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1 INTRODUÇÃO

2.3 A CADEIA TÊXTIL

2.3.4 Segmento dos confeccionados

2.3.4.3 O comércio do vestuário

Para Parente (2000) o comércio varejista corresponde ao processo de venda de produtos e serviços para atender a necessidade pessoal do consumidor e qualquer organização que faça esta atividade é um varejista. Mesmo quando um fabricante ou atacadista vende diretamente para o consumidor final estão praticando atividades de varejo, embora não sejam consideradas como tal, já que esta não é sua principal atividade. Neste mesmo contexto, Kotler (2000) descreve que o varejo é qualquer atividade relacionada com a oferta de produtos ou serviços diretamente ao consumidor final.

Durante o século XX profundas transformações aconteceram no varejo mundial e na segunda metade do século, uma enorme variedade de formatos de varejo estava presente nas atividades comerciais que acabaram modificando as formas de comercialização dos diversos produtos.

O comércio varejista pode ser classificado sob diferentes aspectos e uma forma de classificação divide o comércio varejista entre lojistas e não lojistas (FEDERAÇÃO DAS INDÚSTRIAS DE SÃO PAULO, 2000). Os não lojistas tem cada vez mais a influência dos avanços da tecnologia das telecomunicações e as formas mais comuns são as vendas pelo comércio eletrônico, TV shopping, televendas, internet e ainda pelo contato pessoal entre vendedor com comprador através da venda porta a porta, venda pessoal, marketing de rede, entre outros.

O comércio varejista lojista possui várias segmentações, desde as lojas independentes a cadeias de lojas que formam uma rede, podendo estar localizadas em shopping centers, centros comerciais, galerias, lojas de rua e lojas de bairro. Desta forma, a segmentação do varejo lojista pode considerar diversas variáveis, tais como: produto vendido, especialização, atendimento, serviços agregados, preço, proximidade do consumidor, mix de mercadorias e número de itens.

todos os formatos, mas as lojas de departamentos são as que merecem destaque pela sua forma de atuação e crescimento. São lojas que oferecem variedade e profundidade de linhas de produtos, tanto do ramo mole, que inclui o vestuário, acessórios, calçados, cama, mesa e banho, e do ramo duro, como eletrodomésticos, brinquedos, móveis, Compact Disc (CDs) e perfumes. Suas vendas se dão em grande escala e normalmente pelo sistema de autoserviço, em que a opção de assistência pessoal é oferecida quando o cliente solicita e ainda dispondo serviços de crédito pessoal.

No Brasil a modernização do varejo demorou a se realizar, somente na virada da década de 50 com a Mesbla e a Sears e depois com o Mappin que ocorreram mudanças.

Na atualidade o comércio do vestuário é mais abrangente e não está somente segmentado de acordo com poder aquisitivo dos consumidores como acontecia no passado, em que era direcionado para as classes sociais compostas por pequenos grupos distintos como o clero, nobres e pobres. Com o aparecimento da moda e com a democratização da sociedade vários estilos de vida apareceram e a roupa como elemento integrante dos estilos, passou a ser o meio de expressão e de identificação. Com a concorrência entre as empresas formalmente constituídas nacionalmente, mais os produtos de empresas globais de griffes e ainda com o mercado da informalidade, o varejo do vestuário é um dos mais dinâmicos. O Gráfico 8 mostra o percentual do volume de peças que são comercializadas nos principais canais de distribuição do vestuário. As classes sociais são classificadas de A até E, e o Gráfico 9 mostra o percentual de consumo por classe e a representação da população economicamente ativa. Pode perceber que o maior consumo é da classe B seguida pela C, que somados representam 70% do consumo do país e em número de habitantes totalizam 63%. Embora os mercados possam ser segmentados pela renda e as indústrias fornecedoras estarem atentas ao perfil de mercado e do produto, muitos varejistas estão se adequando para alcançar à maior gama de consumidores, utilizando várias estratégias para abranger todas as classes.

Gráfico 8 - Percentual de peças comercializadas pelos canais de distribuição Fonte: Palestra dados têxteis e de confecção do Brasil - IEMI (2008).

Gráfico 9 - Consumo de vestuário por classe social

Fonte: Palestra dados têxteis e de confecção do Brasil – IEMI (2008).

No Brasil, conforme Schmid (2004) a C&A utilizou a top model Gisele Bündchen para fazer a promoção de seus produtos para estreitar a relação com a moda e atingir novos públicos que valorizam o produto quando este está associado a uma personalidade. As empresas Marisol e Hering também já utilizaram designers de renome nacional para assinarem coleções exclusivas com o intuito de fazer a relação do produto com nomes importantes da moda. Outro exemplo é o da indústria Buettner, especializada em cama, mesa e banho que também usou designer de reconhecimento nacional da arquitetura para assinar sua coleção.

cadeia de formação de valor e os sistemas produtivos com o objetivo de oferecer pacotes de bens e serviços aos consumidores. Para este pleito, o sistema de produção e comercialização alcançou mudanças significativas, em que o projeto de um produto pode ser realizado por uma empresa, a matéria prima e insumos por outra, a produção e a comercialização executada por diferentes empresas e ainda todos estarem dispersos geograficamente. Este formato é descrito por Johnson (2002) quando exemplifica que antes mesmo de um produto ser comercializado na Europa ou nos Estados Unidos, ele pode passar por diversas mãos em diferentes países, mesmo sendo um produto simples como uma camiseta de malha. E se for mais complexo, como uma parka de inverno, o botão pode ser feito na Alemanha, o zíper no Japão, o tecido na China e Taiwan e a falsa pele na Tailândia. Porém, estas práticas não aparentam serem novas, mas o novo são as condições de quem detém o poder, quem obedece e como é distribuído o lucro. Neste sentido, as redes de varejo que possuem marcas próprias e destinam o desenvolvimento e a produção para terceiros tem sido destaque nos últimos anos na obtenção dos melhores resultados (lucro) conforme apontado por Tungate (2008), Christopher; Lowson; Peck (2004). Estes varejos têm buscado no universo globalizado as diferentes indústrias que ofereçam o pacote completo de serviços ao menor custo e assim, conseguem a maior fatia dos lucros.

Os serviços de pacote completo é uma prática utilizada na indústria do vestuário e está relacionado com os sistemas produtivos e com a cadeia de valor que será abordado no próximo item.