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OBJETIVOS E METAS DOS SARGENTOS NO PLANEJAMENTO DE

Para realizar o planejamento de carreira todo sujeito busca, de acordo com seu interesse, os objetivos que melhor retrata sua realidade naquele momento, como também determina em quanto tempo poderá alcançá-lo. Foram disponibilizadas aos participantes algumas opções de escolha que pudessem refletir o início do mapa de carreira dos mesmos. Para relacionar os objetivos com as metas foi estruturada a questão 18 (APENDICE A). O Gráfico 15 mostra os possíveis objetivos e metas no eixo das abscissas e o número de participantes no eixo das ordenadas. O gráfico também divide o período probatório em curto (1-4 anos), (médio 5-7anos) e longo prazo (8-10 anos).

Gráfico 15 – Objetivos e metas. Fonte: Elaboração do autor, 2011.

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Os aspectos considerados importantes para o desenvolvimento da carreira do sargento do EB, correspondentes as letras “a” até “s”, do Gráfico 15, sendo uma relação extensa, faz-se necessária listá-las no Quadro 4.

a) Remuneração garantida b) Plano de saúde c) Educação continuada d) Reconhecimento social e) Realização de Cursos f) Reconhecimento profissional g) Transferência de quartel

h) Receber Medalha (mérito, bravura) i) Promoção por merecimento

j) Promoção por antiguidade k) Ser Adido

l) Aquisição de patrimônio (casa, apto...) m) Formação civil (faculdade, técnico) n) Formação de família

o) Missão de Paz p) Prestigio social

q) Segurança (estabilidade profissional) r) Crescimento profissional

s) Outros

Quadro 4 - Objetivos e metas. Fonte: Elaboração do autor, 2011

A descrição dos objetivos e metas começa por “remuneração garantida” que teve um participante sem interesse, quatro que estabelecem este objetivo como meta a ser alcançado em no máximo quatro anos, um até 7anos, três em até 10 anos e 13 que esta etapa já foi alcançada. E o “plano de saúde” que teve para sete participantes como meta a ser atingida nos primeiros quatro anos de carreira e 15 sujeitos já atingiu essa meta. “Remuneração garantida” e “plano de saúde” assinalados por (13) e (15) respectivamente, os participantes já alcançaram, entretanto, são aspectos com amparo aos militares na legislação.

A razão legal da condição “plano de saúde” se faz necessária em função principalmente das transferências obrigatórias, para os mais diversos locais do Brasil continental. O Centro de Comunicação Social do Exército (CCOMSEX) coloca no site oficial, sobre sistema de saúde questões como:

Necessidade Operacional e Assistencial. A manutenção de um sistema de saúde próprio é indispensável ao adestramento dos integrantes das Forças Armadas, ao preparo da reserva mobilizável e, especialmente, ao apoio às

operações militares. Além disso, é essencial atender às exigências da Forças em diversas localidades do País, onde há necessidade de apoio de saúde permanente, que está além das possibilidades dos sistemas de saúde civis. A participação da Instituição no Programa Calha Norte comprova a presença da Força em regiões inóspitas e remotas do País. A Assistência Médico-Hospitalar, sob forma ambulatorial ou hospitalar, é prevista no Estatuto dos Militares como direito do militar (ativo ou inativo) e de seus dependentes, bem como dos pensionistas nas condições e limitações impostas na legislação e regulamentação específicas. É prestada pelas organizações de saúde dos Comandos das Forças Singulares, pelo Hospital das Forças Armadas e por organizações de saúde do meio civil, mediante convênio ou contrato.

A contribuição mensal devida pelos militares da ativa, da inatividade e pensionistas é no mínimo 2,7% e de até 3,5%. (CCOMSEX)

O Serviço de Saúde do EB, por prestar apoio a Força, tanto na guerra, como em tempo de paz, há mais de duzentos anos, é valorizado pelos participantes.

Sobre a remuneração adequada, a Lei de Remuneração dos Militares (LRM), está em fase de reestruturação no Congresso Nacional. Na prática o pagamento dos militares está sendo resolvido por medida provisória, o que pode refletir uma desconfiança por parte daqueles poucos não certos desses direitos no momento da pesquisa (Brasil, 2001). Por outro lado a remuneração adequada apontada pelos participantes, segundo Walton (1976), reflete qualidade de vida no trabalho (QVT).

Na condição “educação continuada”, três participantes não querem estudar, três pretendem fazer algum curso até quatro anos de carreira, três até sete anos, quatro em até 10 anos, cinco apontaram que esse objetivo e meta já foram alcançados e quatro não responderam. Ainda nessa linha da educação, a “realização de cursos”, seis participantes, não tem interesse, cinco gostariam de cursar em até quatro anos, quatro até sete anos, dois até 10 anos e cinco já conseguiram os cursos que se propunham. Dessa forma, verifica-se que a educação continuada e a realização de cursos, com certa coerência na preferência dos participantes, dentro do curto, médio e longo prazo demonstram a influência do sistema de ensino do EB, na formação do militar de carreira.

Ainda no sentido de reforçar, a influência do sistema de ensino do EB, no decorrer da carreira do graduado, verifica-se que o início, ocorre na EsSA, na sua formação, e posteriormente na Escola de Aperfeiçoamento de Sargento das Armas (EASA), no aperfeiçoamento, para dar continuidade na carreira e também como parâmetro de promoção. As outras escolas do EB, como Centro de Instrução de Guerra na Selva (CIGS) e Escola de Educação Física do Exército (EsEFEx), estão

disponíveis aos militares que voluntariamente desejam maior qualificação e especialização profissional, mas também, ao final de seus cursos, registram nas alterações dos sargentos a avaliação do seu desempenho escolar, também considerados durante a conceituação para promoção.

As condições sociais como, “reconhecimento social”, assinalada por dez participantes como não interessante, cinco sujeitos gostariam de alcançá-lo em até quatro anos de carreira, um gostaria de atingi-lo até sete anos, dois até 10 anos e quatro entendem que a meta já foi atingida. Ainda nessa linha o “Prestígio Social”, também dez participantes sem interesse, dois participantes gostariam de alcançá-lo entre 1 a 4 anos de carreira, dois participantes no período entre 5 a 7 anos, um participante entre 8 a 10 anos, seis participantes consideram que já alcançaram e um participante não respondeu.

Embora seja prematuro fazer uma análise do pouco interesse dos participantes no aspecto social. Porém, para concepção do planejamento de carreira, pode-se apontar como um desacordo com a importância da network para o processo.

Por outro lado, quanto ao “reconhecimento profissional”, que apenas quatro não têm interesse, seis almejam obter em até 4 anos de carreira, dois até sete anos, quatro até 10 anos e seis já obtiveram êxito. E relacionando ao “Crescimento profissional”, onde somente três participantes não tem interesse, dois participantes consideram importante alcançar entre 1 a 4 anos de carreira, quatro participantes entre 5 a 7 anos, sete participantes entre 8 a 10 anos, cinco participantes consideram que este aspecto já foi alcançado e um participante não respondeu, demonstra que pelo lado profissional, os participantes estão valorizando a profissão militar.

O aspecto social e profissional deve estar interligado na trajetória da carreira militar, embora a pesquisa tenha mostrado certa discrepância no resultado em prol do lado profissional. Após um aprofundamento nos dados da pesquisa observa-se que os militares mais novos na carreira, talvez ainda não percebam o valor social das relações interpessoais no desenvolvimento das atividades militares, das relações e das metas afetivas do ser humano no projeto de vida em sua totalidade, buscando apenas o cumprimento das missões profissionais.

No aspecto “Promoção por merecimento” seis participantes não tem interesse, um participante espera alcançar entre 1 a 4 anos de carreira, oito

participantes entre 5 a 7 anos, cinco participantes entre 8 a 10 anos e dois participantes já foram promovidos por merecimento. No aspecto “Promoção por antiguidade” apenas dois participantes não tem interesse, cinco participantes almejam ser promovidos entre 5 e 7 anos de carreira, onze participantes entre 8 a 10 anos, dois participantes já foram promovidos e dois não responderam.

As promoções por antiguidade e merecimento fazem parte do mesmo objetivo e conseqüente meta na carreira militar, galgar nível acima na hierarquia militar. O diferencial está na meta daqueles promovidos por merecimento. O esforço pessoal em todas as atividades profissionais e bom aproveitamento nos cursos realizados faz jus na redução de tempo entre as graduações durante a carreira e conseqüente promoção por merecimento.

Para “receber medalha (mérito, bravura)” a meta dos participantes teve a seguinte cronologia: nove não têm interesse, dois desejam receber em até sete anos, seis até 10 anos, quatro já possuem medalhas e um não respondeu. Quanto a “ser adido” doze participantes não tem interesse, nove participantes têm interesse entre 8 a 10 anos de carreira e um participante não respondeu.

Os objetivos ser adido e receber medalha, praticamente a metade dos participantes demonstraram falta de interesse. O desinteresse nesses aspectos pode refletir certa dificuldade desses sujeitos para transpor obstáculos escolares e ter uma dedicação mais exclusiva na profissão escolhida. Embora não seja nenhum demérito pessoal, pois, o sujeito em questão, pode estar empenhado em outro projeto de vida. Em contrapartida a outra metade com interesse nesses objetivos, pelo estabelecimento de metas em prazos mais curtos para atingi-los são merecedores de louvor dentro da profissão militar.

Quanto à “formação civil (faculdade, técnico)” um participante não tem interesse, dois participantes tem interesse nos primeiros 4 anos de carreira, sete participantes entre 5 a 7 anos, oito participantes entre 8 a 10 anos e quatro participantes já alcançaram. O resultado demonstra o interesse dos participantes por aprimoramento educacional, vetor importante no planejamento de carreira. Esses objetivos, estabelecendo metas, para conceber as estratégias na realização de diversos cursos universitários, estão edificando o processo do plano profissional dos participantes.

Em relação a “Formação de família” dois participantes não tem interesse, quatro participantes pretendem formar família entre 1 a 4 anos de carreira, quatro

participantes entre 5 a 7 anos, quatro participantes entre 8 a 10 anos, sete participantes já formaram família e um participante não respondeu. A formação de família requer dos participantes desafios sociais que produz o resgate, em parte, do que já foi abordado sobre a importância da network no planejamento de carreira. A família do graduado e suas necessidades sociais na interação com outras famílias, com o grupo da escola, vão favorecer o relacionamento do militar no ambiente externo ao quartel, melhorando sua rede social.

A “transferência de quartel” demonstrou que seis não têm interesse em ser transferido, quatro gostariam de serem transferidos em até 4 anos, um até sete anos, seis até 10 anos e cinco estão satisfeitos com suas transferências até o momento. Já a “aquisição de patrimônio (casa, apto...)” apenas um participante não tem interesse, três pretendem adquirir entre 1 a 4 anos de carreira, dois entre 5 a 7 anos, nove entre 8 a 10 anos, seis já adquiriram e um não respondeu.

A “transferência de quartel” e “aquisição de patrimônio”, objetivos que são estabelecidos como projeto econômico, durante a carreira militar. Normalmente, as metas, desses objetivos, são almejadas nos dez primeiros anos de carreira. Os dados da presente pesquisa comprovaram essa afirmativa.

Em relação a “Segurança (estabilidade profissional)” três participantes esperam conseguir entre 1 a 4 anos de carreira, dois participantes entre 5 a 7 anos, oito participantes entre 8 a 10 anos, sete participantes consideram que já alcançaram e dois participantes não responderam. “Outros” seis participantes não têm interesse, dois participantes consideram aspecto alcançado e quatorze participantes não responderam. O objetivo de segurança foi analisado anteriormente e “outros” foi o objetivo pelo qual não houve engajamento dos participantes.

Para completar a análise desse eixo dos objetivos e metas, o aspecto “Missão de paz”, onde quatro participantes não tem interesse, dois participantes pretendem entre 1 a 4 anos de carreira, cinco participantes entre 5 a 7 anos, oito participantes entre 8 a 10 anos e três já participaram de missão de paz, foi deixado por último, pela razão de notória divulgação na imprensa.

A missão de paz na ONU, como tema muito recorrente atualmente na mídia é importante discutir com mais profundidade. O artigo "Missões de paz e preparação de pessoal no Brasil" de 6Marcio Teixeira de Campos, destaca o seguinte:

A atual participação de militares brasileiros nas operações de paz, assim como nas atividades de planejamento e controle destas (na sede da ONU, em Nova York), complementa a formação do pessoal brasileiro na doutrina de Defesa Nacional. Como ALVES (2007, p. 215) muito acertadamente afirma, “do ponto de vista das Forças Armadas, as operações mostram-se oportunidades excelentes para treinamento real sem grandes riscos, o que agrada também às lideranças políticas.”

Por outro lado a complexidade e a importância dessa atividade também despertaram o interesse no serviço de psicologia do Hospital Geral de São Paulo como se verifica no artigo “7Suporte psicossocial a familiares de militares durante operação de manutenção de paz”, em seu resumo:

O presente trabalho foi desenvolvido com os familiares dos militares do 2° Batalhão de Polícia do Exército, integrantes da Força de Manutenção de Paz no Timor Leste, com a finalidade de oferecer-lhes suporte psicossocial durante a ausência do militar em missão, diagnosticando alterações psicológicas e/ou psicossomáticas, níveis de estresse e mudanças nos papéis e funções familiares. Foram realizadas reuniões, palestras, dinâmicas de grupo, aplicação de instrumentos de medida de nível de estresse e atendimentos individuais. Os resultados mostram nível alto de estresse nas fases iniciais da missão. Esta experiência comprova a necessidade de se ater aos aspectos da Prevenção Primária e Secundária em populações potencialmente de risco.

Em conclusão ao eixo dos objetivos e metas a pesquisa mostrou que os participantes já alcançaram. A razão, desse resultado, deve-se que a maioria dos sujeitos terem completado mais de oito anos de carreira.



ϲTenente-Coronel do Exército, Instrutor da Escola de Comando e Estado-Maior do Exército (ECEME)

e Doutorando em Ciência Política pela Universidade Federal Fluminense (UFF); ϳ

Este trabalho contou com o apoio dos seguintes Comandantes: Cel. Luiz Sergio Melucci Salgueiro (Centro de Estudos de Pessoal), Ten. Cel. Francisco José Pereira Neto e Ten. Cel. Antonio Carlos Passos da Silva (2o Batalhão de Polícia do Exército), Cel.Méd. QEMA Grimário Nobre de Oliveira e Ten. Cel. Méd. Antonio Julio Soares Costa (Hospital Geral de São Paulo).

4.3 ESTRATÉGIAS DISPONÍVEIS NO EB, NA PERCEPÇÃO DO SARGENTO DE

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