CAPÍTULO IV APRESENTAÇÃO E DISCUSSÃO DOS RESULTADOS DO PEEE/SC
CLASSE INTERVALO DE
4.5.3. MODALIDADES ESPORTIVAS OFERTADAS EM 2001, 2002 E
O estudo dos dados do PEEE/SC permitiu inferir alguns desdobramentos da política de descentralização financeira e autonomia de gestão do desporto educacional, no contexto esportivo estadual, ao avaliar a diversificação da oferta de modalidades esportivas nas 26 regionais, referentes aos anos de 2001, 2002 e 2003. O gráfico 06 apresenta a evolução em relação ao número de projetos por regional.
Total Proje tos por Re gional
0 20 40 60 80 100 120 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 26 CREs Projetos 2001 2002 2003
Gráfico 06: Número de projetos por regional em 2001, 2002 e 2003
Segundo os resultados apresentados, houve um aumento na média de projetos e nas diferentes modalidades esportivas praticadas, porém o aumento do número destes não é retratado na totalidade de turmas envolvidas. Por exemplo, um projeto de voleibol, numa mesma escola, pode ter três turmas nesta modalidade, sendo registrada uma única vez.
Na 13ª CRE, de Itajaí, foram implantados em 2001, 06 projetos, em 2002, 46 projetos e em 2003, 99 projetos, representando o melhor desempenho na implementação do programa. Por outro lado, na 20ª CRE, de Laguna, teve-se em 2001, 09 projetos, em 2002, 13 projetos e em 2003, 18 projetos, representando o menor desempenho na implementação do programa. Isto pode ser explicado mediante a postura das regionais frente à implementação do programa, pois as que convidaram aos professores para participar do processo obtiveram menor desempenho enquanto que as CREs que os convocaram obtiveram o melhor desempenho. Neste caso ficou evidente a existência de uma cultura no sistema de ensino onde só se executa uma ação quando esta está pré-determinada pela SED/CRE, conforme discurso dos professores (DSC).
Outro interesse do estudo centrou-se em quais seriam as opções das escolas quanto às modalidades esportivas, e qual o seu incremento para a segunda e terceira etapas. Após o tratamento dos dados dos Mapas de Execução do PEEE/SC 2001, 2002 e 2003 observou-se que as escolas escolheram 16 modalidades, quais sejam: Natação (NT), Tênis de Campo (TC), Punhobol (PB), Ginástica (GIN), Oficinas de Esportes (OF ESP) foram incluídos Jogos Esportivos e Recreação, Basquetebol (BB), Atletismo (ATL), Dança (DÇ) foram incluídas as danças folclóricas, Xadrez (X), Tênis de Mesa (TM), Futebol de Campo (FC) foram incluídos Futebol de Areia e Suíço, Handebol (HB), Futebol de Salão (FS) e Voleibol (VB), de acordo com o Gráfico 07.
Na ordem apresentada, o Voleibol foi a modalidade com maior procura, tanto na Etapa I, com 56 escolas, na etapa II, com 201 escolas, como na etapa III, com 311escolas, seguida pelo Futebol de Salão com 44, 160 e 280 escolas nas etapas I, II e III, respectivamente. O motivo da supremacia das duas modalidades credita-se à
influência do contexto nacional e estadual, desde a organização de suas federações, cobertura e divulgação da mídia televisiva e campeonatos estaduais específicos. Esta pressão social, do mercado de consumo e da mídia gera uma demanda em nossos adolescentes que deve ser trabalhada pela escola.
Núm e ro de Proje tos e m cada M odalidade s no Pe ríodo
0 0 1 1 2 9 10 11 12 14 17 34 44 56 1 2 6 1 16 63 30 74 30 74 82 96 160 201 1 1 3 0 20 20 3 32 96 26 70 77 119 108 97 280 311 0 50 100 150 200 250 300 350 KF Badm ingto n Judô NT TC GIN PB OF ES P BB ATL DÇ X TM FC HB FS VB M odalidade s Pr o je to s 2001 2002 2003
Gráfico 07: Número de projetos por modalidade em 2001, 2002 e 2003
Ao reconhecer esta influência da mídia no comportamento de escolares, DURÃES (2002) propõe, encará-la como possibilidade pedagógica a ser explorada pelos professores de educação física, inserindo as tecnologias disponíveis e programas esportivos no cotidiano escolar, numa abordagem multidisciplinar que “aumente as experiências diretas, os trabalhos práticos com o vídeo, a aprendizagem significativa, a aplicação do método compreensivo, o acompanhamento familiar e a troca de experiências”. Neste estudo o autor identificou uma “predominância da tendência em fortalecer o esporte-rendimento, sendo função de a Educação Física Escolar contrapor essa perspectiva e trabalhar em prol de uma consciência corporal
com atividades físicas que contemplem o desenvolvimento, o prazer e a qualidade de vida”.
Na seqüência, as cinco modalidades, que sem os incentivos das duas anteriores não sofreram a mesma atenção da mídia, fazem parte dos eventos esportivos estaduais. Estas, ao serem encorajadas, na sua prática, com recursos financeiros direto nas escolas, garantiram as condições de prática por meio de pequenas reformas, consertos de equipamentos, aquisição de material esportivo adequado e disponibilização e capacitação de recursos humanos (PEEE, 2003), apresentando um incremento de 7 a 10 vezes, como ocorreria com a Dança e o Basquetebol, numa nova classificação.
Em contraponto aparece uma escola com Natação no extremo-oeste do estado, resultado da parceria com um clube esportivo, demonstrando a possibilidade de convênios e participação da iniciativa privada na solução de questões de inclusão social através do esporte. Estas parcerias com clubes e prefeituras ocorreram envolvendo diferentes modalidades. Enfatizou-se a Natação pela dificuldade de locais para a sua prática e, pela sua importância na formação integral do ser humano. Na região norte, de colonização européia, foi ofertado Punhobol em uma escola, nas três etapas, enfatizando a diretriz do programa com o compromisso do esporte escolar resgatar manifestações esportivas regionalizadas, que fazem parte da cultura local, mas, que muitas vezes são desconsideradas em função de pressões do mercado e da mídia. E, finalmente, duas escolas com Tênis de Campo na região leste, onde a professora não era especialista da modalidade, as raquetes e as bolinhas usadas foram doadas, a quadra e a rede eram as de voleibol. Esta também é uma situação diferenciada, onde o sucesso de um brasileiro, o fenômeno Guga, foi a motivação e a cooptação da comunidade, a solução.
Em 2003, foram adquiridos pela SED, 40 conjuntos de materiais do Programa Tênis nas Escolas de uma empresa privada e com a assessoria da UFSC. Este material era reciclado e adaptado às necessidades da escola. A compra do programa foi motivada pela grande mobilização dos alunos, decorrente das vitórias do tenista catarinense Guga Kuerten. Fato semelhante ocorreu com a modalidade de Xadrez, no município de Papanduvas, que pelo exemplo da prática familiar (pai e filho) da modalidade, os colegas, também, queriam aprender e jogar. Como a professora não conhecia o Xadrez, a solução foi a participação do pai como voluntário no início do processo e a busca de informações na INTERNET. Os resultados práticos foram encontros sistemáticos aos sábados pela manhã, na escola, onde pais e filhos se reuniam para jogar Xadrez.
Cada conteúdo curricular da Educação Física tem suas especificidades e necessidades no contexto escolar catarinense. Neste sentido os professores foram capacitados em três cursos para atender a essa demanda. O primeiro quanto ‘a concepção do PEEE/SC, recursos humanos, financeiros e administrativos, em 2001. O segundo especificamente para professores de Educação Física, sobre os aspectos pedagógicos e intervenção curricular e extraclasse, sobre jogo, ginástica, dança e esportes, e o terceiro sobre promoção de eventos escolares na escola e oficinas de jogo, ginástica, dança e esporte, no início das atividades de 2002 (PEEE, 2003). Em mais um encontros abordaram-se questões operacionais e de avaliação.
Como resultado esperava-se que além das modalidades esportivas tradicionais, fosse oportunizada atividade física extraclasse para os estudantes que tivessem afinidade também com a dança, jogos e ginástica. Ainda de acordo com o Gráfico 07, estas modalidades iniciaram com uma baixa freqüência, mas tiveram crescimento na segunda e terceira etapas, como a Dança seguida pelas Oficinas de
Esportes e pela Ginástica. Em 2003, o tênis de campo teve um incremento de duas para vinte turmas. Foram incluídas nesta etapa as modalidades de judô, badmington e kung fu.
Credita-se este crescimento às diretrizes do programa e à capacitação dos professores, principalmente na Dança onde se quebraram vários mitos. Mas, considerando os pedidos de migração dos alunos entre as modalidades, e a opção pela Oficina de Esportes num segundo momento, supõe-se ser este trânsito necessário para um melhor conhecimento das atividades extra classe ou das próprias potencialidades e afinidades por parte dos alunos. Esta questão ao ser analisada com mais profundidade, poderá servir de alerta quanto à proposta de continuidade do processo pedagógico iniciado nas aulas de Educação Física e a qualidade da intervenção dos professores nesta área.
Núm e ro de M odalidade s por CRE no Pe ríodo
0 2 4 6 8 10 12 14 Fpol is Crisc
iuma Jville Lage s Joaç aba Chap ecó Itajaí Arar ang uá Xanxe rê Jarag uá do Sul Itupo ranga Mar
avilha Ibiram a CRE's M oda lida de s 2001 2002 2003
O gráfico 08 apresenta o número de modalidades por regional nas três etapas, onde a CRE de Itajaí foi a que mais diversificou as atividades, de 05 para 13 modalidades, enquanto que a CRE de Ituporanga foi a que menos diversificou suas atividades, indo de 04 para 06 modalidades. Por outro lado, apesar de não atender o critério da diversificação da prática esportiva, mas exercitando sua autonomia de gestão, Ituporanga apresentou um modelo de projeto que possibilitou a maior integração entre todos os alunos, de forma que todos puderam jogar uns com os outros, pelo menor número de modalidades.
4.5.4. ANÁLISE DO DISCURSO DO SUJEITO COLETIVO (DSC)
4.5.4.1. Etapa 2001: DSC
O estudo dos relatórios do ano 2001 permitiu analisar a percepção dos professores quanto ao impacto do PEEE. O material apresentado foi agrupado em ancoragens ou categorias pós-determinadas, pelas similaridades dos discursos contidos nas expressões chaves das quais emergiram as idéias centrais, quais sejam: desenvolvimento humano, disposição e atitudes, parcerias e integração, cultura esportiva e PEEE e sua operacionalização. Abaixo é demonstrada a expressão chave, a idéia central e a ancoragem de cada registro.
EXPRESSÃO CHAVE IDÉIA CENTRAL ANCORAGEM
“Através do desenvolvimento destas modalidades com o grupo escolar a maior preocupação é transmitir e formar cidadãos capazes de aplicar na comunidade na qual estão inseridos os conhecimentos adquiridos, principalmente utilizados na sua rotina diária o esporte como lazer para a saúde mental e corporal”.
EEB 1
“... formar cidadãos capazes de aplicar na comunidade na qual estão inseridos os conhecimentos adquiridos” ...
“ ... esporte como lazer para a saúde mental e corporal”
Desenvolvimento Humano
EXPRESSÃO CHAVE IDÉIA CENTRAL ANCORAGEM