O “mito de origem” do projeto de pesquisa que resultou na presente tese está na trama etnográfica descrita no decorrer deste capítulo. Sua construção se dá tanto a partir das anotações de época quanto da minha memória, e do filtro que faço destes registros já com a pesquisa em processo de ser transformada, então, em etnografia.
Digo tratar-se de um “mito de origem” por ser esta forma de contar o ponto de partida de uma “epopeia” – que de fato é movimento – sem precisar começo nem fim. Ao apresentar o mito de origem da investigação, apresentarei o “problema das drogas” como eixo e como abordagem norteadora das instâncias de saber-poder (eleitas e em certo sentido criadas nesta construção etnográfica) que atuam nas dinâmicas cotidianas de construção da subjetividade de jovens que estão situados nas dobraduras do tráfico de drogas nas periferias de São Paulo: a quebrada, o crime e o socioeducativo.
A exibição de Falcão: meninos do tráfico35 no programa Fantástico – revista eletrônica ainda hoje veiculada pela Rede Globo de televisão – causou forte repercussão entre os profissionais com os quais me alinhava em 2006, ano em que eu coordenava projetos para a juventude em município localizado no entorno da cidade de São Paulo. Motivado pelo tema, um grupo formado por educadores, psicólogos, assistentes sociais, pessoas ligadas ao trabalho com jovens em ONGs e no poder público municipal procurou-me para conversarmos sobre o documentário; os profissionais argumentavam que estavam “perdendo” muitos jovens para o tráfico e
“não sabiam o que fazer”, pois era “difícil competir”, dado o poder da oferta dos
“traficantes”. Propus a realização de um ciclo de conversas sobre o tema com jovens lideranças do bairro, considerado inclusive o principal foco dos “problemas com drogas” na cidade. A primeira atividade que propus foi assistirmos a outra produção
35 Falcão: meninos do tráfico tem a idealização de Alex Pereira Barbosa, mais conhecido como rapper MV Bill, e do produtor musical Celso Athayde e a produção é da Central Única da Favelas (CUFA). As gravações ocorreram entre 1998 e 2006, período em que os realizadores visitaram diversas comunidades pobres do Brasil.
Dos 17 meninos entrevistados, 16 morreram ao longo da produção do documentário. O lançamento nacional de Falcão ocorreu no Fantástico em 19/03/2006 e teve grande repercussão em todo o país. MV Bill e Celso Athaíde escreveram um livro homônimo sobre a experiência de produzir o filme. Os protagonistas de Falcão são os adolescentes (a maioria tinha menos de 18 anos) e jovens que atuam no tráfico noturno, chamados de “falcões”.
cuja temática era também o tráfico de drogas, mas realizado quase uma década antes – Notícias de uma Guerra Particular.
Lançado em 1999 - com filmagens ocorridas em 1997 e 1998 na cidade do Rio de Janeiro – Notícias de uma Guerra Particular é uma referência no cinema brasileiro, tanto pela repercussão social quanto pela influência exercida sobre filmes posteriores, como Cidade de Deus e Quase dois irmãos (Ramos 2007) – e também no filme Tropa de Elite36. O documentário aborda três pontos de vista dos personagens envolvidos na “guerra particular” entre policiais e traficantes nas favelas cariocas: além dos “guerreiros” – policiais e traficantes –, o filme também destaca o ponto de vista dos moradores. A construção estética ou visual do filme também se dá por meio da intersecção constante dos três personagens37 e leva, assim, o espectador para um cenário de complexidade, de diferentes razões, motivações e representações sobre o problema. A tese central do filme é que esta “guerra particular” entre polícia e traficante é uma crise sem solução aparente38.
Notícias de uma Guerra Particular, para além propriamente de seu aspecto cinematográfico, contém outros “roteiros” na “vida real” que utilizei na “oficina”
com o grupo. A produção do filme envolveu a aproximação de João Moreira Salles39 (um dos roteiristas e produtores) com um traficante, protagonista do filme, apresentado como “Adriano” – pseudônimo usado para Marcinho VP40. A relação
36 O jovem trabalhador do tráfico de drogas aparece como protagonista em algumas das mais significativas produções cinematográficas brasileiras da última década (Cidade de Deus, Tropa de Elite, Meu Nome não é Johnny, De passagem) entre outros, em programas sensacionalistas da rede aberta de televisão, em páginas de jornais e de revistas, em músicas (especialmente RAPs e FUNKs). Podemos dizer que o personagem “traficante”
tem grande circulação no imaginário social do Brasil contemporâneo. Com efeito, o narcotráfico se tornou um tema de destaque na sociedade brasileira, pois dramatiza causas emergentes e as situam no debate público.
37 “Essa alternância entre a polícia, o traficante e o morador da favela está presente em todo o documentário e é seu princípio organizador. Os cineastas constroem um painel da violência no Rio de Janeiro por meio de recurso estético cinematográfico que é a montagem paralela entre esses personagens. A cada depoimento de um policial, segue-se o de um traficante. Esses, por sua vez, são entremeados pelas entrevistas realizadas com moradores da favela.” (Ramos 2007).
38 “O documentário nos propõe um final em que não há solução aparente, ou melhor, ele constata que a única via parece ser a da interminável guerra particular. A imagem final resume com muita propriedade esse estado de espírito: na tela branca, que se forma sobre um túmulo, vão surgindo nomes de vítimas da violência causada pelo tráfico de drogas. São meninos de rua, traficantes, policiais, trabalhadores. A cada nome que surge a tela vai escurecendo progressivamente. No último instante, é a treva mais profunda que prevalece.” (Ramos 2007)
39 João é membro da família Moreira Salles, proprietários do grupo UNIBANCO até sua fusão com o grupo Itaú.
É irmão do cineasta Walter Salles, um dos mais importantes cineastas brasileiros na atualidade.
40Márcio VP (29 anos à época do filme) era um conhecido traficante, líder no “movimento” em um “Morro” na cidade do Rio de Janeiro, que passou mais tempo preso do que solto e que, no entanto, construiu uma relação sólida com sua comunidade local. Segundo Luis Eduardo Soares, Marcinho era “profundamente preocupado com as condições sociais e políticas que condenavam tantos jovens a reproduzir seu destino autodestrutivo” (Soares et al. 2005, p.103), e “recusa, performaticamente, estigmas, rótulos, simplificações maniqueístas e o papel do
entre o cineasta e o traficante se estreitou de tal forma, que Moreira Salles propôs a Marcinho que lhe daria uma bolsa se ele saísse do crime e escrevesse um livro autobiográfico: era um contrato lícito, em que Salles antecipava a compra dos direitos autorais da produção – e Márcio aceitou a oferta e saiu do país. Na sequência dos acontecimentos, entretanto, policiais tentaram extorquir Moreira Salles após interceptaram seu telefone; o cineasta, por sua vez, denunciou o fato ao antropólogo Luis Eduardo Soares – na época coordenador de Segurança, Justiça e Cidadania do estado do Rio de Janeiro – que além de se oferecer para interromper a chantagem, propôs defender o diretor publicamente, caso houvesse insinuação sobre imoralidade ou ilegalidade no ato de Salles. Durante o processo, porém, o caso tornou-se público.
“Houve ponderações favoráveis, certamente, mas o viés predominante era a denúncia de cumplicidade entre o “intelectual rico e ingênuo” e o “bandido, pobre e selvagem”
(Soares 2005 et al, p.106). Márcio foi preso e assassinado por seus colegas de prisão, de forma brutal.
Aquela preparação para a “dinâmica” estimulou um conjunto de reflexões mais elaboradas sobre o tráfico de drogas. O debate foi provocado por mim com a intenção de estabelecer com o grupo uma articulação de ideias, portanto não apenas sobre o filme em si, mas sobre a relação do “texto” (o filme) com o contexto de sua produção – e com discussão sobre tráfico de drogas sob forma mais abrangente.
Organizei a conversa em torno de três temas principais: comparação da realidade apresentada no filme com a realidade local; caracterização do tráfico de drogas;
apreciação das substâncias proibidas, dos usos e abusos reconhecidos pelos jovens.
Estavam presentes onze jovens, com variação de idade entre 16 e 25 anos.
Após a exibição, abri o debate propondo que expusessem o que no filme havia chamado mais a atenção deles. Um adolescente falou do “funk da hora”, que
“rolou” no início do filme41. Alguns dos participantes conheciam a música.
“outro” expiatório (Soares et al. 2005, p.104). Outro traficante, mais jovem, ganhou a mesma alcunha e foi eleito pelo discurso oficial a principal liderança do tráfico responsável pelo conflito do “Morro do Alemão” em 2010.
41 Uma das primeiras imagens do filme é a de um grupo de garotos descendo um “morro carioca”, encapuzados, com armas grandes nas mãos. Passos ágeis, atenção total, os garotos trocam olhares e se comunicam por gestos com as mãos e com as cabeças, enquanto descem as vielas dos morros por entre casas abertas, becos, crianças, idosos, mulheres e homens em trânsito. Enquanto as imagens se desenvolvem na tela uma voz ao fundo canta um rap: “no bairro do jóquei é ruim de invadir, nóis com os alemão vamos nos divertir, por que lá no jóquei vou dizer como que é... mas pra subi lá no jóquei até a BOPE treme, não tem mole para civil também não tem pra PM, eu
Perguntei, então, se aquela realidade no Rio de Janeiro era igual à que eles vivenciavam em suas quebradas: alguns disseram que sim, outros que não. Aqueles que disseram sim argumentaram que a polícia estava sempre presente na quebrada e que os moradores sofriam junto com os “bandidos”; os que disseram não, embora registrassem também a presença constante da polícia e do sofrimento de todos os moradores do bairro, discordavam que os contextos fossem iguais: em suas quebradas não havia armas pesadas, nem uma “guerra particular” cotidiana – como na cidade do Rio de Janeiro exposta no filme.
Pedi opinião sobre o trabalho no tráfico aos jovens presentes ao debate.
Amendoim, rapaz que por minhas atividades profissionais eu conhecia desde 2004, respondeu: “Para mim, eu tiro como um serviço, não tiro como um... ganhar um dinheiro fácil, porque nada é fácil nessa vida. Todo mundo tem seus riscos, tanto trabalhando quanto vendendo droga”. Outro rapaz, chamado Miguel, foi mais específico: “um comércio... é um... é um... modo de vida, como é que eu posso dizer... alguns escolhem trabalhar, alguns escolhem estudar, pra depois ir trabalhar, eu mesmo... eu escolhi o que escolhi”. Não perguntei naquele momento sobre sua escolha, pareceu-me inconveniente, mas aquela fala despertou atenção e me intrigou.
Será mesmo possível que aquele rapaz – apresentado como uma “liderança da comunidade” – poderia ser um “traficante”? Ele foi-me apresentado como um membro do “movimento hip hop” e, de fato, como se verá (capítulo 3) ele é uma das referências mais importantes do rap em sua quebrada. A suposição me intrigou e circulou em minha cabeça durante todo o período de confecção do projeto de pesquisa: se ele é traficante e é considerado uma liderança pelos seus pares geracionais, o que podemos conhecer a partir do estudo desta realidade?
Àquela época, sob perspectiva antropológica eu conhecia o tráfico pelas lentes do trabalho de Alba Zaluar. Antes do encontro, havia lido um dos livros em que a autora afirma que a característica definidora do “ser bandido”, “interna e pessoal”, seria a “disposição para matar”, componente de um “etos da virilidade”.
dou o maior conceito pra todos bandidos choque, agora eu vou mostrar como é o bairro do jóquei: vem um de AR15, outro de 12 na mão, mais outro de pistola escoltando o camburão, esse rap maneiro eu digo pra vocês...”
Ao final a imagem muda para o garoto que está cantando: apresentado como “Francisco”, 16 anos, ele está no centro de internação para “menores”, “Padre Severino”. O jovem está repleto de marcas de queimadura nos ombros e braços.
Este seria baseado na ideia de chefe e estaria relacionado “ao uso de arma de fogo, o dinheiro no bolso, a conquista das mulheres, o enfrentamento da morte e a concepção de um indivíduo completamente livre”. (Zaluar 2004, p.196). Nas palavras da autora, tal etos indicaria a visão do indivíduo atomizado, que se protege em bandos formados pelos seus iguais para demonstrar força bruta, tendo a guerra como um tema constante, uma realidade trágica em suas vidas (Zaluar 2004). A dinâmica da qual eu participava naquele início de outono de 2006, em uma cidade do interior cravada entre as duas maiores áreas urbanas do Estado de São Paulo, despertava a curiosidade de investigar outro contexto de trabalho no tráfico – diferente no tempo e no espaço daquele estudado nas décadas de 1980 e 1990 pela eminente antropóloga.
Direcionei a continuação do debate para as substâncias criminalizadas, seus usos e abusos reconhecidos pelo grupo. Thurma foi o primeiro a falar. Salientou que a maconha não deveria ser considerada uma “droga”, pois não era “química”: “a maconha, ela.. se você for pensar, ela não é uma droga em si, porque ela não contém química. Hoje em dia, os caras podem ficar colocando química, mas ela é uma droga em si, que não é química. Ela prejudica? Prejudica, isso é normal, mas se você for pensar bem, é uma das coisas que os índios usam, se eu não me engano... usam como cicatrizante, usam como... e os próprios caras que estudam mesmo, os cientistas sabem que aquilo ali é uma cura pro câncer, uma fita assim, entendeu? O cara que fuma maconha é diferente do cara usar uma química, química... tipo farinha (cocaína), crack, química, né? Química acaba com a pessoa”.
Miguel pediu a palavra para tratar do tema das diferenças entre as drogas: “é isso mesmo. Química destrói a pessoa, química é diretamente envolvido.. entra em choque com o sistema, então.. eu acho que tem muita diferença, sabe? Às vezes a pessoa vê e fala: Ah, porque o moleque fuma maconha, ah, o moleque é nóia.
Também não é assim. Ele fuma maconha porque ele gosta.. às vezes o moleque fuma a maconha dele, pô, ele trampa a semana inteira, ele fuma a maconha dele, pra ele dormir, pra tirar a neurose, pra ele poder bater uma “larica”.. é.. ah, às vezes o cara usa esse tipo de droga pra poder escapar das realidades, certo? De certas realidades”.
Perguntei, então, o que seria um “noia”. Alguns dos participantes disseram que era o usuário de crack. Amendoim pediu a palavra e fez uma distinção que separou o noia do usuário de crack e situou a diferença em uma chave de relações
comunitárias, do impacto do usuário na quebrada: “Noia é um cara que.. a partir do momento que você mantém o seu vício, você trabalha pra você manter o seu vício, você é um usuário. Você trabalha, você vai lá e pega fim de semana, três, quatro pedras pra você fumar, só... Agora, a partir do momento que o cara deixa a droga usar ele, ele deixou de ser aquele cara que trabalha..passa a roubar aqui na quebrada, pra poder manter o vício, pra tomar, pegar dos outros pra manter o vício no crack, já passa a ser noia. Tá ligado?”.
O chamado “problema das drogas” mobiliza a sociedade brasileira contemporânea, sobretudo a partir de duas leituras negativas: os potenciais malefícios do uso de algumas substâncias psicoativas criminalizadas e a brutalidade que envolveria o tráfico, um dos principais promotores da “violência urbana”.
Diferentemente do debate público sobre a questão, norteado por uma visão fatalista, moral e totalizante, a impressão que tive ao terminar o debate foi a de que aqueles jovens tinham uma visão do tráfico e do consumo de drogas como um universo diversificado – do vício ao lazer, da violência ao trabalho. Em primeiro lugar, a contextualização da realidade local vivida por eles como moradores, vizinhos, amigos, parentes de traficantes aproximava e distanciava a versão violenta de Notícias de uma Guerra Particular. Em segundo lugar, a definição de que o tráfico é um comércio como qualquer outro42 ou, ainda, como um modo de vida revelou uma perspectiva ampliada da atividade para além de seu enquadramento no código penal, e do estereótipo comum às abordagens encontradas em parte significativa da imprensa. Por fim, a diferenciação entre tipos de drogas ilícitas – maconha, cocaína,
“química” e “não química”, seus efeitos e consequências na vida dos usuários – completou para mim o quadro de leituras que complexificam o “problema das drogas”. Esta inversão do “problema das drogas” levada a cabo pelos jovens que participaram do debate serviu como inspiração para a abordagem proposta nesta tese.
Ao não repetirem a fórmula “como resolver o problema das drogas”, os jovens que participaram do debate me inspiraram a orientar a pesquisa para a descrição e para a
42 O rapper Mano Brown dos racionais MC fez a mesma afirmação no programa Roda Viva em 24 de setembro de 2007. Mano Brown falava sobre criminalidade e afirmava que o “traficante” conhecia a comunidade e a protegia de quem era de “fora”. “O, entre aspas, que vocês chamam de “traficante”, eu chamo de comerciante, o cara que comercializa cocaína, vamos dizer assim já abertamente, ou a maconha, ou qualquer tipo de droga é um comerciante como qualquer outro”.
análise de como um conjunto de dinâmicas constituídas em torno do “problema das drogas” compõe um regime de relações que se formam e operam nas comunidades de baixa renda das periferias de São Paulo.
Após o debate, percebi a importância da oportunidade de realizar uma pesquisa sobre o trabalho no tráfico de drogas em São Paulo. Ponderei que uma etnografia atualizada ajudaria a construir contrapontos às visões dominantes sobre o
“problema das drogas”. Inicialmente a proposta da pesquisa seria a de seguir trabalhadores do tráfico de drogas a partir da análise de contextos particulares e, ao etnografar tais personagens, colocar em perspectiva certas visões sobre o “problema das drogas” – com destaque às abordagens médica e epidemiológica. Nas discussões sobre saúde no sistema socioeducativo – campo de políticas públicas abordado neste estudo –, o uso e o comércio de substâncias criminalizadas costumam ser vistos como práticas essencialmente desarticuladoras e destrutivas, a despeito da diversidade de usos, práticas, valores envolvidos na amplitude de acontecimentos relacionados às drogas no cotidiano das cidades. A antropologia parte do pressuposto de que o humano só pode ser compreendido a partir de sua diversidade; as distinções elaboradas pelos jovens no debate sobre Notícias de uma guerra particular abriram-me a possibilidade de colocar alteridades em perspectiva.
A hipótese inicial – inspirada na obra de Foucault e recorrentemente evocada por estudiosos do tema das drogas (Vargas 2008; Rodrigues 2008) – é a de que o discurso dominante sobre o “problema das drogas” enfatiza a segurança e a saúde pública como os dois principais campos de saber-poder que devem ser mobilizados para combater o impacto negativo do tráfico de drogas na sociedade. O combate das policias ao tráfico é a ponta da lança da atuação governamental. Os principais argumentos de mobilização da “sociedade” contra o “crime”, entretanto, são oriundos da saúde pública. A ‘violência urbana`, os ‘viciados` da cidade, as ‘famílias destruídas` formam o discurso do “mundo das drogas” como um campo de agravo à saúde física, psíquica e emocional de toda a população e que, por isto, deve ser combatido por todas as áreas de políticas públicas.
Se a saúde é uma encruzilhada para onde convergem todas as lesões e traumas físicos, emocionais e espirituais produzidos na sociedade (Minayo 1994), nela se arrola um poder que lida com a complexidade e com a diversidade inerente ao
humano. Segundo Minayo (1994), o não enfrentamento das questões complexas colocadas pela violência torna pouco exitoso os esforços dos profissionais e das instituições de saúde.