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4.3 OPERAÇÃO LAVA JATO

4.3.2 Modo como operava o esquema

O esquema de corrupção envolvia uma complexa rede de empreiteiras, políticos, altos funcionários das estatais e demais agentes públicos, lobistas e doleiros que se organizaram de forma criminosa. De acordo com informações veiculadas na mídia30 e no site do MPF31, o

esquema na Petrobras funcionava com a cobrança de dinheiro feita a empreiteiros e fornecedores, por parte de diretores e de funcionários da empresa, para facilitar negócios com a estatal. Os contratos eram superfaturados, o que viabilizava o pagamento indevido. Parte dos recursos era desviada por agentes denominados de lobistas, que operavam estruturas

30 http://arte.folha.uol.com.br/poder/operacao-lava-jato 31 http://lavajato.mpf.mp.br/entenda-o-caso.

financeiras para pagamentos a políticos e a partidos políticos. Esses políticos eram os responsáveis pela indicação e manutenção dos diretores na estatal.

O cartel de empresas operava o esquema de corrupção nos diversos órgãos se utilizando do mesmo modus operandi, conforme destaque abaixo, do site da Folha-UOL:

Empreiteiros que decidiram colaborar com as investigações sobre a corrupção na Petrobras apontaram desvios semelhantes em obras de outros setores: elétrico, como a usina nuclear de Angra 3 e Belo Monte, Copa do Mundo, como reformas e construções de estádios, e transportes, como a ferrovia Norte-Sul e obras do metrô.

Na Eletrobras, as investigações situam-se sobre contratos da Eletronuclear, que pertence à holding, e em obras da usina nuclear Angra 3. Segundo o site Folha-UOL, “O almirante Othon Luiz Pinheiro Silva, ex-presidente da Eletronuclear, é acusado de cobrar R$ 12 milhões em propina da Andrade Gutierrez”32. Ainda segundo o mesmo site, a empresa foi alvo de duas fases da OLJ, a 16ª Fase, ocorrida em julho de 2015 e batizada de “OPERAÇÃO RADIOATIVIDADE” e a 19ª Fase, ocorrida em setembro de 2015 e batizada de “OPERAÇÃO NESSUN DORMA”.

Portanto, em que pese a representação do MPF citar apenas a Petrobras e três partidos políticos, o esquema envolveu diversas estatais e órgãos públicos, tendo como beneficiárias diversas empreiteiras, agentes públicos, doleiros e pessoas ligadas a diversos partidos.

Conforme dito acima, a representação do MPF cita apenas três partidos (PP, PT e PMDB), sendo que há, também, envolvimento de políticos e pessoas ligadas a diversos partidos como o PSDB, DEM, PSB, PTC, PTB, Rede, PCdoB e SD, conforme site da Folha- UOL33.

Ainda de acordo com a Folha-UOL:

As investigações sobre os políticos começaram em março de 2015, quando a Procuradoria-Geral da República conseguiu autorização do STF (Supremo Tribunal Federal) e do STJ (Superior Tribunal de Justiça) para investigar 53 pessoas, incluindo deputados federais, senadores e governadores. A Procuradoria decidiu que não havia elementos para abrir inquérito sobre a presidente Dilma Rousseff, embora um dos delatores afirme que o esquema de corrupção ajudou a financiar sua campanha eleitoral em 2010.

Pelo exposto, a participação de políticos e partidos no o esquema de corrupção abrange desde deputados e senadores, a governadores de vários estados brasileiros, dos mais

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http://arte.folha.uol.com.br/poder/operacao-lava-jato/#capitulo9

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diversos partidos políticos, os quais se beneficiavam diretamente pelo recebimento de recursos ilícitos, ou indiretamente, através do financiamento de suas campanhas eleitorais, comumente chamado de “Caixa 2”

A indicação política de funcionários, para o preenchimento de cargos altos cargos executivos em estatais e demais órgãos da máquina pública, facilita a influência que esses políticos e os representantes dos partidos exercem sobre os executivos e sobre decisões relevantes para o funcionamento dessas empresas.

O MPF, em seu site34 traz a descrição de como se dava a participação dos agentes públicos no esquema, conforme abaixo:

As empresas precisavam garantir que apenas aquelas do cartel fossem convidadas para as licitações. Por isso, era conveniente cooptar agentes públicos. Os funcionários não só se omitiam em relação ao cartel, do qual tinham conhecimento, mas o favoreciam, restringindo convidados e incluindo a ganhadora dentre as participantes, em um jogo de cartas marcadas. Segundo levantamentos da Petrobras, eram feitas negociações diretas injustificadas, celebravam-se aditivos desnecessários e com preços excessivos, aceleravam-se contratações com supressão de etapas relevantes e vazavam informações sigilosas, dentre outras irregularidades.

Portanto, o funcionamento do esquema de corrupção era baseado no conluio entre o cartel, altos executivos das empresas e políticos que tinham influência sobre as estatais. Dessa forma, os mecanismos de Governança Corporativa dessas empresas se mostraram ineficientes para impedir o esquema criminoso.

No caso da Petrobras e da Eletrobras, a cooptação de diretores e altos gerentes da empresa facilitou para que o esquema pudesse ser ocultado por muito tempo, mesmo com um sistema de Governança Corporativa, Gestão de Riscos e Conformidade considerados robustos na avaliação de empresas certificadoras para a SOX, por exemplo.

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5 FRAGILIDADES E CORREÇÕES

Como já relatado acima, a OLJ revelou um grande e complexo esquema de corrupção que envolvia um cartel entre grandes empreiteiras fornecedoras da Petrobras, Eletrobras e diversas empresas e órgãos públicos, além de políticos de diversos partidos e instâncias do poder.

Como demonstrado acima, estes cartéis podem evoluir para “a longo prazo utilizar métodos muito mais elaborados de obtenção de adjudicação de contratos”. É evidente que o ocorrido no esquema de corrupção da OLJ foi justamente essa “evolução” por parte da organização criminosa, a qual cooptou altos executivos, facilitando a manutenção do esquema por muito tempo, sem que fosse descoberto pelos mecanismos normais de auditoria e pelos sistemas de Controles Internos das empresas e órgãos vítimas do esquema. Entretanto, apesar das dificuldades acima relatadas, uma vez descoberto o esquema, a administração das empresas, com o apoio dos seus diversos órgãos internos, da auditoria externa e demais empresas especializadas contratadas, realizou uma ampla revisão de seus controles internos, os quais permeiam todo o sistema de Governança Corporativa, Gestão de Riscos e Conformidade, visando a correção das fragilidades encontradas.

Para cada uma das empresas são apresentados quadros, com o Comentário do autor sobre as alterações em seus controles. Os quadros trazem na primeira linha a descrição do “Fato” ocorrido, que deu origem à alteração no controle. Na sequência, as linhas são divididas em duas colunas, onde serão apresentadas à esquerda as “Fragilidades Encontradas” e ao lado, as “Medidas Adotadas” para corrigir tais fragilidades, ambas relatadas pelas próprias empresas, através de seus respectivos Formulários de Referência. Na última linha de cada quadro contém o “Comentário do autor” ressaltando questões importantes, primeiro sobre o controle em análise, segundo sobre a “Medida Adotada” em si, no sentido de verificar aspectos como, por exemplo, a importância do controle e aderência das medidas adotadas à remediação necessária.