• Nenhum resultado encontrado

Duração: cerca de 45 minutos Local: sala de aula

Organização dos estudantes: os estudantes estarão sentados em suas carteiras, de frente para a lousa e para o professor Recursos e/ou material necessários: lousa, giz, lápis, borracha, caderno.

Material de referência: Decreto n. 8898 – 3 de março de 1883 (tabelas com os castigos referentes a cada tipo de falta cometida). Disponível em: <http://200.144.6.120/exposicao_chibata/images/exposicao/2_situacao/L_BR_1855.pdf>

(acesso em 29 out. 2018)

Aula expositiva: Negros e indígenas (30 minutos)

Peça aos estudantes que tenham em mãos a questão passada na aula anterior. Pergunte quais foram as dificuldades em respondê-la. Verifique se houve algum ponto em que a maioria da turma não conseguiu estabelecer relações. Peça também para que alguns se voluntariem para ler seus comparativos. Faça a mediação e complemente os argumentos. O objetivo é tornar claros três pontos de comparação:

• O movimento grevista de 1917 foi protagonizado por operários, com grande participação de imigrantes, e foi mais forte em São Paulo, com desdobramentos em âmbito nacional;

já a Revolta da Vacina não foi um movimento ligado a trabalhadores de uma atividade produtiva, como a indústria, além disso, o Rio de Janeiro não tinha uma população imigrante tão numerosa e diversificada como São Paulo.

• O movimento grevista tinha pautas claras, enquanto a Revolta da Vacina foi uma insurreição popular espontânea: sem líderes ou objetivos definidos. Esta talvez seja a principal distinção.

• O movimento grevista de 1917 foi em parte vitorioso (conquistou algumas de suas demandas), além de ser um episódio em uma história mais longa da luta operária no Brasil, com vários momentos de vitória. Já a Revolta da Vacina foi duramente reprimida pelo governo, com participantes mortos, presos ou “exilados” para outros estados.

Peça aos estudantes que confiram suas respostas e anotem no caderno a correção caso seja necessário. Peça também que deixem esse comparativo em mãos, pois ele será complementado no final da aula.

Inicie a aula expositiva. Relembre que já foi comentada a predominância de negros na população pobre que vivia nos cortiços do Rio de Janeiro. Desenvolva esse assunto, explicando que, com o fim da escravidão em 1888, não houve nenhuma política de integração dos ex-escravizados na sociedade. No caso das cidades, os empregos na indústria e no comércio passaram a ser ocupados

por imigrantes europeus. Com isso, mostre por que o serviço militar acabou se tornando, durante a Primeira República, uma das poucas opções que a população negra tinha de conseguir uma ocupação e abrir uma possibilidade de ascensão social. Exponha então a situação específica da Marinha, única instituição que ainda mantinha punições físicas (chibatadas) como forma de disciplinar seus soldados. Ressalte que isso causava constantes revoltas.

Explique a ocorrência, em 1910, da Revolta da Chibata, iniciada quando o marinheiro negro Marcelino Menezes foi condenado a 250 chibatadas. Revoltados com a punição absurda, um grupo de cerca de 2 mil marinheiros liderados por João Cândido (também negro e descendente de escravizados) capturaram navios de guerra e forçaram o governo brasileiro a negociar o fim dos castigos físicos e melhorias nos salários. Explique também o sucesso parcial do movimento, que conseguiu pôr fim aos castigos físicos na Marinha, mas teve várias de suas lideranças presas (como é o caso de João Cândido) ou executadas.

Nesse momento, explique que os governos na Primeira República não foram violentos somente com a população pobre das cidades, especialmente negros, conforme visto nos episódios das revoltas da Chibata e da Vacina. Os indígenas também foram reprimidos.

Pergunte à classe se todos se lembram de quem tinha direito a voto de acordo com a Constituição de 1891 – homens maiores de 21 anos alfabetizados. “Os indígenas tinham direito a voto?”, “Eles eram considerados cidadãos plenos?”. Pergunte agora qual era a justificativa para isso.

Pontue que, de acordo com a lei da Primeira República, os indígenas eram “relativamente incapazes”. Portanto, seus interesses precisavam ser representados pelo governo, que fazia o papel de “tutor”, de modo que eles não gozavam de direitos políticos plenos.

Relembre que os governos da Primeira República, especialmente seus setores militares, eram fortemente influenciados pelo Positivismo, filosofia de origem francesa que defendia, entre outras coisas, a ideia de uma história humana linear, evolutiva, em que culturas menos “civilizadas”

deveriam se modernizar para se equiparar aos modelos mais evoluídos de sociedade – aqueles de origem branca e europeia. Logo, o Estado brasileiro passou a ver o “progresso” dos indígenas como parte de sua missão.

Com base nessa mentalidade, pontue que o governo criou, em 1910, o Serviço de Proteção ao Índio (SPI), sob comando do militar e sertanista Marechal Cândido Rondon. Exponha a atuação do órgão: por um lado, ele representou um relativo avanço, pois o indígena deixou de ser considerado um “obstáculo” ao desenvolvimento do país e passou à condição de cidadão, ainda que

“relativamente incapaz”. Porém, a missão do SPI era integrar o nativo à cultura branca majoritária, destruindo suas formas de vida, consideradas “primitivas” e apenas “transitórias”. Portanto, na prática, o órgão acabou deslocando várias populações de suas terras, privilegiando atividades econômicas no interior do país e a colonização de territórios como o norte do Paraná, o Centro-Oeste e parte da região Norte, onde, em 1907, iniciou-se a construção da ferrovia Madeira-Mamoré.

Em vários desses locais, instalaram-se plantações nos territórios indígenas para que eles pudessem se tornar trabalhadores “integrados” à sociedade brasileira. Também foram construídas escolas, casas e oficinas de trabalho em território nativo. Pontue que tudo isso foi parte do esforço para aculturar os indígenas “atrasados”. Por fim, pergunte aos estudantes se eles pensam que o órgão

realmente defendeu os interesses indígenas. Espera-se que os estudantes reconheçam que essa relação não respeitou a cultura indígena. Complemente afirmando que essa sobreposição violenta, típica da colonização portuguesa e da época imperial, prolongou-se durante a Primeira República.

Para encerrar essa etapa da aula, reserve no máximo 5 minutos e peça aos estudantes que complementem o comparativo, feito na aula anterior, entre a Greve de 1917 e a Revolta da Vacina.

Nesse momento, eles devem incluir a Revolta da Chibata. Peça-lhes que pensem nos aspectos já trabalhados no início da aula: identificar participantes, pautas e resultados. Espera-se que eles estabeleçam semelhanças entre a Revolta da Chibata e o movimento grevista, pois ambos tiveram liderança, objetivos políticos definidos e algum sucesso em suas reivindicações. Foram, em resumo, movimentos organizados. Se for necessário, pontue que, por outro lado, os marinheiros liderados por João Cândido também podem ser comparados aos protagonistas da Revolta da Vacina, pois eram, em sua maioria, de origem negra.

Atividade: Caracterização da modernização brasileira (15 minutos)

No final da aula, peça aos estudantes que elaborem um pequeno texto (10 linhas) discutindo e justificando a seguinte afirmação (passe na lousa e peça para anotarem nos cadernos): “A Primeira República foi um período de modernização ‘contraditória’, isto é, um período de mudanças sociais importantes, mas também de permanência de problemas e desigualdades”. Os estudantes devem abordar, por um lado, as relevantes mudanças pelas quais a sociedade brasileira passou na Primeira República (urbanização, industrialização, surgimento de um movimento operário, mudanças culturais trazidas pelos imigrantes e pela cultura de massas, como rádio, cinema e imprensa). Por outro lado, espera-se que enfatizem como a estrutura social excludente e marcada pelo preconceito racial se manteve, em que a população pobre, especialmente negros e indígenas, ficou à margem. Esses dois temas devem sustentar a compreensão dos estudantes sobre o significado da “contradição” no processo de modernização brasileira. Se os estudantes não conseguirem finalizar a atividade em aula, peça-lhes que a concluam em casa.

Aferição do objetivo de aprendizagem

A aferição poderá ser feita por meio da avaliação da participação e do engajamento dos estudantes nas discussões em aula e na correção coletiva das tarefas para casa. A primeira atividade escrita permitirá avaliar a compreensão do estudante sobre os impactos que a urbanização e a industrialização do país tiveram no surgimento de um movimento operário politicamente relevante, bem como a sua capacidade de analisar o texto literário como fonte histórica e documento de uma época. A segunda atividade permitirá avaliar como o estudante estabelece relações entre os diferentes movimentos sociais. Por fim, a terceira atividade permitirá avaliar como o estudante articula, por escrito, as ideias de “ruptura” e “permanência”, mostrando que compreendeu tanto as mudanças importantes pelas quais o Brasil passou na Primeira República quanto, por meio dos estudos particulares das revoltas, as estruturas políticas e sociais que perpetuam o preconceito racial e excluem pobres, indígenas e negros.

Questões para auxiliar na aferição

1. Explique resumidamente quais eram as condições de vida e de trabalho dos operários brasileiros no início do século XX.

2. Comparando a Revolta da Vacina (1904) com a Revolta da Chibata (1910), é correto afirmar que:

a) ambas tiveram como protagonistas militares negros da Marinha do Rio de Janeiro.

b) ambas foram parcialmente bem-sucedidas, pois, embora suas lideranças tenham sido presas, conseguiram, respectivamente, derrubar a lei de vacinação obrigatória e interromper os castigos físicos na Marinha.

c) diferentemente da Revolta da Chibata, a Revolta da Vacina foi um movimento popular espontâneo, sem lideranças nem pautas bem definidas.

d) diferentemente da Revolta da Vacina, que foi duramente reprimida e não obteve sucesso, a Revolta da Chibata teve suas demandas ouvidas pelo governo, pois contou com a liderança de João Cândido, marinheiro de alta patente e origem rica.

Gabarito das questões

1. As populações operárias, concentradas especialmente na cidade de São Paulo, viviam em moradias precárias como os cortiços, onde não havia saneamento básico, e com pouquíssimo acesso a saúde e educação. No ambiente das fábricas não havia nenhum direito trabalhista, como férias, salário mínimo e descanso nos fins de semana. As jornadas de trabalho chegavam a 15 horas diárias.

2. Alternativa correta: c. A Revolta da Vacina não foi protagonizada por militares, não conseguiu frear a vacinação obrigatória e João Cândido, líder negro da Revolta da Chibata, não tinha origem privilegiada.