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3. Implementação do LARCI

3.5 Oficinas experimentais

As oficinas experimentais são os cinco encontros seguintes ao primeiro ensaio com as crianças (06/03 até 03/04). Neste momento as/os estagiárias começam a alternância da condução das atividades. Porém, os grupos foram levados pelas professoras como forma de divulgar a oficina, isto para que, posteriormente, as crianças estivessem motivadas e com interesse suficiente para participar do LARCI com autonomia.

Nos planejamentos, através do que era observado nos ensaios, busquei apresentar quais eram as dificuldades que na minha perspectiva dificultaram a condução das atividades e debater orientações de como a/o regente poderia se preparar melhor para que, da próxima vez, estivesse mais habilitada/o e soubesse direcionar o seu estudo.

3.5.1 Debate das atividades

Este subcapítulo apresenta os debates e atividades que ocorreram durante os planejamentos das oficinas experimentais. A organização dos assuntos que aconteceriam nestes planejamentos seriam fruto das ocorrências dos ensaios para que fosse a mais contextualizada possível e viesse contribuir para a melhora da performance das/os estagiárias/os, observando a atuação de todos a alternando nas funções. Estes debates estão organizados por categorias temáticas que resumem os principais temas abordados: sonoridade; estudo prévio para o ensaio; dificuldades musicais e procedimentos;

planejamento dos ensaios abertos.

3.5.1.1 Sonoridade

O primeiro debate desta fase foi relacionado à sonoridade vocal. Já que a nossa intenção era desenvolver um coral, teríamos que escolher antecipadamente qual a sonoridade almejada. Assim as propostas teriam que buscar este objetivo. Resolvi iniciar por este ponto para também debater a importância de a/o regente desenvolver sua percepção, tendo mais condições de avaliar como o grupo melhorará sua performance. Além disso, seria importante exemplificar elementos que precisariam ser analisados para avaliar a resposta das crianças durante a atividade.

Comecei o debate no planejamento, após o primeiro ensaio que as/os estagiárias/os realizaram, comentando que para a/o regente poder definir qual será a sonoridade vocal que seu grupo terá, precisaria conhecer os diversos usos da voz, buscando compreender qual a técnica vocal que resultará na sonoridade desejada. Além de organizar tecnicamente como seu coro canta também é preciso desenvolver a percepção vocal para identificar como seu coro está cantando e articular os melhores caminhos para desenvolver o potencial vocal do seu grupo.

Saber cantar certamente ajuda muito na regência coral, já que pelo menos, de acordo com a formação universitária, um processo de aprendizado de canto foi vivenciado pela/o regente. Mesmo que a/o regente não conheça diversas técnicas de ensino de canto concretamente, ao menos uma ela ou ele certamente vivenciou na sua formação anterior. Além de conseguir compreender corporalmente quais são os procedimentos vocais para adquirir determinada sonoridade. No entanto, observo que saber cantar também não descarta o estudo da pedagogia vocal, já que esses saberes precisam ser transmitidos para perfis variados de aprendizes, principalmente dentro de coros infantis e amadores.

Destaco que eu já fui regido por regentes que não cantavam, porém, na minha perspectiva, conseguiam transmitir com clareza quais eram os procedimentos para

realização de um determinado modo de cantar. Penso que para este tipo de habilidade faz-se necessária uma trajetória longa de ensaios em grupos variados, presenciando diversas pessoas diferentes aprendendo a cantar, adquirindo um vasto repertório de propostas e concepções de atividades que melhorem a qualidade do canto.

Expliquei a importância da uniformidade sonora das vogais, proporcionando a melhora na afinação e equilíbrio entre os timbres das vozes das crianças. O exercício consistia em cantar as vogais alterando as formas da boca: uma vez com a boca bem aberta, outra vez com a boca mais verticalizada. Dividi o grupo de estagiárias/os pela metade e, enquanto uns cantavam, outros observavam. A ideia era trabalhar tanto o aprendizado individual da técnica vocal quanto a percepção vocal. Por fim, o grupo comentou a necessidade de escutar muitos corais infantis variados para poder ampliar as suas referências.

No primeiro dia de planejamento, resumidamente, destacamos que os procedimentos naquele momento para a correção da técnica vocal envolveriam as seguintes etapas:

• Escutar atentamente e ver a corporalidade da criança: formato de lábios,

tensões na face ou ombros, equilíbrio postural;

• Após a observação atenta, buscar imaginar o que as crianças estão

fazendo que resulte nesta sonoridade;

• Buscar as indicações corretas e diretivas para que as crianças assimilem as

informações;

• Corrigir um aspecto sonoro por vez para que o processo seja gradativo,

sendo que caso as crianças não tenham conseguido realizar algo, não continuar avançando na complexidade do desafio proposto;

• Evitar ao máximo que as crianças cantem algo musicalmente errado ou de

forma inadequada para que elas não viciem nos erros.

Os ensaios durante as oficinas experimentais apresentaram questões similares ao longo dessas cinco semanas. Durante esta fase dedicamos grande parte dos nossos debates e práticas à importância de a/o regente se preparar para os ensaios. Além de planejar é necessário treinar as habilidades para executar o planejamento, tais como saber cantar bem a música e dominar as regras dos jogos, requisitando para isso um grande preparo individual prévio. Não descarto a possibilidade de, durante os encontros, as flexibilizações no planejamento sejam necessárias para dar continuidade a uma determinada atividade que parece estar funcionando bem, mas não é a mesma coisa que não compreender os objetivos do que se é proposto.

Como exemplo de situação ocorrente no ensaio que gerou este tema, na primeira atividade realizada pelas/os estagiárias/os nas oficinas experimentais, a responsável pelo jogo cooperativo de acolhida e a regente que realizaria a passagem da primeira canção do repertório não estavam seguras em relação aos procedimentos que deveriam buscar seguir na condução das atividades planejadas:

(Transcrição do primeiro ensaio conduzido pelas/os estagiárias/os)

Estagiária que propôs a atividade: pessoal, vocês são da mesma sala certo? Então agora a gente vai jogar um jogo que é no coletivo. Eu vou mostrar uma placa e vocês vão fazer todos juntos o que estiver na placa.

Criança: como assim?

Estagiária que propôs a atividade: vamos testar?

Eu não estava entendendo se ela estava mudando os procedimentos do jogo (você explica uma placa e em seguida inicia o jogo e observa como as crianças respondem às demais) ou se ela tinha esquecido como se joga. Ao começar mostrando todas as placas e falando para as crianças como elas deveriam se organizar não dando tempo para que jogassem com autonomia. Após ela mostrar a placa fila coral percebi que ela já havia terminado a atividade, isto é, ela não lembrava mesmo de como era jogo.

Neste momento levantei e recordei discretamente para ela que havia a parte do jogo em que as crianças caminhavam pelo espaço e, quando a música parasse, elas

deveriam formar os desenhos das placas sozinhas. Destaco que a possibilidade de interferência imediata no laboratório favorece que alguns problemas sejam contornados imediatamente.

Em seguida, após a instrução, ela iniciou o jogo como havia sido combinado. Porém, no primeiro caminhar ela já sugeriu que as crianças utilizassem a imaginação e caminhassem pelo espaço como se estivessem andando na lua. Em seguida, mesmo antes de parar a música e mostrar uma das placas, ela pediu que as crianças andassem como se estivessem jogando futebol.

Observei que ela estava misturando o jogo das estátuas com o das placas. Após alguns minutos ela mostrou uma das placas. As crianças formaram a forma: ela então se lembrou parcialmente como era.

A regente iniciou cantando a música para as crianças conhecerem. Ela demonstrou dificuldade na respiração, mas executou bem a canção. Porém, quando começou a passar para as crianças, claramente teve dificuldade em manter o andamento.

As repetições foram variando de andamento durante a música deixando-a cada vez mais lenta. Ela também teve dificuldades em marcar qual seria o andamento para a correpetidora acompanhar, dificultando a parte instrumental. Como as crianças estavam cantando e a ideia era conhecer a música decidi não interferir, porém as/os estagiárias/os começaram a cantar para ajudá-la a manter a pulsação.

Ela focou mais no refrão para que as crianças decorassem a letra. Também foi solicitado que cantassem de formas diferentes: boca fechada e boca muito aberta. Esta proposta auxiliou que elas cantassem em seguida sem utilizar a letra, isto é, de memória. O timbre das crianças estava metálico, porém as afinações, em sua maioria, se mostraram satisfatórias. Como eles decoraram rapidamente ocorreu que a regente não sabia mais o que fazer com o grupo, pois, no momento, parece que não imaginou que poderia focar na música inteira, ao invés de somente o refrão. Provavelmente ela se inspirou no ensaio anterior, no qual não ouve tempo para ensinar a música inteira, e não imaginou que neste novo contexto poderia avançar.

passagem do repertório. Organizei com as crianças que elas construíssem corporalmente estatuas que remetessem a atividades realizadas na praia, como nadar e tomar sol.

Organizamos os espaços e elas repetiram o refrão mais 3 vezes associando o movimento corporal. Sugeri para as crianças que não imaginassem que o mar e essa canção fossem muito fortes, que era necessário cantar de forma mais suave. A ideia era reduzir o timbre metálico diminuindo a pressão do ar para acessar com mais facilidade o registro da voz de cabeça. O resultado foi positivo, porém realmente diminui a projeção sonora. Observei que as crianças são bem familiarizadas com propostas corporais, tendo bastante repertório de movimentação com criatividade.

Por fim, solicitei que formássemos a roda para cantar a canção de despedida. A última estagiária assumiu a função de ensinar a canção. Ela conseguiu demonstrar bem a canção para as crianças, mas foi possível observar que estava nervosa, já que sua voz saia tremula e não conseguiu controlar bem a respiração. Porém, as crianças receberam bem a proposta, principalmente na movimentação dos dedos. Neste momento a voz das crianças já estava com um timbre mais aveludado e suave, provavelmente devido à correção realizada na proposta anterior.

[...]

Houve outras ocorrências similares em que eu tive que auxiliar as/os estagiárias/os. A princípio, como todas as pessoas participantes fariam um rodízio na condução nas atividades, só seria possível a cada pessoa exercer a condução do ensaio uma única vez. Assim não foi possível avaliar neste momento a evolução das/os estagiárias/os individualmente.

A dificuldade musical foi bastante recorrente e constantemente discutida nos planejamentos. É importante perceber que nesse formato de laboratório existe a possibilidade de acontecer algum tipo de auxílio de uma pessoa mais experiente que mostra exemplos de alternativas naquele contexto a serem imediatamente experimentadas para que a/o estagiária/o tenha uma experiência real com os problemas que ocorrem nas práticas corais. No planejamento após o primeiro ensaio, a observadora relatou:

(Transcrição do Planejamento após o primeiro ensaio realizado pelas/os estagiárias/os) Observadora: O jogo do contrário eu não sei o que aconteceu. Da primeira vez eles cantaram. A segunda vez, ela cantou (a estagiária que propôs a atividade), e eles falaram.

Estagiária que propôs a atividade: eu comecei e senti que estava muito grave, depois eu subi e eles não me acompanharam.

Rafael K: pode ser o salto que você deu. Foi muito grande o intervalo (uma quinta), caso fosse mais gradativo, poderia ser que funcionasse, estruturando melhor a dificuldade da atividade.

Estagiário A: a impressão que eu tive é que eles estavam na voz fala e a estagiária proponente sacou isso e subiu a tonalidade. Ela poderia neste caso dizer para eles que existem duas vozes, a falada, e a outra voz, a cantada e pedisse novamente que elas cantassem.

Interessante destacar que comparado ao planejamento anterior, certamente pelo fato das/os estagiárias/os estarem à frente das atividades, foi maior a quantidade de falas durante os planejamentos seguintes. Percebi, a partir deste momento, que a participação foi mais motivada e menos passiva. Como existem mais pessoas observando e temos um momento de discussão logo após o ensaio, diversos olhares podem contribuir para a melhoria das propostas, favorecendo a formação de todos os integrantes, inclusive a minha.

Ao longo dos encontros com as crianças, na medida em que todas as pessoas participantes fossem passando por essas vivências, possivelmente contribuiriam com mais opiniões e sugestões durante os debates. Tendo tido a experiência direta com as crianças elas podem, com mais propriedade, refletir sobre suas experiências e sobre aquelas observadas nas outras regências, ampliando as perspectivas em relação aos procedimentos da/o regente durante os ensaios.

O procedimento de investigação costuma fornecer maiores informações para a escolha de quais as ações serão tomadas. Após a investigação, buscando possíveis razões sociais, cognitivas ou pedagógicas, busca-se desenvolver a melhor estratégia pedagógica

para alcançar o objetivo estipulado. Ressalto também que o resultado sonoro do coral é decorrente das vozes simultâneas, portanto, quanto mais treinadas individualmente, melhor será o resultado sonoro total. Mesmo assim algumas dificuldades podem ser diluídas dentro do grupo, onde uma pessoa auxilia a outra.

No segundo ensaio realizado pelas/os estagiárias/os, corroborando com a ideia da importância de vivenciar as experiências para ter mais ferramentas para avaliá-las, a observadora comentou:

(Transcrição do planejamento após o segundo ensaio realizado pelas/os estagiárias/os)

Observadora: eu achei que a passagem do repertório também foi muito afobada: de repente já estava a música inteira com mil coisas e as crianças não estavam cantando. Poderia ter voltado um pouco só para elas cantarem.

Estagiária F: você poderia ter focado no Maré (refrão) mesmo. Você já viu que nas placas elas já não conseguiam fazer, tiveram mais dificuldade do que a outra turma. Seria mais melhor começar pela parte mais fácil.

Quem fez este último comentário foi a primeira estagiária que regeu no ensaio anterior e neste dia estava como observadora, isto é, a única do grupo (exceto eu) que já tinha passado pela experiência de ensinar esta música, mesmo que não para o mesmo grupo, porém para um grupo com um perfil similar.

Discutimos nos planejamentos deste período a necessidade de praticar a simulação dos ensaios para que haja maior segurança na condução dos mesmos. Isto é, mesmo que a/o estagiária/o acredite que sabia o que solicitará às crianças, à frente do grupo às vezes se demonstra confuso. A consequência avaliada nesta falta de preparo anterior da/o regente é a dificuldade da percepção do que o grupo está realizando para consequentemente realizar a próximas instruções com mais eficiência, à luz dos objetivos de cada proposta.

Para exemplificar situações de dificuldade musical, no segundo ensaio, uma estagiária levou um pandeiro e perguntou se poderia tocá-lo no ensaio com as crianças. Eu disse que sim e que poderia ajudar:

Quando ela começou a tocar, não conseguiu entrar no mesmo andamento do violonista, eu tentei indicar o andamento para que eles tocassem juntos, mas não foi possível. Fiquei com um dilema:

• Musicalmente o acompanhamento musical não estava ajudando no jogo.

O ideal era que a música estivesse corretamente executada para auxiliar as crianças na assimilação do ritmo;

• O jogo poderia acontecer mesmo com uma música mal tocada, já que a

proponente continuou conduzindo a proposta;

• Para a estagiária que levou o pandeiro tocar melhor, precisaria praticar

muito e este poderia ser um momento para isso.

Decidi naquele momento que ela prosseguisse. Imaginei que ela melhoraria ao longo das experiências que adquiriria. Mesmo com a dificuldade musical do acompanhamento, a regente conseguiu manter a atividade.

Durante os planejamentos que se seguiram começaram a surgir mais falas a respeito das dificuldades musicais:

(Transcrição do planejamento após o segundo ensaio realizado pelas/os estagiárias/os)

Estagiária B eu acho que além da ansiedade tem que tomar cuidado para não cantar desafinado porque as crianças aprendem super-rápido.

Uma das questões interessantes e relevantes deste tipo de formação laboratorial é que quando a/o estagiaria/o esquece algo ou fica perdida/o durante a atividade pode ser possível a ajuda e correção imediata pelos outros participantes, mesmo após ser percebido e alterada a proposta. Nesse ambiente também podem ser verificados imediatamente os resultados das mudanças ou esquecimentos de determinados procedimentos para ajudar as crianças nos processos de aprendizado.

Em outro caso similar, no terceiro ensaio, o regente fez a contagem regendo para a violonista e, ao entrar cantando, começou errando o desenho melódico da primeira frase da música. Imediatamente eu cantei a frase para que ele conseguisse perceber o engano. Ao começar a cantar mais uma vez fiz um sinal para que todas as estagiárias e estagiários cantassem juntos com o regente para ajudar.

Ao fim da canção ele começou pedindo que as crianças repetissem a letra, após ele realizar a primeira leitura da primeira metade da canção uma frase de cada vez. Em seguida já pediu que elas cantassem e, neste momento, todos os adultos cantaram juntos novamente.

Percebendo que as crianças não estavam cantando parou a canção e mostrou a primeira frase da canção, porém cantando em falsete (na oitava das crianças). Acredito que ele queria estimular o uso da voz de cabeça nas crianças, mas cantou a frase desafinada e, ao solicitar que as crianças cantassem, não surtiu efeito; as crianças não cantaram. Depois, ele sugeriu que as crianças cantassem fazendo uma coreografia, onde cada frase musical fosse executada com um gestual com os braços. E passou a música inteira uma única vez.

Ao pedir para que cantassem e dançassem sozinhas elas não cantaram nem a primeira frase. Ele parou e comentou para elas que estava difícil fazer tudo ao mesmo tempo e iria fazer junto com elas para ajudá-las. Ao reiniciar, todos na sala precisaram cantar porque as crianças não cantaram. Não ocorreu a proposta de pedir que elas cantassem de formas diferentes, atividade que poderia ter estimulado o canto e a memória.

Em seguida ele pediu que elas ficassem em pé e se dividissem em dois grupos. Pediu para que elas fizessem alguma movimentação corporal que representasse uma ação realizável na praia: nadar, tomar sol, pescar, entre outras. Ele pediu então que elas cantassem se movimentando. Novamente elas não cantaram e ele parou a proposta e retomou o gestual que havia criado na segunda vez que mostrou a música.

Parecia que ele estava confuso e, por fim, elas não cantaram nenhuma frase sozinhas. Decidi não interferir pois queria ver até onde a proposta chegaria. Me pareceu

que não chegou a lugar nenhum. Ocorreram tentativas de tentar estimular as crianças, falando que não estava escutando ou fazendo o sinal de levar as mãos aos ouvidos. Porém, em nenhum momento ele parou o que estava fazendo e disse a todos com clareza e atenção que elas não estavam cantando, ou cantando muito baixo.

No cenário em que a/o estagiária/o possui as habilidades para estudar com autonomia, a dificuldade musical pode ser fruto da falta de preparo prévio. Caso estas habilidades não estejam bem desenvolvidas faz-se necessário buscar treinamento para supri-las. A dificuldade deste momento é que não tínhamos tempo para que eu acompanhasse o estudo musical individual de cada estagiária/o.

Destaca-se a fundamental importância do papel da regência de ser uma referência musical para as crianças. Ao buscar dar exemplos vocais, caso estes sejam executados de forma incorreta, as crianças cantoras tendem a imitar o modelo apresentado, assimilando indevidamente a música. Também destaco que caso a/o regente não perceba seus erros musicais dificilmente terá condições de detectar os mesmos erros nas crianças.

Em relação ao currículo, as práticas musicais da Licenciatura possuem menor carga horária comparada às disciplinas teóricas. Me refiro às práticas musicais, às vivências que proporcionam o fazer musical além do estudo da percepção e da rítmica. Seriam as situações nas quais as/os estudantes teriam acesso à realização musical de algum tipo de repertório e a prática de formação em grupo.

Para as questões procedimentais, no segundo planejamento das oficinas experimentais houve algumas dúvidas principais e tentamos esclarecer tudo. Os principais procedimentos levantados foram:

• Caso as crianças não cantem, propor que utilizem vozes diferentes, porém

ao invés de pedir, desafie o grupo, como no exemplo: SOLICITAR: cantem agora somente a vogal U.

DESAFIAR: quem consegue cantar somente com aa vogal U?

Por meio do desafio, as crianças entram no contexto lúdico do jogo e ficam mais motivadas para executarem as propostas;

Quando as crianças cantarem a linha melódica com uma única vogal, faz-se importante estimular o legatto, almejando um fluxo de ar contínuo,