• Nenhum resultado encontrado

Outros direitos importantes

No documento Direito do Consumidor (páginas 24-28)

Dando continuidade à análise de mais alguns direitos básicos inerentes à figura do consumidor, passaremos agora para a análise do direito à proteção contratual, previsto no Artigo 6°, inciso V, do Código de Defesa

do Consumidor, que estabelece como direito básico “V - a modificação das cláusulas contratuais que estabeleçam prestações desproporcionais ou sua revisão em razão de fatos supervenientes que as tornem excessivamente onerosas; [...]”. De acordo com esse direito, após realizada uma compra, o consumidor pode reavaliar cláusulas contratuais que estejam estabelecendo prestações desproporcionais (quando começam a cobrar valores exorbitantes e acima do que era devido, por exemplo), ou que, por fatos supervenientes tornaram-se excessivamente onerosas.

Dessa forma, quando da realização de um contrato, o Código de Defesa do Consumidor busca amparar o consumidor quando determinadas cláusulas não forem cumpridas ou, ainda que cumpridas, sejam excessivamente prejudiciais ao consumidor. Assim, o consumidor tem o direito de que tais cláusulas sejam anuladas ou modificadas por um juiz, a depender do caso concreto e da devida análise do contrato em comento.

Ainda, podemos citar também como um direito básico do consumidor a reparação de danos, previsto no Artigo 6°, inciso VI, que dispõe ser direito básico do consumidor “VI - a efetiva prevenção e reparação de danos patrimoniais e morais, individuais, coletivos e difusos;

[...]”. O consumidor tem direito a uma indenização por reparação de danos, sejam eles materiais ou morais. Assim, caso o consumidor tenha sido prejudicado em virtude da venda de determinado produto ou serviço, tem o direito de ser indenizado por tal prejuízo, inclusive por danos morais.

Exemplo: Um exemplo bastante discutido diz respeito ao fato de que quando um consumidor leva seu animal de estimação a determinado pet shop, e o animal é, de alguma maneira, lesionado. Vamos explicar melhor. Quando uma cliente leva seu cão ao pet shop para que seja realizada uma tosa e, ao chegar para buscá-lo, se depara com o animal machucado em virtude de um erro dos funcionários, por exemplo, essa consumidora tem o direito a uma indenização por danos materiais e até morais em virtude do dano que sofreu.

SAIBA MAIS

Inclusive, sobre o tema, a indenização por danos morais em virtude de acidente com animal de estimação dentro do ambiente do pet shop ainda é motivo de polêmicas.

Contudo, em recente decisão da 18° Câmara Cível do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG), o pet shop foi condenado a indenizar a dona de um cãozinho no valor de R$ 5.000,00 (cinco mil reais) por danos morais, considerando que o animal sofreu um corte na região abdominal durante o serviço de tosa. Entre os vários argumentos utilizados pelo magistrado quando da tomada da sua decisão, está o fato de que, segundo ele, os animais de estimação hoje em dia são tratados como verdadeiros entes familiares e, por essa razão, a falha na prestação do serviço e consequente dano físico causado ao animal pode sim gerar um sofrimento para a dona do animal e, assim, configurar danos morais passíveis de indenização. A matéria completa com a respectiva movimentação processual pode ser acessado por meio do link a seguir: https://www.tjmg.jus.br/portal- tjmg/noticias/pet-shop-deve-indenizar-proprietaria-de-cao.htm#.X4joZtBKjos.

Para além dos direitos elencados até aqui, podemos citar ainda o direito de acesso à justiça, previsto no Artigo 6°, inciso VII, do CDC, dispondo ser direito básico do consumidor o seguinte:

Art. 6º São direitos básicos do consumidor:

[...]

VII - o acesso aos órgãos judiciários e administrativos com vistas à prevenção ou reparação de danos patrimoniais e morais, individuais, coletivos ou difusos, assegurada a proteção Jurídica, administrativa e técnica aos necessitados.

(BRASIL, 1990)

O acesso à justiça garante que, quando o consumidor se sinta de alguma maneira lesado pelo fornecedor, seja em virtude de publicidade enganosa, algum dano causado ao cliente, falta de informação correta e completa sobre determinado produto ou qualquer outro inconveniente que não consiga ser resolvido com um acordo entre as partes, o consumidor tenha o direito de acionar a justiça para ver seus direitos garantidos e, de alguma maneira, ser ressarcido em virtude dos danos que porventura tenham ocorrido. Assim, pode o consumidor recorrer à justiça para que o juiz, a depender do caso concreto, determine ao fornecedor que cumpra e respeite com os direitos que são assegurados e inerentes a figura do consumidor.

O Artigo 6°, inciso VIII, do Código de Defesa do Consumidor, estabelece como outro direito básico o seguinte:

Art. 6º São direitos básicos do consumidor:

[...]

VIII - a facilitação da defesa de seus direitos, inclusive com a inversão do ônus da prova, a seu favor, no processo civil, quando, a critério do juiz, for verossímil a alegação ou quando for ele hipossuficiente, segundo as regras ordinárias de experiências. (BRASIL, 1990)

O direito à facilitação da defesa deve ser entendido levando em consideração que, em virtude da vulnerabilidade do consumidor, este encontra muitos empecilhos para comprovar algum dano que lhe tenha sido causado, de maneira que nesta facilitação é permitido, a depender do caso concreto, que seja invertido o ônus da prova. Assim, o consumidor fica mais protegido na medida em que quando da necessidade de busca por seus direitos de forma judicial, por exemplo, o processo judicial seja menos burocrático, mais rápido e justo para o consumidor.

Por fim, podemos citar ainda o direito à qualidade dos serviços públicos, previsto como direito básico do consumidor disposto no Artigo

6°, inciso X, que traz como direito “X - a adequada e eficaz prestação dos serviços públicos em geral.” Dessa forma, o consumidor tem o direito de ser bem atendido por órgãos públicos ou empresas concessionárias desses serviços.

Apresentamos aqui alguns dos direitos básicos presentes no Artigo 6° do Código de Defesa do Consumidor, mas que não se esgotam apenas neste artigo, considerando que há outras regras em toda a legislação consumerista que também servem de base para nortear as condutas a serem tomadas pelo fornecedor como forma de garantir os direitos dos consumidores.

No documento Direito do Consumidor (páginas 24-28)

Documentos relacionados