• Nenhum resultado encontrado

como pessoas físicas, da mesma forma, apresentam diversidade e características bastante particulares, reforçando uma peculiaridade já conhecida da atividade: o limite entre o aspecto profissional e o pessoal das relações intrínsecas do processo projetual.

Este foi um dos fatores motivadores que levaram a Empresa A a buscar um SGQ, vale dizer, pretendeu-se assim: acabar com a informalidade da atividade projetual, através de procedimentos que estruturassem o processo projetual e formalizassem principalmente a gestão da documentação e da comunicação, ou seja, fazer com que todo o processo fosse encarado de forma mais profissional, quer por parte do arquiteto, quer por parte do cliente.

Outro objetivo almejado pela Empresa A, ao implementar um SGQ, foi o de buscar a melhoria da qualidade dos serviços prestados, na eficiência do processo projetual, na gestão da documentação, na rastreabilidade e confiabilidade das informações.

Por constituir a informação a base fundamental para o desenvolvimento de um projeto, e pelo fato de a Empresa A apresentar limitações no que se refere à ampliação de seus recursos humanos, as responsabilidades e funções terminam por se acumular em um único profissional, tornando ainda mais fundamental que este se apóie em um sistema organizado e confiável.

2. PSQ desenvolvido pelo Grupo Mineiro de Gestão de Projetos

2.1 Considerações iniciais

Conforme mencionado no capítulo III, referente à revisão bibliográfica, as empresas objeto do estudo de caso apresentado no presente capítulo, bem como a implementação do SGQ descrito na seqüência, deu-se no âmbito do Programa Setorial da Qualidade – PSQ – para empresas de projeto, desenvolvido pelo “Grupo Mineiro de Gestão de Projetos”.

Embora algumas características dos trabalhos já tenham sido anteriormente descritas, esta seção abordará mais detidamente os trabalhos desenvolvidos.

O Grupo Mineiro de Gestão de Projetos configura-se como um grupo informal de pesquisa, coordenado por professores e pesquisadores do Departamento de Engenharia de Materiais de Construção da UFMG.

Segundo Andery (2007), destacam-se entre os objetivos do grupo:

a) a promoção de um fórum permanente de discussões entre os profissionais ligados a área de projetos de edificações;

b) a implementação de ações para valorização da atividade projetual nas práticas de mercado, envolvendo, entre outras atividades, a promoção de

Workshops, de grupos de estudo e reuniões periódicas de seus membros;

c) a implementação de um SGQ especificamente orientado para a atividade projetual.

Como também já anteriormente mencionado, o referencial escolhido baseia- se na proposta de Melhado (2006).

2.2 Implementação do SGQ

O referencial utilizado foi escolhido em função de algumas características já comentadas na revisão bibliográfica desse trabalho, em especial destacando-se os seguintes fatores:

a) o fato de ser um sistema especificamente orientado à atividade projetual, propondo requisitos voltados, por exemplo, ao planejamento do processo de projeto, à análise dos dados de entrada para elaboração dos projetos, às exigências específicas quanto à formulação do programa de necessidades etc.

b) O fato de que o programa subjacente à implementação do SGQ seja flexível, com um foco notadamente orientado à capacitação gerencial

das empresas e desenvolvimento de competências, e não na

certificação em SGQ, como é o caso da ISO 9001. Essa flexibilidade permite, por exemplo, que uma determinada empresa julgue não ser necessário implementar um requisito normativo específico, ou permite que empresas diferentes estabeleçam procedimentos gerenciais mais ou menos complexos em função de suas necessidades e expectativas.

c) O SGQ proposto reduz a “burocracia” inerente à implementação da ISO 9001, como também dos requisitos dessa norma que não tenham um impacto direto no desenvolvimento da atividade projetual, tornando-os opcionais.

Para adesão das empresas ao grupo contou-se com o apoio de entidades que congregam profissionais das distintas especialidades de projeto, em especial o Grupo de Empresas de Arquitetura e Urbanismo (GEMARQ), a Associação Brasileira de Engenharia e Consultoria Estrutural (ABECE) e a Associação Brasileira de Engenharia de Sistemas Prediais (ABRASIP), através de suas seções de Minas Gerais. Esse apoio foi concretizado, no sentido de divulgação dos trabalhos do grupo e de incentivo à participação de seus dirigentes.

fundamentais.

Em primeiro lugar, definiu-se o trabalho como eminentemente participativo. Ao contrário de outros grupos, que normalmente formaram “consórcios” para a divisão dos custos de consultorias, o projeto não foi fruto de uma consultoria, mas sim de uma orientação por parte dos professores coordenadores do projeto, sendo os diversos requisitos normativos desenvolvidos pelas próprias empresas, como fruto de suas discussões e de experimentação de práticas discutidas e/ou elaboradas nas reuniões do grupo.

Em resumo não se caracterizou uma consultoria, mas um trabalho participativo orientado.

Em segundo lugar, criou-se um ambiente de forte interação e colaboração

entre as empresas, aspecto esse que foi inclusive condição para que as empresas

participassem do grupo.

Assim sendo, constituiu-se, efetivamente, um Programa Setorial, no qual a implementação de um SGQ representou uma das ações do grupo.

As empresas trocaram experiências, mostraram umas às outras seus procedimentos e práticas gerenciais desenvolvidas, permitiram visitas mútuas, análise da sua documentação e participaram conjuntamente de seminários de treinamento e/ou workshops de discussão dos resultados.

2.3 Caracterização das empresas participantes

O quadro, a seguir apresentado, resume o perfil das empresas participantes do grupo em questão, de acordo com suas específicas características, ou seja: denominação da empresa, suas disciplinas de projeto, sua área de atuação, porte da mesma, existência, ou não, anterior de sistema de gestão, e os responsáveis por sua respectiva implantação.

Empresa Disciplinas

de projeto Área de atuação Porte

Existência anterior de Sistema de Gestão Responsável pela implementação E1 Arquitetura Arquitetura em geral, coordenação de projetos e gerenciamento de obras Pequeno/ médio ISO 9001:1994 (1) Sócios- proprietários E2 Arquitetura Arquitetura residencial e comercial Pequeno/ médio Algumas rotinas gerenciais Sócio-proprietário e coordenador de projetos E3 Arquitetura Arquitetura residencial e comercial

Pequeno Não Sócio-proprietário

E4 Arquitetura

Arquitetura residencial e

comercial

Pequeno Não Sócio-proprietário

E5 Arquitetura

Arquitetura residencial e

comercial

Pequeno Não Arquitetos

E6 Arquitetura

Arquitetura residencial e

comercial

Pequeno Não Sócio-proprietário

E7 Arquitetura e projetos complementares residenciais Arquitetura e gerenciamento de obras

Pequeno Algumas rotinas

gerenciais Sócio-proprietário E8 Estruturas Edifícios residenciais e comerciais Pequeno Implementados alguns requisitos da ISO 9001:2000 Sócio-proprietário e coordenador de projetos E9 Estruturas / Instalações elétricas Edifícios residenciais e comerciais

Pequeno Não Sócio-proprietário

QUADRO 10 – Perfil das empresas participantes do Grupo39.