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Na execução de sua obra, Jesus funcionou – e ainda

funciona — como profeta, sacerdote e rei. Como profeta, ele é o representante de Deus junto aos homens. Como sacerdote, ele representa os homens perante Deus. Como rei, ele exerce domínio sobre o homem e sobre o universo.

Os ofícios de Cristo não podem ser confundidos com cargos. Cargo é uma função exercida por uma pessoa, por delegação ou por imposição. "Ofício é, antes de tudo, uma dignidade, um ministério, uma missão, todos em grau acima do comum. É um mandato com confiança e autoridade. O seu desempenho é um serviço e não uma obrigação tabelada. (...) O ofício é contínuo, é um estado". 10

Espírito, a vontade de Deus para a nossa salvação"."

O profeta é alguém que traz uma mensagem da parte de Deus para os homens. Esse conceito está bem claro no livro do Êxodo. Deus chama Moisés e ordena que ele tire os israelitas do Egito. Moisés, porém, responde: "Ali! Senhor! Eu nunca fui eloqüente, nem outrora, nem depois que falaste a teu servo, pois sou pesado de boca e pesado de língua" (Êx 4.10). Então Deus lhe respondeu: "Não é Arão, o levita, teu irmão? Eu sei que ele fala fluentemente; e eis que ele sai ao teu encontro e, vendo-te, se alegrará em seu coração. Tu, pois, lhe falarás e lhe porás na boca as palavras; eu serei com a tua boca e com a dele, e vos ensinarei o que deveis fazer. Ele falará por ti ao povo; ele te será por boca, e tu lhe serás por Deus" (Êx 4.14- 16). "Vê que te constituí como Deus sobre Faraó, e Arão, teu irmão, será teu profeta. Tu falarás tudo o que eu te ordenar; e Arão, teu irmão, falará a Faraó, pura que deixe ir da sua terra os filhos de Israel" (Êx 7.1,2). Arão seria a boca de Moisés, isto é, através dele Moisés falaria a Faraó e aos israelitas. Assim também é o profeta: ele é a boca de Deus, sua função é falar aos homens o que Deus mandar.

No Antigo Testamento Jesus foi anunciado como profeta. Em Deuteronômic, 18 está registrada a promessa do grande

Profeta: "O SENHOR, teu Deus, te suscitará um profeta do meio de ti, de teus irmãos, semelhante a mim; a ele ouvirás" (Dt 18.15). E em At 3.22-26, Pedro afirma que tal promessa se referia a Jesus.

O exercício do ofício profético de Jesus não se limita ao período de sua vida terrena. "Enquanto estava na terra ele exerceu este ofício em seus ensinos e por meio de sinais que o seguiam. E sua obra profética não cessou quando ascendeu ao céu. Continuou-a pela operação do Espírito Santo através dos ensinos dos apóstolos; e ainda a continua pelo ministério da Palavra e na iluminação espiritual dos crentes. Mesmo assentado à mão direita do Pai está sempre ativo como nosso grande profeta"."

"Cristo exerce o ofício de sacerdote, oferecendo-se a si mesmo, uma só vez, em sacrifício, para satisfazer a j ustiça divina, para reconciliar-nos com Deus e para fazer contínua intercessão por nós"."

No Antigo Testamento Deus instituiu o sacerdócio, como um meio para que o pecador se aproximasse dele. A função de sacerdote era oferecer sacrifícios e fazer intercessão pelo pecador.

O que é peculiar no sacerdócio de Jesus é que ele é, ao mesmo tempo, o sacerdote e o sacrifício. Ele ofereceu a si mesmo como sacrifício para a nossa eterna salvação. Ele declarou: "Eu sou o bom pastor; conheço as minhas ovelhas, e elas me conhecem a mim... e dou a minha vida pelas ovelhas... Ninguém a tira de mim; pelo contrário, eu espontaneamente a dou. Tenho autoridade para a entregar e também para reavê-la. Este mandato recebi de meu Pai" To 10.14-18).

Mas a obra sacerdotal de Cristo não se limita ao seu auto-oferecimento como sacrifício pelos nossos pecados. Ele continua a sua obra sacerdotal como nosso intercessor junto ao Pai. O apóstolo Paulo ensinou que "Cristo Jesus... está à direita de Deus e também

intercede por nós" (Rm 8.34). O autor da Epístola aos Hebreus afirmou que Jesus tem um sacerdócio

eterno e imutável, "vivendo sempre para interceder" pelos salvos (Hb 7.23-25). E o apóstolo João recomendou: "Filhinhos meus, estas coisas vos escrevo para que não pequeis. Se, todavia, alguém pecar, temos Advogado junto ao Pai, Jesus Cristo, o justo; e ele é a propiciação pelos nossos pecados e não somente pelos nossos próprios, mas ainda pelos do mundo inteiro" (1 Jo 2.1,2).

"Cristo exerce o ofício de rei, sujeitando-nos a si mesmo, governando-nos e protegendo- nos, reprimindo e subjugando todos os seus e os nossos iniMigo811.14 Como Filho de Deus

e segunda Pessoa da Santíssima Trindade, Jesus tem poder e domínio sobre todo o universo. Mas o seu ofício de rei não é apenas o exercício desse domínio. É a sua realeza original "revestida de nova forma, com uma nova aparência, administrada para um novo fim"." Isto pode ser dito também com estas palavras: "Podemos definira realeza de Cristo como o Seu poder oficial de governar todas as coisas do céu e da terra, para a glória de Deus e para a execução do Seu propósito de salvação"."

Conclusão

Jesus, como profeta, nos deu uma revelação completa sobre Deus e sobre sua vontade para nossas vidas. "Ninguém jamais viu a Deus; o Deus unigênito, que está no seio do Pai, é quem o revelou" (Jo 1.18).

Como sacerdote, Jesus ofereceu-se a si mesmo como sacrifício para a nossa salvação, e o seu sangue "nos purifica de todo pecado" (1 Jo 1.7). Estamos livres de condenação, porque Jesus morreu, ressuscitou e está â direita de Deus intercedendo por nós (Rui 8.33,34).

Como rei, Jesus nos chamou através da Palavra e do Espírito Santo, nos reuniu no seu corpo — que é a igreja —, nos dirige, nos protege e nos aperfeiçoa. Jesus tem todo o poder e toda autoridade no céu e na terra.

Capítulo 16 _________

0 Espírito Santo

é Deus

Cremos em um só Deus, que subsiste em três pessoas distintas: Pai, Filho (Jesus Cristo) e Espírito Santo. Cada pessoa da Trindade é Deus completo, e não parte de Deus, e as três pessoas da Trindade são iguais em poder e glória. Portanto, o Espírito Santo é Deus. Quando Anuirias mentiu a respeito da venda de sua propriedade, Pedro o repreendeu, dizendo: "Ararias, por que encheu Satanás teu coração, para que mentisses ao Espírito Santo, reservando parte do valor do campo? ( ... ) Não mentiste aos homens, mas a Deus" (At 5.3,4). Mentir ao Espírito Santo é mentir a Deus, prova de que o Espírito Santo é Deus.

Jesus Cristo, verdadeiramente Deus e homem, realizou uma obra completa para a nossa salvação. Por isso, quando estava morrendo na cruz ele pôde dizer: "Está consumado'" (Jo 19.30). Estava completa a obra que ele viera fazer por nós. Agora só restava a obra a ser feita em nós.

A obra de Jesus por nós é completa, mas ela não alcança o seu objetivo de

salvação sem a obra do Espírito Santo em nós. Por isto, Jesus disse aos

discípulos: "Convém-vos que eu vá, porque, se eu não for, o Consolados não virá para vós outros; se, porém, eu for, eu vo-lo enviarei" (Jo 16.7). O Espírito Santo aplica em nós a obra redentora de Cristo. Ele atua nos corações dos pecadores e os leva a receber Jesus como Salvador e Senhor. Atua, também, na vida daqueles que foram salvos, levando-os a crescer na graça e no conhecimento de Jesus Cristo.