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mento ambiental)

No documento PARECERES DO TEMPO DE FACULDADE (páginas 71-85)

[APELAÇÃO CÍVEL EM FAVOR DO INCRA/MS]18. MERITÍSSIMO SENHORDOUTOR JUIZ FEDERAL DA SUBSEÇÃO JUDI-CIÁRIA DE CORUMBÁ SEÇÃO JUDICIÁRIA DE MATO GROSSO DO

SUL

AUTOS N.5000176-69.2018.4.03.6004 [AÇÃO CIVIL PÚBLICA].

O INSTITUTO NACIONAL DE COLONIZAÇÃO E REFORMA

AGRÁRIA (INCRA), [omissis] por intermédio de sua Procuradoria Federal no estado de Mato Grosso do Sul, vem, mui respeitosa-mente, na pessoa de seu procurador in fine subscrito, ante a pre-sença de Vossa Excelência, irresignado e em desacordo com sentença prolatada em ID 21094111, nos autos da AÇÃO CIVIL PÚBLICA, bem como em conformidade ao ditame do art.

1.010, caput, do Código de Processo Civil, dirigir-lhe esta APE-LAÇÃOCÍVEL na forma das anexas razões, a fim de que seja reexaminada pelo egrégio Tribunal Regional Federal da 3.ª Re-gião.

18 Redigida por mim e pela minha caríssima colega PAULINNE M ADE-LEINNE PAVON LEITE,sob a supervisão de nosso mentor EDUARDO HENRIQUE MAGIANO PERDIGÃO LIMA CARDOSO FERRO.

-RAZÕES DA APELAÇÃO - Egrégio Tribunal,

Colenda Turma,

Excelentíssimo Senhor Desembargador Federal Relator.

Em que pese a cultura e a honradez que norteiam as deci-sões emanadas da lavra do digno Juiz Federal da 1.ª Vara, da 4.ª Subseção Judiciária de Mato Grosso do Sul (Corumbá), a Autar-quia Recorrente não pode se conformar com a r. sentença da qual ora recorre.

-I- DOS FATOS

1.– Cuida-se de ação civil pública movida pelo MINISTÉRIO

PÚBLICO FEDERAL em face do INSTITUTO NACIONAL DE C OLONI-ZAÇÃO E REFORMA AGRÁRIA (INCRA), bem como do INSTITUTO DO MEIO AMBIENTE DE MATO GROSSO DO SUL (IMASUL), com alusão a desobediência – por parte dessas autarquias – de co-mando constitucional que prescreve o licenciamento ambiental.

Indica mais precisamente o diligente MPF o suposto des-cumprimento de tal ordenação no que toca aos Projetos de Assen-tamento TAQUARAL, TAMARINEIRO I, TAMARINEIRO II, P AIOLZI-NHO, URUCUM, MATO GRANDE,SÃO GABRIEL e 72, todos situa-dos na jurisdição da subseção judiciária de Corumbá, seção judi-ciária de Mato Grosso do Sul.

2. – Aduz, em suma, o MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL a) que a resolução CONAMA 458/2013, que isenta, em determinados casos, os Projetos de Assentamento destinados à reforma agrária

de licenciamento ambiental prévio (LP) e de instalação e opera-ção (LIO), que ela não pode ser aplicada aos assentamentos por violar o direito adquirido, devendo o INCRA levar em conta a resolução CONAMA anterior a essa supra indigitada; b) que, de igual maneira, a nova resolução não seria aplicável devido a seu conteúdo alegadamente inconstitucional; c) que, para o anterior-mente dito, viola essa resolução os princípios do não retrocesso e da prevenção em matéria ambiental.

-II- DO DIREITO DA TEMPESTIVIDADE DO RECURSO

3.– OINCRA fora intimado da r. sentença de Sua Excelência o magistrado FABIO KAIUT NUNES (ID 21094111) a 03 de setem-bro de 2019. Em obediência ao Código de Processo Civil, é for-çoso convir pela tempestividade da presente apelação no molde e prazo estabelecido pelo art. 1.003, § 5.º, desse diploma proces-sual; sem olvidar, ainda, a prerrogativa conferida a autarquias da União disposta no art. 183, caput, da mesma lei.

DA IRRETROATIVIDADE DA NORMA E DO DIREITO ADQUIRIDO 4. – Inicialmente, faz-se necessário perquirir se a edição da reso-lução n. 458/2013 do CONSELHO NACIONAL DO MEIO A MBI-ENTE fere o direito adquirido dos beneficiários dos lotes de re-forma agrária, como prenunciado pelo Parquet federal na peça exordial e, se assim suceder, se deve ser aplicada ao caso a reso-lução 387/2006 desse mesmo Conselho.

5. – De início, pontuamos que de efeito retroativo é evidente que não se trata. Isso porque retroagir implica voltar os efeitos da

norma a atos perfeitos e já consumados tanto na concretude da ação quanto em seus efeitos jurídicos. Evidente que a condição jurídica de beneficiário do Programa Nacional de Reforma Agrá-ria não compreende fato consumado, mas negotia pendentia, pois a situação e os efeitos jurídicos pendem no tempo presente. Por-tanto, como a nova resolução não busca irradiar seus efeitos nas situações perfeitas e terminadas no passado, é claro que não tem ela efeitos retroativos.

De outro lado, a afetação do direito adquirido pode-se di-zer que ocorre em relação a atos perfeitos no passado, mas que ainda não tiveram exauridos os seus efeitos jurídicos no presente.

Esse é o caso dos contratos firmados entre o INCRA e os benefi-ciários. Esses negócios são escudados pelo direito adquirido (CF-88, art. 5.º, n. XXXVI).

Em que pese isso, ensina CELSO ANTÔNIO BANDEIRA DE

MELLO, em artigo intitulado ‘a aplicação da lei no tempo em di-reito administrativo’, que “O próprio de lei nova, como de qual-quer regra geral (regulamento, regimento, estatuto) é sua inci-dência imediata. Com efeito, presume-se que a norma geral pro-duzida o foi justamente por ser mais adequada para regular as espécies do que o diploma pretérito. Nisto não há qualquer con-tumélia a fatos e situações que no passado se exauriram ou nele se perfizeram, pois regra superveniente regula situações presen-tes e futuras”.

Dessa forma, na lição desse eminente doutrinador, a as-sunção do direito adquirido é exceção, e não regra, na aplicação dos atos-normas da administração; mormente onde se lê: “É bem de ver que tais efeitos [a blindagem dos direitos adquiridos] são excepcionais”.

Analisando quais são, portanto, as exceções em que se aplica a teoria do direito adquirido, arremata o mestre: “quando se possa entender que o dispositivo não existiria se não fosse para atingir este desiderato, considera-se consolidado o direito na forma dele recebida. Há leis, como há atos, que delineiam efeitos cujo único sentido é sua projeção no futuro, por ser esta a própria maneira de se expressarem. Só nestes casos ocorre direito adqui-rido. [...] Bem por isso podem reputar-se ocorrentes apenas quando o sentido do ato jurídico gerador da situação só se expli-que logicamente [...] como uma decisão de dispor para o futuro, de modo que seu conteúdo nuclear consista precisamente em in-vestir alguém numa posição de direito impermeável às novas re-gras, blindada contra o influxo de ulteriores disposições norma-tivas. Fora daí a mutabilidade das situações jurídicas gerais é inevitável, sendo mera conseqüência da aplicação imediata das regras novas; simples corolário da vigência da lei no tempo”.

É dizer: “Ao cabo de todo o exposto [...] os atos-regra (que produzem situações gerais, abstratas e impessoais) não ge-ram, por si só, direitos adquiridos”.

Como espelhos dessas situações em que a norma geral não garante direito adquirido ao jurisdicionado aduz o renomado ju-rista: “Teria sentido alguém pretender se opor à alteração das regras do imposto de renda, argüindo direito adquirido àquelas normas que vigiam à época em que se tomou contribuinte pela primeira vez? Teria sentido invocar direito adquirido para obstar a aplicação de novas regras concernentes ao serviço militar, ar-gumentando que o regime vigorante era mais suave quando o convocado completou 18 anos? Acaso poderia um funcionário, em nome do direito adquirido ou do ato jurídico perfeito, garan-tir para si a sobrevivência das regras funcionais vigentes ao

tempo em que ingressou no serviço público, quais as concernen-tes às licenças, adicionais etc.? Seria viável alguém invocar di-reito adquirido a divorciar-se, se legislação posterior a seu ca-samento viesse a extinguir este instituto jurídico? Ou, reversa-mente, teria direito adquirido à indissolubilidade de vínculo se lei nova estabelecer o divórcio?” Dos exemplos facilmente se pode extrair a analogia para os casos de beneficiários do PNRA.

Os beneficiários são incursos numa relação jurídica da qual não se depreende que para sempre deverão estar resguarda-dos contra leis ou ato normativos futuros – principalmente tan-genciados pelo direito ambiental –, senão naquilo que toca ao contrato firmado com a administração, ou mesmo os requisitos para alcançar a condição de beneficiário. Afora essas coisas, a le-gislação vigente ao tempo em que se tornou beneficiário não con-fere a ele direito adquirido.

6. – De outro modo, vê-se que, mesmo que assim se dessem as coisas, ainda não poderia, a nenhum modo, sobre aqueles projetos de assentamentos nos quais recai a questão, ser aplicável a reso-lução 387/2006; isso por um motivo simplista: se implica direito adquirido a subordinação a legislação ambiental, pelo fato de se-rem os assentamentos das décadas de 1980 e 1990 (salvo P.A. São Gabriel, que é de 2005), se evidencia a impossibilidade de apli-cação de norma de 2006, sendo cabível outra ainda mais antiga ou nenhuma, se não houvesse.

Evidente a teratologia de tal compreensão, pelo que facil-mente se depreende o absurdo da alusão ministerial de efeitos re-troativos da nova resolução bem como violação a direito adqui-rido.

DA CONSTITUCIONALIDADE DA RESOLUÇÃO 458/2013 DO CO-NAMA

7. – A primordial questão versada nesse feito é, no entanto, o con-trole difuso da constitucionalidade da resolução sabida.

De pronto, faz-se necessário pontuar que a atuação do CONSELHO NACIONAL DO MEIO AMBIENTE, no que toca à com-petência para legislar em matéria ambiental, deriva da Lei 6.938, de 31 de agosto de 1981 (art. 8.º, n. I). No bojo desse diploma legal, nota-se que a competência atribuída ao CONAMA para efeito de sua edição normativa é de natureza secundária.

Dito isso, é consideração lógica que o eventual conflito de normas não se resolve pela inconstitucionalidade da resolução, mas pelas regras gerais de antinomia legal, mais notadamente pelo critério da hierarquia. Daí se depreende que o juízo de cons-titucionalidade no caso em concreto se mostra – no mínimo – ino-portuno.

Não por outra razão não tem admitido o Supremo Tribunal Federal o ajuizamento de ações que visem ao controle abstrato de constitucionalidade das resoluções do CONAMA (“É incabível a ação direta de inconstitucionalidade quando destinada a exami-nar atos normativos de natureza secundária que não regulem di-retamente dispositivos constitucionais, mas sim normas legais”.

ADI 2.714: Min. Rel. Maurício Corrêa. DJ 27.02.2004. – “Não se admite a propositura de ação direta de inconstitucionalidade para impugnar resolução do CONAMA, ato normativo regula-mentar e não autônomo, de natureza secundária”. ADI 3074:

Min. Rel. Teori Zawascki. DJe 13.06.2014).

Permita-se a ilação: talvez seja mesmo por isso que inte-ressa ao Parquet federal a pressa em propor ações de controle constitucional de natureza concreta, dado que não logrará sucesso nas ações que intenta contra tais normas no âmbito da Suprema Corte.

8. – Passemos, contudo, ao exame da constitucionalidade da resolução em comento, para fim de aclarar a acolhida constituci-onal dos atos normativos a que cumpre o INCRA.

Para que seja inconstitucional será preciso que a resolu-ção discutida viole, por óbvio, preceito da Constituiresolu-ção.

O MINISTÉRIO PÚBLICO, na pessoa do d. Procurador-Geral da República, àquele tempo, Sua Excelência RODRIGO JANOT

MONTEIRO DE BARROS, ingressou com Ação Direta de Inconsti-tucionalidade (ADI 5.547) que versa absolutamente sobre a mesma matéria e sob os mesmos argumentos. Aqui apenas se ven-tilam esses argumentos para a concretude dos assentamentos re-gionais. O d. Procurador federal subscritor da inicial, anteci-pando-se ao julgamento desse feito, aguerridamente argumenta – por esse controle difuso – que a Resolução CONAMA 458/2013 viola preceitos constitucionais ao contrariar os princípios da ve-dação ao retrocesso e da prevenção, positivados no Texto Maior em seu artigo 225.

Ora, na matéria sob exame, ao fim e ao cabo, não há que se falar em inconstitucionalidade.

Em primeiro lugar, pois que o princípio da prevenção im-põe tanto ao poder público quanto à coletividade o dever de pro-teger e preservar o equilíbrio ecológico; interpretação que se ex-trai do exposto no texto constitucional (CF-88, art. 225, caput).

Art. 225. Todos têm direito ao meio am-biente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se ao Poder Público e à coletividade o dever de de-fendê-lo e preservá-lo para as presentes e futuras gerações (g.n).

Em consonância com esse mandamento da Lei Funda-mental, a resolução impugnada define em sua redação:

Art. 3º: Omissis...

§ 2° O procedimento de licenciamento simplificado deverá ser requerido:

I - pelos beneficiários do programa de re-forma agrária responsáveis pelas ativida-des agrossilvipastoris, individual ou cole-tivamente, com apoio do poder pú-blico; (g.n).

Na mesma quadra, arremata o Procurador na peça exor-dial que: "Do regime jurídico específico do meio ambiente, re-sulta, ainda, que a sua proteção, por ser de interesse público, so-brepõe-se à tutela de interesses individuais, de índole privada, e que a gestão da sua qualidade não é monopólio do Estado, o qual deve administrá-lo com a participação direta da socie-dade e em sintonia com as expectativas desta" (g.n).

Dessa forma, O INCRA – mesmo sob a redação da nova normativa – não foi eximido de seu papel constitucionalmente atribuído de garantir a preservação do meio ambiente e seu

ecossistema. Apenas foi-lhe dado compartilhar o dever que a Constituição o confiou – como, de há muito, deveria ser.

A previsão de que o requerimento do licenciamento – quando necessário – deve ser de responsabilidade do assentado, ao largo de constituir conflito com a Lei Fundamental, estabelece, em conformidade e de modo mais adequado com a legislação am-biental vigente – notadamente o Código Florestal – fórmula de maior equidade na relação beneficiário-INCRA.

Em segundo lugar, pois que, ao voltar-se para o princípio da vedação ao retrocesso, em síntese, consoante o ensinamento do eminente constitucionalista português JOSÉ JOAQUIM G O-MES CANOTILHO (Direito Constitucional e Teoria da Constitui-ção, 1998 p. 320), esse princípio estabelece que não é possível a edição de uma norma que preveja um retrocesso, uma diminuição no grau de implementação e concretização de determinados direi-tos fundamentais já alcançados pela lei revogada, sem que sejam aprovadas normas ou políticas públicas, substitutivas ou com-pensatórias, que continuem assegurando proteção pelo menos ao núcleo essencial do direito fundamental envolvido.

Ora, por evidente que a Resolução n. 458/2013 do CO-NAMA, que revogou a Resolução CONAMA n. 387/2006, man-teve, em sua letra de lei, normas substitutivas que asseguram con-tinuamente proteção ao meio ambiente, se não entendido em seu todo, certamente no que toca ao núcleo fundamental dessa salva-guarda, não havendo falar em retrocesso, mas em inovação polí-tica conforme as conveniências e necessidades atuais, sem preju-ízo à ordem ecológica.

Noutro passo, é certo dizer que a nova resolução veio em momento oportuno. A antiga normativa do Conselho Nacional do

Meio Ambiente, editada em 2006, por óbvio, não poderia prever, por exercício de futurologia, a entrada em vigor do novo Código Florestal (Lei n. 12.651/2012), sendo descabido, àquele tempo, a isenção aqui discutida.

No entanto, com a previsão do instituto do Cadastro Am-biental Rural (12.651/2012, art. 29) é notório que, somado a ele o licenciamento ambiental, incorreria – aí sim –, a resolução em clara desproporcionalidade. Isso porque o Cadastro já implica em sua previsão a proteção encartada pela Constituição, ao estabele-cer, desde logo, a resguarda das áreas de Reserva Legal, bem como de Proteção Permanente, entre outros.

A Constituição da República, ao impor a necessidade do licenciamento ambiental, estipulou em seu próprio teor a adequa-ção e a proporadequa-ção em que se deveria dar. Reza aquela Carta como incumbência do Poder Público: “exigir, na forma da lei, para ins-talação de obra ou atividade potencialmente causadora de sig-nificativa degradação do meio ambiente, estudo prévio de im-pacto ambiental, a que se dará publicidade” (CF-88, art. 225, § 1.º. IV).

Bem se sabe, a atuação dos assentados em projetos de as-sentamento, a par de ressuscitar a produtividade das glebas em que laboram, a par de fazer renascer a fertilidade e a fecundidade da terra, a par de salvaguardar as áreas de proteção ambiental, a par de encher de vida os latifúndios anteriormente vazios, a par restaurar a dignidade de quem a havia por duvidosa, é, sobretudo, uma atividade notadamente de baixo impacto ambiental. Os as-sentamentos fazem mais bem do que mal. E, ainda, apesar disso, nas instalações, nos empreendimentos de infraestrutura, nas edi-ficações, nas construções, nas capitações e em todas as atividades cujo teor constatar o órgão ambiental competente ser de “impacto

significativo” (Resulução CONAMA 458/2013, art. 3.º, § 4.º), para todas essas coisas - é bem de ver – ainda não deixou de pre-ver a resolução o anterior e necessário licenciamento.

Essa previsão é expressa na resolução e diz absolutamente o mesmo que diz a Constituição quanto à dimensão do que se deve licenciar. Como pode ser inconstitucional a reprodução ipsis litteris da profundidade que conferiu a Lei Fundamental ao licen-ciamento?

9. – Ainda, é de se fazer notar que o Conselho editor da norma aqui contestada publicou já outras normas de simplificação nos mesmos moldes e que jamais tiveram sua constitucionalidade questionada pelo MINISTÉRIO PÚBLICO. A saber, a Resolução 377, de 9 de outubro de 2006, que dispõe sobre o licenciamento ambi-ental simplificado de sistema de esgotamento sanitário; a Resolu-ção 279, de 27 de junho de 2001, que estabelece procedimentos para o licenciamento ambiental simplificado de empreendimentos elétricos com pequeno proteção de impacto ambiental; etc.

10. – Não bastantes essas considerações, ainda é de se fazer no-tar que o direito ao meio ambiente equilibrado deve ser compatí-vel com a habitação, a redistribuição e a colonização nos assenta-mentos, bem como aos demais princípios norteadores da reforma agrária, de teor igualmente constitucional.

Nessa linha, frise-se que não se pode criar óbices despro-porcionais ou exageradamente rigorosos nessa relação, sob pena de impedimento ou retardamento de execução da política nacio-nal de reforma agrária, sem previsão constitucionacio-nal para tais des-medidas e descabidas limitações. Como ensina EROS ROBERTO

GRAU: o direito não se interpreta em tiras. Da Constituição, muito menos, pode resultar hermenêutica que tenha o condão de exaltar

e animar um instituto anulando e mortificando outro de mesma natureza.

O artigo 225 da Constituição não pode ser entendido de forma a esvaziar de sentido e significado o artigo 184 da mesma Carta.

11. – Como se observa nos debates de elaboração da resolução aqui questionada, o antigo regramento, a partir da edição do novo Código Florestal, tornou-se demasiadamente austero, freando a redistribuição de terras devolutas e barrando, com excessiva bu-rocracia, a execução de tão necessária política pública. E, não raro, a definição do âmbito de proteção de determinado direito depende de uma interpretação sistemática, abrangente de outros direitos e disposições constitucionais (BODO P IE-ROTH. BEMHARD SCHLINK: Grundrechte – Staatsrecht II, p. 57).

A finalidade – e o efeito concreto – da resolução CO-NAMA 458/2013 não é a flexibilização da proteção ambiental a ponto de a banalizar. Muito menos constitui fito – nem conse-quência prática – dessa resolução o desmazelo ou vulneração do meio ambiente. O fim a que se arroga a normativa é, a um só tempo, harmonizar e equalizar a conservação ecológica e a con-secução da reforma agrária, esquivando os efeitos inviabilizado-res da que revogara.

12. – A questão ambiental dos Projetos de Assentamento de Re-forma Agrária no Estado de Mato Grosso do Sul sempre foi prio-rizada e realizada, ao longo do tempo, com muita seriedade e em-penho por parte desta Superintendência Regional do INCRA (SR-16), especialmente no tocante a Regularização e Licenciamento Ambiental de Reforma Agrária.

Dessas premissas não consegue o INCRA se convencer de que esteja a cumprir norma manifestamente inconstitucional, pelo que se insurge contra a sentença que assim a qualificou, reque-rendo ao egrégio Tribunal Regional Federal o reexame e a re-forma da decisão do juízo a quo.

-III- DOS PEDIDOS

13. – Por derradeiro, tendo em vista a totalidade dos argumen-tos exposargumen-tos, a autarquia apelante requer a esse Egrégio Tribunal que:

a) seja o presente recurso de apelação co-nhecido e recebido em seus regulares efei-tos, suspensivo e devolutivo;

b) quando de seu julgamento, que lhe seja dado provimento para reformar a sentença prolatada pelo MM. Juízo a quo, para o fim de julgar improcedente os pedidos de obri-gação de fazer formulados pelo Ministério Público Federal e impostos ao INCRA na sentença impugnada.

Nesses termos, pede deferimento.

Campo Grande, MS. 16 de setembro de 2019.

Do conflito de procedimento especial

No documento PARECERES DO TEMPO DE FACULDADE (páginas 71-85)