4 ANÁLISE E DISCUSSÃO DOS RESULTADOS
4.3 O RGANIZAÇÃO DO T RABALHO NOS S ERVIÇOS DO SUS
4.3.3 O Papel da Gestão Institucional: Atravessamentos Políticos
Os novos modelos de gestão que adentram o serviço público afetam a maneira como as profissionais de saúde se relacionam com a instituição a que estão vinculadas profissionalmente. Diante de um cotidiano de trabalho em que a sobrecarga de trabalho, atravessamentos políticos e ideológicos, más condições de trabalho e a precarização das relações na equipe estão presentes, há um sentimento de desamparo em relação ao papel e ao apoio institucional.
Essa questão da, das dificuldades, a gente acaba sempre na queixa de não termos condições de infraestrutura, a gente não tem RH [setor de Recursos Humanos], a gente não tem isso... Nas reuniões de coordenação sempre aparecem muito essas queixas dos coordenadores, que o telhado tá caindo, que a elétrica não tá funcionando e então não dá pra ligar o ventilador. Coisinhas básicas que qualquer pessoa ou instituição tem que ter na sua casa, tipo não funcionam. Nas reuniões já fica aquela coisa, assim, dos próprios colegas coordenadores, já fica “Já vai começar a ‘churumela’, já vai começar a queixa, já vai começar a reclamação”... E sempre fica naquilo. É o coordenador se queixando e o gestor ouvindo e dizendo que, também está submetido a um outro gestor, superior, e que não pode fazer nada, é o que é o que a casa oferece. Então fica tipo um muro de lamentações e aí a queixa pela queixa. E aí só fala ali para desabafar, mas é sempre a mesma coisa e as condições continuam sendo as mesmas, precárias... (Entrevista Coletiva).
Uma questão que permeia muito o meu trabalho é a falta de apoio da gestão assim, não no sentido de que a gestão que atrapalhe propriamente o trabalho, mas quando chega a hora de, porque assim acho que já ficou claro para ti que eu trabalho sozinha
como matriciadora, a minha equipe é uma equipe mas a gente se divide entre os postos [...] (Entrevista Individual).
A gestão, seja ela de nível federal, estadual e municipal, não demonstra uma preocupação significativa com o bem-estar e com a satisfação das trabalhadoras. As reivindicações de mudanças não são ouvidas, ocasionando uma desmotivação para o trabalho e o consequente desinvestimento nessas atividades. Este cenário é gerador de angústia e sofrimento sobre o qual as profissionais acabam desenvolvendo estratégias defensivas para suportar a realidade de trabalho.
Inclusive a prefeitura, assim, não ajuda em nada nessa, nesse trabalho. Tu vai assim, tu circula pela secretaria de saúde, tu vê que os gestores não fazem a menor ideia do que [...] é esse trabalho. Inclusive divulgam no site da prefeitura assim ó, tavam fazendo lá uma entrevista sobre os cubanos e aí divulgando o trabalho dele e aí embaixo “ah e esse posto também conta com grupos de saúde mental, ok, e com uma psicóloga”. Daí parece assim que tem um psicólogo de prontidão no posto para te atender, né. E aí os usuários chegam lá indignados, “ah quero psicólogo”, eu vou 2 vezes por mês naquele posto. [...] O secretário de saúde já mudou umas 3 vezes também pelo menos. E são pessoas que não tem preparo, não vem da área da saúde. Tem só um conhecimento administrativo ou jurídico, né então é bem difícil, assim. (Entrevista Individual).
Sim... que pergunta difícil essa hein Karine, difícil... Bom eu não quero ser tão pessimista quanto a minha colega que desistiu, né, eu acho que os desafios eles, o primeiro que me ocorre, é apontar para a gestão, sensibilizar os gestores em relação a isso, eu acho isso uma tarefa quase impossível, por que a preocupação que eu vejo, eu vou ser bem honesta assim, a preocupação principal assim dos gestores de onde eu trabalho tá mais pro interesse privado. Então eu acho muito difícil... (Entrevista Individual).
[...] porque essa capacitação que teve esse ano né, agora em 2015, ahm o coordenador de saúde mental ia lá dava bom dia e..., então não participava, claro né e ele ia ser alvo de altas queixas, né então ele sumia e claro, não se trabalha essa demanda, fica jogado assim de um colega pro outro que é mais capacitado supostamente, mas que a gente não tem nenhuma autonomia né, administrativa pra realizar as coisas, então fica um papo de louco mesmo né (Entrevista Individual). O despreparo das pessoas que, na maioria das vezes, ocupam cargos de gestão na saúde é um problema apontado pelas entrevistadas. Muitas vezes as pessoas que são “colocadas” nessas posições não têm formação em saúde e estão ali em função de acordos políticos e “trocas de favores”. A preocupação daqueles que detêm o poder de determinar quem é gestor muitas vezes é guiada por um individualismo em que o cuidado com o usuário ocorre em última instância e assim, passa a ser quase imperceptível. O objetivo é a manutenção do poder e a realização de acordos para que isso se perpetue para si e “os seus”: um interesse privado no setor público.
Tem um recurso do NASF né que é de 20 mil reais que vem por mês para equipe do NASF usar. Eu li na lei que diz assim que é para custeio de ações em saúde, agora ali não especifica o que que são essas ações, ah mas eu imagino que seja isso, é um passeio, que nem o CAPS já levou os usuários para Gramado ver o Natal Luz com o dinheiro do município entendeu, tu fazer grupo, comprar material, usar no transporte, as vezes até num lanche e tal, tu acha que esse dinheiro a gente vê? A gente não tem o menor assim acesso a esse dinheiro, a gente tem uma pessoa do financeiro que nos noticia “ah tem tanto na conta”, mas a gente, claro, não vai administrar... Mas a gente não sabe mais assim nesse momento que a prefeitura não consegue pagar ninguém se o dinheiro tá lá, não tá... (Entrevista Individual). Aí era assim, tudo contra toda ideia né de humanização do SUS né, completamente contra a nossa concepção, nós ficamos escandalizados [...] É, então as coisas lá são muito feitas assim né assim Karine. [...] É tudo... são articulações políticas, ninguém sabe exatamente, a informação não vem, ela vem torta né, a gente fica completamente refém, nós não somos consultados né, a gente cansou de fazer projeto aí manda e não dá em nada... (Entrevista Individual)
É... eu não sei se eu sou tão esperançosa assim, sou tão otimista em acreditar, mas eu acho sim, acho que as coisas vêm, elas vem muito lento, mas vem. Mas também tem as suas decepções. Te confesso que, muitas vezes dá vontade de “Puxa vida”. Tu tá aqui, fazendo um monte de coisas... Acho que é isso assim até a questão [da instituição] de alguns reconhecimentos, assim. Então, fica pensando, por exemplo, tu quer fazer ou ir num lugar apresentar um trabalho e alguma coisa, é tudo tu que paga, é tudo tu que... A questão até de plano de carreira, né? Que, também, eles falam, falam e não acontece, né. [...] Mas eu acho que, sei lá, se consegui dizer um pouco do que eu passo, do que eu sinto... (Entrevista Individual).
Assim, o bem coletivo, na grande parte das organizações públicas, não é genuinamente visado, como deveria ser por se tratar de serviços voltados para o bem-estar e à serviço da população. Há uma desvirtuação dos princípios do que é representar a população e estar a seu serviço, seguindo então uma lógica egocêntrica, exclusivista e mercantilista.
É... tem um estudo que diz, é um estudo, eu acho que feito na Inglaterra, que a gente deveria trabalhar, que depois dos 40 deveria trabalhar 20 horas semanais né. E eu, depois dos 40, passei a trabalhar 40 horas semanais, que, até então, eu trabalhava 30. Pela... pela instituição que readequou, não respeitou combinações anteriores, enfim, e a gente passou a trabalhar mais e, assim... não vi nenhum estudo aqui na Prefeitura, nem do sindicato, nem da própria Secretaria de Saúde, mas o que a gente percebe, no dia a dia, é que depois que se passou há fazer 40 horas, que todo mundo, quase todo mundo, fazia 30, a questão do adoecimento ficou muito mais séria né. As pessoas passaram a ficar mais tempo no seu local de trabalho, mas elas não passaram a produzir mais e ainda tiveram adoecimento maior. Né, antes tu trabalhava 6 horas e ia embora e, por mais difícil que tivesse sido aquele turno, tu dava uma respirada e ficava mais tranquila. Hoje tu faz 8 horas, não chega mais a dar volta para fazer essa... dar essa respirada e, no momento que tu não aguenta mais, tu entra com licença-saúde. Então acho que isso seria um viés bem interessante de se verificar: o adoecimento depois de instaladas às 40 horas na Secretaria de Saúde. [...]. Mas a gente... Porque, se tu não fizer às 40 horas tu não vai ter nem a gratificação e nem a RTI [Regime de Tempo Integral], né. Então tu vai perder duas vezes. O que a maioria não, não pode tá se dando ainda, digamos, esse luxo. Né (Entrevista Coletiva).
Em muitas situações, as profissionais de saúde em geral são culpabilizadas por não dar conta ou não desempenhar todas as atividades que estão previstas. Entretanto, as condições necessárias para este fazer nem sempre são fornecidas. Há sim um desejo pessoal e individual de realizar as atividades profissionais, entretanto, este é atravessado pelo investimento que a instituição faz neste trabalho e nestas profissionais. Além disso, a falta de estímulo, orientação, capacitação e supervisão por parte da gestão também compromete esse fazer.
Então assim, o que ainda a gente não consegue fazer tem muito a ver com esses, essas dificuldades institucionais [...] (Entrevista Individual).
É e daí isso também passa por outras questões né, que muitas vezes é a própria questão dum, dum... enfim de, de ter um maior incentivo também pro profissional que atua no setor público assim, que passa pelos planos de carreira, pela própria questão de, de enfim, de tu dar instrumentos enfim, pro profissional poder se aperfeiçoar e poder melhorar a sua formação (Entrevista Individual).
Há uma tendência da gestão de abordar as dificuldades no trabalho como uma problemática individual, culpabilizando aquele que verbaliza a sua insatisfação, tornando-a pública. Não se percebe o quanto o trabalho é uma atividade coletiva e que se afeta um, invariavelmente irá afetar mais pessoas, não da mesma forma possivelmente, mas que atravessa um ambiente que é constituído por um coletivo, mesmo que segmentado.
[...] eu via a gestão como muito perversa... e... acho que a gente se viu numa situação, de, não sei se dá para dizer assédio sabe [...]. Alguns, em relação à gestão. Então quando se tentava problematizar a saúde mental dos trabalhadores com a gestão, nossa. Eu lembro de uma reunião, de um GT [Grupo de Trabalho] de Saúde Mental. Ah porque a maioria do GT era de psicólogos, psicólogo é referência para falar de saúde mental. E daí umas colegas dizendo “ah, a quantidade de trabalhadores, principalmente agente comunitário vindo falar do seu adoecimento”, isso num espaço que a gestão participava. E o movimento da gestão sempre de calar, de não falar sobre isso [...] e pessoalizar. Porque eu entendo que a saúde mental do trabalhador é muito fruto de como a organização do trabalho tá e não uma coisa da pessoa e isso não era permitido. Eles até olhavam, mas muito como uma coisa de culpabilização, de individualização. Lá é muito marcado... acho que muitos, todos os lugares são marcados por uma coisa partidária assim né. Só que... ahm, os trabalhadores de lá tem um potencial de incomodar né então. Isso tava bem... Quanto mais eles conseguissem fazer com que as pessoas não falassem, melhor (Entrevista Individual). [...] Mas ao mesmo tempo, agora eu me lembrei assim, tem uma gestora, que eu tô mais perto dela agora assim, que é muito sensível assim. Ela tem esse lado de falar com o funcionário, sabe, tá faltando, mas eu já vi ela... Mas sempre no âmbito individual, mais de sentar com a pessoa, e várias, e tentar várias formas de adaptar, “ah tu não está conseguindo vir de manhã, ah então vem de tarde”, “ah vamos, enfim, flexibilizar para que a pessoa consiga continuar trabalhando”. Mas a maioria não tem um trabalho assim de pensar o trabalho, sei lá, uma roda de conversa com as pessoas. [...] “A se tu não faz a carga horária vai embora.” (Entrevista Individual). Diante de todo o sofrimento relativo ao trabalho vivenciado pelas profissionais da
saúde, é unânime o relato que a gestão não fornece o suporte necessário para o cuidado com a saúde desses trabalhadores. O investimento é individual e privado, caso seja percebido essa emergência.
[...] sinto muito, e isso para a saúde, o quanto a gente é o “para-raios”, né? E até onde a gente tem potência de aparar e responder por uma coisa de muita vulnerabilidade? Que vai causando, sim, desgaste. Chega uma hora que a gente sente que tá enfraquecido. Muito enfraquecido. E aí o que a gente faz? A gente corre, e quem pode vai buscar e vai pagar com o seu dinheiro, porque tu não tem uma retaguarda né, que vai te dar... (Entrevista Coletiva).
Mas isso tá muito presente. E quando falo isso, de muito presente, muito particularmente né, em relação as coisas que eu tenho vivido nos últimos 5 anos. Falta total de condições de trabalho. Na penúltima greve os funcionários foram chamados de vagabundos, quer dizer assim, há uma humilhação, há uma desvalorização, né? Isso tudo vai acumulando. Nós temos pesquisas e estudos que comprovam que as condições de trabalho pioraram. Na saúde mental o furo é mais embaixo ainda. E tu não tá lidando com um encaminhamento... E a gente acaba sofrendo... (Entrevista Coletiva).
E tu não tem parcerias, tu não tem com quem conversar sobre isso. Tu tem, interno, os remanejamentos. Que a gente consegue fazer. [...] Entre nós. A gente não tem a quem recorrer para ajudar. “Olha, vamos fazer isso, vamos fazer aquilo”. A gente tem que dar um jeito para que continue funcionando. Até que de vez em quando a gente diz assim “Vou dar uma volta na quadra”. Porque, senão, a gente não aguenta (Entrevista Coletiva).
O sentimento de solidão diante da negligência e falta da construção de parcerias por parte da gestão se faz presente nos relatos das entrevistadas. Além disso, a indicação de que falta formação suficiente, proporcionada pela gestão no viés da educação permanente, que possibilitem a atualização dos profissionais foi relatado pelas entrevistadas. Isso diz de um desinvestimento institucional nas trabalhadoras o que repercute na qualidade dos atendimentos aos usuários, especialmente no que diz respeito à temática da saúde do trabalhador e os modos de operacionalizar a política neste contexto.
Ah, eu acho que seria importante ter... não é nem algo mais é ter porque, [...] pelo menos assim da minha equipe, a gente nunca passou por uma capacitação nesse sentido assim, específica né pra saúde do trabalhador, e eu sinto falta assim até, talvez de conhecer algumas leis e portarias né, essa nomenclatura toda assim da previdência, do se encostar do que que, quais são as possibilidades, porque as vezes os usuários vem com uma demanda, coisas que a gente desconhece até do processo assim né, bom, reabilitação né ou os afastamentos. O que eu conheço pelo menos é do que eu estudei pro concurso e da própria Lei do município assim né, do que que vale pra nós assim, mas em relação a saúde em geral né. [...] mas talvez seria interessante alguma coisa mais especifica assim né de problematizar isso de que bom, que sofrimento é esse que o trabalho traz né e, em que nível isso implica na saúde né e até para a gente poder ter um pouco esse, esse limiar assim do que que é o usuário assim que tá preguiçoso, não quer mais saber da vida, até mesmo tá meio deprimido, mas qual que é a real dificuldade né, que não dá pra aquela pessoa voltar
pro trabalho nesse momento pelo menos, então acho que esse discernimento assim né até pra gente poder escutar isso, talvez falte assim né... por isso assim seria interessante... (Entrevista Individual).
A supervisão institucional, aliada a proposta de matriciamento é uma possibilidade e fornecer apoio às profissionais de saúde, principalmente no que diz respeito a casos mais graves. É uma estratégia apontada como vantajosa e benéfica tanto para equipe quanto para usuário, porém ainda não é uma prática consolidada nos serviços de saúde.
Então, supervisão eu acho... a [colega] é alguém que tá fazendo supervisão da saúde do trabalhador, mas vem para poder, também, bom pontuar as coisas e, a partir disso, a gente repensar o trabalho. E o que a gente quer com tudo isto? É diminuir o número de pessoas que entram de licença saúde. Porque, a partir do momento que os colegas saem, sobrecarregam o outro. E a pessoa que está de atestado por 15 dias, é 15 dias que algum paciente que tá em avaliação, enfim que a gente vai ter que dar conta (Entrevista Individual).
Então esse tem sido um processo: tentar mostrar que há outras formas de cuidar, de fazer saúde mental e aí nisso tentar ir discutindo com essa equipe os processos de trabalho, de organização né, do cuidado. Então esse tem sido meu trabalho lá, oficinas e grupos de convivência, não faço atendimentos individual, não faço acolhimentos, tenho trabalhado mais em uma outra perspectiva e bastante próxima da equipe nesse sentido de discussão dos processos de trabalho assim, de ajudar eles a pensar sobre isso, são dois lugares bem complexos (Entrevista Individual).
Então, eu acho que tudo isso a gente tá vendo, e a gente vai sim ficando adoecido, no sentido de não parar para falar um pouco, né. Então, eu acho que, quando a gente consegue que um terceiro venha, nos acompanhe e seja testemunha de tanta coisa, né, a gente consegue lidar um pouco melhor. E eu vejo que sim, eu vejo que a gente tem conseguido assim se respeitar um pouco mais, né, poder garantir, né porque é pra aquele usuário, para aquele paciente que vai chegar o nosso atendimento (Entrevista Individual).
E já fiz por muito tempo a supervisão também né, mas por conta também. E uma coisa que acho que seria fundamental e que o município não consegue se organizar e a gente também não consegue dialogar seria a supervisão institucional, assim ultra importante, mas que não acontece, que nunca aconteceu, nenhuma equipe que eu trabalhei teve essa supervisão, né (Entrevista Individual).
O investimento no matriciamento e o apoio institucional, muitas vezes é percebido pela gestão como um trabalho que não aparece em números, pois quando é desenvolvido não se está diretamente atendendo o paciente. No entanto, a longo prazo, é uma ferramenta importante para lidar com a sobrecarga de trabalho e a grande quantidade e complexidade de atendimentos realizados pelo SUS.
Então, a gente tem, a gente não tem uma cobrança, assim de ter tantos pacientes. Mas a gente, por si só, acaba muitas vezes acumulando assim muitas tarefas né. Então têm estas oficinas, os atendimentos individuais, as reuniões... A gente tem um trabalho que começou, vai fazer acho que uns 2 anos e meio, que é de matriciar os postos. Então o que que a gente faz? Antes a gente sempre recebeu de portas
abertas. Era o CAPS. Só que a gente se deu conta que tava vindo uma demanda muito grande e a gente não estava dando conta. Aí, a gente foi vendo territórios e alguns colegas, então, se debruçaram para mapear e há partir disso a gente fez uma divisão lá na equipe. São 3 miniequipes. Então estas 3 miniequipes, cada uma delas, tem em média 12 postos de saúde (Entrevista Individual).
Primeiro eu acho que é interessante um olhar de fora. Porque as vezes tu está tão dentro, tão contaminado... Contaminado no bom sentido, né? Com o teu trabalho que, às vezes, se tu não tiver um olhar de fora, para a questão da dinâmica de funcionamento de equipe, a gente não consegue se dar conta disso. Porque aqui a gente tem uma reunião semanal né, reunião de equipe semanal. E que, sei lá, 70% da reunião a gente faz uma coisa que é muito importante para a gente que é discussão de casos, que é discutir os acolhimentos, que é discutir... Depois informes da organização. Acho que não tem ao longo do tempo se pensado muito nesta questão do funcionamento de equipe, né, de questões... (Entrevista Coletiva). Assim, percebe-se a necessidade das trabalhadoras de falar sobre o seu fazer, tanto naquilo que é específico sobre as atividades em saúde, quanto relativas ao processo e organização do trabalho e os sentimentos que isso produz. Há, evidentemente apontado pela pesquisa, uma necessidade de constituição de um espaço de fala e escuta dessas profissionais para que possam ressignificar o trabalho e assim continuar implicando-se neste fazer.
Pois é, eu tenho procurado tanto essas, tá com os meus colegas, poder me abrir, falar sobre essas coisas que tão difíceis assim que as vezes a gente aprende que a gente não deve falar né e eu tenho aprendido com eles assim muito profundamente de que a gente deve falar sobre as coisas que não tão boas e falar com as equipes onde a