CAPÍTULO II – FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA E MARCO LEGAL
3.3. METODOLOGIA E DIRETRIZES DE IMPLANTAÇÃO DO PEEE
O Programa Estadual Esporte Escolar (PEEE) foi implantado em agosto de 2001, através da Diretoria de Ensino Fundamental (DIEF) da SED, por meio da Coordenação do Programa Estadual, para atender os dispositivos constitucionais, a Política Estadual de Desportos e o compromisso expresso pelo Governo do Estado de Santa Catarina, no que se referia a contribuir para a inserção social, à melhoria da qualidade de vida e exercício da cidadania por meio da prática esportiva e do lazer, considerando as demandas e particularidades regionais. Neste sentido, por meio da Gerência de Ensino Fundamental, desenvolveram-se ações junto da rede estadual de ensino, com a participação dos professores da rede pública estadual, dos Conselheiros do Conselho Estadual de Desportos, de profissionais da FESPORTE e de professores de Instituições de Ensino Superior UDESC e UFSC.
Seu objetivo geral foi desenvolver o esporte em todas as suas manifestações, procurando integrar crianças e adolescentes, também os alunos em situação de risco pessoal e social, matriculados na Educação Básica da rede pública de ensino e quaisquer outros que tiverem interesse em participar. Os objetivos específicos foram: oportunizar aos escolares a opção por uma prática esportiva que valorize a participação e a formação de vínculos afetivos entre os participantes; motivar a comunidade onde a escola esteja inserida a resgatar e valorizar as manifestações corporais próprias de sua cultura; enfatizar a mediação entre as diferenças individuais, apontando para a importância do trabalho compartilhado; fomentar a formação de núcleos de esporte nas unidades escolares, que poderão constituir-se no futuro em clubes escolares; organizar eventos esportivos na escola, os jogos da
escola, e entre escolas, na abrangência local e regional, com vistas a participação da escola nos futuros Jogos Escolares de Santa Catarina; despertar na criança e no adolescente o gosto pelo esporte e o prazer pela prática da atividade física, onde a escola é um centro de referência do processo de mudanças para o pleno exercício da cidadania.
As estratégias seguiram o intuito de criar condições para a concretização das metas elencadas no II Fórum Catarinense do Desporto/2000, que entendendo serem os programas de âmbito federal um complemento às ações dos estados em relação ao desporto educacional, decidiu: incluir na Gerência de Ensino Fundamental, a coordenação do esporte escolar, trazendo para o sistema de ensino a responsabilidade das ações a ele pertinentes; destinar recursos financeiros por aluno/ano, nas etapas 1, 2 e 3, no valor de R$ 3,00 (três reais). Acompanhando o programa de descentralização da gestão do ensino, iniciou-se o programa de descentralização da gestão do esporte escolar; disponibilizar recursos humanos do sistema de ensino, possibilitando incluir na carga horária dos professores de Educação Física as aulas de esporte escolar extraclasse; criar a disciplina opcional Esporte Escolar – EPO 378, com grade horária extra-curricular para adoção das escolas interessadas; capacitar os professores da rede pública estadual, no que se refere ao programa e ao esporte escolar; firmar convênio com o MET, na construção de 67 quadras cobertas, onde Santa Catarina participa com recursos financeiros oriundos do FUNDESC – Fundo Para o Desenvolvimento do Desporto de Santa Catarina; firmar convênio com o MET, para a implantação em 63 escolas da rede pública estadual, do Programa Esporte na Escola 2002/2003, onde a contra-partida de Santa Catarina foram os espaços físicos e os recursos humanos da rede pública.
Os critérios para participar do PEEE foram os seguintes: as escolas para participar do Programa devem oferecer a Educação Física Escolar Curricular em todos os níveis de ensino com os quais as escolas trabalham; deve fazer parte do Projeto Político Pedagógico da Escola; atender (preferencialmente) crianças e adolescentes em situação de risco pessoal e social, obrigatoriamente os alunos matriculados na rede pública de ensino; o espaço físico utilizado para desenvolver o Programa Estadual Esporte Escolar não poderá comprometer a prática das aulas de Educação Física; os alunos que participarem do programa esporte escolar não poderão ter seu rendimento escolar comprometido; se isto acontecer deverão recuperar o mesmo para retornar ao programa; a participação no Programa, não dispensa o aluno das aulas de Educação Física; otimizar as aulas excedentes dos professores em exercício na Unidade Escolar para as aulas extraclasse do esporte escolar.
Na Etapa I, com o objetivo de avaliar como o programa aconteceria no sistema de ensino, foram indicadas 3 escolas com mais de 500 alunos no Ensino Fundamental, por cada uma das 26 CRE’s, totalizando 78 escolas. Mas efetivamente, foram implantados 75 projetos. Foram destinados os valores de R$ 3,00 (três reais) por aluno, sendo limitado em 800 o número máximo de alunos, devido à limitação financeira. Estes recursos foram previstos para a aquisição de material esportivo, com utilização nas atividades físicas eleitas em conjunto com os alunos, na escola. Não foram contemplados gastos com alimentação, transporte, uniforme ou promoção de evento esportivo ou festival escolar. Como o objetivo das duas primeiras etapas foi o fortalecimento da estrutura da escola pública, vista pela SED como o espaço mais democrático para garantir o acesso ao trabalho de iniciação esportiva, de
nossas crianças e adolescentes, concentramos os esforços e recursos disponíveis neste sentido.
Na Etapa II foram contempladas, com o PEEE, as escolas com mais de 470 alunos no Ensino Fundamental. E, seguindo o plano de descentralização da gestão do ensino, foram destinados R$ 3,00 (três reais) por aluno às escolas que tivessem seus projetos aprovados. Foi prevista a implantação: Para as CRE’s de grande porte seriam implantados mais seis projetos, totalizando mais 53 escolas; para as CRE’s de médio porte seriam implantados mais quatro projetos, totalizando mais 36 escolas; e, nas CRE’s de pequeno porte seriam implantados mais dois projetos, totalizando mais 16 escolas. Nos demais municípios das CRE’s, seriam implantados um projeto em cada município, mas somente em escolas com mais de 470 alunos, totalizando aproximadamente mais 100 projetos. Apesar de todo o esforço, 95 municípios menores não entraram no PEEE naquele ano. O Programa Estadual Esporte Escolar também integrou o Plano de Inclusão Social de Santa Catarina, que previa ações para a melhoria dos índices de desenvolvimento social dos 20 municípios com menor IDS. Juntamente com PEEE, foram criados classes de aceleração, arte-educação e núcleos de educação infantil. Desta forma, foram implantados mais 20 projetos.
Na Etapa III, em 2003, as escolas participantes em 2002 seriam as escolas madrinhas e convidariam as suas afilhadas a ingressarem no programa. Com o intuito de dotar o processo de maior autonomia, transferiu as decisões para os responsáveis pela ação e fortaleceu a descentralização. Desta forma procurou dotar o programa de maior sustentabilidade com a criação de uma rede de relações onde, o estado diminui a sua interferência na ampliação da rede de relações na construção
do programa, mas mantêm o compromisso de financiamento das ações. Foi previsto para esta etapa o incremento de 100% de escolas beneficiadas.
Esta ação foi conseqüência da aproximação dos sistemas de ensino e esportivo, sem precedentes em outro estado brasileiro, pois, descentraliza recursos financeiros e cria condições reais de operacionalização do programa com recursos humanos do quadro do magistério, garantindo sua qualidade e continuidade. Este programa, mais que oferecer um evento esportivo, encoraja a prática da atividade física regular, durante todo o ano letivo, oportunizando o acesso à iniciação esportiva extraclasse. Fundamentou-se nos princípios da democratização da prática esportiva, na autonomia da gestão da escola e resgate da identidade cultural. Inovou quando busca parcerias com Instituições de Ensino Superior para capacitações, análise de dados e elaboração de diagnósticos que alimentam o programa e retornam às escolas e produzem conhecimento.
O PEEE, resultado do trabalho dos profissionais de Educação Física de Santa Catarina e do Sistema Esportivo/Ensino Catarinense, foi o único programa no Brasil que apresentou uma política pública de esporte escolar em longo prazo, cuja meta era a de universalizar a prática esportiva em toda a rede de ensino. O referido programa estabeleceu as diretrizes para o Esporte Escolar na rede pública estadual de ensino, mediante a publicação da Portaria N 05/2002/SED, de 14 de março de 2002. As diretrizes do PEEE estão descritas no Anexo IV (pg. 205).