Como definir os conceitos de ação, interação e exploração, processos de dialógico interativo e cooperativo e interatividade e ainda, de que forma este trabalho optou por estes termos? De acordo com Laurenti (2000), Moran (1993) e Valente (1999), a Internet propicia às pessoas a possibilidade de ação, interação e exploração de informações contribuindo para a construção de conhecimentos, estes sendo entendidos como processos educativos amplos e significativos.
Os autores acreditam que as redes eletrônicas permitem estabelecer novas formas de comunicação e de interação, em que a troca de ideias e saberes entre pessoas e grupos é interativa, e não levam em consideração as distâncias físicas e temporais. Nesse aspecto existe a vantagem de que as redes trabalham com um extraordinário volume de armazenamento de dados, facilitando, assim, o acesso à informação, que será utilizada nas práticas de apreensão/transmissão resultando em construção do conhecimento.
Assim, ao promover o diálogo entre conteúdos e experiências culturais, o ambiente virtual da comunidade permite o encontro de pontos comuns e divergentes, além de ampliar saberes e estimular novas formas de relacionamento entre os participantes e entre estes e a música desenvolvida no espaço. Isso significa reconhecer que processos de apreensão/transmissão por estarem ligados à diversidade e às tensões originadas de pensamentos diferentes entre os participantes, estimulam novas formas de relacionamento entre eles.
No campo dinâmico das postagens de mensagens é possível vislumbrar a presença de um processo de diálogo interativo e cooperativo que se desenvolve no âmbito do debate das informações. Segundo Levy (1999) a interatividade não se limita apenas às tecnologias digitais, apresentando uma abordagem mais ampla em que acontece um trabalho de observação, concepção e avaliação dos modos de comunicação. Para o autor, a “interatividade assinala muito mais um problema, a necessidade de um novo trabalho de observação, de
concepção e de avaliação dos modos de comunicação do que uma característica simples e unívoca atribuível a um sistema específico” (LEVY, 1999, p. 82).
Quando um participante tem uma dúvida sobre algum fato relacionado ao violão clássico, é aberto um novo tópico. Os participantes que se sentirem atraídos pelo tema podem acessar e ler o conteúdo. Poderão ter duas reações: responder a dúvida do membro ou simplesmente mudar de tópico. Se responderem, as respostas dadas podem esclarecer ou se transformar em outras dúvidas. Essas duas opções geram uma nova série de respostas que se complementam ou podem até mesmo se transformarem em novas dúvidas, criando assim um ciclo de debates. Para Levy:
A moral implícita da comunidade virtual é em geral a da reciprocidade. Se aprendermos algo lendo as trocas de mensagens, é preciso também repassar os conhecimentos de que dispomos quando uma pergunta formulada on-line os torna úteis. A recompensa (simbólica) vem, então, da reputação de competência que é constituída a longo prazo na “opinião pública” da comunidade virtual (1999, p. 128).
Para as pesquisadoras Lunkes; Selli; Prates (2008) o processo de diálogo interativo e cooperativo realizado entre os participantes em um ambiente virtual é educativo. Essa consideração permite entender que existem modos de apreensão/transmissão de conhecimento no exercício reflexivo entre quem escreve e/ou cria e/ou aprecia e/ou lê.
Fundamentado nesse pensamento é possível compreender que ao ler um texto, os participantes a seus modos, constroem com uma relação dialógica e, por vezes, podem transformar e dar novos significados para suas próprias experiências musicais e pedagógico- musicais. Esse processo de diálogo é interativo e cooperativo e integra o contexto da construção de conhecimentos no ambiente virtual. Segundo Lunkes; Selli; Prates (2008), essa relação existente entre:
[...] quem escreve e quem lê, ou seja, a relação entre autor e leitor se constitui, permitindo que os mesmos sejam parte do mesmo contexto. Ao ler um texto, constituímos com ele uma relação dialógica e, por vezes, por meio dele, transformamos, re-significamos nossa própria experiência (p. 114).
Esse processo de diálogo interativo e cooperativo pode ser ampliado na medida em que vão aparecendo novos tópicos ou postagens novas. No fórum, se em um primeiro momento o assunto do tópico original não era atrativo, num outro, ao ter as contribuições novas ou complementadas pode tornar o tópico cada vez mais debatido e visitado na comunidade virtual. E ainda pode acontecer que ao final de um determinado período, o tópico que foi aberto para esclarecimento de alguma dúvida, se transforme em uma produção coletiva sobre o assunto levantado.
A partir dessas abordagens, compreende-se que as comunidades virtuais são espaços que não disponibilizam apenas informações ou conteúdos digitais. Elas se organizam em termos de funcionamento para facilitar a interação entre seus participantes. Dessa forma, o censo coletivo presente nesses espaços, ao compartilhar informações de maneira ágil, quando associada às experiências anteriores de seus participantes, promove uma aprendizagem significativa e permanente.
Reconhece-se nos estudos de Morin (2005) que os sistemas são constituídos de ações e interações entre unidades complexas. Nesse sentido fundamenta-se a premissa de que é o conjunto de interações e relações que caracteriza a organização de uma comunidade. Conhecer, apreender, transmitir, implica em situações de complexidade, desequilíbrio, procedimentos de criação e autonomia que são desenvolvidos por pessoas ativas em sua relação e interação com a realidade.
Nessa perspectiva, Gozzi; Mizukami (2008) oferecem outras características evidenciadas nesses espaços e entendidas como razões para o desenvolvimento dessas comunidades virtuais na medida em que elas oferecem “[...] a aprendizagem e o desenvolvimento profissional de grupos de pessoas que, de forma colaborativa, socializam informações para a construção de novos conhecimentos” (p. 137).
Da mesma forma Sartori; Roesler, (2004, p. 7) examinam que a aprendizagem colaborativa existente nesses espaços, em oposição ao individualismo, permite criar o sentimento de pertencer ao grupo e produzir uma identidade comum, sendo este um dos motivos para o crescimento dessas comunidades. Afirmam, portanto, que se de um lado “[...] as pessoas têm o sentimento de pertencer a algo [...]”, por outro, por meio dos “[...] engendramentos comunicacionais estabelecidos neste espaço realiza-se um processo de assimilação, apropriação e partilha dos sentidos” (SARTORI; ROESLER, 2004, p. 6).