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O processo eleitoral

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CAPÍTULO III – A imprensa como protagonista do processo eleitoral

3. O Estado de S Paulo

3.23. O processo eleitoral

O Estado de São Paulo traz notas que procuram situar os candidatos em relação ao seu eleitorado e antever os resultados da eleição.

“Em Minas – O alistamento eleitoral” (09/12/1921) indica que no município de Conquista já existem 1000 eleitores cadastrados, “O alistamento eleitoral” (17/12/1921) indica o alistamento em Bocayuva de 1250 eleitores “que sustentarão a chapa da Convenção”, “Na Bahia – o pleito de 1º de Março” (15/02/1922) informa que o sr. dr. Ramiro Herbert político baiano “declarou ser garantida a Victoria da chapa da convenção nacional” e “O pleito em Minas – telegramma recebido pelo sr. Sampaio Vidal” (26/02/1922) coluna que transcreve um telegrama de Raul Soares enviado para Washington Luis em que o político mineiro afirma que já passa de 300 mil os eleitores que votarão nos candidatos da convenção e que a oposição não terá mais que 10% dos comparecimentos no estado.

O processo eleitoral também é bastante discutido nas páginas do matutino paulista como “A campanha a pelejar” (26/01/1922) em que Mário Pinto Serva assina um artigo em que o autor defende maior clareza no processo eleitoral, defende o voto secreto e o fim do senzalismo. “A soberania das urnas devia ditar os governantes que bem entendêssemos. É o contrario o que succede no Brasil actual: as urnas constituem uma machina de falsificar a

vontade nacional [...] todos os homens de caracter deviam levantar-se no Brasil e exigi a decretação imediata do voto secreto”.

E descreve o que ele chama de processo ideal de votação:

o eleitor recebe do presidente da mesa um enveloppe aberto, de typo official, igual para todos. Com esse enveloppe, é o eleitor introduzido num compartimento secreto, especialmente preparado para esse fim. Encerrado nesse compartimento, uma vez sozinho, sem ser visto por pessoa alguma, o eleitor só então escolhe a cédula que preferir ou toma a que trouxe feita e a fecha no enveloppe official recebido só depois, o eleitor volta a sala publica onde depôs na urna o enveloppe fechado. Com o dispositivo do enveloppe official, igual para todos, impede-se que se reconheça o voto pelo involucro externo

em que combina o invólucro para o eleitor (conhecida hoje como cabine de votação) e o envelope oficial para depósito do voto.

O jornal paulista retrata a situação de pressão vivida por eleitores na proximidade do pleito. “No Rio – O Estado do Rio e a questão das candidaturas” (09/02/1922) nota traz a declaração de que o “o governo daquelle Estado [Rio] está exercendo illegítima coacção sobre o eleitorado, impedindo-o de votar livremente, como demonstram as demissões de várias autoridades do referido município, que se manifestaram favoráveis à candidatura nacional”, “No Rio - Comícios de propaganda da candidatura do sr. Arthur Bernardes no Rio Grande do Sul” (16/02/1922) informa que “o governo riograndense já começou a exercer pressão sobre o eleitorado de várias localidades do interior com o intuito de diminuir os suffragios da opposição, cuja propaganda cresce, à medida que se aproxima a realização do pleito presidencial” e “Telegramma do sr. Nilo Peçanha ás comissões estaduaes de Propaganda da Reacção Republicana” (15/02/1922) Nilo afirma que o Tribunal Federal “há dias considerou o Estado de Minas sob o regime de coerção”.

Um episódio retratado pelo Estado de S. Paulo foi a de Cachoeira, cidade baiana, em que o jornal bernardista O Norte estaria sendo ameaçado de “empastelamento pelos adversários políticos não sendo menos perigosa a situação dos partidários da candidatura do sr. Arthur Bernardes, conforme relatado em “A situação em Cachoeira” (15/02/1922). “A situação em Cachoeira agrava-se” (17/02/1922) informa que a pressão sobre a imprensa bernardista na cidade baiana esta ainda mais grave com as constantes perseguições políticas movidas pelos seabristas. Em “Na Bahia – Propaganda da candidatura do sr. Arthur Bernardes” (18/02/1922) o jornal paulista afirma que o sr. Ubaldino seguirá viagem para Cachoeira, prestar ajuda aos correligionários locais que estão sendo ameaçados por correligionários de Seabra.

“Pressão de elementos dissidentes contra o eleitorado” (18/02/1922), “Pressão dos governistas sobre o eleitorado” (22/02/1922) e “Na Bahia – A attitude dos Bernardistas” (24/02/1922) trazem evidências de pressão exercida no eleitorado tanto por correligionários de Bernardes quanto de Nilo Peçanha.

“A compressão do eleitorado na Bahia” (25/02/1922) nota traz notícias baianas de que o governo estaria pressionando o eleitorado para votarem em favor da causa da Reacção Republicana e falsificando atas eleitorais a fim de terem duplicatas e prejudicarem a votação da oposição estadual.

Por outro lado, “Em Minas – Uma nota do ‘Diário de Minas’” (24/02/1922) é uma transcrição de uma nota do Diário de Minas em que o jornal afirma que no estado não está havendo compressão do eleitorado em favor da candidatura de Bernardes como vem apregoando a imprensa nilista.

Garantindo também a livre votação, “No Paraná – A liberdade das urnas no dia 1º de Março” (09/02/1922) indica a emissão de uma circular em para todos os comandos policiais do interior do estado para que estes garantam a segurança e liberdade no pleito vindouro.

O matutino paulista retratou também um atentado contra a sede de um diretório de Arthur Bernardes. “Attentado á dynamite contra a sede de um directorio bernardista” (25/02/1922) e “Attentado contra a sede de um directório bernardista” (26/02/1922) trazem a notícia de que Barra Mansa foi acordada com um forte estampido que abalou a cidade. Segundo apuração, o atentado foi no prédio onde funciona igualmente a redação do jornal Sul Fluminense e o diretório partidário de Arthur Bernardes. O segundo artigo revela que no dia seguinte, nenhuma providência havia sido tomada sobre tal atentado.

Mais distante do clima de atentados, mas muito próximo do assunto eleições, o jornal traz notícias relacionadas à execução de músicas partidárias pelo país como “A canção ‘Seu mé’” (09/02/1922) que é uma nota informando que os jornais do país censuram a execução por bandas militares da canção “Seu mé” argumentando que se trata de um “desrespeito ao candidato da convenção nacional em que incorrem, dessa maneira, as autoridades militares, consentindo na execução daquella canção pelas bandas de música” e “Em Pernambuco – Comício pró candidatura Nilo Peçanha” (15/02/1922) informa que o sr. Gonçalves Maia convocou um comício pró candidatura de Nilo Peçanha e que após o comício, os manifestantes fizeram uma passeata pelo centro da capital cantando “Ai seu mé” e a “Vassourinha”.

E por fim, no último dia antes das eleições e com o intuito de informar os eleitores, o Estado de S. Paulo publicava avisos oficiais, com instruções e relações de diretórios eleitorais

na comarca de São Paulo, tais como “O pleito presidencial – Instruções para as eleições federaes” e “Eleição Presidencial” de 28 de fevereiro.

3.24. Considerações

O jornal paulista procurou manter em suas colunas, uma postura bastante neutra sobre a eleição presidencial, ao contrário do “apaixonado bernardista” Diário de Minas e do inquieto Correio da Manhã, abordados nesta dissertação.

Suas colunas retratavam com equilíbrio as manifestações de ambos os lados da disputa presidencial tanto nas reportagem que transcreviam declarações de partidários quanto nos artigos que relatavam fatos e acontecimentos acerca das candidaturas e campanhas dos políticos.

Contudo, o jornal buscou defender São Paulo de excessos praticados pela imprensa partidária que afrontavam tanto o estado quanto os paulistas mas sempre mantendo a discussão na esfera social sem pender, declaradamente, para questões eleitorais.

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