• Nenhum resultado encontrado

Matriz Legal: Previsão Constitucional e Aspectos Institucionais do Atual

No documento Comunidades urbanas energeticamente eficientes (páginas 129-133)

Sistema Elétrico Brasileiro

A Constituição da República Federativa Brasileira de 1988 determina em seu art. 20 que os poten- ciais de energia hidráulica são bens da União:

Art. 20. São bens da União:

[...] VIII - os potenciais de energia hidráulica; [...] § 1º É assegurada, nos termos da lei, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municí- pios, bem como a órgãos da administração

direta da União, participação no resultado da exploração de petróleo ou gás natural, de recursos hídricos para fins de geração de energia elétrica e de outros recursos mi- nerais no respectivo território, plataforma continental, mar territorial ou zona econô- mica exclusiva, ou compensação financei- ra por essa exploração (BRASIL, 1988). Ainda na Carta Magna é estabelecido que cabe á União explorar os serviços de energia elétrica, di- retamente ou por meio de concessão, permissão ou autorização, conforme disposto no artigo 21:

Art. 21. Compete à União:

[...] XII - explorar, diretamente ou median- te autorização, concessão ou permissão: [...] b) os serviços e instalações de energia elétrica e o aproveitamento energético dos cursos de água, em articulação com os Estados onde se situam os potenciais hidroenergéticos (BRASIL, 1988).

Já o artigo 22 expõe que compete exclusivamente à União legislar sobre energia:

Art. 22. Compete privativamente à União legislar sobre:

[...] IV - águas, energia, informática, teleco- municações e radiodifusão (BRASIL, 1988). O artigo 175 da Lei Maior, por sua vez, estabelece as regras básicas acerca da prestação dos servi- ços públicos, prevendo que a Lei estabelecerá a forma como o Poder Público, diretamente ou por delegação, os prestará:

Art. 175. Incumbe ao poder público, na for- ma da lei, diretamente ou sob regime de concessão ou permissão, sempre através de licitação, a prestação de serviços públicos. Parágrafo único. A lei disporá sobre: I - o regime das empresas concessionárias e permissionárias de serviços públicos, o caráter especial de seu contrato e de sua prorrogação, bem como as condições de caducidade, fiscalização e rescisão da concessão ou permissão (BRASIL, 1988). Percebe-se, portanto, que a Constituição Federal Brasileira de 1988 estabeleceu que cabe à União

explorar os serviços e instalações de energia elé- trica e o aproveitamento energético dos cursos de água, diretamente ou por meio de concessão, per- missão ou autorização, e que compete exclusiva- mente à União legislar sobre energia. A Constitui- ção preceitua ainda a realização de licitação para a concessão ou permissão de serviços públicos e permite que a lei disponha sobre a prorrogação dos respectivos contratos.

O setor elétrico brasileiro se caracteriza como monopólio natural. Entre 2003 e 2004 o governo federal lançou as bases de um novo modelo para o Setor Elétrico Brasileiro (SEB), sustentado pelas Leis nº 10.847 e 10.848, de 15 de março de 2004, e pelo Decreto nº 5.163, de 30 de julho de 2004. É imperioso conhecer a forma como se estrutura e como funciona o setor elétrico brasileiro. Na Ad- ministração Pública brasileira, o Ministério de Mi- nas e Energia é a instituição responsável por for- mular os princípios básicos e definir as diretrizes da política energética nacional. Como subsídio, o MME promove, por meio de seus órgãos e empre- sas vinculadas, diversos estudos e análises orien- tadas para o planejamento do setor energético. Em termos institucionais, o novo modelo do Sis- tema Elétrico Brasileiro definiu a criação de uma entidade responsável pelo planejamento do se- tor elétrico a longo prazo, a Empresa de Pesquisa Energética (EPE); uma instituição com a função de avaliar permanentemente a segurança do su- primento de energia elétrica, o Comitê de Moni- toramento do Setor Elétrico (CMSE); e uma ins- tituição para dar continuidade às atividades do Mercado Atacadista de Energia (MAE), relativas à comercialização de energia elétrica no Siste- ma Interligado, a Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE).

Outras alterações importantes incluem a definição do exercício do Poder Concedente ao Ministério de Minas e Energia (MME) e a ampliação da autonomia do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS). Em relação à comercialização de energia, foram instituídos dois ambientes para celebrar contra- tos de compra e venda: o Ambiente de Contrata- ção Regulada (ACR), do qual participam agentes de geração e de distribuição de energia; e o Am- biente de Contratação Livre (ACL), do qual par-

ticipam agentes de geração, comercializadores, importadores e exportadores de energia e consu- midores livres (MME, 2015).

O novo modelo do setor elétrico visa atingir três objetivos principais:

• Garantir a segurança do suprimento de energia elétrica;

• Promover a modicidade tarifária;

• Promover a inserção social no Setor Elétrico Brasileiro, em particular pelos programas de universalização de atendimento.

O modelo prevê um conjunto de medidas a serem observadas pelos agentes, como a exigência de contratação de totalidade da demanda por par- te das distribuidoras e dos consumidores livres, nova metodologia de cálculo do lastro para venda de geração, contratação de usinas hidrelétricas e termelétricas em proporções que assegurem melhor equilíbrio entre garantia e custo de supri- mento, bem como o monitoramento permanente da continuidade e da segurança de suprimento, visando detectar desequilíbrios conjunturais en- tre oferta e demanda (MME, 2015).

Ainda de acordo com o Ministério de Minas e Energia (2015), a inserção social busca promover a universalização do acesso e do uso do serviço de energia elétrica, criando condições para que os benefícios da eletricidade sejam disponibilizados aos cidadãos que ainda não contam com esse ser- viço, e garantir subsídio para os consumidores de baixa renda, de tal forma que estes possam arcar com os custos de seu consumo de energia elétrica. O organograma previsto na Figura 1 mostra a es- truturação do Sistema Elétrico Brasileiro, desde o poder executivo federal, conforme previsto pela Constituição Federal Brasileira de 1988.

De acordo com a ONS (2015), é possível visualizar as atribuições e respectivas competências defini- das para cada órgão vinculado ao Sistema Elétri- co Brasileiro, bem como sua natureza jurídica, nos termos que se afiguram abaixo:

Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) Órgão de assessoramento do Presidente da Repú- blica para formulação de políticas nacionais e di- retrizes de energia, visando, dentre outros, o apro- veitamento natural dos recursos energéticos do país, rever periodicamente a matriz energética e estabelecer diretrizes para programas específicos. É órgão multi-ministerial presidido pelo Ministro de Minas e Energia.

Ministério de Minas e Energia (MME)

Encarregado de formulação, do planejamento e implementação de ações do Governo Federal no âmbito da política energética nacional.

Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE) O CMSE foi criado pela Lei nº 10.848 de 15/03/2004, regulamentado pelo Decreto nº 5.175 de 09/08/2004 e é coordenado diretamente pelo Ministro de Minas e Energia (MME). Sua função principal é monitorar e avaliar permanentemente as condições de seguran- ça e continuidade do suprimento de energia no país. É composto por:

• Ministro de Minas e Energia, coordenador do Comitê;

• Quatro representantes do MME e os CEOs das instituições seguintes: Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel);

Figura 1 Organograma do Sistema Elétrico Brasileiro

Agência Nacional de Petróleo e Gás (ANP); Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE); Empresa de Pesquisa Energética (EPE); Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS).

Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE)

Pessoa jurídica de direito privado, sem fins lucra- tivos, sob regulação e fiscalização da ANEEL, com finalidade de viabilizar a comercialização de ener- gia elétrica no Sistema Interligado Nacional (SIN). Administra os contratos de compra e venda de energia elétrica, sua contabilização e liquidação. Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) Pessoa jurídica de direito privado, sem fins lucra- tivos, sob regulação e fiscalização da ANEEL, tem por objetivo executar as atividades de coordena- ção e controle da operação de geração e transmis- são, no âmbito do SIN.

Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) Autarquia sobre regime especial, vinculada ao MME, com finalidade de regular a fiscalização a

produção, transmissão, distribuição e comerciali- zação de energia elétrica, em conformidade com as políticas e diretrizes do Governo Federal. Empresa de Pesquisa Energética (EPE)

Tem por finalidade prestar serviços na área de estudos e pesquisas destinadas a subsidiar o pla- nejamento do setor energético, tais como energia elétrica, petróleo e gás natural e seus derivados, carvão mineral, fontes energéticas renováveis e eficiência energética, dentre outras.

Os Agentes Setoriais, por sua vez, também pos- suem funções distintas nesse cenário.

• Agentes Geradores: São autorizados ou concessionários de geração de energia elétrica, que operam plantas de geração e prestam serviços ancilares. • Agentes de Transmissão: Agentes

detentores de concessão para transmissão de energia elétrica, com instalações na rede básica. • Agentes de Distribuição: Operam um

sistema de distribuição na sua área de

Figura 2 Órgãos do Sistema Elétrico Brasileiro

concessão, participando do Sistema Interligado e sendo usuários da Rede Básica. Contratam serviços de transmissão de energia e serviços ancilares do

Operador Nacional do Sistema Elétrico. • Consumidores Livres: Consumidores

que têm a opção de escolher seu fornecedor de energia elétrica, conforme definido em resolução da ANEEL. • Agentes Importadores: São agentes

titulares de autorização para implantação de sistemas de transmissão associados à importação de energia elétrica. • Agentes Exportadores: São agentes

titulares de autorização para implantação de sistemas de transmissão associados à exportação de energia elétrica. • Agente Comercializador da Energia de

Itaipu: Itaipu é uma entidade binacional, pertencente ao Brasil e ao Paraguai. O relacionamento entre os dois países segue tratados internacionais específicos. A energia de Itaipu recebida pelo Brasil representa cerca de 30% do mercado de energia da região sul/sudeste/centro- oeste. A comercialização dessa energia no Brasil é coordenada pela Eletrobrás. A Figura 2 mostra a relação entre os diversos ór- gãos responsáveis pelo controle, geração, trans- missão e distribuição de energia elétrica no país.

No documento Comunidades urbanas energeticamente eficientes (páginas 129-133)