Duração: cerca de 45 minutos Local: sala de aula
Organização dos estudantes: os estudantes estarão sentados em suas carteiras, de frente para a lousa e para o professor Recursos e/ou material necessário: lousa, giz, lápis, borracha, caderno, cópias das imagens selecionadas para a aula ou equipamento de projeção. Se necessário, imprima cópias das imagens para serem entregues a cada estudante.
Material de referência:
1) Rio de Janeiro ANTES da Reforma de Pereira Passos
• Estalagem da Rua dos Inválidos (fotografia de Augusto Malta). Arquivo Geral da Cidade do Rio de Janeiro. Disponível em: <http://multirio.rio.rj.gov.br/index.php/estude/historia-do-brasil/rio-de-janeiro/66-o-rio-de-janeiro-como- distrito-federal-vitrine-cartao-postal-e-palco-da-politica-nacional/2915-os-quiosques-e-os-corticos-do-rio-republicano>.
• Habitações precárias transformadas em cortiços, 1906 (fotografia de Augusto Malta). Arquivo Geral da Cidade do Rio de Janeiro. Disponível em: <http://multirio.rio.rj.gov.br/index.php/estude/historia-do-brasil/rio-de-janeiro/66-o-rio- de-janeiro-como-distrito-federal-vitrine-cartao-postal-e-palco-da-politica-nacional/2911-administracao-pereira-passos-o-bota-abaixo>.
2) Rio de Janeiro DEPOIS da Reforma de Pereira Passos
• Avenida Central, c. 1908 (fotografia de Marc Ferrez). Instituto Moreira Salles. Disponível em:
<http://brasilianafotografica.bn.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/590>.
• Teatro Municipal, 1910 (fotografia de Marc Ferrez). Instituto Moreira Salles. Disponível em:
<http://brasilianafotografica.bn.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/2586>.
3) Paris na segunda metade do século XIX
• Gravura com a vista panorâmica da cidade, c. 1870. Disponível em:
<www.theguardian.com/cities/2016/mar/31/story-cities-12-paris-baron-haussmann-france-urban-planner -napoleon#img-1>.
• Rue de Rivoli (fotografia de 1855-1875). Disponível em: <http://hdl.handle.net/10934/RM0001.COLLECT.270596>.
(Acessos em 3 jul. 2019.)
Aula expositiva: Revolta da Vacina por meio da análise de imagens (40 minutos)
Selecione previamente duas imagens que retratem o Rio de Janeiro durante a Primeira República (“Avenida Central”, c. 1908, e “Teatro Municipal”, 1910, de Marc Ferrez). Uma deve mostrar a cidade antes das reformas implementadas pelo prefeito Pereira Passos, destacando moradias precárias como cortiços e estalagens. A outra deve mostrar alguma região da cidade após a reurbanização, destacando a implementação de avenidas largas que remetiam às cidades europeias.
Inicie a aula pedindo aos estudantes que peguem a tarefa de casa passada na última aula.
Abra espaço para que dois ou três estudantes se voluntariem a ler suas respostas e comente-as com a classe. O objetivo principal é relembrar que o Brasil passou por um crescimento da indústria e da população urbana durante a Primeira República. Explique que nessa aula serão vistos os impactos dessas mudanças em outras camadas sociais, para além do movimento operário.
Projete para a classe a primeira imagem selecionada ou entregue o papel com as imagens impressas. Informe que se trata de uma imagem do Rio de Janeiro, a data (mesmo que aproximada) e relembre a importância da cidade, que na época era a capital do país.
Peça aos estudantes que identifiquem o que está representado na fotografia. Caso surjam respostas como “favela”, “casas de pessoas pobres”, etc., pergunte o que fez com que eles chegassem a essas conclusões (por exemplo, os varais com roupas para fora das casas, as construções de madeira, o chão de terra). Pergunte agora se todos sabem o que é um cortiço e introduza o conceito, isto é, habitação coletiva, uma única casa que é dividida por várias famílias.
Agora, indague como deveriam ser as condições de higiene naquele local. Pergunte também quais as consequências dessas condições, conduzindo a discussão para que os estudantes associem a falta de saneamento com a proliferação de doenças. Por fim, questione qual segmento da população habitava esses locais. É importante que eles percebam não só uma população de baixa renda, mas também majoritariamente negra. Se necessário, relembre que a escravidão havia sido abolida no Brasil apenas em 1888, ou seja, poucas décadas antes do período tratado na aula.
A partir desses apontamentos, explique que o Rio de Janeiro passava por epidemias de febre amarela, peste bubônica e varíola no início do século XX, o que se relaciona a essas condições precárias em que parte de sua população vivia. Além disso, a cidade era capital da República, e esse tipo de habitação atrapalhava a imagem “moderna” que os novos governantes queriam transmitir.
Diante dessa questão, o governo iniciou, em 1904, uma reforma urbana que deveria resolver esses dois problemas. Por um lado, melhorar a infraestrutura da cidade, construindo, por exemplo, uma rede de esgotos, o que diminuiria a proliferação de doenças. Por outro, a ideia era “embelezar”
o Rio de Janeiro, passando uma imagem de metrópole moderna. Pergunte aos estudantes quais cidades e regiões provavelmente inspiraram as autoridades brasileiras. E por quê? O objetivo é reforçar a ideia de que a Europa, e especialmente Paris, servia naquela época de grande referência do que é ser “civilizado” e ter “progresso”. Se julgar necessário, mostre aos estudantes algumas imagens da cidade de Paris após as reformas urbanísticas de Georges-Eugène Haussmann (1809-1891), responsáveis por estabelecer o desenho básico que a cidade tem até hoje e o modelo de grandes avenidas e bulevares que seria copiado no mundo todo. Sugere-se uma gravura com a vista panorâmica de Paris por volta de 1870 e uma fotografia da Rue de Rivoli, o primeiro bulevar projetado por Haussmann e que serviria de modelo para os demais.
Apresente a segunda imagem. Informe que ela retrata uma avenida do Rio de Janeiro após essas reformas urbanas. Pergunte aos estudantes quais foram as diferenças mais marcantes.
Conduza a discussão para que todos percebam a largura das ruas, das calçadas, a presença de iluminação pública e a eliminação das moradias populares que antes existiam nessas regiões centrais. Explique que a única maneira de alargar as ruas de uma região como o centro do Rio de Janeiro era demolir construções mais antigas – algumas até mesmo da época colonial.
Questione agora o que deve ter ocorrido com a população que morava nos cortiços. O objetivo é evidenciar que o governo expulsou do centro da cidade essa população mais pobre, que passou a viver em barracos nos morros, nos subúrbios ou simplesmente ficou desalojada. Essas demolições foram pacíficas? Houve resistência? Ouça as respostas e faça a mediação da discussão, deixando claro que o processo de reurbanização da capital foi conflituoso.
Reforce que, além de violento, o processo de reurbanização foi excludente. Explique que, ao mesmo tempo, o governo brasileiro decidiu instituir uma lei que tornava a vacinação obrigatória, com a justificativa de combater as epidemias. Comente a importância do médico sanitarista Oswaldo Cruz, o principal mentor do programa de vacinação.
Diga que não houve campanhas de esclarecimento e boa parte da população não sabia quais seriam os efeitos da vacina e considerava uma “violação” aplicar injeções em mulheres. No contexto da demolição dos cortiços, a população mais pobre do Rio de Janeiro considerou inaceitável esse programa de vacinação forçada e iniciou uma insurreição contra o governo em novembro de 1904.
Essas foram as causas imediatas para a chamada Revolta da Vacina. Entre 10 e 16 de novembro de 1904, a população tomou as ruas do Rio de Janeiro e, manifestando sua revolta, atacou a sede do governo, prédios públicos e forças policiais e vandalizou vitrines e bondes. Esclareça que alguns grupos políticos tentaram se aproveitar dessa situação de caos social para derrubar o presidente Rodrigues Alves, mas que o movimento popular na verdade não teve lideranças ou pautas definidas:
foi um motim, uma explosão de revolta por parte da população sem um alvo específico. O governo foi obrigado a declarar estado de sítio, e o Exército conseguiu reprimir os manifestantes, efetuando muitas prisões, assassinatos e deportações dos suspeitos de “liderar” o movimento.
Comente com os estudantes que, apesar do nome do evento, a vacinação não pode ser considerada sua causa principal. Estimule os estudantes à reflexão de que a campanha de vacinação obrigatória significou apenas mais um episódio do histórico de descuido por parte do governo com relação à população mais pobre.
Atividade: Explicação sobre exercício para casa (5 minutos)
Terminada essa discussão, passe a seguinte questão para casa (no caderno):
• Quais semelhanças e diferenças podemos apontar entre a Greve Geral de 1917 e a Revolta da Vacina (Rio de Janeiro, 1904), levando em conta participantes, pautas e resultados?
O objetivo é perceber se os estudantes conseguem identificar a base social de cada movimento.
O primeiro é operário e com forte presença imigrante; o segundo é mais difuso, protagonizado por grupos sociais mais fragilizados, como era o caso dos ex-escravos, afastados do mercado de trabalho. É importante que caracterizem os graus de organização de cada um: o movimento grevista tinha pautas claras e obteve conquistas, enquanto a Revolta da Vacina foi uma explosão espontânea, sem objetivo ou lideranças políticas e, consequentemente, sem resultados concretos.