianças, ques- tionando-as para saber quais os conhecimentos elas já tinham sobre um computador:
Figura 1 – Conhecimentos prévios das crianças sobre o computador.
Fonte: Relatório da prática pedagógica. Turma do 1ºB. Ano/2008.
Após o levantamento das ideias iniciais, questionamos mais uma vez as crianças para fazer o levantamento de ques- tionamentos/dúvidas que as crianças apresentavam acerca do computador, o que elas gostariam de aprender sobre essa máquina.
Figura 2 – Questionamentos das crianças acerca do computador.
Diante desses questionamentos e indagações, elegemos os seguintes objetivos:
Figura 3 – Objetivos do tema de pesquisa.
Fonte: Relatório da prática pedagógica. Turma do 1ºB. Ano/2008.
Para o desenvolvimento da pesquisa, enviamos, inicial- mente, um bilhete para as crianças pesquisarem com seus familiares informações sobre o tema computador. Além disso, selecionamos materiais na biblioteca com ajuda da coordenação pedagógica da escola.
Com base nas indagações feitas pelas crianças fomos selecionando o material pesquisado e dando encaminhamentos ao nosso estudo.
Para dar início à pesquisa, começamos a observar o computador da nossa sala de aula e da sala de multimídia e a interagir mais com a ferramenta.
Inicialmente, quando as crianças se dirigiam ao compu- tador, existia uma curiosidade e uma exploração intensa. Algumas crianças perguntavam como funcionava, enquanto outras queriam apertar todos os botões e teclas que viam. Esse contato inicial teve um caráter lúdico, e as crianças também passaram a descrever as partes internas e externas do compu- tador. Houve uma curiosidade em saber a função de cada parte. Com essa primeira experiência, as crianças construíram um significado do que seria um computador, a partir do momento em que este se incorpora à realidade e deixa de ser apenas um brinquedo, adquirindo nuances utilitárias e funcionais.
Além de explorarmos as diversas possibilidades do computador, relembramos as atividades que havíamos realizado durante todo o ano: leitura de e-books, pesquisas, digitamos histórias, jogamos, ouvimos música, assistimos a vídeos, visitamos lugares distantes, nos comunicamos com pessoas distantes e mandamos e-mail. Nossa! Quantas coisas pudemos fazer! Ficou claro, então, o quanto o computador é útil para a vida do homem.
Nesse contato, as crianças aprenderam que o computador possuía diversas possibilidades, mas que existiam aspectos positivos e negativos no uso da máquina, reconhecendo que não se deve viver em função dela, mas que é preciso aprender a utili- zá-la para desfrutar dos seus benefícios. Por fim, cada criança realizou o registro sobre o que havia aprendido.
Figura 4 – Registro das crianças.
A curiosidade em saber o que havia por dentro do compu- tador estava cada vez mais aumentando e para esclarecermos sobre o assunto convidamos o bolsista de informática da escola, para abrir um computador e falar um pouco de como ele é por dentro e como funciona.
Na ocasião ele perguntou o que as crianças imaginavam que tinha dentro do computador:
- “Eu acho que tem fios, muitos fios”. - “Ah! Tem memória também”. - “Tem chip”.
- “Eu sei que tem uma placa-mãe”.
- “Você sabe para que ela serve?” “Serve para ligar o computador”.
A visita do bolsista possibilitou uma aproximação das crianças com as peças e uma familiarização com os nomes e função de cada uma delas, tal como podemos observar no registro coletivo da turma
Imagem 5 – Observando o computador.
Fonte: Relatório da prática pedagógica. Turma do 1ºB. Ano/2008.
Para dar ênfase à história do computador, realizamos apreciação de vídeos, leitura de textos e livros que abordavam sobre o assunto e visitamos o site do museu do computador.
Abaixo encontra-se o registro do que as crianças aprenderam sobre o assunto.
Figura 6 – Texto coletivo.
Fonte: Relatório da prática pedagógica. Turma do 1ºB. Ano/2008.
Além disso, vimos diferentes tipos de computadores, que se caracterizam por forma, tamanho, como por exemplo: Palm, notebook, microcomputador, supercomputador... cada um com suas características específicas e funcionalidades, mas que são denominados computadores por processar dados, armazenar e computar.
Dando continuidade ao trabalho sobre a história do computador e pensando na ideia das crianças de que o compu- tador evoluirá ainda mais, combinamos de organizar a turma em grupos para discutirem como seria o computador do futuro.
Nessa atividade, enquanto discutiam como seria o computador do futuro uma criança de cada grupo fazia o registro escrito e em seguida cada criança desenhava, ao final cada grupo fez uma votação do desenho mais bonito e parecido com aquilo que haviam determinado para o computador do futuro que haviam criado. O desenho escolhido foi reproduzido em outra folha e as tarefas de pintar e escrever as características foram distribuídas para as crianças conforme o seu grupo.
Figura 7 – Desenho.
Fonte: Relatório da prática pedagógica. Turma do 1ºB. Ano/2008.
Discutimos, também, com as crianças sobre o lixo eletrô- nico. Para iniciar o nosso debate, realizamos um trabalho de reciclagem do lixo. Utilizamos as embalagens dos produtos do nosso supermercado, que havíamos montado em sala de aula para que a turma vivenciasse situações de compra e venda utilizando o dinheiro, e fizemos uma classificação quanto ao tipo de material (papel, plástico, vidro e metal). Em nosso super- mercado haviam peças de computador à venda e começamos a discutir de qual material eram feitos, o monitor, por exemplo, é formado por vidro e plástico, etc.
Em seguida, assistimos ao filme “robôs” que aborda a reciclagem de robôs que ao invés de serem jogados no lixo eles eram consertados e reaproveitados. Na ocasião questionamos: - “E os computadores, será que podemos fazer isso também?” (professora)
- “Pode sim! Quando o computador lá de casa quebra leva pro conserto”. (Maria Eduarda)
- “E quando os computadores estão velhos, eles são jogados no lixo?” (professora)
- “Minha mãe vende”.
- “Na minha casa tem computador velho guardado”.
Através de conversas, leituras e apreciação de vídeos e reportagens, as crianças aprenderam que os computadores possuem substâncias tóxicas e que não podem ser jogados no lixo. Eles devem ser reciclados e reaproveitados.
O estudo do computador também desencadeou pesquisas sobre os meios de comunicação. Lemos alguns livros e descobrimos que a internet assim como o telefone e o celular, a televisão, o rádio, o jornal, e as revistas, é um meio de comunicação, mas com uma diferença : é o mais rápido, econômico e eficiente de todos. Através dela pode-se ver, ouvir, ler, falar, conversar, sentir, mesmo que à distância. Através dela mandamos e-mail, conversamos via MSN e Orkut com pessoas que estão bem longe, “do outro lado do mundo”, assim como
fizemos no estudo anterior sobre a China, quando conversamos com uma brasileira que estava morando por lá.
A internet reúne grande parcela do conhecimento humano, com acesso livre e democrático, mas assim como o mundo real, o mundo digital oferece perigos e podemos encon- trar todo tipo de informação (violência, pornografia, apologia ao racismo). E como todo meio de comunicação, sua utilização demanda cuidados em relação aos conteúdos transmitidos, é preciso estabelecer certas regras para que as crianças utilizem a internet de forma saudável, responsável e segura. Tanto os pais quanto os professores são os responsáveis por ajudar as crianças a entender como funciona o computador e a internet e a selecionar os conteúdos acessados.
Pensando nisto, exploramos o assunto internet utilizando a cartilha “Uso responsável da internet”, organizada e publi- cada pelo CDI – Comitê para democratização da informática em parceria com a operadora de telecomunicações GVT, que nos orientou a como encaminhar o trabalho com a internet. Destacamos, inicialmente, algumas questões “Para que usamos a Internet?”, “Temos alguma regra para utilizá-la?”; “Quais os cuidados que devemos ter ao utilizar a internet?”. E para respondê-las, mostramos inicialmente um vídeo organizado pelo CDI que trata dos cuidados que devemos ter com a internet. Em seguida, conversamos com as crianças retomando o que foi discutido no vídeo e o que elas aprenderam. Nesse momento, elas puderam expressar suas ideias associando-as com as suas vivências e tirando algumas dúvidas. Durante a conversa elas compreenderam que as crianças podem acessar a internet, no entanto, é preciso que um adulto esteja por perto orientando e protegendo assim como fazem no dia a dia. Demos continuidade à atividade, lendo em grupo algumas
histórias em quadrinho disponibilizadas na cartilha “Uso responsável da internet” e após a leitura pedimos que cada grupo registrasse o cuidado que a história lida discutia:
Figura 8 – Desenho.
Fonte: Relatório da prática pedagógica. Turma do 1ºB. Ano/2008.
Para finalizar a atividade, em outro momento, sugerimos às crianças a criação da cartilha da turma, utilizando como princípio as dicas existentes na cartilha. Para isso, pedimos que os grupos criassem uma história em quadrinho sobre o cuidado que haviam registrado e discutido. O objetivo era estabelecer algumas regras visando o uso responsável e consciente da internet, além de trabalhar o diálogo, forma de texto apontado como conteúdo a ser trabalho na turma 5.