CAPÍTULO 1 – CARACTERIZAÇÃO DO MUNICÍPIO DE PARNAMIRIM
1.1 RECONHECENDO AS CARACTERÍSTICAS DO MUNICÍPIO DE PARNAMIRIM
1.1.2 Parnamirim e o processo de industrialização
A expansão das indústrias está diretamente relacionada ao processo de urbanização e crescimento demográfico nas cidades, pois esse fenômeno exerce grande poder de atração para a população rural, fato que, por exemplo, desencadeia os fluxos migratórios para as cidades. Outros aspectos da industrialização é o desenvolvimento de infraestrutura, transporte, comunicação, diversos ramos de serviços, degradação ambiental, entre outros.
As primeiras indústrias surgiram no país no início do século XX e eram basicamente indústrias de bens de consumo não duráveis (alimentícias, têxteis, etc.). Impulsos de ordem econômica, como a dificuldade do país em importar devido à crise do preço dos produtos agrícolas nacionais, favoreceram a industrialização após 1930.
Essa dificuldade em importar, aliada ainda mais à necessidade de manter a produção industrial durante o período da II Guerra Mundial (1939-1945), impulsionou o aparecimento das primeiras indústrias de base, setor industrial que alimentou os demais, destacando-se a Companhia Siderúrgica Nacional de Volta Redonda (CSN) e a Petrobrás.
A Industrialização do Rio Grande do Norte, segundo Peixoto (2003, p.173), só passa a ser planejada como meta de administração pública no século XX na década de 60, quando o governo de Aluizio Alves investiu na infra-estrutura necessária (chegada da energia elétrica de Paulo Afonso, em 1964).
Na década de 1980, o crescimento industrial em Parnamirim caracterizou-se por apresentar um tipo de localização industrial de efervescente crescimento e investimento. No final da década, um levantamento feito pelo Instituto de Desenvolvimento Econômico e Meio Ambiente do RN (IDEC), registrou a existência de 40 indústrias em atividades diversificadas, com ênfase na indústria de alimentação e no setor têxtil.
A presença das indústrias permitiu que a economia local, até então centrada no comércio e nas atividades de serviços relacionados com as necessidades da base militar, progredisse em outra direção e a cidade tomasse um novo impulso para dar continuidade ao crescimento registrado desde o início de sua formação.
Nos anos 90, a realidade do município se viu diante do fechamento de grandes indústrias, dado o encerramento de grandes investimentos do capital financeiro na indústria local.
A crise financeira fechou várias das grandes fábricas pioneiras no município: a Tecblu, filial da Teka; a indústria de leite de coco indiano; a Brasinox, que fabricava equipamentos para cozinhas industriais fechou e desempregou centenas de operários. A fábrica da Coca-Cola virou depósito para distribuição do produto. Além disso, havia a sempre ausente atitude do governo estadual que
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continuou a ignorar o distrito industrial que nascera à margem dos planos oficiais (PEIXOTO, 2003, p. 178).
Nos últimos anos as principais atividades econômicas do município têm dado sinais de ter encontrado alternativas de desenvolvimento à margem das opções industriais, tais como: agropecuária, comércio e turismo. Parnamirim, nos últimos anos, tem crescido de modo acelerado. A prefeitura, no ano de 2010, estava sob a gestão do então prefeito Maurício Marques dos Santos7. A cidade há alguns anos vinha (e vem) aumentando, consideravelmente, sua população. Em 2000 havia 124.690 mil habitantes; em 2010 o número passa para 202.456, o que expressa um aumento de 61% da população em uma década8 e, desta forma, seu crescimento emerge em concomitância a variados tipos de problemas.
Segundo Costa (2003) a urbanização que vem ocorrendo no mundo, nas últimas décadas, associada ao desenvolvimento do capitalismo, tem-se caracterizado pelo rápido crescimento dos grandes centros e pelo surgimento de problemas socioespaciais dos mais diversos no seu interior, favorecendo com isto o comprometimento da qualidade de vida.
A realidade histórica se transforma muito mais rapidamente do que a nossa capacidade teórica de assimilar os fatos e interpretá-los. O crescimento desordenado das cidades resulta em diferentes novos desafios. As façanhas do aceleramento das cidades surpreendem e provocam o poder explicativo das nossas categorias de análise sobre todos os ramos sociais.
É importante compreender que, nem sempre, o sentido e a expressão dos fenômenos de um determinado lugar coincidem exatamente com os de outros lugares e, portanto, é necessário descobrir aquilo que permanece nublado pelos acontecimentos imediatos de cada realidade, como algo que transcorre e se interliga a totalidade numa unidade comum que dá sentido à realidade de determinado lugar, desvendando tendências e configurações.
Essa é a maior imprevisão que o desenvolvimento traz à medida que o tempo passa, os problemas de ordem físico-estrutural e ambiental aumentam de maneira assustadora. Observamos 7Prefeito Municipal, eleito no dia 05 de outubro de 2008, tomou posse no dia 01 de janeiro de 2009. Reeleito para o
2º mandato (2013 a 2016). A carreira política de Maurício Marques começou em 2001, a convite do então prefeito Agnelo Alves. Marques foi secretário de Administração e Finanças; secretário-chefe do Gabinete Civil; articulador político e parlamentar; membro do Comitê de Acompanhamento e Fiscalização de Obras e Serviços; conselheiro de desenvolvimento municipal. Em 2004 se elegeu vice-prefeito, cargo que exerceu durante o segundo mandato de Agnelo. Em 2008 foi indicado candidato a prefeito pela coligação “Vitória da Continuidade”, sendo eleito com mais de 50% dos votos válidos. Na campanha pela reeleição, Maurício Marques foi apoiado por Agnelo Alves. Na Prefeitura de Parnamirim assumiu vários cargos, incluindo os de secretário de Administração e Finanças; Administração e Recursos Humanos; chefe do Gabinete Civil e vice-prefeito.
8O crescimento das cidades é um processo que vem sendo irrefreável e, muito possivelmente, será irreversível. De
acordo com as Nações Unidas para assentamentos humanos (UN-HABITAT), a população urbana foi multiplicada por cinco entre 1950 e 2011 no mundo todo, o que expressa que Parnamirim inclui-se no fenômeno do crescimento acelerado que acomete diversas partes do mundo. Os dados apresentados nesta coluna fazem parte da pesquisa “(Mis) Informedcities? The urban level of climate change as reported on the pages of UK prestige press”, conduzida no âmbito do
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que a cidade se encontra estruturada de forma desigual, sendo estabelecida uma segregação socioespacial em que, por um lado, a população de melhor poder aquisitivo se insere nas áreas privilegiadas, detentoras, quase sempre, dos melhores serviços de infra-estrutura e, por outro, predomina o assentamento da população de baixa renda nas áreas desprovidas de tais serviços.
Em Natal, capital do estado e vizinha do município de Parnamirim, os diversos problemas socioespaciais, em decorrência da expansão urbana, têm se acelerado nas últimas décadas, uma vez que a cidade apresenta as mesmas carências de infraestrutura que geralmente ocorrem nas urbes de porte médio do Brasil.
Similar a Natal (tendo em vista que são cidades “co-urbanadas”), em Parnamirim seguem- se diferentes realidades desde aquelas cujos sujeitos são oriundos de outros municípios – por isso, procuram sair de seus interiores para morar em Natal – e, muitos, por não conseguirem estabelecerem-se na capital optam por morar em Parnamirim.
Segundo entrevista do professor Lula Couto9 acerca do crescimento acelerado das cidades, ele comenta que as mesmas cresceram sem planejamento, excluindo os mais pobres e ampliando o abismo entre centro e periferia: “o que se percebe nesse processo inicial de urbanização e crescimento das cidades brasileiras é certa despreocupação do que fazer com a população mais humilde, carente, que mora nas cidades. Observa-se cada vez mais que essa população que ocupa o espaço urbano do centro
é deslocada para periferia”, destacou o professor.
Se esse crescimento em Parnamirim, por um lado, favoreceu o estabelecimento de pessoas que buscavam novas oportunidades de melhorias de vida, por outro sofre, como tantas outras, as consequências do crescimento acelerado e desordenado que força a política, as instituições e demais órgãos a pensarem e tomarem medidas para minimizar desequilíbrios sociais como falta de acesso, violência e demais problemas.