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CAPÍTULO 2 O TEXTO DIGITAL EM LIVROS DIDÁTICOS DE LÍNGUA

2.1 O Programa Nacional do Livro Didático – PNLD (BRASIL, 2010)

O Programa Nacional do Livro Didático – PNLD (BRASIL, 2010) é uma iniciativa do governo federal, cujos objetivos básicos são a aquisição e a distribuição, universal e gratuita, de livros didáticos para os alunos das escolas públicas da Educação Básica brasileira, realizado por meio do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE). A fim de assegurar a qualidade dos livros a serem adquiridos, o programa desenvolve um processo de avaliação pedagógica das obras nele inscritas, coordenado pela Secretaria de Educação Básica (SEB) do Ministério da Educação.

O PNLD tem o propósito de oferecer a alunos e professores de escolas públicas da Educação Básica, de forma universal e gratuita, livros didáticos e dicionários de Língua Portuguesa de qualidade para o apoio ao processo de ensino-aprendizagem em sala de aula, ajustando-se, continuamente, às mudanças e às novas demandas.

Em 1996, iniciou-se o processo de avaliação pedagógica dos livros inscritos para o PNLD, sendo publicado o primeiro “Guia de Livros Didáticos” de 1ª a 4ª série. Os livros foram avaliados pelo Ministério de Educação e Cultura (MEC), conforme critérios previamente discutidos. Esse procedimento foi aperfeiçoado, sendo aplicado até hoje. Os livros que apresentam erros conceituais, indução a erros, desatualização, preconceito ou discriminação de qualquer tipo são excluídos do Guia de Livro Didático.

O processo de avaliação pedagógica sistemática das obras inscritas no PNLD é coordenado pela SEB. Essa avaliação é realizada por uma equipe de professores pertencentes a instituições de educação superior públicas, de acordo com as orientações e diretrizes estabelecidas pelo MEC, a partir das especificações e critérios fixados no edital. Essa equipe de avaliação analisa se os manuais didáticos atendem aos objetivos centrais da Educação Básica e também aos preconizados pelos Parâmetros Curriculares Nacionais (BRASIL, 1998).

A compra e a distribuição das obras estão sob a responsabilidade do FNDE, que abre inscrições para o processo de avaliação e seleção de coleções didáticas adequadas aos alunos da Educação Básica brasileira, para serem incluídas no Guia de Livros Didáticos do PNLD, por meio de edital de convocação.

O Guia de Livros Didáticos é uma publicação do MEC/PNLD dirigida aos professores da rede pública de ensino, servindo para subsidiá-los na escolha da coleção com a qual deverão trabalhar por três anos consecutivos. O Guia retrata, por meio das resenhas elaboradas pelos pareceristas, o perfil das coleções aprovadas e apresenta como e por que estas foram consideradas de qualidade.

O programa é executado em ciclos trienais alternados. Assim, a cada ano o FNDE adquire e distribui livros para todos os alunos de um segmento da Educação Básica: anos iniciais do Ensino Fundamental, anos finais do Ensino Fundamental ou Ensino Médio. À exceção dos livros consumíveis, os livros distribuídos deverão ser conservados e devolvidos para utilização por outros alunos nos anos subsequentes.

Como objeto de nossa pesquisa elegemos o PNLD (2011) por coincidir com o início de nossa pesquisa. O PNLD (2011) ampliou a oferta de livros didáticos, incluindo, pela primeira vez, Língua Estrangeira Moderna (LEM): Espanhol e Inglês. Essa inclusão reflete, de forma efetiva e significativa, que a escola é o lugar adequado de aprender línguas estrangeiras, e que seu aprendizado é um fator importante de inclusão social e de maior integração à realidade contemporânea.

O orçamento do PNLD do ano 2011 foi de R$ 1,2 bilhão, para a compra de livros didáticos do Ensino Médio e a reposição e complementação de livros do Ensino Fundamental.

É enfatizado no PNLD 2011 que o livro didático deve subsidiar de forma eficiente o trabalho do professor em sala de aula; para isso deve atender a uma série de critérios, tais como:

VI - respeito à legislação, às diretrizes e às normas oficiais relativas ao ensino fundamental;

VII - observância aos princípios éticos necessários à construção da cidadania e ao convívio social republicano;

VIII - coerência e adequação da abordagem teórico- metodológica assumida pela coleção, no que diz respeito à proposta didático–pedagógica explicitada e aos objetivos visados;

IX - correção e atualização de conceitos, informações e procedimentos;

X - observância das características e finalidades específicas do manual do professor e adequação da coleção à linha pedagógica nele apresentada; e

XI - adequação da estrutura editorial e do projeto gráfico aos objetivos didático-pedagógicos da coleção (BRASIL, 2010, p. 12).

Inscritos no PNLD 2011, os livros didáticos passaram por um detalhado processo de avaliação pedagógica, a partir dos critérios acima descritos, e só os aprovados fizeram parte do Guia de Livros Didáticos. Assim como mostra o gráfico a seguir:

Gráfico 1 – Desempenho das coleções avaliadas – PNLD 2011.

Fonte: Disponível em: <http://goo.gl/eeSfTH >. Acesso em: 07 fev. 2012.

Segundo o Guia de Livros Didáticos (2011), os dados referentes ao PNLD 2011 mostram que, embora se verifique uma evolução geral na qualidade dos títulos apresentados para avaliação, ainda são encontrados problemas, referentes à abordagem de questões sobre valores, respeito, tolerância humana e outros, que inviabilizam a utilização de algumas obras em sala de aula.

O Guia aponta que houve um aumento significativo no número de coleções inscritas no edital do programa do livro didático 2011, tendo 26 editoras participantes do processo, consequentemente, o número de obras excluídas também aumentou, visto

que as coleções que não atenderam aos critérios acima descritos foram excluídas do processo de avaliação.

É comentado no Guia de Livros Didáticos do PNLD 2011 que as coleções apresentam também, além das características básicas exigidas, uma preocupação com a formação integral dos alunos, buscando aliar aos conteúdos didáticos elementos para o debate e a reflexão, contribuindo para a formação cidadã dos educandos. Isso não quer dizer que as coleções sejam uniformes; pelo contrário, diferem muito, seja pelo conteúdo, seja pela temática abordada. Essas diferenças são apresentadas nos textos das resenhas elaboradas pelos avaliadores para que os professores possam analisar quais obras atendem ao projeto político-pedagógico da sua escola e melhor se adaptam à realidade de seus alunos.