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Outras fontes e afluentes das CEBs

CAPÍTULO I ORIGEM DAS CEBs NO BRASIL

1.2 Outras fontes e afluentes das CEBs

Algumas experiências significativas foram realizadas antes do Concílio Vaticano II e que desaguarão nas Comunidades Eclesiais do Brasil. Elas são abordadas com detalhes por Teixeira (1988). São apontadas aqui somente naquilo que considerei suas grandes linhas: a experiência da catequese popular de Barra do Piraí acompanhada por Dom Agnelo Rossi, em 1956, quando se “lançou mão da hipótese de aproveitamento dos leigos para a formação de catequistas populares” (TEIXEIRA, 1988, p.56) e o Movimento de Natal animado por Dom Eugênio Sales “como sendo o conjunto de atividades sociais e religiosas desenvolvidas pela diocese de Natal a partir de 1948”, quando se iniciam atividades sistemáticas no sentido de combater a miséria e o subdesenvolvimento presentes no Nordeste” (p.60).

O movimento da Ação Católica Brasileira que se inscreve entre os movimentos que propiciaram um clima de grande abertura eclesial no país contribui para a presença atuante do leigo católico na vida pública e social. O movimento foi oficializado no Brasil em 1935. Sua ação conquista maior força político-social e visibilidade com pe. Helder Câmara, então assistente social da Ação Católica quando o movimento passa a se desdobrar segundo o meio social de atuação: meio rural (Juventude Agrária Católica – JAC; meio urbano Juventude Estudantil Católica – JEC; Juventude Independente Católica – JIC; Juventude Operária Católica – JOC e Juventude Universitária Católica – JUC). Resumindo, pode-se dizer que a Ação Católica, com mais de vinte anos de trabalhos no país, “teve como principal tarefa preparar o terreno e abrir espaço para uma participação social e política dos cristãos”. A Ação Católica Especializada colocou de fato em prática o método ver, julgar e agir, dinamizando-o no sentido de uma atuação significativamente crítica e transformadora.” (TEIXEIRA, 1988, p. 94)37. Esse método, mais tarde, seria o motor dinamizador das Comunidades Eclesiais de Base no Brasil.

Segundo a literatura católica existente, o método consiste em “ver” criticamente a realidade, identificando os problemas que afetam a vida; “julgar” numa avaliação da realidade tendo como critério os valores do Evangelho, a Doutrina Social da Igreja e a ética inspirada nos valores do Evangelho e “agir” concretamente visando ao enfrentamento e superação dos problemas identificados, no caso pelos integrantes da CEB.

O Movimento de Educação de Base (MEB) consiste num dos movimentos mais amplos empreendidos pela Igreja no campo da educação popular. Ele iniciou na diocese de Natal, em 1958, com uma experiência de alfabetização e de conscientização política pelo rádio, visando atingir populações carentes. Pela importância que foi adquirindo o movimento foi assumido pela Conferência dos Bispos do Brasil em parceria com o governo federal. Teixeira (1988) lembra que o MEB serviu-se do método Paulo Freire, porque esSe sistema “buscava a conscientização”, questionava qualquer possibilidade de uma “educação mecânica” e “possibilitava a alfabetização” contextualizada (p.101).

Do MEB, as Comunidades Eclesiais de Base dotaram métodos e valores como a prática da educação de base, o desenvolvimento da consciência crítica a partir da

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Neste período a Igreja Católica de Lages “continua sob a orientação pastoral e administrativa de Dom Daniel Hostil, que somente vai receber um Bispo coadjutor (Dom Afonso Niehues) em 1959 (30 anos depois). Os ventos da ação católica continuam a soprar ao largo dos pampas da Região Serrana, a forte cortina quebra-vento, que continua com sua base principal nos padres franciscanos, não permite que a JOC – Juventude Operária Católica, ou JAC – Juventude Agrária Católica, por exemplo, se formasse” (MUNARIM, 1990, p.101).

realidade do sujeito, o engajamento político, a organização do grupo popular, a criatividade e o papel do animador local, desenvolvendo uma cultura que iria influenciar fortemente a ação do sujeito religioso profissional e o animador de uma CEB. Finalmente, o Movimento por um Mundo Melhor (MMM), de origem européia adaptado no Brasil na década de 1960.

Teixeira (idem) lembra que as contribuições do MMM se deram na direção da adaptação da pastoral da Igreja às exigências do presente e à dinamização das obras pastorais existentes. O MMM convocava os agentes para a formação permanente e a ação pastoral colegiada, com enfoque na dimensão social da pastoral. Mantinha um efetivo programa de renovação da paróquia e do planejamento pastoral, com ênfase para a elaboração dos planos pastorais da CNBB, cuja organização a partir de 1962 passou a elaborar colegiadamente seus planos nacionais, desdobrados em Planos de Emergência e em Planos de Pastoral de Conjunto (p.115). Sabe-se que o Plano de Pastoral de Conjunto abriu um novo espaço para a prática pastoral no Brasil. Ele proporcionou, sobretudo, com Dom Helder Câmara, o fundador da CNBB (1953), uma consciência mais ampla de Igreja. Para o caso concreto das Comunidades Eclesiais de Base, os elementos mais significativos foram “aqueles relacionados à valorização do leigo e à consideração das CEBs como sendo lugares privilegiados de testemunho, aprofundamento e celebração da fé” (p.124).

Ou seja, foram os Planos Pastorais de Conjunto (PPC) da CNBB dos primeiros anos da década de 1960 que incorporaram as CEBs no catolicismo brasileiro. Nesse sentido, estes PPCs e as CEBs já se adiantavam às diretrizes doutrinárias e pastorais do Concílio Vaticano II. Do ponto de vista ideológico, como analisa Steil (1998), havia na Igreja Católica a previsão de que o processo de secularização era irreversível. Isto motivou a Igreja, especialmente a partir do Vaticano II, a firmar um acordo com a modernidade secular, traduzido no Brasil por um programa educativo essencialmente secular e político nos anos 60. A missão eclesial se desloca, neste período, do culto e do policiamento do sagrado para o campo educativo. Os setores mais dinâmicos do clero e do laicato, na sua maioria ligados à Ação Católica, serão as lideranças que, nos anos 70 e 80, serão encontradas à frente das CEBs, atuando como assessores e agentes de pastoral.