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2. A J URISDIÇÃO C ONTENCIOSA N O S ISTEMA I NTERAMERICANO

2.2. A C OMPETÊNCIA C ONTENCIOSA DA C ORTE IDH

2.2.1. O P ROCESSO J UDICIAL PERANTE A C ORTE I NTERAMERICANA

Sob o título de Processo, os artigos 66 a 69 da CADH referem-se à sentença da Corte IDH, enquanto o seu Estatuto e Regulamentos do regem o procedimento em si; especificamente o faz o último instrumento mencionado no seu Título II.

O processo judicial interamericano se desenvolve por três fases, designadas pelo Regulamento do Tribunal: procedimento escrito (Capítulo II), fase oral (Capítulo III) e procedimento escrito final (Capítulo IV), que levam à prolação da sentença Corte e marcam o início do acompanhamento do cumprimento da decisão de e pelo o Tribunal de Justiça Interamericana (Capítulo VII).

Estabelecido que aqueles que podem apresentar ação perante a Corte IDH são, por agora, os Estados Partes - de acordo com os critérios discutidos anteriormente - no processo perante a Comissão ou esta última, trata-se aqui do procedimento a seguir à introdução da causa, que deverá ser realizada através de um escrito – em uma das línguas de trabalho da Corte – de apresentação do caso à Secretaria da Corte, seja pelos Agentes do estado, seja pelos Delegados da Comissão.

As informações que deve conter o escrito de apresentação do caso à Corte IDH para que esta possa examina-lo estão listadas nos art. 35 (Comissão) e 36 (Estado) de seu Regulamento, sendo que ambos coincidem em seus lineamentos básicos. O escrito da demanda deve indicar as razões que levaram a apresentar o caso, incluindo os pedidos referentes à reparações e custas e conter os nomes das pessoas que exercem a representação dos legitimados ativos bem como o endereço no qual eles receberam as comunicações oficiais respetivas e, se for o caso, os nomes, endereço, telefone, e-mail e fac-símile dos representantes devidamente credenciados das supostas vítimas. A prova disponível deve ser acompanhada – indicando à recebida em processo contraditório - e/ou oferecer-se a que resulte relevante, indicando os fatos e argumentos em que se espera incida sua virtude provatória. Se são propostas declarações, deve-se individualizar aos depoentes e a finalidade de suas declarações; no caso de especialistas também devem

agregar-se os seus currículos e detalhes de contato.

Quando seja a Comissão quem submete o caso – como tem sido até à data - para a Corte, a apresentação efetua-se mediante o relatório do art. 50 (relatório preliminar), que contém as supostas violações, os critérios para a identificação das supostas vítimas e as observações da Comissão à resposta dada pelo Estado às suas recomendações. Não obstante, o relatório também é apresentado em caso de que a apresentação seja feita pelo Estado, devendo-se acompanhar uma cópia de todo o registro dos procedimentos cumpridos perante a Comissão. Em ambos os casos, deve-se indicar quais dos fatos contidos no relatório preliminar da Comissão são submetidos à consideração do Tribunal.

De acordo com o art. 28 do regulamento, todos os escritos enviados ao Tribunal podem ser apresentados pessoalmente, via courier, fac-símile, por correio ou e-mail. No caso de transmissão electrónica de documentos que não contêm a assinatura do remetente ou cujo anexos não são acompanhados, os documentos originais ou todos os anexos devem ser recebidos o mais tardar no prazo improrrogável de 21 dias desde o dia em que expirou o prazo para a remissão do escrito original. Todos os escritos, assim como seus anexos respetivos, a serem apresentados em forma não electrónica devem-se acompanhar - no

mesmo prazo de 21 dias acima indicado - com duas cópias idênticas aos originais, em papel ou digitalizados.

A Presidência da Corte é responsável pela análise preliminar do escrito de demanda; à falha de qualquer um dos seus requisitos fundamentais, poderá solicitar ao demandante que supra as lacunas dentro de um prazo de 20 dias. Relacionado com o que pode ser descrito como “fundamental”, deve-se ter em mente a opinião do Tribunal, tantas vezes expressa, no sentido de que o objeto e a finalidade do tratado ao qual se encontra subordinado seu desempenho é a proteção dos direitos humanos e que todas as suas disposições devem ser interpretadas segundo isto, conforme exigido pelo art. 31 da Convenção de Viena sobre o Direito dos Tratados. A fortiori, a normativa regulamentar não deve ser aplicada de forma que prejudique a finalidade e o objetivo da Convenção, cabendo ao Tribunal garantir que as exigências de segurança jurídica tracem a rota processual perante dele, a primeira das quais é a realização de justiça. Com isto à vista é que deve ser lida a disposição do Regulamento da Corte IDH que prevê que o seu Presidente, em consulta com a Comissão Permanente, poderá rejeitar qualquer petição das partes se for manifestamente inadmissível, caso em que deverá ordenar o seu regresso sem mais delongas, ao interessado. Trata-se de um suposto especialmente qualificado que se orienta à guarda da integridade, boa-fé e lealdade que devem acompanhar o desenvolvimento do processo interamericano.

Depois de verificar o preenchimento dos requisitos necessários, o caso apresentado é capaz de ser notificado. A notificação é feita por meio de comunicação do Secretário da Corte para a sua Presidência e juízes, o Estado demandado, a Comissão, se não for ela quem apresenta o caso e a suposta vítima, seus representantes ou o Defensor Interamericano.

A figura do Defensor Interamericano, incorporada na última reforma da regulamentação aprovada pela Corte Interamericana, orienta a próxima estruturação do SIDH, em muitos aspectos, mas particularmente no que respeita à participação ativa das vítimas na instancia judicial regional, garantindo a fundamental igualdade no contraditório através da provisão segura da defesa técnica adequada, o que vai ter repercussões, sem

dúvida, na realização plena do acesso à justiça interamericana; e, por esta razão, também influi no papel da Comissão enquanto guardiã da ordem pública interamericana. De acordo com os termos do art. 37 do Regulamento da Corte, nos casos em que as supostas vítimas atingem esta instância sem representação legal adequada, o Tribunal poderá designar um Defensor Interamericano para representá-las durante a pendência do processo. No entanto, esta disposição não deve ser entendida no sentido de que o Tribunal pode impor o desempenho do Defensor Interamericano contra a vontade expressa da vítima. Como já foi implementado nos primeiros casos em que a figura tive aplicação - casos

Furlan y Familiares e Mohamed, ambos contra a Argentina - o Presidente do Tribunal,

através do Secretariado, comunicado às supostas vítimas a existência da disposição regulamentar, fazendo-lhes saber que o recurso ao Defensor Interamericano não é compulsório, por conseguinte, que podem abster-se de solicitar sua nomeação sempre que um advogado exerça a sua representação técnica e jurídica. Notavelmente, no Sistema Interamericano, ao contrário do que acontece em outros projetos legais, a provisão ex

officio de defensores não está sujeita à situação económica da vítima, mas apenas à

ausência de representação legal. No caso em que a suposta vítima não dispõe de recursos financeiros suficientes para cobrir os custos do processo judicial em sede interamericana, atestando o fato e os aspectos de sua defesa que requeiram cobertura, pode qualificar para o Fundo de Assistência Jurídica do Sistema Interamericano de Direitos Humanos, estabelecido pela Resolução, do dia 11 de novembro de 2009, do Conselho Permanente da OEA e regulado em sua operabilidade pela Corte IDH. Segundo esta regulamentação, o Presidente da Corte IDH deve determinar a sua aplicação e quais dos aspectos da defesa serão resolvidos (artigo 3); a Secretaria da Corte administrará o Fundo (artigo 4); a sentença avaliará se ordena ao Estado condenado reembolsar as despesas do Fundo (artigo 5). Para a prestação dos advogados públicos que atuam como defensores na sede interamericana, o Tribunal assinou, em 25 de setembro de 2009, um Memorando de Entendimento com a Associação Interamericana de Defensorias Públicas (AIDEF) para a sua entrada em vigor em 1 de janeiro de 2010. Concordou-se que a AIDEF nomeará o defensor público que pertence a sua organização para assumir todo o processo de representação e

defesa legal das supostas vítimas “que carecem de recursos financeiros ou representação legal perante a Corte Interamericana de Direitos Humanos”, a fim de que os seus direitos

sejam efetivamente garantidos (artigo 1º).

A AIDEF é uma instituição civil sem fins lucrativos, que reúne em si várias instituições e associações de defensores públicos de praticamente todo o continente americano. A incorporação do papel da AIDEF no SIDH levou a Assembleia Geral da OEA a manifestar-se, por meio de diferentes resoluções (i.e., Res. N° 2.656 de 2011, chamada de Garantias de Acesso à Justiça. O papel dos defensores públicos oficiais e Res. N° 2.714 de 2012 sobre Defesa Pública Oficial entanto garantia de acesso à justiça de pessoas em situação de vulnerabilidade), sobre a necessidade de reforçar todas as Defensorias públicas das Américas, afirmando a obrigação de todos os Estados Membros da Organização na remoção das barreiras que afetam ou limitam o acesso à defesa pública e patrocinando o trabalho dos defensores interamericanos na defesa dos direitos das vítimas de violações dos direitos humanos.

Salienta-se que as Defensorias Oficiais intervieram durante anos no SIDH desenvolvendo um importante trabalho de promoção e defesa dos direitos humanos através do patrocínio de petições sobre várias questões, especialmente no chamado "litígio estratégico", solicitando medidas cautelares e comparecendo como amicus curiae em questões relacionadas com o seu desempenho.

As primeiras nomeações de Defensores Interamericanos, sob o Memorando de Entendimento com a AIDEF, ocorreram nos casos Furlan y Familiares e Mohamed, contra a Argentina: foram nomeados conjuntamente os defensores Andrés Mariño López (Uruguai) e María Fernanda López Puleio (Argentina), (Corte IDH, caso Furlan, 2012, para. 5) e Gustavo Vitale (Argentina) e Marcelo Torres Bóveda (Paraguai), (Corte IDH, Mohamed, 2012, para. 7).

Pouco tempo depois de ter sido lançada, esta instituição permite vislumbrar novos desenvolvimentos no horizonte do SIDH. Em efeito, no 8 de março de 2013 a Secretária- Geral da OEA, por intermédio da Secretaria Executiva da CIDH e a AIDEF, assinaram um Memorando de Entendimento, como diz a primeira clausula do mesmo, para a “promoção

da defesa pública interamericana das supostas vítimas cujos casos estão em etapa de mérito perante a Comissão, que não tem representação legal e não dispõem de recursos financeiros suficientes para tê-la”. Enquanto podem-se sinalar as limitações constantes neste Memorando de Entendimento - ao contrário da maior cobertura oferecida pelo Acordo com a Corte IDH - não se pode ignorar o fato de que é motivo de comemoração que este Memorando exista. Segundo este acordo alcançado com a CIDH, as supostas vítimas que têm acesso à prestação de Defensores Interamericanos serão aquelas que não tenham representação legal e não disponham dos recursos para fornecê-la. Mais do que isso, de acordo com a segunda e quarta cláusulas, a AIDEF atribuirá apenas um Defensor se o caso na etapa de fundo perante a Comissão responde aos “critérios de seleção” estabelecidos, a saber: (i) complexidade ou novas matérias para a proteção dos direitos humanos na região, (ii) casos de violações dos direitos à vida, à integridade pessoal, à liberdade pessoal, à proteção judicial, entre outros, e (iii) supostas vítimas pertencentes a grupos vulneráveis.

Sem dúvida, existem muitos aspectos dos Acordos que devem ser melhorados proximamente, i.e., os mecanismos necessários para a cobertura financeira adequada da incipiente instituição, mas pode-se estimar que serão aperfeiçoados ao longo do tempo, uma vez que isto mesmo aconteceu com os instrumentos interamericanos, que têm sido submetidos aos ensinamentos de suas respectivas implementações. De fato, justamente isso foi o que aconteceu com a celebração do acordo de assistência jurídica pública perante a CIDH, que inicialmente fora considerado apenas para o âmbito da Corte IDH, onde os Defensores designados enfrentavam um desafio extraordinário consistente no desenvolvimento e apresentação do escrito de petições, argumentos e provas a partir da perspectiva da defesa das supostas vítimas para um caso que, em média, vinha de tramitar no âmbito da jurisdição da Comissão por 6/7 anos, devendo produzi-lo dentro do prazo fatal de dois meses.

A partir da notificação do caso pelo Secretário do Tribunal – aos outros Estados Partes, ao Conselho Permanente e Secretário-Geral da OEA –, começa a correr um prazo de 30 dias para que aos intervenientes perante o Tribunal Interamericano, nomeiem seus respectivos representantes, que podem ser assistidos por quaisquer pessoas de sua

escolha. Ou seja, o Estado credenciará seus agentes - pode substitui-los mediando a devida comunicação à Corte, desde a que terá efeitos - a Comissão aos seus representantes - até que o faça, se a terá por devidamente representada através do sua Presidência - e as supostas vítimas aos seus representantes ou, se for o caso, se lhes assignará um Defensor Interamericano. Ao credenciar aos seus representantes, cada parte vai confirmar o endereço no qual serão oficialmente recebidas as comunicações pertinentes.

De acordo com o art. 25.2 do Regulamento, se há pluralidade de supostas vítimas ou representantes devidamente acreditados deverá ser designado um interveniente comum, que será o único autorizado para a apresentação de petições, argumentos e provas durante o processo, incluindo audiências públicas; em caso de eventual discordância, a Corte ou a sua Presidência podem, se for caso disso, dar-lhes um prazo para que as partes chegarem a um acordo sobre a nomeação de um máximo de três representantes que irão atuar como intervenientes comuns; esta circunstância será considerado pelo Presidente do Tribunal para determinar os prazos de participação dos envolvidos no processo judicial interamericano. Em caso de desacordo, a Corte decidirá sobre o pertinente. O usual é a existência de uma pluralidade de supostas vítimas, mas ela também pode ser causada pelo acúmulo de casos conexos ordenadas pela Corte. Na verdade, o artigo 30 do Regulamento prevê que o Tribunal pode, em qualquer fase do processo, determinar a acumulação de casos conexos quando existir identidade de partes, objeto e base normativa. Aplicando esta disposição, por Resolução do 30 de novembro de 2001, o Tribunal decidiu ordenar a acumulação dos casos Hilaire, Constantine, e outros, e Benjamin e outros bem como reunir os seus procedimentos, do que resultou o caso Hilaire, Constantine, Benjamin

e outros vs. Trinidad e Tobago.

Mas a Corte também poderá ordenar que as diligências escritas ou orais de diferentes casos sejam efetuadas em conjunto. Além disso, após consulta com os Agentes, Delegados e supostas vítimas ou seus representantes, o Presidente da Corte IDH pode prever que dois ou mais casos sejam realizados simultaneamente. Pode-se dizer que este foi o caso nos primeiros processos contra Honduras, os quais foram introduzidos na mesma data, denunciando violações que identificavam um padrão de violação sistemática das mesmas

disposições da CADH e envolvendo as mesmas partes, o que justificou seu tramite como um único caso perante o Tribunal, embora os haja sentenciado separadamente.

De alguma forma, estas competências da Corte IDH correspondem ao seu papel como diretora do processo judicial interamericano. Na mesma linha, o Regulamento prevê o ímpeto oficioso da Corte diante da eventualidade de não comparência ou falta de atuação de alguma das partes que, de comparecer tardiamente, ingressaram no processo no estado em que o mesmo se encontrar. Note-se que o fato de o Estado requerido não estar presente no processo, não altera as suas obrigações assumidas sob a CADH nem tem nenhum impacto sobre a validade ou efeitos da sentença proferida pelo Tribunal, que é obrigatória. Um reflexo do mais acima sinalado em relação à vivacidade dos instrumentos interamericanos, pode ser visto no Regulamento da Corte, que está estruturado de acordo com o desenvolvimento real do processo perante ela. Na medida em que os casos têm sido apresentados pela Comissão para a decisão da Corte Interamericana, o Regulamento depois de estabelecer e organizar a notificação do caso, localiza o articulado referido ao escrito de petições, argumentos e provas (EPAP) dos representantes das supostas vítimas e a contestação do Estado, sem prejuízo, é claro, de contemplar na regulamentação processual as outras possibilidades de tramitação de um caso perante a Corte.

Pode-se dizer - deixando claro que, estritamente falando, o nome é reservado para o documento apresentado pelas supostas vítimas ou seus representantes - que todos os escritos das partes são EPAP, na medida em que as alterações regulamentares aprovadas pelo Tribunal Interamericano tendem a favorecer a economia processual, harmonizando velocidade processual e vigência do pleno contraditório via concentração dos argumentos de fato e de direito e das suas correspondentes medidas de prova que apoiam as reivindicações dos participantes no curso do processo judicial perante o Tribunal. Portanto, o chamado procedimento escrito inclui o início do processo através do escrito de apresentação do caso, a sua notificação e o recebimento subsequente de os escritos de petições, argumentos e provas e de contestação.

Regulando a defesa do Estado, o primeiro parágrafo do artigo 41 indica que o Estado deve indicar se aceita os fatos e os pedidos ou se os contradiz. Em todos os

momentos, a legislação interamericana visa, em primeira instância, conseguir a adequada colaboração do Estado para o trabalho conjunto que exige a boa solução do caso em conformidade com os regulamentos regionais para a proteção dos direitos humanos. Dois pontos a ter em mente no que diz respeito ao reconhecimento do Estado de sua responsabilidade; em primeiro lugar, parece improvável que um Estado que não cumpriu com as recomendações da Comissão, ao começar o processo perante o Tribunal, aceite e abrace sua responsabilidade. Em segundo lugar, se ocorrer, será determinante o teor do reconhecimento oferecido, pois ele não implica, necessariamente, a aceitação - total ou parcial - das reivindicações feitas no caso, mantendo-se, portanto, a disputa. Mais precisamente, estamos em presença de uma matéria não suscetível de disposição unilateral estatal, mas tampouco, pela única disposição da Comissão, nem até mesmo das supostas vítimas ou seus representantes, o que foi sustentado pela Corte IDH no caso Bulacio (2003, parágrafos 27 e 31). O que não impede nem dificulta que o reconhecimento do réu possa ter lugar, mesmo numa fase posterior do procedimento. Em qualquer caso, o Tribunal, tendo em conta as suas responsabilidades de proteger os direitos humanos, e uma vez que há ouvido as opiniões dos outros participantes no processo, irá deliberar sobre sua aplicabilidade e efeitos legais.

O comum tem sido, até à data, que os Estados contradigam a apresentação do caso à Corte Interamericana, seja negando os fatos que são apresentados ao Tribunal, negando sua responsabilidade na produção desses fatos, ou, mesmo aceitando-os, dando-lhes uma

qualificação jurídica diferente.

Os fatos que não tenham sido expressamente negados e os pedidos que não foram expressamente controvertidos na contestação, podem ser considerados pelo Tribunal como aceitos pelo Estado.

Rendida a resposta do Estado – no prazo de 2 meses a contar desde a recepção do EPAP – é comunicada pelo Secretário do Tribunal aos outros participantes, a Presidência e aos juízes do Tribunal Interamericano. Por sua vez, se o Estado tiver oposto exceções preliminares em sua defesa, a Comissão e as supostas vítimas ou seus representantes, têm

prazo de 30 dias a partir do recebimento da contestação estatal para apresentar as suas observações sobre as exceções preliminares e outras que considerem adequadas.

Menção especial coube à profusão de exceções preliminares levantadas pelo Estado demandado no exercício de sua defesa. Como o próprio nome o indica, são defesas que, em princípio, resolvem-se como uma questão preliminar; em outras palavras, não são defesas de fundo, embora destinadas, precisamente, a evitar a sua consideração (no todo ou em parte, seja permanente ou temporariamente) pela Corte IDH. Daí que o Regulamento prevê - art. 42.3 – que a apresentação de exceções preliminares não suspenderá o processo sobre o mérito nem os prazos ou termos respetivos, pois uma tal suspensão implicaria a concessão – diferimento – delas quando ainda se encontram pendentes da apreciação pelo Tribunal.

Geralmente, as exceções estão relacionadas com a competência do Tribunal para julgar o caso, a admissibilidade do escrito através do qual o caso é submetido ou as etapas processuais que exigiram a sua interposição perante o Tribunal. Em última análise, visam pôr em questão a competência de algum dos órgãos do SIDH para pôr fim, in limine, ao exame do caso. A este respeito, a Corte Interamericana afirmou que

Enquanto a Convenção Americana e o Regulamento não desenvolvem o conceito de "exceção preliminar", na sua jurisprudência, a Corte tem afirmado repetidamente que desta forma é questionada a admissibilidade de uma demanda ou a jurisdição do Tribunal para examinar um caso específico ou qualquer dos seus aspetos, por causa de a pessoa, assunto, tempo ou lugar. A Corte sinalizou que uma exceção preliminar visa obter uma decisão que previna ou impeça a análise do mérito do aspeto do caso questionado ou ele como um todo. Portanto, a abordagem deve satisfazer as características jurídicas