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CONTINUADA DE PROFESSORES

4. PARA FINALIZAR

Consideramos que a busca pela inclusão do educando com necessidades educacionais especiais conduz a uma série de mudanças nos padrões de funcionamento da escola, seja em termos pedagógicos, organizacionais e/ou estruturais. Encerramos nosso pensamento com a hipótese de que a realização de uma pesquisa-colaborativa desponta como estratégia capaz não apenas de investigar/descrever as práticas professorais, mas também, de promover mudanças nas mesmas, explicitando e intervindo em processos de desenvolvimento profissional de professores em situação de inclusão.

Não se trata da crença ingênua de que a pesquisa irá dar conta das inúmeras demandas advindas da realidade inclusiva, mas de centrar esforços em prol da renovação das práticas escolares, conferindo ao professor, maior autonomia profissional para que consiga lidar, mais e melhor, com os problemas pedagógicos que surgem no âmbito escolar. Trata-se, ainda, de se construir um caminho de “mão dupla”, caracterizado pelo compartilhamento de experiências e de saberes, ao invés da sua hierarquização.

Daí concebermos uma formação continuada centrada na escola, que organize os professores em grupos de discussão e ações crítico-reflexivas, valorizando a trajetória de vida e profissional, e dando um novo status ao saber da experiência, desconsiderado, via de regra, dos programas de formação. A despeito dos supostos impasses, levantados nesse texto, acreditamos que um fator de motivação para os professores continuarem se empenhando em sua aprendizagem é a possibilidade de contatarem com seus pares, dividindo com eles, suas angústias, ansiedades, sucessos e insucessos vivenciados na prática inclusiva.

Entendemos que o movimento inicial da pesquisa, no qual buscamos uma aproximação das necessidades e dificuldades dos professores em relação à inclusão de alunos com deficiência na classe regular, é fator crucial para o delineamento das estratégias a serem vivencias pelo grupo, bem como, para a instauração de um trabalho colaborativo-participativo, visando o aprimoramento de todos, professores e pesquisadores.

5. REFERÊNCIAS

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CANÁRIO, Rui. A escola tem futuro? Das promessas às incertezas. Porto Alegre: Artmed, 2006. FREIRE, M. O papel do registro na formação do educador. Disponível em: http://

www.pedagogico.com.br/info8a2.html. Acesso em: 28/01/2007.

FREIRE, P. Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática educativa. São Paulo: Paz e Terra, 2003.

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MANTOAN, M. T. E. Inclusão escolar: o que é? Por quê? Como fazer? São Paulo: Moderna, 2003. (Coleção cotidiano escolar).

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MELO, F. R. L. V de.; et al. Experiências de intervenção em prol da inclusão de alunos com paralisia cerebral: constatações a partir de uma pesquisa-ação. In: MARTINS, L. A. R.; et al (Orgs.). Inclusão: compartilhando saberes. Petrópolis, RJ: Vozes, 2006.

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MIZUKAMI, M. G. N. et al. Escola e aprendizagem da docência: processos de investigação e formação. São Carlos: EdUFSCar, 2003.

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TARDIF, M. Saberes docentes e formação profissional. 4. ed. Petrópolis: Vozes, 2004. NOTAS

1 Referindo-se à primeira autora.

2 Para fins deste artigo a expressão “escola inclusiva” será utilizada em designação àquela instituição de ensino que recebe, em seu

interior, alunos com necessidades educacionais especiais e/ou com deficiência, tendo como propósito, a inclusão dos mesmos nas classes do ensino regular, não competindo-nos julgar, nesse espaço, o alcance de tal proposta.

INTRODUÇÃO

O objetivo desta pesquisa é analisar o trabalho pedagógico desenvolvido no ensino médio para alunos com deficiência física e auditiva, em sala de ensino regular, em duas escolas da rede estadual, na Região Metropolitana de Campinas. Considera-se, neste estudo, o acesso, a permanência e a apropriação do conhecimento desses educandos. A pesquisa fundamenta-se na abordagem qualitativa, e os dados serão analisados a partir de um referencial teórico histórico- crítico, onde a história da educação e as políticas educacionais embasam o estudo. Como procedimento metodológico, foram aplicados questionários (perguntas semi-estruturadas) aos vinte quatro professores e foram entrevistados quatro alunos com deficiência, que relatam suas vivências sobre o cotidiano escolar. A pesquisa pretende trazer reflexões sobre as possibilidades de trabalho pedagógico com os alunos do ensino médio, deficientes ou não.

A HISTÓRIA DA EDUCAÇÃO

A educação2 praticada hoje nas escolas públicas3, assim como o movimento da

educação inclusiva4, é resultado de um processo histórico.

As primeiras escolas públicas mantidas pelo Estado5 nasceram no século XVIII,

quando surgem os sistemas nacionais de educação ligados aos processos político-sociais de consolidação dos Estados nacionais europeus.

No século XVIII a educação pública sofre influência de dois fatos históricos importantes: A Revolução Francesa e a Revolução Industrial.

Foi na Revolução Francesa, 1789 , sob a liderança da burguesia, que surgiram as primeiras reivindicações de direito à escola democrática: pública, laica e gratuita. O Estado Burguês, com intuito de consolidar a revolução, precisava tirar o povo da condição de súdito para elevá-lo à condição de cidadão, então via na “escolarização um dos veículos prioritários na construção da nacionalidade” (BOTO, 2003), assim, nesse primeiro momento, houve interesse em uma educação universal. Tal interesse, no entanto, acabou sendo desviado para difundir uma concepção única de mundo e estabelecer a nova ordem social. No discurso da igualdade, o Estado democrático liberal dissimulava suas verdadeiras intenções e as reais relações de classe; e a

O ALUNO COM DEFICÊNCIA NO ENSINO