Capítulo 3. Apresentação e interpretação de resultados
3.2. O professor titular e o professor estagiário
Seguidamente, procuramos explorar as particularidades dos perfis do professor titular e do professor estagiário, através do questionamento quanto à existência de caraterísticas únicas do professor titular ou professor estagiário e, em caso de resposta positiva, pedimos para, em poucas linhas, identificarem as respetivas caraterísticas. (Anexos 14 e 15)
Figura 8 - Questões 3 e 4 do questionário.
Cinquenta e cinco dos alunos inquiridos responderam de forma positiva à terceira questão, considerando existirem caraterísticas exclusivas do professor estagiário. Analisamos as suas respostas e realizamos a categorização das mesmas (Tabela 28), resultando nas seguintes categorias:
• Felicidade no exercício de funções • Variedade de metodologias e recursos • Falta de experiência na sala de aula
• Menos autoritários • Maior investimento
O seguinte gráfico (Gráfico 15) apresenta as respostas dadas pelos cinquenta e cinco alunos que conseguiram identificar particularidades no professor estagiário.
As categorias mais vezes identificadas foram a “Variedade de metodologias e recursos” (vinte e uma repostas), “Falta de experiência na sala de aula” (dezassete respostas) e a “Identificação/proximidade do aluno com o professor” (dezasseis respostas). A categoria “Felicidade no exercício de funções” foi identificada doze vezes, e as categorias “Maior investimento” e “Menos autoritários” apenas, respetivamente, cinco e duas vezes.
A variedade de recursos e metodologias foi a caraterística mais vezes identificada pelos alunos, uma vez que foram recorrentes os comentários em relação às atividades, métodos e recursos diferentes, com destaque para a utilização das novas tecnologias. Tais comentários foram a justificação dos alunos para a caraterização das aulas dos professores estagiários como interativas, interessantes, cativantes e dinâmicas.
A falta de experiência na sala de aula surge diretamente associada a observações 12
21 17
16
2 5
Q.3 - Caraterísticas exclusivas do professor estagiário.
Felicidade no exercício de funções Variedade de metodologias e recursos
Falta de experiência na sala de aula Identificação/proximidade do aluno com o professor
Menos autoritários Maior investimento
dos alunos sobre demonstrações de nervosismo e timidez, falta de prática, controlo de situações inesperadas, desde situações disciplinares a situações de falhas de material escolar (computador, projetor, etc) ou, até ao nível científico, com questões inesperadas para as quais o professor não “tem” resposta, o que num ano de iniciação à prática profissional, ocorre, nem que seja no início da experiência.
A identificação/proximidade do aluno com o professor mostra-se associada à proximidade geracional entre os alunos e os professores estagiários, estabelecendo-se pontos em comum que facilitam a proximidade na relação professor-aluno. Os pontos mais tocados por alunos foram a capacidade tecnológica, o discurso e linguagem, por vezes, semelhante e a maior compreensão e tolerância, comparativamente ao professor titular.
A felicidade no exercício de funções, identificada em doze respostas, foi, talvez, a categoria que nos despertou mais interesse. Os alunos não só sentiram uma diferença significativa em relação à predisposição do professor estagiário, como a valorizaram, visto que destacaram, como exclusivas caraterísticas do professor estagiário, a simpatia, a boa disposição, a alegria, a motivação e a maior tolerância e compreensão.
De forma menos significativa surge a categoria “Maior investimento”, onde os alunos afirmaram haver um maior investimento no planeamento das aulas por parte dos professores estagiários. Por último, a categoria “Menos autoritários”, tendo sido, por duas vezes, referida a menor capacidade de impor e manter o respeito, comparativamente ao professor titular.
Quarenta e oito dos alunos inquiridos consideram que existem caraterísticas exclusivas do professor titular (Anexo 15). Analisando as suas respostas, identificamos como a caraterística mais comum, surgindo vinte e oito vezes, a “Experiência”. A um nível intermédio, as caraterísticas “Clareza e Organização” e “Exigência”, estando presentes, respetivamente, em nove e oito respostas. As caraterísticas “Autoridade” “Distanciamento/Relação mais distante”, “Planeamento da aula mais natural” e “Articulação da matéria (problematizar, orientar e contrariar)”, foram identificadas em números significativamente menores (Tabela 31).
A caraterística que sobressaí nesta questão é a experiência do professor titular. A experiência que os alunos referiram foi observada na comunicação, na interação com os alunos, na capacidade de gerir situações imprevistas, na articulação das matérias e, no geral, no maior conforto e à vontade no papel de professor.
A clareza e organização foi justificada pelos alunos através da maior facilidade em explicações científicas, em raciocínios mais claros e menor número de “momentos de confusão na comunicação”. Já a exigência apresenta-se associada a uma maior pressão exercida pelo professor titular e um maior nível de rigor.
28 8
3 9
2 1 1
Q.4 - Caraterísticas exclusivas do professor titular.
Experiência Exigência Autoridade
Clareza e Organização
Distanciamento/relação mais distante Planeamento da aula mais natural
Articulação da matéria (problematizar, orientar e contrariar)
Uma das caraterísticas apontadas, presente em três respostas, é a autoridade do professor, revelando-se pela capacidade de gerir a estabilidade e ordem na sala de aula e os momentos de indisciplina.
De forma menos recorrente, mostram-se as caraterísticas “Distanciamento/Relação mais distante”, aparecendo como um papel menos afetivo do professor titular, chegando a ser apontado uma maior indiferença para com os alunos. A “Maior naturalidade no planeamento da aula” aproxima-se do papel do professor experiente, mas decidimos separá-las pela maior complexidade desta caraterística em específico e pela distinção da caraterística de maior investimento e planeamento referido como caraterística dos professores estagiários. Por último, a “Articulação da matéria” à qual associamos a maior capacidade de gestão e articulação dos conteúdos lecionados na disciplina, através da problematização, orientação e exercícios de contraposição de ideias.
Na questão 5, solicitámos aos alunos que expusessem de forma mais estruturada a sua opinião em relação às experiências escolares com professores estagiários, mais especificamente, nomeando a caraterística que mais e menos apreciaram nos professores
37
57 14
Q.5 - Caraterística mais apreciada no professor estagiário
Felicidade no exercício de funções Variedade de metodologias e recursos
Identificação/proximidade do aluno com o professor
estagiários, com a devida justificação (Anexos 16 e 17).3
Em relação à caraterística mais apreciada e em função dos resultados, elaboramos três categorias, a “Felicidade no exercício de funções”, a “Variedade de metodologias e recursos”, “Identificação/proximidade do aluno com o professor”. Uma grande parte dos alunos (cinquenta e sete) mencionou a categoria “Variedade de metodologias e recursos”, associando esta particularidade das aulas dos professores estagiários a conceitos como inovação, dinamismo e atratividade (Tabela 32).
Alguns exemplos de respostas que correspondem a esta categoria, são:
“A característica que eu acho positiva é o modo de ensinar os conteúdos. De uma maneira positiva, eu acho que a informação é resumida ao necessário e ao que é importante e é acompanhada por esquemas, filmes, entre outros o que facilita a aprendizagem.” (Inquérito 35)
“A característica que mais apreciei foi o facto de fazer bastantes atividades connosco, no âmbito da disciplina.” (Inquérito 49)
“O que mais gostei no professor estagiário foi a maneira de ensinar com muita interatividade com os alunos e com métodos inovadores (…)” (Inquérito 56) “Aquilo que mais gosto no professor estagiário é que está sempre a trazer diversos métodos diferentes e alternativos para nos ajudar a compreender melhor.” (Inquérito 94)
Já na “Felicidade no exercício de funções”, foram trinta e sete as respostas que se encaixaram na categoria. Para a resposta corresponder à categoria deveria ter presente sinais de motivação, simpatia, boa disposição, maior tolerância e compreensão para com os alunos. É curioso o número tão significativo de alunos que observaram tais indícios ou sinais e, de certa forma, surpreendente a importância que lhe foi atribuída, ao ponto de considerarem a caraterística que mais apreciaram.
“Gostei muito da vontade e motivação que os professores demonstraram ao longo do ano.” (Inquérito 19)
3 O número total de respostas (108) é superior ao número de alunos inquiridos (98), uma vez que no
decorrer da análise identificamos respostas de alunos que corresponderiam a mais do que uma categoria. Com o objetivo de aproveitarmos a sua informação na totalidade, prosseguimos, quando necessário, com a contabilização de partes de apenas uma resposta em várias categorias.
“Gostei bastante deles enquanto pessoas e professores. Deram o seu melhor e sempre se notou que se esforçaram ao máximo para que nós, alunos, compreendêssemos a matéria e contribuiu para que ficássemos a gostar mais da disciplina em si.” (Inquérito 34)
“A característica que mais gostei nos professores estagiários foi o facto de eles estarem sempre dispostos a nos ajudar a ultrapassar as nossas dificuldades (…)” (Inquérito 57)
“O professor está sempre bem-disposto e simpático (…)” (Inquérito 71) “Muito simpáticos e mantiveram uma excelente relação com todos os alunos.” (Inquérito 75)
“O que mais gostei nos professores estagiários foi o facto de estarem sempre animadas e com vontade a dar a aula, pois desse modo cativa-nos. (…)” (Inquérito 98)
Curiosamente, apenas catorze respostas elegeram a “Identificação/proximidade do aluno com o professor” como a caraterística mais apreciada. A escolha da caraterística revela-se justificada pela ligeira proximidade de idades e como consequência disso, uma predisposição do professor estagiário para compreender as visões, ideias e atitudes dos alunos de uma forma bastante mais natural do que o professor titular. Também é interessante realçar que os alunos não apontam apenas o fator idade como elemento da aproximação, mas também o estatuto de estudante. Ainda que seja um estudante de nível diferente, do Ensino Superior, alguns alunos consideram este fator relevante pelo professor estagiário também ser “um aluno” e, consequentemente, alvo de avaliações com tudo o que isso acarreta,
“O professor estagiário sendo mais jovem consegue entender melhor as mentalidades dos alunos (…)” (Inquérito 21)
“Gostei da forma como os professores vêm as coisas. Porque como ainda estudam, conseguem mais facilmente ter uma visão de estudante.” (Inquérito 38)
“O professor estagiário consegue ser muito interessante, pois a idade de diferença para os alunos é menor, por isso consegue entender-nos melhor. (…)” (Inquérito 59)
“Na minha opinião, a relação que nós enquanto alunos estabelecemos com o professor estagiário acaba por ser de grande proximidade e, apesar do respeito exigido, sinto que é muito fácil sentirmo-nos confortáveis nas suas aulas. (…)” (Inquérito 62)
Este gráfico (Gráfico 18) indica as respostas à caraterística que os alunos apontaram como a que menos apreciaram no professor estagiário.
Através da análise de dados (Tabela 33), podemos conferir que grande parte dos alunos (quarenta e oito) consideraram não haver um aspeto negativo a mencionar, dividindo-se entre alunos que não respondem ao segundo tópico da reflexão e alunos que respondem, dizendo que não existe nenhum aspeto que não tenham apreciado. Compreendemos o resultado com a noção de que os alunos, sabendo que estariam a referir “defeitos” dos seus professores estagiários, se tenham retraído e preferido a fuga mais fácil, não enumerando nenhuma caraterística a melhorar. Não generalizamos e consideramos também que, em parte, podem considerar existirem caraterísticas menos apreciadas, mas não suficientemente relevantes para a sua menção. Algumas dessas respostas foram as seguintes:
“Não tenho aspetos negativos a apresentar.” (Inquérito 14) 8
34
6 48
Q.5 - Caraterística menos apreciada no professor
estagiário
Exigência Falta de experiência na sala de aula Menos controlo e autoridade Sem aspeto negativo
“Eu gostei de tudo, do que os professores estagiários fizeram.” (Inquérito 16)
“Não houve nenhuma má experiência nem algo que eu não gostasse.” (Inquérito 79)
“Não há nada que não tivesse gostado.” (Inquérito 83)
“Não houve nada de que menos gostasse ou não gostasse.” (Inquérito 98)
Tal como na pergunta 3, a falta de experiência em sala de aula por parte do professor estagiário revela-se um dos pontos mais referidos pelos alunos, atingindo as trinta e quatro respostas. Como esperado, os alunos assistem e apercebem-se de sinais que denunciam a falta de experiência na sala de aula, como a timidez e o nervosismo inicial e, prova disso, são as suas próprias respostas e as menções dos respetivos indícios de insegurança.
“Penso também que poderiam ter estado só um pouco menos nervosos para dar as aulas.” (Inquérito 19)
“O que menos gostei está diretamente relacionado com a parte da oralidade que nem sempre foi percetível perceber a matéria motivado por vários fatores como: voz baixa, timidez.” (Inquérito 45)
“A que menos gosto é o facto de não estar habituado a dar aulas, então fica mais nervoso e pode não ser capaz de explicar algumas respostas.” (Inquérito 59) “(…) o que menos gostei o facto de ainda se atrapalharem um pouco ao darem as suas aulas.” (Inquérito 66)
“A caraterística que menos gostei foi a timidez e a insegurança a falar. Acho que isto acontece pelo nervosismo e falta de experiência.” (Inquérito 86)
É interessante referir que em relação à exigência, mencionada por oito alunos, há uma disparidade de opiniões. A exigência é apontada como uma caraterística a melhorar, mas em relação ao contexto de sala de aula os alunos apontam para um baixo nível de exigência, enquanto que na correção de testes, três alunos referem que os professores estagiários são exigentes em demasia.
“Deviam ser mais exigentes (…)” (Inquérito 11)
“Uma característica que menos gostei foi o facto de serem mais exigentes a corrigir os testes, mas é completamente compreensível.” (Inquérito 31)
“O que menos gostei foi da menor exigência que nos coloca.” (Inquérito 74)
O menor controlo e autoridade foi outra das categorias retiradas das respostas, tendo reunido seis respostas. É exposto, sobretudo, uma ausência de posição firme e autoritária dentro da sala de aula, quando necessária, algo que é compreensível face ao ponto de comparação, o professor titular, ter já uma experiência que lhe permite impor, com uma maior facilidade e naturalidade, a sua autoridade.
“(…) tem alguma dificuldade em ser um pouco mais autoritário, ou seja, em corrigir os alunos ou chamá-los à atenção quando necessário.” (Inquérito 62)
“(…) por vezes é mais difícil conseguirem manter a atenção dos alunos por não terem uma posição tão imponente na sala de aula.” (Inquérito 64)
“(…) o facto de ainda não saberem bem como manter respeito (…)“ (Inquérito 82)
“Serem mais autoritários nas aulas impondo respeito e atenção em certas situações.” (Inquérito 87)
Considerações finais
Desde o início desta investigação que o objetivo definido passava pela análise da representação do professor estagiário. Para tal, estabelecemos também a necessidade de traçar o perfil do “bom professor”, com o intuito de estabelecê-lo como ponto de comparação.
Chegando à fase de refletir de forma mais aprofundada sobre todo o processo de investigação, consideramos essencial relembrar as perguntas que guiaram o estudo dos dois perfis, sendo elas:
1. Quais são as caraterísticas do “bom professor”?
2. Quais os aspetos convergentes e divergentes entre o perfil do “bom professor” e do professor em formação inicial?
Recolhidas, tratadas e analisadas as respostas de noventa e oito alunos, chega o momento de refletir sobre alguns dos resultados obtidos com o estudo. Decidimos fazê- lo pela ordem das perguntas que guiaram o estudo.
Tal como prevíamos, a imagem do “bom professor” definida pelos alunos inquiridos demonstrou ser uma imagem que valoriza bastante a componente afetiva, tendo as respetivas questões apresentado os maiores níveis de concordância. Em tempos nas quais se debatem bastante os limites e barreiras à tecnologia dentro da sala de aula, em certa parte, surpreendeu-nos não existir uma esmagadora concordância dos alunos face à utilização das TIC e recursos diversificados. Embora tenha atingido uma concordância praticamente geral, a verdade é que foi das caraterísticas com números mais baixos de alunos a considerarem este fator muito importante, tendo até nove considerado indiferente. Apesar disso, é de salientar que identificámos uma maior valorização deste fator por parte dos alunos do Ensino Básico, sendo que a taxa de alunos que consideraram muito importante é superior em 20% face aos alunos do Ensino Secundário.
Talvez um pouco iludido pela importância pessoal dada ao fator tecnológico e da inovação, a verdade é que uma das grandes conclusões que posso retirar da procura da representação do “bom professor” foi o claro reconhecimento e enaltecimento, por parte dos alunos, de um conjunto de determinados princípios e valores que constroem o “bom professor”, como o respeito, a justiça, a dedicação, o esforço e a atenção, afastando-se o
autoritarismo e a exigência. Uma outra conclusão é que embora seja evidente a forte ligação à personalidade do professor e ao que representa emocionalmente, assistimos também a uma elevada exigência dos alunos pelo rigor e competência científica, algo que previamente pensávamos ser alvo de menor atenção.
Desta forma, o “bom professor” demonstra ser respeitador, motivador, orientador, atento às dificuldades e inquietações dos alunos, justo, mas por outro lado, rigoroso e competente cientificamente. Praticando o exercício de comparar com os trabalhos já referenciados, da autoria da Filomena Guimarães e da Dina Amorim, encontramos no “bom professor” definido pelos alunos da Escola Secundária de Rio Tinto uma imagem compatível com as imagens delineadas pelos alunos inquiridos nos seus estudos, havendo apenas discrepâncias pouco significativas. Assiste-se a uma maior valorização das caraterísticas que se associam a princípios e valores pessoais e profissionais e a competência e rigor científico.
Em relação aos exercícios seguidamente postos em prática, a procura de caraterísticas especificas do professor titular e do professor estagiário, conseguimos encontrar resultados já expectáveis e outros que nos surpreenderam. Na primeira questão, os alunos teriam de apontar a(s) caraterística(s) que julgavam ser exclusivas do professor estagiário, e já era expectável que surgissem respostas relacionadas com a falta de experiência e a variedade de recursos, pois são as mais facilmente identificáveis. As nossas expetativas foram correspondidas e um grande número de alunos apontou essas duas caraterísticas. Entendemos a falta de experiência com alguma naturalidade, uma vez que é o primeiro contacto com a realidade profissional e, por muito que estejam aptos a desempenhar funções, a experiência surgirá com o tempo e vivências em contexto escolar. A variedade de recursos mostrou ser a resposta mais frequente, desfecho já expectável devido à maior disponibilidade de tempo, ao maior planeamento e investimento por parte dos professores estagiários, mas sobretudo devido à sua formação. De outra forma, surpreendeu-nos a importância dada pelos alunos à felicidade no exercício de funções, mas explorá-la-emos mais à frente.
Quanto às caraterísticas exclusivas do professor titular, mostram-se em contraposição às anteriormente apontadas ao professor estagiário, sendo que a
caraterística mais vezes apontada foi a experiência, marcando a diferença ao nível do à vontade na sala de aula, a capacidade de comunicação e de estabelecer uma relação com os alunos e a turma. De forma menos significativa, são apontadas caraterísticas como a exigência, distanciamento, clareza e organização e a autoridade.
Em último lugar, figuram as caraterísticas mais e menos apreciadas no professor estagiário. Desta vez, tínhamos o objetivo de compreender quais as caraterísticas que, aos olhos dos alunos, marcam a diferença, de forma positiva e negativa, na lecionação do professor estagiário.
Surpreendeu-nos os 53% de repostas que se encaixam na categoria “Felicidade no exercício de funções”, até porque os indicadores para corresponder à categoria, eram “simpatia”, “boa disposição”, “alegria”, “motivação”, “maior compreensão e tolerância”. Percebemos, à partida, que tais fatores estavam presentes nas experiências com os professores estagiários, mas não prevíamos o cenário de serem tão valorizados pelos alunos. Refletindo sobre os conteúdos abordados no enquadramento teórico, nomeadamente sobre o professor dos nossos dias e as suas dificuldades, talvez seja mais fácil a compreensão da relevância do fator para os alunos. A felicidade no exercício de funções, com tudo o que incluí, talvez surja em contraposição com o desgaste profissional sentido nos professores dos nossos dias o que, por sua vez, afeta o seu desempenho profissional. Pode não ser uma performance condicionada ao nível científico e metodológico, mas certamente é ao nível da motivação, dinamização e disponibilidade afetiva. Podemos considerar como verificado que, aos olhos dos alunos, este desempenho mais alegre, motivado e bem-disposto faz a diferença.
Ainda nas caraterísticas mais apreciadas, a categoria “Variedade de metodologias e recursos” vêem de encontro do debate sobre o envelhecimento dos docentes e da manutenção de um domínio de metodologias e recursos antiquados, havendo uma resistência e falta de formação para a introdução de novas metodologias e recursos. Foi ainda identificada como fator mais apreciado, a maior proximidade relacional entre o professor estagiário e os alunos, causada por semelhanças ao nível geracional, tecnológico, da compreensão e do discurso, fator este que também já teria aparecido anteriormente, nas caraterísticas exclusivas do professor estagiário.
Nos fatores menos apreciados nos professores estagiários, a falta de experiência sobressai entre os demais. Agora comprovado como um fator que afeta negativamente o