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RESULTADOS E DISCUSSÕES

4.6 Complete as frases abaixo:

4.6.2 Para mim, o aluno aprendeu bem quando ele

Quando questionados sobre “Para mim o aluno aprendeu, quando ele...” constrói-se a TAB. 42 pensando nas tendências pedagógicas do processo educativo. Dessa forma, obtém- se 21 (11,4%) dos sujeitos que se encontram em uma abordagem comportamentalista, 19 (10,3%) em uma abordagem cognitivista, 53 (28,8%) em uma abordagem humanista, 34 (18,5%) em uma abordagem sociocultural, 44 (23,9%) em uma abordagem tradicional e 13 (7,1%) não responderam a frase.

Tabela 42: Tendências pedagógicas do processo educativo.

Tendências pedagógicas do processo educativo Frequência Percentagem

1. Abordagem comportamentalista 21 11,4 2. Abordagem cognitivista 19 10,3 3. Abordagem humanista 53 28,8 4. Abordagem sociocultural 34 18,5 5. Abordagem tradicional 44 23,9 6. Não respondeu 13 7,1 Total 184 100,0

Fonte: Instrumento de pesquisa.

Sobre os dados da TAB. 42, percebe-se que as respostas de maior incidência diz respeito à concepções totalmente opostas, mostrando que os sujeitos estão ainda bem divididos em suas condutas sobre as tendências pedagógicas assumidas em sala de aula. Enquanto 53 (28,8%) dos sujeitos consideram que o aluno aprendeu levando-se em consideração a abordagem humanista, ou seja, com foco no aluno como centro do processo educativo, é alto o número de sujeitos, 44 (23,9%), que ainda veem o ensino focado no professor como detentor do conhecimento, assumindo uma postura tradicional.

De acordo com Mizukami (1986), a prática escolar está sujeita a condicionantes de ordem sociopolítica que implicam em diferentes concepções de sociedade, homem e mundo e, consequentemente, em diferentes pressupostos sobre o papel da escola, do ensino, da aprendizagem, entre outras. É importante que o professor conheça tais abordagens do processo educativo para sua conduta em sala de aula, contudo nem sempre isso é possível.

Nas palavras de Freire (2011, p. 24), “a reflexão crítica sobre a prática se torna uma exigência da relação teoria/prática sem a qual a teoria pode ir virando blábláblá e a prática, ativismo”. Ou seja, ninguém ensina aleatoriamente, sem uma concepção de mundo e sociedade, sendo tais conceitos essenciais à prática crítica-educativa.

Para Mizukami (1986), o estudo acerca das diferentes linhas pedagógicas, tendências ou abordagens oferecem diretrizes à ação docente, mesmo considerando que a elaboração que cada professor faz delas é individual e intransferível. A postura dos professores em sala de aula tem influência nesses pressupostos teóricos, explícita ou implicitamente.

4.6.2.1 Abordagem comportamentalista

No que se refere a essa categoria, 21 (11,4%) dos sujeitos se baseiam na abordagem comportamentalista para o processo de ensino e aprendizagem de seus alunos, assim descritos a seguir:

Está na profissão. (S-23)

Consegue transformar conhecimento da sala de aula na prática jornalística. (S-42)

Consegue operar praticamente com o que aprendeu conceitualmente. (S-95) Consegue aplicar o conhecimento. (S-141)

Nessa concepção de ensino, a experiência ou experimentação planejada é a base dele. “Ensinar consiste, assim, num arranjo e planejamento de contingência de reforço, nos quais os estudantes aprendem a aquisição do conhecimento” (MIZUKAMI, 1986, p. 30). Por conta disso, “o professor tem a responsabilidade de planejar e desenvolver o sistema de ensino e de aprendizagem, maximizando o desempenho do aluno e considerando fatores de tempo, esforços e custos” (MAIA; SHCEIBEL; URBAN, 2009, p. 72).

Assim, o conteúdo transmitido visa objetivos e habilidades que levem à competência e o aluno é considerado como um recipiente de informações e reflexões, treinados a desenvolver certas habilidades, prontos para atuar no mercado de trabalho.

4.6.2.2 Abordagem cognitivista

Dos 184 respondentes, 19 (10,3%) dos sujeitos lecionam com uma abordagem cognitivista, conforme relatos feitos pelos pesquisados:

Se envolve no processo de aprendizagem. (S-90) Compreende, avalia, interage. (S-96)

Participa, questiona, produz conhecimento e dá retorno positivo. (S-147)

De acordo com Mizukami (1986, p. 59), na abordagem cognitivista há ênfase na capacidade do aluno integrar informações e processá-las. “Este tipo de abordagem é predominantemente interacionista em que o conhecimento é visto como uma construção contínua”. Piaget é considerado um dos propulsores dessa tendência. Segundo Malrieu (1974), Piaget considera o indivíduo como um sistema aberto que vai-se construindo a cada novo momento em busca cada vez mais do racional, da crítica, capaz de mudá-lo e ao meio onde vive.

Para essa corrente pedagógica, a Educação não é vista como transmissão de informação e verdades, mas aquela que o aluno aprende por si mesmo a verificar as informações e que ao mesmo tempo repense e as recrie de forma real, tendo como meta final a autonomia intelectual.

A escola oferece ao aluno a oportunidade de aprender por si só e Malrieu (1974) acrescenta que o professor deve ser um orientador para os alunos, um instigador, fazendo com que os alunos aprendam por si mesmo, porém sem abandoná-los. Assim, o professor deve ser atento aos passos de aprendizagem dos alunos, propor-lhes questões, provocar situações onde eles reflitam e estejam abertos para descobrir e apreender.

4.6.2.3 Abordagem humanista

Baseados em uma abordagem humanista, 53 (28,8%) dos sujeitos relatam lecionar por essa tendência pedagógica com seus alunos, demostrados abaixo:

É capaz de criar seu próprio caminho para a produção teórica e prática. (S-9) É capaz de formular suas próprias perguntas e respostas. (S-17)

Pensa por si mesmo. (S-30)

Conquista autonomia sobre o próprio conhecimento e quer aprender cada vez mais. (S-77)

Sobre a abordagem humanista, entende-se que o enfoque central é o aluno. Mizukami (1986) acrescenta que, nessa tendência, a ênfase se dá nas relações interpessoais e no crescimento que delas resulta centrado no desenvolvimento da personalidade do indivíduo. Assim, o professor em si não transmite conteúdo, mas dá assistência, sendo um facilitador da

aprendizagem. Outra qualidade apontada por Rogers (1972) diz respeito ao apreço, aceitação e confiança no aprendiz.

Dessa forma, o processo de ensino depende do caráter individual do professor, como ele se inter-relaciona com o aluno, na possibilidade de oferecer o autoconhecimento construído de forma pessoal e subjetiva no decorrer do processo. É imprescindível a postura do professor como um facilitador da aprendizagem, sem imposição, no caminho da construção do conhecimento.

4.6.2.4 Abordagem sociocultural

Para 34 (18,5%) dos professores pesquisados, o aluno aprende sob o aspecto da abordagem sociocultural, confirmadas nas falas a seguir:

Nas atividades práticas reconhece a teoria e a passa a conviver com o mundo de uma forma muito mais crítica e esclarecida. (S-18)

É capaz de compreender a realidade e atuar de forma cidadã. (S-46)

Elaborou seu próprio raciocínio, dialogando com os conteúdos, buscando indagar ou aproximá-los das suas vivências/realidade. (S-131)

Consegue refletir sobre a importância do que vai fazer e de como isso afeta a sociedade. (S-137)

Na tendência sociocultural eliminam-se as raízes autoritárias em que alunos e professores ensinam e aprendem em forma de diálogo, não há imposição no processo de ensino e aprendizagem, nem transmissão de conteúdo. Segundo Freire (2011), é papel do professor conscientizar seus alunos sobre o mundo e a realidade em que se vive, criando uma pedagogia voltada para a prática histórica do real.

Assim, observa-se as respostas dos sujeitos mencionadas acima em que se percebe que educandos e educadores são vistos de uma forma horizontal, em que os alunos assumem a posição de sujeitos de sua própria educação. Ainda para Freire (2011), o professor desmitifica e questiona seus alunos, criando condições para que cada um deles analise seu contexto, sendo possível modificar sua própria realidade.

Dessa forma, é possível contribuir para a democratização da cultura, por meio do diálogo e de uma relação horizontal entre professor e alunos.

4.6.2.5 Abordagem tradicional

Sobre essa subcategoria, 44 (23,9%) dos sujeitos responderam que os alunos aprendem quando estão inseridos em uma abordagem tradicional, assim demonstradas nas falas abaixo:

Consegue falar com fluência e domínio sobre o que estudou. (S-35) Soube reproduzir melhor. (S-91)

Possui um bom entendimento do tema e consegue formalizar e articular verbalmente o conhecimento adquirido. (S-153)

Na abordagem tradicional, o ensino é centrado no professor, que é o detentor do conhecimento, e o aluno apenas absorve o conteúdo que lhe é transmitido. De acordo com Snyders (1974), o tipo de ensino é voltado para o externo do aluno como o programa, a disciplina, o professor, sendo o aluno um mero espectador que realiza somente o que lhe é mandado, por uma autoridade maior que é o professor.

De acordo com as respostas obtidas acima, percebe-se um ensino totalmente tradicional focado na reprodução do conhecimento transmitido em sala de aula, assim como na figura do professor como o detentor do conhecimento e o responsável pela eficácia do ensino.

Na opinião de Mizukami (1986), um dos teóricos responsáveis pelo ensino tradicional é Chartier, que acredita que a escola é um local onde se raciocina e considera o ato de aprender como uma cerimônia em que o professor se mantém distante do aluno, em uma relação vertical, sendo o aluno um receptor passivo e obediente.