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Os pronunciamentos de deputados e senadores

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CAPÍTULO III – A imprensa como protagonista do processo eleitoral

3. O Estado de S Paulo

3.1. Os pronunciamentos de deputados e senadores

Dentre essas notícias eram comuns as transcrições, parciais ou totais, de sessões da Câmara dos Deputados do Estado de São Paulo, da Câmara dos Deputados Federais e do Senado.

Nas sessões, candidatos situacionistas, aliados a Arthur Bernardes (ocasionalmente denominados nos textos como “Maioria”) e os candidatos de oposição, aliados a Nilo Peçanha, se confrontavam defendendo seus respectivos candidatos.

“Na Câmara – O governo Nilo Peçanha – Discursos dos srs. Octávio Rocha e Gonçalves Maia” / “No senado – a política da Parahyba” (01/12/1921), “No Rio - O sr. Afrânio de Mello Franco e os ataques do ‘Correio da Manhã’” / “O caso da Sul Mineira na câmara” (02/12/1921), “No Rio – Na Câmara – Os debates sobre a questão das candidaturas – discurso do sr. Joaquim Osório” (04/12/1921), “O passado político do sr. Nilo – discurso do

33 Mais informações estão disponíveis em http://site.estadao.com.br/historico/index.htm e

sr. Vicente Piragibe na Câmara dos Deputados” (08/12/1921), “O caso da Guarnição Militar do Piauhy na Câmara – Sessão tumultuosa – Os discursos” (09/12/1921), “No Rio - Os debates políticos na Câmara – a attitude das classes armadas - os discursos” / “Sessão agitada no Senado – Violentos apartes entre os membros da maioria e da minoria – A discussão entre o srs. Irineu Machado e Raul Soares” (10/12/1921), “Na Câmara – discurso do sr. Joaquim Osório” (13/12/1921), “No Rio – Os debates políticos na Câmara – Discursos dos srs. Salles Filho e Vicente Piragibe” (17/12/1921), “Na câmara – A carta do sr. Antonio Prado ao sr. Nilo – o cônego Galrão fala sobre a questão religiosa” (22/12/1921), “Na Câmara – Discurso do sr. Francisco Valladares” (24/12/1921), “Os debates políticos na Câmara – o que tem sido a vida política do sr. Nilo Peçanha – Discurso do sr. Francisco de Campos” (25/12/1921), “Câmara Federal – declaração de um deputado mineiro” /(27/12/1921), “Os debates políticos na câmara – sessão tumultuosa – discurso do sr. Gumercindo Ribas – O sr. Odilon de Andrade faz profissão de fé ‘nilista’ – O sr. Bueno de Brandão é impedido de falar na hora do expediente” (28/12/1921), “A defesa de Minas – discurso do sr. Bueno Brandão na Câmara” (29/12/1921), “As discussões sobre o laudo na câmara – sessão tumultuosa – apartes violentos – a sessão é suspensa e em seguida reaberta – os discursos” / “No senado – uma alteração entre os srs. Álvaro de Carvalho e Paulo de Frontin” (30/12/1921), “Homenagem dos membros da maioria da câmara ao sr. Bueno Brandão” / “No Senado – discursos dos srs. Irineu Machado, Miguel de Carvalho e Vespucio de Abreu” (31/12/1921) e “O discurso do sr. Carlos de Campos na Câmara” (01/01/1922) são notas e artigos que retratam e, em alguns casos, transcrevem as sessões das Câmaras de Deputados Federal e Estadual e do Senado.

Dentre essas matérias algumas revelam discussões ferrenhas entre partidários das eleições. “Sessão agitada no Senado – Violentos apartes [...]” (10/12/1921), é um extenso artigo que reproduz a discussão entre vários senadores acerca do momento político-eleitoral do país. Abaixo são destacados alguns trechos que retratam os “violentos apartes” referidos no título da matéria.

Na transcrição, o senador Benjamin Barroso, acusa o governo de censura a desafetos políticos e às forças armadas:

O presidente, pelos seus actos, censurando ou reprehendendo os officiaes da 6ª região dirigida pelo general Cardoso de Aguiar, censurando os professores e officiaes do collegio millitar do Ceará e agora mandando prender e sujeitar a castigo de prisão com trabalho diário à guarnição do Piauhy, deu-nos o direito de suspeitar que está querendo deixar levar-se pela onda daquelles que querem trucidar a liberdade dos outros.

são partes integrantes e essenciaes do organizmo nacional, com as quaes a propria nação gasta largas sommas e muitas vezes com enorme sacrifício para mantel-as dignas, honradas e preparadas para a grande missão de vigiar a sua intangibilidade, sua independência.

Ainda segundo o jornal, os senadores Antonio Azeredo e Raul Soares, correligionários de Bernardes, tiram satisfações em relação a declarações do senador Irineu Machado, nos comícios em favor de Nilo Peçanha:

Antonio Azeredo: “Porque motivo (…) havia de procurar injuriar-me” Irineu Machado: “Qual expressão achaste injuriosa?”

Antonio Azeredo: “Syphiliticos moraes”

Raul Soares: “Eu não reconheço em v. exa. Autoridade moral para falar em syphiliticos moraes! Não o reconheço completamente!”

Procurando acabar com a discussão, Irineu Machado “termina [seu discurso] levantando vivas ao Exercito, a Republica, as forças armadas, e a Reacção Republicana, que foram correspondidas pelas galerias”.

Outra matéria que se destaca por retratar com detalhes as discussões do Senado Nacional durante o período eleitoral é “Os debates políticos na câmara – sessão tumultuosa – discurso do sr. Gumercindo Ribas – O sr. Odilon de Andrade faz profissão de fé ‘nilista’ – O sr. Bueno de Brandão é impedido de falar na hora do expediente” (28/12/1921) e a resposta em 29 de dezembro com “A defesa de Minas – discurso do sr. Bueno Brandão na Câmara”.

A primeira reportagem traz uma extensa declaração que questiona os senadores bernardistas que criticam Borges de Medeiros. Gumercindo Ribas tem como argumento que na ocasião da indicação de Bernardes na Convenção, políticos alinhados à candidatura nomeada “não se cansavam de oferecer [...] todas as garantias” aos políticos riograndenses e, depois que Borges “não pode dar o apoio do Rio Grande à candidatura de todo inviável do sr. Bernardes, não só pelos processos do seu lançamento, como pela ausência de títulos que recommendassem o candidato escolhido” o bernardismo “estrábico” voltou com suas “baterias contra os homens que na véspera cortejara”.

Ainda na mesma sessão, outros apartes são relacionados com as eleições presidenciais como o do senador Ephasio Salles que critica o candidato Nilo Peçanha pelas suas atitudes em 1916 a respeito do Acre e Odilon de Andrade que justifica sua saída do apoio à candidatura de Bernardes e o atual apoio à causa nilista como vontade dos seus eleitores de São João Del Rey. Respondendo a tal justificativa do sr. Andrade, vários são os apartes dos senadores da casa: “o sr. Maciel Júnior aparteia, dizendo que o orador se baptisa não no Jordão, mas nas

águas do Nilo” e “o sr. Gonçalves Maia: - Está se purificando, enquanto os outros permanecem na lama”.

O sr. Odilon, após protestos e injúrias trocadas entre nilistas e bernardistas, continua suas justificativas afirmando que “[...] Minas não é o ‘bernardismo’! É a sua victima torturada e por elle subjugada. Ella não quer se escravizar ao tyranno e ao déspota [...]”

Segundo o jornal, após várias colocações contra o candidato da Convenção, o sr. Odilon foi aplaudido e em seguida, pela ordem, o sr. Bueno de Brandão (líder da maioria34) tomou a palavra mas foi impedido de fazer declarações por gritos proferidos pela minoria que protestava pois a vez era do sr. Souza Filho. Este por sua vez cedeu sua vez ao sr. Bueno de Brandão para que respondesse, o que não o fez.

Logo após, toma a palavra Francisco Salles que finaliza a discussão afirmando que o sr. “Odilon de Andrade corteja a popularidade” e o chama de traidor.

Na matéria do dia seguinte, temos a continuação da discussão entre nilistas e bernardistas com a palavra do sr. Bueno de Brandão. “A defesa de Minas – discurso do sr. Bueno Brandão na Câmara” (29/12/1921) é uma matéria que traz informações reunidas por Bueno Brandão que “investigou” a vida de Odilon de Andrade para verificar suas razões para ter abandonado a causa bernardista e conclui que foi por não ter recebido, na hora que queria, o cargo de líder do partido em São João Del Rey e que a população estava contra Bernardes por acharem que algumas atitudes que o governo federal tomou e que afetaram a cidade eram de responsabilidade do governo mineiro, que nada tinha haver com o assunto.

Em relação ao sr. Odilon ter chamado alguns políticos mineiros de déspotas e tiranos, ele reage: “despotas e tyrannos. Quaes são eles? [...] Onde estão os actos de despotismo e vandalismo? Não se acusam os homens de governo com palavras vans; é preciso apontar suas falhas”.

Termina por salientar o “apoio que todo o clero de Minas dá ao candidato” da Convenção e acrescenta que Minas “terá de responder aos insultos grosseiros da imprensa e saberá repelir dignamente as ameaças da chamada Reacção Republicana [...] nas urnas e em qualquer terreno!” e que Minas não está sozinha, “tem amigos que a acompanham serenamente, sem constrangimento”.

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