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O conceito de riqueza

No documento Plano B.pdf (páginas 36-43)

O que vai aprender neste livro

Capítulo 1: Conceitos iniciais

1.2 O conceito de riqueza

parasse de trabalhar hoje? Digamos que tivesse que viajar ou ficasse impossibilitado de exercer as atividades que faz hoje. Qual o tempo que conseguiria manter o seu padrão de vida atual?

Se você conseguisse se manter por 1 ano, você é um privilegiado. Se o fizesse por 5 anos, faz parte talvez de menos de 0,5% da população. Se conseguisse não só se manter por tempo indeterminado mas também melhorar a cada mês, está no caminho certo. Você provavelmente tem um ativo que lhe rende receita mensal e crescente. Não vou lhe dizer que é fácil, mas é possível.

O tempo que você consegue se manter sem depender de uma atividade que execute todos os dias para garantir o ganho está diretamente ligado ao conceito de riqueza. Esta é medida em tempo. Não tem a ver com o dinheiro que você tem no banco, porque ele perde valor com o tempo - com o que chamamos de inflação. Se você só tem um emprego que lhe dá renda mensal, mas não tem ativos (meios que lhe gerem renda, mesmo sem que trabalhe dia a dia por ela), tem um bom risco financeiro. Se você tem ativos lhe gerando receita todo mês, tem muito mais riqueza, mesmo que ainda não tenha tanto dinheiro no banco. Dinheiro e riqueza são conceitos diferentes, mas muitos confundem um e outro. Preocupe-se em gerar riqueza por meio de ativos, muito mais do que renda (dinheiro propriamente dito).

Gosto muito de algumas analogias que aprendi com um grande amigo, o Raphael Feliz. Por que é importante ter uma renda que lhe dê tempo? Por um motivo muito simples: tempo é um bem escasso, como petróleo, quanto mais você usa, menos tem, portanto, mais valor o tempo que lhe restou tem. Então é importante que construa uma estrutura para que faça o seu tempo futuro valer cada vez mais com relação ao presente. Investir em seu tempo agora para que ele valha cada vez mais.

Ao contrário do tempo, que é um bem escasso, dinheiro é um bem renovável, é como etanol. Você perde tudo e constrói tudo de novo. Você produz dinheiro a partir de tempo, mas você não produz tempo a partir do dinheiro. Só isso já lhe diz que tempo é muito mais importante do que dinheiro, então, você não tem que usar o tempo para ganhar dinheiro. Você tem que usar o dinheiro para ganhar tempo.

É lógico que não se consegue ganhar dinheiro sem usar o tempo. Então, inicialmente, você vai fazer um mau negócio, ou seja, usar o seu tempo (muito valioso) para ganhar dinheiro (menos valioso), porém, o mais rápido que puder, vai inverter os pólos. Vai passar a usar o dinheiro para ganhar tempo, o que só é possível se entender bem o conceito de riqueza e criar um sistema que lhe dê dinheiro sem tomar seu tempo: renda passiva.

Para expandir esse conhecimento sobre renda e riqueza, vou lhe indicar uma leitura interessante. O livro de Robert Kiyosaki, “Pai Rico, Pai Pobre” (Se você ainda não tem, por favor, compre-o. Ele vai ser um divisor de águas na sua visão sobre dinheiro). Lá ele define basicamente 4 tipos de pessoas com relação à geração de renda: empregado, autônomo (ou dono de um pequeno negócio, em que ele mesmo faz praticamente tudo e tem uma empresa pequena), empresário (de grandes empresas, em que ele próprio não tem que trabalhar tão duro diariamente pelo negócio) e investidor.

O empregado depende de uma empresa que o remunere mês a mês pela venda de seu tempo para ela. O autônomo ou dono de um pequeno negócio vende seu tempo sem depender de nenhuma empresa ou compra o tempo de algumas poucas pessoas que fazem parte do trabalho, mas raramente ganha escala porque todo o negócio depende dele (o tempo é um conceito crucial e que vamos ler mais sobre ele aqui no livro). O bom empresário compra o tempo de muitas pessoas, dos seus empregados (estou falando em empresas em que o proprietário contrata pessoas para trabalharem POR ele e não somente PARA ele), transforma-o em um produto ou serviço e vende-o mais caro para o mercado, ganhando o excedente em larga escala, sem ter que trabalhar vendendo seu tempo.

O investidor aplica seu dinheiro ou seu tempo em algo que lhe dê renda passiva ao longo do tempo, como se diz: “faz o dinheiro trabalhar para ele ao invés de trabalhar para o dinheiro”. O investidor usa uma expressão que vamos falar muito aqui no livro: “retorno sobre investimento”. O investidor concentra-se em ativos – aquilo que lhe gera renda ao longo do tempo - como imóveis, ações, direitos autorais, licenciamentos

de sua marca, dentre outros. Geração de renda contínua sem que ele tenha que trabalhar o dia inteiro vendendo seu tempo para gerar tal receita. Tome como exemplo o meu caso. A editora me paga mensalmente os direitos autorais por esse livro. Além desse, ainda tenho outro livro pelo qual também sou remunerado mensalmente pelos meus direitos autorais. Tenho a marca 8Ps do Marketing Digital, que licencio para algumas empresas que me pagam por esse licenciamento. Criei o meu sistema de ativos pelo qual gero receita mensalmente sem ter que trabalhar dia a dia para gerar a receita daquele dia. Criei para mim um sistema sem que eu tenha que brigar por ela todos os dias. É exatamente isso que vou lhe ensinar a fazer.

Kiyosaki fala algo que julgo bem interessante. A maioria das pessoas trabalha, primeiro para os donos das empresas que as emprega, depois para o governo na forma de pagar impostos e depois para os bancos que são donos de suas dívidas (financiamento do carro, da casa, cartão de crédito etc). E, além de tudo isso, ainda há a inflação subtraindo seu dinheiro diariamente e fazendo-o perder o valor ao longo do tempo. A melhor opção para se libertar desse sistema é fazer com que, grave bem isso, o “seu dinheiro não dependa do seu tempo”. Esse é o raciocínio mais importante para quem quer ganhar dinheiro e ter qualidade de vida.

Pense comigo. Se você é um autônomo, quando para de trabalhar, o dinheiro cessa de entrar na sua conta. Você vende o seu tempo, logo, quanto menos vender, menos dinheiro ganha. Só que o seu tempo tem um limite, que são as 24 horas por dia das quais você dispõe. Quando é dono de um pequeno negócio que depende visceralmente de você, acontece o mesmo. Quando para de trabalhar, o seu negócio fica em risco. O engraçado é que, por mais que trabalhe, você nunca tem tanto dinheiro para comprar o que quer, resultado: dívidas para alimentar seus sonhos. É um sistema que é feito para que os empregados, autônomos e donos de pequenos negócios gerem dinheiro para que os empresários e investidores ganhem. Um jogo de soma zero, alguém tem que perder para que alguém ganhe. Não precisa ser assim. Há pessoas e dinheiro o suficiente no mundo para que todos ganhem e sintam-se felizes.

você se sentar em uma mesa de pôquer e, nos primeiros 30 minutos, você não descobrir quem é o pato da mesa, levante-se. O pato é você”. É quem financia o jogo dos outros. Aquele que perde dinheiro para que os outros ganhem, ainda que tenha a ilusão de que está ganhando. Vou citar uma outra frase que pode impactá-lo, mas é a pura verdade. O escritor e pensador alemão Goethe dizia que “Ninguém é mais escravo do que aquele que pensa ser livre sem que, de fato, o seja”. Pense nisso.

Na economia da informação e conhecimento em rede, como já falei, o dinheiro é apenas um conjunto de bits na tela do seu computador. Uma vez que a informação, os bits, estão espalhados por toda a internet, é possível transformar bits de informação em bits de dinheiro. A origem é a mesma – bits. O jogo dos patos, em que alguém perde para outro ganhar, só acontece porque poucos sabem que estão nesse jogo. Se soubessem, levantariam-se da mesa e acabariam com o jogo. Saiba se você está sendo o pato da mesa e faça uma escolha sobre o que quer para o seu futuro. Se entender o jogo e souber como fazer para que as regras trabalhem a seu favor, entenderá que não precisa ser um jogo de soma zero, todos podem ganhar porque o dinheiro é cada vez mais líquido, é intangível e multiplicável, assim como os bits o são.

Quando você é um empregado, também vende seu tempo. Se não trabalhar, o dinheiro para de entrar (ou diminui muito, se pensar em um seguro-desemprego, mas não estou considerando isso como uma opção aqui). O resultado em ser empregado também são muitas dívidas para comprar seus sonhos e aliviar a pressão do trabalho. Sendo autônomo, proprietário de um pequeno negócio ou empregado, você vende tempo e depende dele para ganhar dinheiro. Por isso que não pode viajar ou curtir tanto sua família, porque a cada minuto que não trabalha, é uma quantia de dinheiro que deixa de ganhar. Resultado: para ter dinheiro para realizar seus sonhos, tem que trabalhar cada vez mais, deixando, assim, cada vez menos tempo para realizar e curtir seus sonhos. Manter o equilíbrio entre o tempo para você, sua família e seus sonhos e entre o tempo para o dinheiro é sempre um desafio para esses tipos de profissionais. Não é à toa que existem tantos livros sobre gestão de tempo.

trabalhem por você, compra o tempo de outras pessoas e, com isso, fica com um estoque maior de tempo para vender e não tem que empregar tanto o seu próprio tempo. Transforma todos esses tempos em produtos e os vende. É uma excelente maneira de ganhar dinheiro se tudo der certo, porém sabemos que, no Brasil, o governo rema contra você. Abrir uma empresa é um martírio. Vencer os impostos, um sacrifício. Fechar legal e contabilmente uma empresa é algo praticamente impossível. Quanto mais empregados, maior é a chance de problemas. Quanto mais cresce, mais dinheiro se gasta para controlar o crescimento e maior pode ser o seu tombo. Se ganha muito dinheiro, mas se precisa de uma estrutura muito pesada que pode não aguentar o seu próprio peso, você pode quebrar. Quebrar sobre si mesmo.

Falo isso porque já tive duas empresas com dezenas de funcionários. Minha ideia era transformá-las em um grande negócio, contudo uma delas teve um fim catastrófico, consumindo todas as minhas economias e ainda deixando-me com centenas de milhares de reais em dívidas. A outra só me deu o suficiente para mantê- la de pé até vendê-la, praticamente empatando o capital que investi. Posso dizer que ter uma empresa é uma boa maneira de ganhar dinheiro, mas muito arriscada. A melhor maneira de se ter um negócio é tendo dinheiro para qualquer eventualidade, o suficiente para investir em seu crescimento, para contratar bons (e caros) profissionais e fazê-la crescer rapidamente (para vendê-la por algumas centenas de milhões de reais). Enquanto você não dispõe de tal capital para iniciar o negócio com sucesso, é melhor ser investidor. Você pode pensar nesse momento: “um investidor precisa de tanto dinheiro ou mais do que um empresário para começar a investir e ganhar sobre seus ativos, certo?”. Sim e não. Continue lendo e entenderá esse meu ponto de vista.

Você pode ser um investidor. Uma pessoa nessa categoria não tem a empresa, mas ganha em escala. Não tem que manter uma estrutura enorme e trabalhosa, mas ganha sobre o tempo das pessoas que trabalham em uma grande estrutura. Um investidor pode ter parte de uma empresa (como ações), pode ter renda passiva vinda de imóveis, por exemplo, geralmente tem liquidez (pode comprar e vender facilmente seus ativos), pode entrar em diversos negócios diferentes, observando somente qual o

retorno que cada negócio lhe dá. Um investidor pode curtir muito melhor a sua vida e ganhar muito mais dinheiro. Nesse livro, vou lhe ensinar a ser um investidor de você mesmo e de produtos que você crie.

As pessoas não aprendem a investir principalmente porque a escola não ensina. A grande maioria das faculdades no Brasil nos ensina a sermos ótimos empregados, algumas, a sermos bons empresários, outras ainda, a sermos autônomos, mas poucas nos ensinam - independente de qualquer outra categoria que queiramos ser, empregado, autônomo ou empresário – a sermos um ótimo investidor. Geralmente, aprendemos isso na marra. Aprendemos perdendo dinheiro. Aprendemos com muita dor.

Um investidor está na situação de independência financeira porque tem diversas fontes de renda e trabalha quando quer, sendo dono do seu próprio tempo. Uma pessoa rica é aquela que é dona desse tempo. Não há nada de errado em ser um empregado, autônomo ou empresário, mas é essencial para sua saúde e felicidade que saiba exatamente qual é o jogo em que está e se preparar para eventualidades. Você pode ser qualquer uma dessas categorias, mas seja também um investidor para que não seja o pato da mesa.

Um investidor pode ter seus dividendos vindos de várias fontes. Ele pode juntar dinheiro para comprar uma propriedade e alugá-la, obtendo, assim, receita. Pode comprar uma empresa para ganhar sobre seu lucro mensal. Pode comprar ações na bolsa de valores e viver de dividendos. O problema é que, para isso, precisa de dinheiro. Parece que o caminho, então, é ser empregado (que diminui o seu risco quanto a gerar renda mensal porque, uma vez que tenha um emprego, seu salário estará razoavelmente garantido), juntar dinheiro e tornar-se um investidor. Nessa opção, você trabalha para os outros, vendendo o seu tempo e ganhando uma parcela do valor do seu tempo. Alguém multiplica o seu tempo e devolve parte do valor multiplicado em forma de salário. Você transforma tempo em dinheiro.

Outra opção é montar um pequeno negócio que se torne grande em alguns anos e torne-se um investidor. Nessa opção, você investe algum dinheiro e muito tempo.

Corre um risco elevado para fazer com o seu dinheiro potencializado pelo seu tempo se transforme em muito dinheiro.

No documento Plano B.pdf (páginas 36-43)