Revisão Taxonômica de Passiflora L subgênero Deidamioides (Harms) Killip (Passifloraceae) sensu Feuillet & MacDougal
A. M.de et al 4077 (CEPEC) Vera Cruz: Vera Cruz: Picadão, área da Aracruz
9. Passiflora obovata Killip , Publ Carn Inst Wash., 461(13): 308, t 1 1936.
Tipo: Honduras: Camp 35, British Honduras Geological Survey, 850 meters,
20.May.1934, fl., fr., Schipp, W.A. 713 (Holótipo F!, foto do holótipo HUEFS). Figuras 29 e 30.
Trepadeira herbácea, escandente, inerme; caule cilíndrico, não-alado, glabro, casca não corticosa; gavinhas inteiras, discos adesivos presentes. Estípulas 1,8-9 × 0,1-1 mm, ca. 9× mais longas do que largas, decíduas, linear-lanceoladas a triangulares, ápice aciculado, margem lisa, glândulas ausentes. Pecíolo 1-2 cm compr., glabro, glândulas 2, situadas a 0,35-1,8 cm no meio do pecíolo, sésseis, orbicular-pedunculadas; lâmina inteira, obovais ou oblonga-obovais, 9-12 × 5-6,5 cm, ca. 3× mais longas do que largas, membranácea a coriácea, faces adaxial e abaxial glabras, ápice agudo a acuminado, base aguda a obtusa, margem lisa a crenada, revoluta, peninérvias, nervuras secundárias 3- 10, ângulo total entre as nervuras laterais 20-90º, manchas ocelares e glândulas ausentes. Inflorescência uniflora, pedúnculo 2-2,5 × 0,2 cm, não terminando em uma gavinha, glândulas ausentes, pedúnculo secundário ausente; pedicelo 0,4-1,2 × 0,01-0,2 cm, brácteas 3, linear-deltóides a triangulares, 0,8-1,0 × 0,1-1 cm, glândulas ausentes, bractéolas ausentes. Flores ca. 5,5 cm diâm., hipanto 0,15 cm alt., 0,4-1,3 cm diâm., curto-campanulado, lobos ausentes, glabro; sépalas 1,5 × 1,2 cm, carnosas, oblongas, ápice agudo, margem lisa, face adaxial e abaxial brancas, corno e glândulas ausentes; pétalas 1,8 × 1,0 cm, membranáceas, oblongas, ápice arredondado, margem lisa, face adaxial e abaxial brancas, glabras, corno e glândulas ausentes; corona em 2 séries de filamentos, filamentos da série externa 1,5 cm compr., filamentos da série interna 0,2 cm compr., filamentos com ápice branco e base lilás-claro, ápice dos filamentos frisados; opérculo plicado, membranáceo, 0,4 cm alt., margem denticulada; límen 0,2 cm alt., cupuliforme, membranáceo; anel nectarífero ausente; androginóforo 0,9 cm alt., tróclea ausente; filetes 0,8 cm compr.; anteras 0,6 cm compr., ovário elíptico-costado, glabro, verde, estiletes 3, glabros, 0,4 cm compr., estigmas capitados, verdes. Baga globosa, 3,8-4,5 × 3,4-4,0 cm, glabra, verde. Sementes 0,25-0,6 × 0,2-0,6 cm, ovais a oblongas a arredondadas, ondulada a reticuladas a foveoladas, ápice agudo a apiculado.
Figura 29. Mapa de distribuição geográfica de Passiflora discophora, P. gracillima, P.
Etimologia: Do latim ob=contra, em direção reversa; ovate=com o contorno de um ovo.
Em relação ao formato da lâmina foliar oboval.
Nome(s) vernáculo(s): Cavanil-biché, cavanil-chú, cavanil, granadilla de raton
(Guatemala).
Fenologia: Floresce e frutifica de maio a outubro.
Distribuição e hábitat: Espécie encontrada na Costa Rica, Guatemala e Honduras.
Altitude entre 120-1.500 m s.n.m. Endêmica da América Central, em áreas de floresta, próximo ou em áreas de reservas.
Conservação e usos: Espécie não classificada como em risco de extinção segundo os
critérios da IUCN (2004).
Material examinado: COSTA RICA, Puntarenas, Monteverde: Guindon's pasture
near the edge of Campbell's woods, 1.500 m s.n.m., 14.Abr.1981, fl., Knapp, S. &
Mallet, J. 867 (TEX); In Large tree im Montein’s yard. Pacific slope of Cordillera de
Tillaran, premontãno rainforest, 1.300 m s.n.m., bt., 16.Abr.1981, Knapp, S. & Mallet,
J. 871 (TEX); Lower community, 1.350-1.400 m s.n.m., 13.Out.1984, fl., fr., Haber, W.A. 640 (MEXU, MO); Área não protegida, Camino a la Reserva Biológica de Monte
Verde, 10°20'0''N, 84°49'30''W, 1.400 m s.n.m., 19.Out.2001, st., Estrada, A. 3098 (CR, K). GUATEMALA, Sacté, Alta Verapaz: 15°30’N, 90°27’W, 900-1.050 m s.n.m., 16.Mai.1976, fl., fr., Kunkel, I. 65 (BR); 15.Out.1975, st., Kunkel, I. 376. (BR); 25.Set.1974, fr., Kunkel, I. 495 (BR); s.d., Kunkel, I. 494 (BR); 14.Out.1974, fr.,
Kunkel, I. 615 (BR). HONDURAS, Yoro, Campamento Río Pijol: Alrededor del
Campamento Río Pijol, 6,2 Km al Sureste de Nueva Esperanza, departamento Yoro en el Parque Nacional Pico Pijol, 15°12’N, 87°35’W, 1.300 m s.n.m., 28.Mai.1993, fl.,
Figura 30. Passiflora obovata Killip A. Detalhe do ramo. B. Flor. C. Detalhe da glândula no
Comentário: Segundo Killip (1938), esta espécie ocuparia uma posição anômala dentro
do subgênero Plectostemma, que atualmente está delimitado como pertencente ao subgênero Decaloba (Feuillet & MacDougal 2003). P. obovata foi descrita com base em um único exemplar (Schipp 713), que só possui duas folhas e uma flor já em estágio de frutificação. Assemelha-se com as espécies do subgênero Deidamioides por apresentar glândulas bem definidas e discos adesivos na gavinha. A seção
Mayapathanthus caracteriza-se por apresentar duas glândulas no pecíolo, gavinhas
inteiras, glândulas ausentes nas brácteas, opérculo plicado e 4-10 séries de filamentos na corona, caracteres estes encontrados em P. obovata. Por isso foi transferida para o subgênero Deidamioides seção Mayapathanthus. Segundo Ulmer & MacDougal (2004),
P. obovata possui uma afinidade com espécies da seção Tryphostemmatoides e sugere
uma relação próxima entre as seções, baseado na presença de gavinhas inteiras, glândulas nas brácteas ausentes, hipanto curto-campanulado (próximo a P. pacifica). Diferencia-se de P. pacfica por apresentar: gavinhas inteiras (P. obovata) vs. gavinhas trífidas (P. pacifica); inflorescências uniflora vs. inflorescência cauliflora; corona em 3 séries (P. pacifica) e 2 séries (P. obovata).
Assemelha-se com P. macdougaliana, diferenciando-se desta por apresentar trepadeira com gavinhas em P. obovata (vs. trepadeira sem gavinhas em P.
macdougaliana) e corona de filamentos em duas séries (vs. várias séries).
No estudo filogenético realizado com dados de ITS e trnL-F, apresentado no capítulo um desta tese, esta espécie aparece agrupada com P. deidamioides (seção
Deidamioides) e P. contracta (seção Tetrastylis). Nenhum caráter morfológico foi
encontrado que justificasse este agrupamento. Estudos mais detalhados necessitam ser feitos para elucidar o posicionamento desta espécie.
10. Passiflora ovalis Vell. ex M.Roem.
, Fam. Nat. Syn. 2: 168. 1846.Tetrastylis ovalis (Vell. ex Roem.) Killip, Journ. Wash. Acad. of Science 16(3):
365-369. 1926. Lectótipo: Fl. Flum. IX pl. 75 (1827), definido por Killip (1926). Figuras 31 e 32.
Trepadeira lenhosa, raramente herbácea, escandente, inerme; caule cilíndrico, não alado, glabro, casca corticosa; gavinhas inteiras, discos adesivos presentes. Estípulas 1-3 × 0,5-2 mm, ca. 2× mais longas do que largas, persistentes, linear-
lanceoladas a triangulares, ápice apiculado, margem lisa, glândulas ausentes. Pecíolo 0,9-5 cm compr., glabro, glândulas 2, situadas a 0,2-0,9 cm, do meio para a base do pecíolo, sésseis, orbiculares; lâmina inteira, contorno elíptico, 5-10(-14) × 1-6 cm, ca. 2× mais longas do que largas, coriácea, faces adaxial e abaxial glabras, ápice agudo a acuminado, base aguda a obtusa, margem lisa a crenada, não revoluta, peninérvia, nervuras secundárias 6-10, ângulo total entre as nervuras laterais 40-110º, manchas ocelares e glândulas ausentes. Inflorescência racemo, eixo principal (6-)10-80(-120) cm compr., pedúnculo 0,3-1,0 × 0,1-0,3 cm, não terminando em uma gavinha, pedúnculo secundário 0,3-2,5 cm compr., glândulas presentes na base, pedicelo 0,9-3,5 × 0,1-02 cm, brácteas 3, linear-lanceoladas, aciculadas a triangulares, 0,5-3 × 1 mm, glândulas ausentes, bractéolas presentes. Flores ca. 5-10 cm diâm., hipanto 0,5-1 cm alt., 1,5-2 cm diâm., curto-campanulado, lobos ausentes, pubescentes; sépalas 2-5 × 0,3-1 cm, carnosas, oblongas, ápice agudo a arredondado, margem lisa, face adaxial de verde a marrom, face abaxial branca, glabras, corno e glândulas ausentes; pétalas 2-3,5 × 0,3-0,7 cm, membranáceas, oblongas, ápice agudo, margem lisa, faces adaxial e abaxial branco-esverdeadas, glabras, corno e glândulas ausentes; corona em 2 séries de filamentos, filamentos da série externa 0,3-1,2 cm compr., brancos, filamentos da série interna 0,3-1,0 cm compr., brancos, filamentos filiformes; opérculo plicado, membranáceo, 0,1-0,3 cm alt., margem laciniada a fimbriada; límen 0,2-0,6 cm alt., cupuliforme, membranáceo; anel nectarífero presente; androginóforo 0,6-2,0 cm alt., tróclea ausente; filetes 0,6-2,0 cm compr.; anteras 0,3-1,6 cm compr., ovário elíptico, velutino, verde, estiletes 4, glabros, 0,9-1,7 cm compr., estigmas capitados, alvos. Baga elipsóide a globosa, 7-14 × 5-9 cm, glabra, verdes quando imaturas, amarelo- alaranjadas quando maduras. Sementes 0,7-1,0 × 0,4-0,7 cm, obovais, foveoladas, ápice agudo a apiculado.
Etimologia: O nome da espécie faz referência ao termo ovalis = órgãos laminares em
formato oval, em referência ao contorno da lâmina foliar oval.
Nome(s) vernáculo(s): maracujá-de-cacho, maracujá (RJ).
Fenologia: Floresce de abril a dezembro e frutifica de maio a janeiro.
Janeiro. Ocorre na Mata Atlântica em floresta pluvial, em altitudes de 0-1.000 m s.n.m.
Conservação e usos: Espécie endêmica do Brasil. Não classificada como em perigo
segundo os critérios da IUCN (2004). Espécie sem interesse ornamental, porém fornecedora de alimentos para morcegos (agente polinizador), pequenos roedores e aves, que se alimentam dos frutos, ajudando na dispersão das sementes.
Material examinado: BRASIL, Rio de Janeiro: Rio de Janeiro, [Distrito Federal– em referência a antiga Capital Federal do Brasil]: Matas do Pai Ricardo,
11.Nov.1946, fl., fr., Occhioni, P. 793 (UB); Gávea, s.d., fl., Glaziou 7859 (C, B, K, P.); Serra da Estrella, s.d., fl., Glaziou 8269 (C, B, P); “In sylvis”, 1824-1829, bt., Riedel
720 (BR, NY); Peckolt 7 (B); “Environs de Rio de Janeiro et D'Ouro Preto”, Mai.1885,
fl., Glaziou 14854 (B, C, G, K, N, P.); Corcovado, Beira da mata, 28.Set.1921, fl.,
Ducke, A. & Kuhlmann, J.G. 16581 (B, N, RB, UT.); Cultivado no Jardim Botânico do
Rio de Janeiro, 18.Jul.1952, fl., Duarte, A.P. 3444 (IPA, RB); Serra dos Órgãos, Limoeiro, Jun.1974, fl., Ochioni, P. 6004 (R); Guanabara: Base da vertente sul do Pão de açúcar, 35 m s.n.m., 17.Ago.1973, fl., Sucre, D. & Araujo, L.C. 10068 (RB); Floresta da Tijuca, Pico da Tijuca, 700 m s.n.m., 30.Dez.1973, fl., fr., Araújo, D. et al. 514 (IAC, RB, SP); Jacarepaguá, Set.1910, fl., Hoehne, F.C. 200 (SP). Japuhyba [Cachoeira do
Macacu], 17.Abr.1926, fl., Hoehne, F.C. & Gehrt, A. 17373 (SP). Mendes, Fazenda
São José das Paineiras, 10.Set.1993, fl., Konno, T. 273 (IAC, RUSU). Parati: Faz. São Roque (ca. 21 Km antes de Parati), após o sítio do Sr. Hermes, no caminho da mata próximo a cachoeira. 29.Nov.1988, fr., Marquete, R. et al. 172 (HRB, RB); Entre o primeiro e o segundo portão, rumo a Praia do Sono, 18.Dez.1990, fl., fr., Frutuoso, L.C.
et al. 85 (HUEFS, IAC, RB); Morro das Laranjeiras, acesso pela Rio-Santos, lado
esquerdo da estrada em direção a São Paulo, APA-Cairuçu, 87 m s.n.m., 16.Mar.1993, fr., Filho, E.A. & Caruso, F. 102 (RB); a ca. 18 Km do trevo de Parati até a entrada de Laranjeiras, mais 9 km em direção a Faz. do Sr. Gibrail, estrada para Praia do Sono, antes do portão da fazenda, 70-920 m s.n.m., 30.Jul.1993, fl., fr., Konno, T. et al. 199 (HUEFS, IAC, RB); Morro do Carrapato, APA - Cairuçú. Floresta ombrófila densa baixo-montana, 200 m s.n.m., 30.Ago.1994, fl., fr., Giordano, L.C. et al. 1697 (RB); Morro da Pedra Rolada - APA-Cairuçú, 23.Ago.1995, fl., fr., Bovini, M.G. et al. 403 (RB); Estrada nova para a praia do Sono (acesso pelo condomínio Laranjeiras). Floresta
Cairuçú, 60 m s.n.m., 22.Dez.2004, bt., fr., Giordano, L.C. et al. 1747 (HUEFS, IAC, RB); Laranjeiras, trilha para a praia do sono, 23º20’68”, 44º49’87”W, 25.Ago.2007, fl., fr., Nunes, T.S. et al. 1837 (HUEFS). São Paulo: Caraguatatuba: Parque Imperial, 25.Jan.1992, fr., Sazima, M. & Sazima, I. s.n. (IAC 37.955). Ubatuba, Núcleo Pincinguaba. Fazenda da Caixa, casa de farinha subindo a trilha em direção ao rio, após o pé de jatobá. 04.Abr.2004, st., Nunes, T.S. & Sr. Ivo 1775 (HUEFS); 04.Abr.2004, st.,
Nunes, T.S. & Sr. Ivo 1776 (HUEFS); Pereque-açú, Taquaral, Faz. Capricórnio. 23º
21’N, 45º05’L, 300 m s.n.m., 20.Set.2005, fl., fr., Bernacci, L.C. 4046 (IAC); Distrito Pinciguaba, Núcleo Pinciguada, Casa de farinha, trilha do corisco. 23º21’95”S, 44º51’10”W, 999 m s.n.m., 24.Ago.2007, fl., fr., Nunes, T.S. et al. 1831 (HUEFS).
Comentários: Espécie próxima filogeneticamente a P. contracta por apresentar plantas
trepadeiras lenhosas; gavinhas com discos adesivos; inflorescência racemosa; 4 estiletes; opérculo plicado. Diferencia-se desta pelo tamanho do eixo principal da inflorescência (6-)10-80(-120) cm em P. ovalis (vs. (3-)19-50 cm em P. contracta), sépalas pubescentes em P. contracta (vs. glabras em P. ovalis); opérculo plicado (vs. inteiro).
Nos estudos filogenéticos realizados com ITS e trnL-F (capítulo 1), esta espécie aparece agrupada com P. timboënsis com 100% (BS) e 0.90 (pp), este agrupamento é justificado morfologicamente pela presença de uma inflorescência racemosa, discos adesivos nas gavinhas, flores com 4 estigmas, ovário com 4 carpelos, o que as colocaria como pertencente a um grupo exclusivo, possivelmente seção Tetrastylis.
11. Passiflora pacifica Escobar
, Mutisia (71): 1. 1988.Tipo: Colômbia, Valle: Buenaventura, Rio Calima, granja de la secretaria de
Agricultura, Bajo Calima, 01.Mai.1983, fl., fr., Folsom, J. 10900 (Holótipo HUA!). Figura 31.
Trepadeira herbácea, escandente, inerme; caule cilíndrico, não-alado, glabro, casca não corticosa; gavinhas trífidas, discos adesivos presentes. Estípulas 1-2 × 0,5 mm, ca. 4× mais longas do que largas, caducas, setáceas, glabras, glândulas ausentes. Pecíolo 1,2- 1,7 cm compr., glabro, glândulas 2-4, situadas a 1,2-1,7 cm do ápice do pecíolo, sésseis, orbiculares; lâmina inteira, contorno elíptico, (5,6-)11,2(-15,5) × (2,1-)4,2(-5,5) cm, ca.
3× mais longas do que largas, membranácea, face adaxial e abaxial glabras, ápice cuneado, base arredondada, margem lisa, revoluta, peninérvia, nervuras secundárias 6-7, ângulo total entre as nervuras laterais 90º, manchas ocelares e glândulas ausentes. Inflorescência cauliflora, ca. 2-6 flores; pedúnculo 0,2-0,5 x 0,1 cm, não terminando em uma gavinha, glândulas ausentes, pedicelo 1,2-2,0 cm compr.; brácteas 3, linear- lanceoladas, 0,1-0,2 cm compr., glândulas ausentes, bractéolas ausentes. Flores ca. 5,5 cm diâm.; hipanto 0,3-0,4 cm alt., 0,2 cm diâm., campanulado, lobos ausentes, glabro; sépalas 0,6 × 0,2-0,3 cm, membranácea, oblongas, ápice arredondado, margem lisa, face adaxial branca, face abaxial verde, glabras, corno e glândulas ausentes; pétalas 0,6 × 0,2 cm, membranáceas, oblongas, face adaxial e abaxial branca,
Figura 31. Mapa de distribuição geográfica das espécies: Passiflora ovalis, P.
Figura 32. Passiflora ovalis Vell. ex M.Roemer. A. Detalhe do ramo. B. Detalhe da
glândula no pecíolo; C. Flor. D. Detalhe do nó caulinar. E. Fruto. (A-E. T.S.Nunes
Figura 32E. Passiflora ovalis Vell. ex M.Roemer. Detalhe da Inflorescência (T.S.Nunes 1837 -
glabras, corno e glândulas ausentes; corona em 3 séries de filamentos, filamentos da série externa ca. 1,2 cm compr. brancos, filamentos da série interna 0,2 cm compr., filamentos fimbriados a filiformes; opérculo plicado ou inteiro, ereto, membranáceo, margem filamentosa; límen ausente; anel nectarífero presente; androginóforo 1,5 cm alt., tróclea ausente, filetes 1,1 cm compr.; anteras 0,3 cm compr., ovário elíptico, glabro, estiletes 3, glabros, ca. 1,2 cm; estigmas capitados, verdes. Fruto não visto.
Etimologia: Escobar (1988), não fez nenhum comentário sobre a possível origem do
epíteto pacifica, para esta espécie.
Fenologia: Espécie florescendo e frutificando em maio.
Distribuição e hábitat: Encontrada na Colômbia, em altitude de 50-2.200 m s.n.m., em
áreas de mata primária.
Conservação e usos: Devido à dificuldade na consulta dos exemplares desta espécie,
estando disponíveis apenas referências da mesma na descrição original, com apenas três coletas (incluindo material tipo), realizadas de 1982 a 1984, não podemos enquadrá-la em nenhum dos critérios da IUCN (2004). Porém, faz-se necessário um esforço maior no sentido de visitar os herbários do Norte da América do Sul em busca de novos exemplares.
Material examinado: COLÔMBIA, Choco: Caminho entre Yuto y Lloró, 50 m
s.n.m., 18.Fev.1983, st., Escobar, L.A. & Magrigal, B. 3263 (HUA). Nariño,
Buenaventura, Rio calima, Granja de la Secretaria de Agricultura, Bajo Calima,
01.Mai.1983, fl., Folsom, J. 10900 (HUA, foto HUEFS). Piedraancha: Corregimiento Chucunez, Reserva Natural La Planada, 7 Km de Chucunez a La Reserva, 1.800-2.200 m s.n.m., bosque primário, nublado y pluvial, desde el campamento a “La Piña”. 17.Mai.1991, fr., Betancur, J. et al. 2566 (HUA, foto HUEFS).
Comentário: Infelizmente não foi possível o acesso a nenhum exemplar desta espécie,
descrição foi feita com base na fotografia, na ilustração e na descrição original. Se faz necessário um maior esforço para tentar recoletar esta espécie, ou conseguir empréstimo dos materiais existentes nos herbários Colombianos, que devido as mudanças na política do país, não permitem que materiais sejam enviados para o exterior, a menos que haja um convênio formal entre as instituições. O HUEFS encaminhou todos os formulários necessários para a formalização do convênio, porém, devido aos tramites legais no Ministério do Meio Ambiente da Colômbia, até a finalização desta tese, o herbário não obteve nenhuma resposta favorável (Felipe Cardona – Curador do HUA por e-mail), e por isso os materiais não nos foram enviados.
12. Passiflora timboënsis T.S.Nunes & L.P.Queiroz, sp. nov.
Tipo: BRASIL, Bahia: Amargosa, Serra do Timbó, com acesso pelo Morro Pelado,
13º06’09”S, 39º40’39”W, alt.: 750-835 m s.n.m., 18.Nov.2007, fl., fr., A.M.Amorim
J.Jardim, F.Ferreira, R.Perdiz, J.Paixão & L.Gomes 7027 (Holótipo: HUEFS; isótipos
CEPEC, NY, K). Figuras 26 e 33.
Trepadeira arbustiva, lenhosa, escandente, inerme; caule cilíndrico, não alado, com casca suberosa; gavinhas inteiras, discos adesivos presentes. Estípulas 3-4 × 1,5 mm, ca. 2× mais longas do que largas, persistentes, lanceoladas, ápice agudo, margem lisa, glândulas ausentes. Pecíolo 3-4 cm compr., glabro, glândulas 2, situadas a ca. 0,6 cm da base do pecíolo, sésseis, orbiculares; lâmina inteira, contorno oval, 14-18 × 7-9 cm, ca. 2× mais longas do que largas, coriácea, face adaxial e abaxial glabras, ápice acuminado, base arredondada, margem lisa, revoluta, peninérvia, nervuras secundárias 6-8 pares, proeminentes, manchas ocelares e glândulas ausentes. Inflorescência racemo, eixo principal 20-80 cm compr.; pedúnculo primário 0,3-1,9(-3,2) × 0,1-0,3 cm, não terminando em gavinha, pedúnculo secundário 0,3-2,5 cm compr., glândulas 2, sésseis, no ápice do pedúnculo primário e secundário; pedicelo 1-3,5 × 0,1-0,2 cm; brácteas 3, lineares, 0,1-0,3 × 0,1 cm compr., glândulas ausentes; bractéolas presentes, semelhantes às brácteas. Flores ca. 13 cm diâm.; hipanto 0,4-0,6 cm alt., 0,4-0,6 cm diâm., curto- campanulado, lobos ausentes, pubescentes; sépalas 6,5-7 × 2,8-3,2 cm, carnosas, oblongas, ápice arredondado, margem lisa, face adaxial branca, face abaxial verde-clara, pubescente, corno e glândulas ausentes; pétalas 4,5-6 × 2,5-3 cm, membranáceas,
oblongas, ápice agudo, margem lisa, faces adaxial e abaxial brancas, glabras, corno e glândulas ausentes; corona em 3 séries de filamentos, filamentos da série externa ca. 1,5 cm compr., filamentos amarelos, filamentos da série interna ca. 0,5 cm compr., filiformes, não variegados; opérculo membranáceo, 0,1-0,3 cm alt., margem fimbriada; límen 0,2-0,4 cm alt., cupulifome, carnoso; anel nectarífero presente; androginóforo 0,5- 0,7 cm alt., tróclea ausente, filetes ca. 0,2 cm compr., glabros, anteras 1-1,5 cm compr.; ovário elíptico, densamente velutino, tricomas alvos, estiletes 4, glabros, ca. 2,3 cm compr., estigmas capitados, verdes. Baga elíptica a oboval, 15-40 x 10-35 cm, velutina, verde quando imatura, amarelo-esverdeada quando madura. Sementes 0,5-0,7 x 0,3-0,4 cm, ovais, foveoladas, ápice agudo a apiculado.
Etimologia: O nome da espécie é uma referência à localidade onde a mesma foi
coletada, a Serra do Timbó, no Município de Amargosa, Bahia.
Fenologia: Floresce e frutifica em novembro.
Distribuição e hábitat: Espécie coletada no município de Amargosa situado na
microrregião do Recôncavo Baiano, em coordenadas de 12º4’4,98”S e 40º56’44,130”O, na localidade Serra do Timbó. A vegetação desta serra está situada dentro do domínio da Mata Atlântica, podendo ser classificada como Floresta ombrófila denso montana (Veloso et al. 1991), a ca. 900 m s.n.m. Alcança o dossel da mata.
Conservação e usos: Foi encontrada até o momento nesta pequena área do Município
de Amargosa, portanto, está espécie está sendo aqui considerada com criticamente em perigo CR B1ai (IUCN 2004), por existir em somente uma localidade.
Comentários: Diferencia-se de P. ovalis, P. contracta e P. igrapiunensis pela margem
da lâmina foliar (revoluta em P. timboënsis vs. não revoluta nas demais espécies), diâmetro da flor (ca. 13 cm em P. timboënsis vs. 5-10 cm nas demais espécies) e número de série de filamentos da corona (3 séries em P. timboënsis e 2 séries nas demais espécies).
Nos estudos filogenéticos realizados com ITS e trnL-F (capítulo 1), esta espécie aparece agrupada com P. ovalis com 100% (BS) e 0.90 (pp), este agrupamento é
adesivos nas gavinhas, flores com 4 estigmas, ovário com 4 carpelos, o que as colocaria como pertencente a um grupo exclusivo, possivelmente seção Tetrastylis.
Figura 33. Passiflora timboënsis T.S.Nunes & L.P.Queiroz. A. Detalhe do ramo
florífero. B. Detalhe do ramo em botão. C. Flor. D. Detalhe do indumento da face abaxial da sépala. E. Detalhe do androginóforo. F. Detalhe das glândulas no pedúnculo.