4.2 UM BREVE HISTÓRICO DA SOCIEDADE DOS POETAS VIVOS SANTOS DUMONT
4.3.8 Os resultados pós-encerramento do ano letivo de 2018
Encerradas as atividades do ano letivo, podem ser apontados alguns resultados diretamente relacionados às práticas educativas abordadas nas séries concluintes do ensino médio, sendo a primeira delas a aprovação de 02 alunos para o curso de Letras - língua portuguesa e licenciaturas, na UFRN. Na mesma turma, também foram contabilizadas aprovações nos cursos de Ciências e Tecnologia, Pedagogia, Filosofia e Gestão de Políticas Públicas.
Ao serem comparados com os dados de 2017, observa-se que houve a diminuição de alunos retidos e evadidos também nesta mesma série. Inicialmente, o 3º ano D contava com 6 alunos remanescentes do ano letivo anterior e desses apenas 1 não foi promovido no ano de 2018. Dois alunos transferiram-se da escola antes do término das atividades do ano letivo.
Dados obtidos de maneira não oficial também demonstram que houve um significativo aumento no número de empréstimos de livros na biblioteca da escola por parte desses alunos.
Após o Festival Literário do referido ano, a página da SPV ganhou mais 75 seguidores e o Projeto da SPV-SD foi indicado pelo Programa Jovem de Futuro a expor suas atividades na II Reunião de Boas Práticas12 promovida pela 2ª DIREC da SEEC-RN. Na ocasião, a professora tutora do projeto foi convidada a partilhar um pouco de suas experiências no encontro de formadores para a 6ª edição da Olimpíada de Língua Portuguesa.
Em 2017 e 2018, a escola ainda contou com a seleção e publicação de dois textos de 2 alunos da 3ª série no Concurso Nacional Novos Poetas, ou Prêmio Poetize13, promovido pela AMPOL.
12 As fotografias e o certificado de participação deste evento encontram-se na imagem 54 e 55 do anexo A. 13 O concurso literário, Prêmio Poetize, é uma iniciativa da Vivara Editora Nacional.
Atualmente, parte dos alunos então organizando a edição das filmagens do IV Festival Literário da EESD para a reprodução de um DVD, assim como trabalhando na diagramação do primeiro livro de poesias do projeto.
5 CONSIDERAÇÕES FINAIS
É fato que a Escola Estadual Santos Dumont é relativamente nova. Apesar dos seus 73 anos de serviços prestados não somente aos militares ou seus filhos, moradores de Parnamirim e suas proximidades, mas a toda uma sociedade que muito além da escolha, precisam da educação pública de qualidade.
As atividades em suas novas dependências foram iniciadas em 2014, com parte de sua construção ainda inconclusa e, de lá para cá, poucas modificações estruturais foram realizadas. Faltam as condições básicas para a realização do nosso trabalho docente. Sobra a disposição e a vontade de fazer sempre algo a mais. Na verdade, é disso que a educação passará a sobreviver nos próximos tempos: da boa vontade de cada professor.
Durante todo o ano de 2018, tivemos muitas e sérias dificuldades, como interrupção dos serviços elétricos e/ou hidráulicos e alagamentos no período das chuvas, o que causaram danos consideráveis nos materiais da biblioteca, de informática e na própria estrutura da escola. Em outros dias faltava água, recursos para a reprodução das avaliações, ventiladores para uma melhor sensação térmica nas salas de aula. Além desses fatores, houve momentos de paralisação aos quais nós, professores, aderimos na luta por condições dignas de trabalho. De modo que tudo isso representou interrupções no andamento das atividades da instituição como um todo e, mais especificamente, no desenvolvimento das atividades propostas para a turma escolhida.
De qualquer maneira, a semente foi plantada. E alguns casos ela já foi colhida. Não somente pelas aprovações na escola, nas referentes ao ENEM ou na seleção de estudantes ―da casa‖ em um concurso nacional de poesias. Se hoje eu, a professora Vânia Pinheiro, a Tia Vaninha dos meus alunos, estou diante desta honrosa escolha chamada educação, de certo foi porque a professora Estela Bispo semeou algo em mim. Lado a lado, como colegas de profissão e disciplina na mesma escola, vemos os alunos, que foram ―dela‖ no ensino fundamental e ―meus‖ no médio, adentrar pelas portas da escola não só como visita, mas como estagiários pois escolheram também a docência: a educação humanizada funciona.
A escolha de levar a leitura literária para a sala de aula nesses tempos em que a tecnologia toma conta do nosso dia a dia, em que nossas crianças/adolescentes vivem num mundo midiático, virtual, onde luz, movimento, cor e ação atraem o telespectador e desqualificam cada vez mais os afazeres do leitor, não é uma tarefa simples e, portanto, exige- se mais do professor que tem o papel – que muitas vezes nossos alunos não encontram no seio familiar – que é o de despertar o gosto pela leitura.
Tem sido difícil tentar convencer os nossos alunos que não se pode substituir uma experiência de leitura plena por um ―touch‖ na tela do celular, em se tratando do trabalho com prosa e poesia. De que os livros não são iguais as suas obras de adaptação, eles estão fartos de saber. Mas a tentação de expectar algo pronto, sem a necessidade de desenvolver uma reflexão crítica sobre o que se está lendo, acaba vencendo a curiosidade desse discente. Se considerarmos as inúmeras limitações e ausências pelas quais nossos alunos passam, muitas vezes, viver por trás da tela de um smartphone é o que lhes resta.
Não se forma um leitor/escritor com imposição nem nota. Não se forma um leitor em apenas uma série do ensino médio, principalmente na última delas. Mas a semente pode e deve ser plantada. Daí concluir-se que em ambiente favorável, onde a literatura é apresentada aos sujeitos, sem restrições nem imposições, o leitor exerce com mais autonomia e fascínio a prática da leitura, transformando o ato de ler num relacionamento espontâneo, dialógico e afetivo com o texto. Desse modo, além de ultrapassar a fronteira da mera decifração dos signos linguísticos, começa a delinear uma nova visão de mundo e de leitura.
Cinco minutos de poesia, antes de qualquer aula, talvez não façam falta. Este tempo talvez não seja o suficiente para que nasça um poeta de nossas aulas. Mas de certo o contato com essa linguagem tornará o educando mais sensível quanto à compreensão do mundo e de si próprio. Aqui talvez esteja a resposta para as receitas milagrosas desejadas pela escola: quem forma o leitor é o leitor, seja ele parente ou professor.
Leitores formando leitores. Leitores formando-se escritores. Leitores e escritores: essa é a matéria essencial da Sociedade dos Poetas Vivos da Escola Santos Dumont. Reconhecendo que a educação tem um compromisso com a formação e o desenvolvimento humano global, em suas dimensões intelectual, física, afetiva, social, ética, moral e simbólica, os alunos participantes desse projeto foram convidados a valorizar e utilizar os conhecimentos historicamente construídos sobre o mundo físico, social, cultural e digital para entender e explicar a realidade, continuar aprendendo e colaborar para a construção de uma sociedade justa, democrática e inclusiva.
Utilizando diferentes linguagens – verbal (oral ou visual-motora, como Libras, e escrita), corporal, visual, sonora e digital –, bem como conhecimentos das linguagens artísticas, cada aluno pode se expressar e partilhar informações, experiências, ideias e sentimentos em diferentes contextos e produzir sentidos que levem ao entendimento de suas produções literárias.
Valorizando ainda a diversidade de saberes e vivências culturais e apropriando-se de conhecimentos e experiências que lhes possibilitaram entender as relações próprias do mundo
do trabalho e fazendo escolhas alinhadas ao exercício da cidadania e ao seu projeto de vida- com liberdade, autonomia, consciência crítica e responsabilidade, através da escrita de poesias, os alunos foram convidados a refletir sobre sua vida e saúde emocional, compreendendo-se na diversidade humana e reconhecendo suas emoções e as dos outros, com autocrítica e capacidade para lidar com elas.
Houve também amplo incentivo ao exercício da empatia, do diálogo, e da resolução de conflitos e da cooperação, do respeito ao outro e aos direitos humanos, do acolhimento e da valorização da diversidade de indivíduos, combatendo os preconceitos de qualquer natureza.
Foram ainda arrecadados 775 novos títulos literários para a biblioteca da escola (através de uma gincana literária), doados 231 títulos para instituições de ensino infantil e revitalizadas 6 espaços de convivência escolar, promovendo o agir pessoal e coletivo com autonomia, responsabilidade, flexibilidade, resiliência e determinação, na tomada de decisões com base em princípios éticos, democráticos, inclusivos, sustentáveis e solidários.
―A vida não se resolve com palavras‖ nos disse sabiamente João Cabral de Melo Neto, mas é a sina do poeta tentar:
Severina, eu?
— O meu nome é Vânia Pinheiro, mas tenho outro de pia,
Como há muitas Vânias Pinheiro, Mas nenhuma santa de romaria, Meus alunos me chamam mesmo é De tia Vaninha
A professora da poesia. Parece coisa estranha Um monte de caboco barbado E moça acinturarada
Chamando a professora de Tia. Mas se lhe é de alguma valia Afirmo que é carinho Todo mundo gosta
E você também bem que queria. Mais isso ainda diz pouco: há muito mais na nossa alegria, inventamos de falar
Fazer e viver de poesia. Eu sei que agora lhe assustei Com tamanha ousadia ―Poesia é coisa difícil‖
Não combina com a vida Severina. João Cabral desmentiu isso E nós ainda com essa cisma besta Em sua rima cabia tudo
Tudo em uma mesma estrofe. Tudo misturadinho
Porque assim mesmo é a nossa vida: A gente não acha a saída
Mas segue em frente pra bater a cabeça na parede. A gente não sabe quão forte é
Até que ser forte seja o a única coisa que há pra se ser. A morte eu já conheço
e a vida já foi mais Severina de tudo o pouco que fica dessa sina é saber que não há peleja
que perdi por não tentar ou por covardia. Severina, eu? Sou sim, senhor! De longe vim
E mais longe cheguei... E alguns dias, pouco dormi Em outros nem acordei.
E então aqui cheguei com meu medo E minha coragem de menina.
O meu nome é Vaninha de Dalva e Elias. Da mãe herdei os livros e o giz
Do pai os calos nas mãos e o choro fácil. Herdei também a coragem pro recomeço E a indignação pra injustiça.
Os pés sujos de barro e os ombros corados da roça: ―Quem planta colhe‖
Repito pros meus meninos, Quase todos os dias. Plantando poesia colhi força Pra seguir essa romaria Chamada sobreviver Que muito mais sobre viver, Do que ter com que se viva. É sobre como cheguei até aqui Que esses versos falam
E há outros que somente me calam. Satisfação prosear com você! E se mesmo assim,
Se passares por mim
e não conseguires me reconhecer Podes me chamar de Vânia, mais uma orgulhosa Severina que se despede de você.
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ANEXOS
ANEXO A - FOTOGRAFIAS E IMAGENS DIVERSAS
FIGURA 1 - Digitalização da abordagem didática sobre o autor modernista João Cabral de Melo Neto e a sua obra Morte e Vida Severina.
Fonte: Língua portuguesa: linguagem e interação/ Faraco, Moura, Maruxo Jr. 3ªed. São Paulo: Ática, 2016, p. 265.
FIGURA 2 - Digitalização da abordagem didática sobre o autor modernista João Cabral de Melo Neto e a sua obra Morte e Vida Severina.
Fonte: Língua portuguesa: linguagem e interação/ Faraco, Moura, Maruxo Jr. 3ªed. São Paulo: Ática, 2016, p. 266.
FIGURA 3 - Digitalização da abordagem didática sobre o autor modernista João Cabral de Melo Neto e a sua obra Morte e Vida Severina.
Fonte: Língua portuguesa: linguagem e interação/ Faraco, Moura, Maruxo Jr. 3ªed. São Paulo: Ática, 2016, p. 267.
FIGURA 4 - Página oficial do projeto Sociedade dos poetas vivos - SD.
Fonte: Captura da tela disponível em: <www.facebook.com/SociedadepoetasvivosSD> acesso em 18 de novembro de 2018.
FIGURA 5 - Alunos mandam seus poemas e poesias para a página oficial do projeto Sociedade dos poetas vivos- SD.
Fonte: Captura da tela disponível em : <www.facebook.com/SociedadepoetasvivosSD> acesso em 18 de novembro de 2018.
FIGURA 6 - Pôster de divulgação do Festival Literário 2018. Org-pelo projeto Sociedade dos poetas vivos- SD.
FIGURA 7 - Festival literário 2018 (Faixa festiva feita por um pai de um aluno do projeto Sociedade dos poetas vivos- SD).
Fonte: Garcia (setembro/2018).
FIGURA 8 - Festival literário 2018 (Ornamentação feita pelos alunos participantes do Projeto Sociedade dos poetas vivos- SD).
FIGURA 9 - Festival literário 2018 (Alunos encenam uma composição poética sobre o poema peça Morte e vida Severina do autor João Cabral de Melo Neto).
Fonte: Garcia (setembro/2018).
FIGURA 10 - Festival literário 2018 (Alunos encenam uma composição poética sobre o poema peça Morte e vida Severina do autor João Cabral de Melo Neto).
FIGURA 11 - Festival literário 2018 (Alunos encenam uma composição poética sobre o poema peça Morte e vida Severina do autor João Cabral de Melo Neto).
Fonte: Garcia (setembro/2018).
FIGURA 12 - Festival literário 2018 (Alunos encenam uma composição poética sobre o poema peça Morte e vida Severina do autor João Cabral de Melo Neto).
FIGURA 13 - Festival literário 2018 (Alunos encenam uma composição poética sobre o poema peça Morte e vida Severina do autor João Cabral de Melo Neto).
Fonte: Garcia (setembro/2018).
FIGURA 14 - Festival literário 2018 (Alunos encenam uma composição poética sobre o poema peça Morte e vida Severina do autor João Cabral de Melo Neto).
FIGURA 15 - Festival literário 2018 (Alunos encenam uma composição poética sobre o poema peça Morte e vida Severina do autor João Cabral de Melo Neto).
Fonte: Garcia (setembro/2018).
FIGURA 16 - Festival literário 2018 (Banda formada por alunos e professores colabora na apresentação de uma composição poética sobre o poema peça Morte e vida Severina do autor
João Cabral de Melo Neto).
FIGURA 17 - Festival literário 2018 (Alunos encenam uma composição poética sobre o poema peça Morte e vida Severina do autor João Cabral de Melo Neto).
Fonte: Garcia (setembro/2018).
FIGURA 18 - Festival literário 2018 (Alunos encenam uma composição poética sobre o poema peça Morte e vida Severina do autor João Cabral de Melo Neto).
FIGURA 19 - Festival literário 2018 (Alunos encenam uma composição poética sobre o poema peça Morte e vida Severina do autor João Cabral de Melo Neto).
Fonte: Garcia (setembro/2018).
FIGURA 20 - Festival literário 2018 (Alunos encenam uma composição poética sobre o poema peça Morte e vida Severina do autor João Cabral de Melo Neto).
FIGURA 21 - Festival literário 2018 (Alunos encenam uma composição poética sobre o poema peça Morte e vida Severina do autor João Cabral de Melo Neto).
Fonte: Garcia (setembro/2018).
FIGURA 22 - Festival literário 2018 (Alunos encenam uma composição poética sobre o poema peça Morte e vida Severina do autor João Cabral de Melo Neto).
FIGURA 23 - Festival literário 2018 (Alunos encenam uma composição poética sobre o poema peça Morte e vida Severina do autor João Cabral de Melo Neto).
Fonte: Garcia (setembro/2018).
FIGURA 24 - Festival literário 2018 (Alunos encenam uma composição poética sobre o