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MORFOMETRIA TRADICIONAL Análises multivariadas dos dados

No documento TEONILDES SACRAMENTO NUNES (páginas 73-78)

Estudos morfométricos no complexo Passiflora ovalis Vell ex M.Roemer (Passifloraceae)

MORFOMETRIA TRADICIONAL Análises multivariadas dos dados

Na análise morfométrica tradicional baseada nos caracteres foliares os dados obtidos com a CVA utilizando-se os 6 primeiros componentes principais (CP) mostraram separação entre as populações (fig. 10). Os dois primeiros eixos explicaram uma variação de 67,9% entre as populações do Rio de Janeiro com as populações da Bahia e Espírito Santo. Entre as populações da Bahia e do Espírito Santo não houve nenhuma separação. Assim, é possível distinguir bem nesta análise um grupo formado pela população do Rio de Janeiro e outro com as populações da Bahia e do Espírito Santo. A combinação entre os outros eixos não foram significativos nesta análise.

-48 -40 -32 -24 -16 -8 0 8 16 24 A xis 1 -48 -40 -32 -24 -16 -8 0 8 16 24 Ax is 2

Figura 10 – Análise morfométrica tradicional (foliar) com dados de CVA.

Rio de Janeiro; □ = Conde; ■ = Camaçari;

= Belmonte; + Imbé;

= Una; * = Ilhéus; ∆ = Maraú; ▬ = Itaúnas (ES); ¦ = Linhares; X = Conceição da Barra.

-7.2 -6 -4.8 -3.6 -2.4 -1.2 0 1.2 2.4 A xis 1 -4.8 -3.6 -2.4 -1.2 0 1.2 2.4 3.6 4.8 6 Ax is 2

A B

Figura 11. A. Análise com Variáveis Canônicas com os 6 CP, utilizando-se dados

combinados (foliares + florais); B. Agrupamento pelo método de Ward (foliares + florais).

Rio de Janeiro; □ = Conde; X = Conceição da Barra; ■ = Camaçari;

=

Na análise realizada com os caracteres florais e foliares, os resultados com a CVA, utilizando-se os 6 CP, mostram uma separação entre as populações do Rio de Janeiro com as populações da Bahia e Espírito Santo, através do eixo 1 (fig. 11A). Porém na análise de agrupamento com o método de Ward, esta separação não se confirma (fig. 11B).

Análise Combinada de Dados (morfometria geométrica + tradicional)

Na análise combinada com a utilização dos dados obtidos na morfometria geométrica e na tradicional (apenas dados foliares), há uma separação considerável da população do Rio de Janeiro e de Ubatuba em relação às demais, através do eixo 1, com 55,18% de variação. (fig. 12). -30 -24 -18 -12 -6 0 6 12 18 24 A xis 1 -48 -40 -32 -24 -16 -8 0 8 16 Ax is 2

Figura 12 – Resultado da análise combinada (morfometria geométrica + tradicional

(foliares), MANOVA/CVA com os 6 CP.

Rio de Janeiro; □ = Conde; X = Conceição da Barra; ■ = Camaçari;

= Belmonte; + Imbé;

= Una; * = Ilhéus; ∆ = Maraú; ▬ = Itaúnas (ES); ¦ = Linhares.

DISCUSSÃO

Delimitação das espécies

Este estudo revela que o contorno foliar juntamente com os dados da morfometria tradicional foram úteis na separação das espécies em questão, reforçando sua utilização como uma ótima ferramenta para elucidar problemas taxonômicos não solucionados ou parcialmente solucionados com a taxonomia básica, ou pelo menos abordando de forma bastante objetiva a variação morfológica.

Com os resultados obtidos, observa-se uma separação fortemente sustentada e explicada por padrões geográficos e morfológicos, a análise efetuada separou claramente as populações do Rio de Janeiro e São Paulo (apesar da pequena amostragem), das demais populações, o que leva a um reconhecimento de duas espécies distintas: P. ovalis e P. contracta, levando ao restabelecimento do segundo táxon. Estes resultados são corroborados por aqueles obtidos com os dados de ISSR (capítulo três).

A publicação original de P. ovalis na Flora Fluminensis (Vellozo 1827), considera esta espécie como distribuída no estado do Rio de Janeiro, com os seguintes caracteres: lâminas inteiras, elípticas, duas glândulas sésseis, situadas do meio para a base do pecíolo, inflorescências racemosas, glândulas na base do pedúnculo. Portanto, a espécie encontrada no Rio de Janeiro e em São Paulo é reconhecida como sendo P.

ovalis, e a espécie encontrada nos estados da Bahia e Espírito Santo como P. contracta,

sendo aqui então restabelecida a espécie publicada por Vitta & Bernacci (2004) e seguindo a mesma delimitação proposta pelos autores.

Apesar das espécies apresentarem uma sobreposição nos caracteres morfológicos, suas formas são significativamente diferentes, principalmente em relação ao tamanho do eixo principal da inflorescência, formato foliar (elíptica ou arredondada) e tamanho do fruto.

As populações do Espírito Santo, não se separaram das populações da Bahia, mostrando que ainda há uma continuidade no fluxo gênico entre estas populações, e que estas não formam até o momento um táxon distinto dos demais.

De acordo com Vitta & Bernacci (2004), além da separação geográfica estas espécies se diferenciam pelos seguintes caracteres: P. contracta possui inflorescência racemiforme, 7-12 cm de compr. no eixo principal e pecíolo minuciosamente puberulento; pedúnculo ausente, pedicelo articulado e séssil, 1,3-2,7 cm compr., hipanto e superfície abaxial das sépalas minuciosamente puberulenta; sépalas 2,3-3,1 cm de

compr.; ginóforo 1,7-2,4 cm de compr.; P. ovalis possui inflorescência paniculiforme, com 30-90 cm de compr. no eixo principal, pedúnculo e pedicelo glabros; pedúnculo alongado de 6-15 mm de compr., pedicelo articulado 4-5,5 cm compr.; hipanto e superfície abaxial das sépalas glabras; sépalas 3-4,1 cm de compr.; ginóforo 2,4-2,7 cm de compr.

O material tipo de P. ovalis assemelha-s com o morfotipo encontrado nas

espécies do Rio de Janeiro e São Paulo, e segundo este estudo caracteriza-se por apresentar: estípula de 1-3 x 0,5-2 mm; Lâmina foliar (compr.) 5-10(-14)cm; Margem da lâmina foliar não revoluta; glândulas do pedúnculo presente; diâmetro da flor de 5-10 cm; indumento face abaxial da sépala ausente; pétalas 1,9-4,2 cm compr.; filamentos da corona em 2 séries; filamentos série externa 3-12 mm compr.; filamentos série interna 3-10 mm compr.; androginóforo 6-20 mm alt.

O material tipo de P. contracta descrito do material coletado no município de Linhares/ES, também corresponde ao tipo morfológico padrão encontrado nas espécies ocorrentes de Pernambuco ao Espírito Santo, e segundo este estudo caracteriza—se por apresentar: estípula de 1-2 x 0,2-1 mm; lâmina foliar (compr.) 5,6-13,5 cm; margem da lâmina foliar não revoluta; glândulas do pedúnculo presente; diâmetro da flor de 5-8 cm; indumento face abaxial da sépala pubescente; pétalas 2-3 cm compr.; filamentos da corona em 2 séries; filamentos série externa 8-11 mm compr.; filamentos série interna 4-5 mm compr.; androginóforo 15-24 mm alt.

Além dos resultados obtidos pôde-se considerar também o isolamento geográfico das espécies, uma vez que as mesmas são encontradas em áreas de mata atlântica, que formava um contínuo no litoral brasileiro. Porém com o desmatamento desordenado, principalmente visando a implantação de pastagens e plantação comercial de eucalipto (Eucalyptus sp./Myrtaceae) no sul da Bahia e Espírito Santo, provavelmente levará a uma interrupção no fluxo gênico entre estas populações, o que pode levar a diferenciação da espécie com separação entre a encontrada nos estados de São Paulo e Rio de Janeiro (P. ovalis).

Capítulo III

Uso de marcadores moleculares ISSR (Inter Simple Sequence

No documento TEONILDES SACRAMENTO NUNES (páginas 73-78)