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2. METODOLOGIA DA PESQUISA

2.5. Contexto da pesquisa

2.5.1. O contexto mais amplo: o programa e o módulo

2.5.1.3. O courseware utilizado

A ferramenta de autoria utilizada foi o WebCT11 versão 1.3.1, desenvolvido por Murray W. Goldberg, do Departamento de Ciências da Computação da Universidade de British Columbia em 1995. O WebCT constitui uma plataforma para ensino e aprendizagem baseada na Web e define-se como uma interface para desenho de curso que combina ferramentas educacionais e administrativas, um programa que reúne um conjunto de ferramentas próprias para o designer/professor e um outro conjunto de ferramentas para o aluno, utilizando recursos da Internet.

A decisão de utilizar o WebCT foi tomada após um estudo preliminar do courseware, observando sua adequação às necessidades do grupo. Foram avaliadas ferramentas oferecidas para o designer, para o professor e para os alunos em três coursewares escolhidos (WebCT, Blackboard e Virtual U) a partir de um estudo prévio incluindo várias ferramentas de autoria.

Nesse estudo prévio, feito por alguns participantes do design do curso em questão e por membros do grupo Edulang, relatado em Ferreira, A.; Carelli, I. M.; Cussi, L.; Wadt, M. P. S.; Shimazumi, M.; Martins, R. L.; Weyersbach, S. R. (2003), concordamos com Maurer, H. (1997), que “grande parte da tecnologia disponível para a criação de cursos online tanto pode produzir material de boa qualidade quanto material totalmente inadequado”. Além disso, o foco de avaliação da ferramenta de autoria “deve ser colocado na abordagem pedagógica apropriada para o conteúdo, organização e estratégias de interação que fortaleçam o processamento de informação

do estudante e a integração dos atributos do meio para sustentar as metas estabelecidas e os objetivos do curso” (Dabbagh, Bannan-Ritland, Silc, 1999:252; apud Ferreira, A. et alii, 2003). Nesse sentido, fizemos um levantamento dos fatores que consideramos relevantes para o ensino online e escolhemos três coursewares adequados aos nossos propósitos, observando até que ponto suas características correspondiam às nossas expectativas e necessidades.

Conforme relatado em Ferreira, A. et alii (2003), procuramos, em primeiro lugar, acompanhar ou observar um curso distribuído por meio das ferramentas de autoria selecionadas (do ponto de vista do aluno). Em segundo lugar, experimentamos as ferramentas de autoria com conteúdos, materiais e desenhos instrucionais diversos relativos a planos de aulas do grupo, a cursos já existentes e a materiais em desenvolvimento (do ponto de vista do designer).

Para orientar a observação e o teste dos recursos das ferramentas, cada courseware foi verificado segundo as cinco perguntas norteadoras abaixo:

a. O courseware oferece ferramentas que permitem interação em diferentes direções?

b. Possibilita a criação de ambientes de resolução de problemas?

c. Oferece ferramentas para elaboração de atividades coerentes com uma abordagem construtivista ao ensino/aprendizagem de línguas?

d. Apresenta ferramentas que permitem ao aluno monitorar-se e, ao professor, acompanhar seu progresso?

e. Pressupõe, para ser utilizado, conhecimentos técnicos por parte tanto do professor quanto do aluno?

A avaliação obtida para o courseware WebCT foi mais positiva, conforme relata Ferreira, A. et alii (2003):

Podemos afirmar que ele oferece ferramentas que permitem interação em múltiplas direções (pelo Bulletin Board, pelo e-mail, pelo chat, atividades em grupo). Ele também possibilita a criação de ambientes de resolução de problemas, já que é possível, por exemplo, a disponibilização de tarefas diversas para grupos ou pessoas diferentes, sair do curso para pesquisar na Internet, etc. Esses dois aspectos são imprescindíveis para cursos de ensino de línguas numa abordagem construtivista, o que torna o courseware muito adequado para o design dessa modalidade de cursos.

Entretanto, se pensarmos no que ele permite em termos de exercícios, percebemos limitações. As possibilidades disponibilizadas revelam um caráter ainda muito estruturalista. Esse aspecto só não é totalmente inadequado porque os exercícios podem ser articulados com outros elementos de cunho mais interacional – trabalhos em grupo, troca de mensagens, debate em fórum, chat, navegações pela Internet, combinação com arquivos de imagem e de som, etc. – e o courseware permite a disponibilização de feedbacks de diferentes tipos.

(...) Não se pode esquecer, também, do fator flexibilização. Dependendo do design do curso, o aluno pode realmente flexibilizar o curso de acordo com suas necessidades e desejos (pode adotar o ritmo que lhe convém, a seqüência do que lhe parece mais interessante e necessário, etc.).

Por fim, o courseware permite que o aluno se automonitore e o professor acompanhe o progresso dele, pois disponibiliza ferramentas para isso. Esse é um último aspecto que, a nosso ver, é altamente positivo.

Chegamos à conclusão citada acima após um semestre de visitas aos coursewares selecionados e de estudos, que incluiam comparação, sondagem, desenho e pesquisa. Nossa intenção inicial era comparar os três coursewares para que pudéssemos escolher o melhor deles em termos de recursos ou facilidades. Após o estudo comparativo, concordamos que nenhum deles mostrou-se como o melhor, pois os três têm lados positivos e negativos; além disso, não há necessidade de se utilizar tudo que o courseware oferece. No entanto, em nossa avaliação, o WebCT mostrou-se “o mais complexo, normalmente oferecendo maior diversidade de opções” (Ferreira, A. et alii

2003) e, devido a esses aspectos, foi o escolhido para a montagem dos cursos em questão.

Durante o design do módulo, procuramos fazer bom uso das ferramentas e de recursos adicionais possibilitados pelo meio. Optamos por usar o courseware WebCT para abrigar o curso, porém, considerando que nesse módulo utilizaríamos textos em áudio e vídeo, uma de nossas preocupações era o acesso desses formatos pelo aluno.

Não podíamos prever o tipo de equipamentos/computadores que os alunos iriam utilizar; portanto, nesse sentido, nossa preocupação era principalmente quanto ao tempo de demora necessário para carregar os arquivos de som e imagem, caso isso tivesse que ser feito totalmente através da Internet. O problema da demora seria um risco, podendo afetar a motivação do aluno. Frente a isso, a equipe optou por gravar os arquivos em áudio e vídeo em um CD que foi enviado para o aluno para ser usado simultaneamente com o curso na Internet.