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A PARTICIPAÇÃO DO SETOR PRIVADO NA CADEIA PRODUTIVA DE RECICLAGEM DOS REEE

Com o intuito de acompanhar as atividades de duas empresas do setor privado de recebimento e encaminhamento de REEE, e como parte do processo metodológico, visitou-se à empresa Natal Reciclagem17. Um funcionário desse estabelecimento se dispôs a dar informações sobre a organização, o processo de desmonte e destinação dos resíduos recebidos. Já, na empresa chamada EVS Reciclagem18, uma representante do estabelecimento se dispôs a ser entrevistada.

17 Empresa que se localiza na Rua Adolfo Gordo, no bairro Cidade da Esperança, Zona Oeste de Natal,

ver figura 6. Ressalta-se que a SEMURB caracteriza esta empresa como sucata, porém, a autora deste trabalho considera-a como depósito, dessa forma, tem-se percebido que a maioria dos depósitos de materiais recicláveis se localiza nessa Zona da cidade, a qual também abriga a atual estação de transbordo deste município, que por aproximadamente trinta anos foi lixão desta cidade.

18 Empresa está localizada na Rua Esmeralda, no bairro Potilândia-Lagoa Nova, em Natal. Conforme

De início, a representante da empresa apresentou as instalações da empresa e mostrou como os materiais são desmontados. Nesse sentido foram percebidas semelhanças de gerenciamento e tratamento dos resíduos de EEE.

Figura 9 – Resíduos de equipamentos eletroeletrônicos na empresa Natal Reciclagem

Fonte: arquivo pessoal, 2016.

A Natal Reciclagem, por sua vez, organiza diversos tipos de resíduos, possuindo infraestrutura que possibilita a organização de processos como o de trituração e compactação de materiais recicláveis, e destaca-se na atuação para o gerenciamento dos REEE. O recebimento de resíduos de EEE ocorre pela doação, através de depósito diretamente no ecoponto ou pelo envio à empresa.

O entrevistado da Natal Reciclagem, enfatizou que sua função na empresa é a de analisar o funcionamento de equipamentos que fossem recebidos através de doação para posterior tratamento do material. Os equipamentos ainda em funcionamento são utilizados na empresa ou vendidos após a exclusão de documentos e informações dos usuários anteriores. Na ocasião da visita, dois outros funcionários realizavam o desmonte de impressoras, conforme figura 9. Foi possível então perceber que o trabalho de triagem dos materiais era feito por trabalhadores com conhecimento sobre os equipamentos. A separação ocorre pelo tipo de material,

da capital. Esse fato, não descarta a possibilidade da existência futura de outras estruturas desse tipo, haja vista que é uma zona comercial e habitacional de padrão econômico elevado e os resíduos de EEE seriam gerados em maior quantidade nesse espaço urbano.

que são dispostos em sacos plásticos separadamente, por semelhança na composição.

Figura 10 – placas de circuito integrado na empresa Natal Reciclagem

Fonte: arquivo pessoal, 2016.

Quando questionado sobre suas atividades, o funcionário da Natal Reciclagem afirmou que possuía contrato de trabalho com a empresa e que o requisito inicial para a contratação era o curso técnico em redes ou informática. No que se refere à destinação, ele ainda mencionou que os resíduos são direcionados a uma empresa privada no estado de Pernambuco, sendo alguns componentes enviados ao estado de São Paulo e também para o exterior. O representante da empresa comentou sobre o interesse com relação a determinados materiais, principalmente as placas de circuito integrado de cor verde, provenientes dos equipamentos de informática (figura 10) enquanto as placas de cor marrom, por conterem mais plástico, são menos rentáveis à empresa.

O que foi enfatizado também pela representante da EVS, que comentou o fato das placas de circuito integrado na cor verde possuírem significativo valor agregado – as de celulares mais especificamente, são as que tem maior valor. Durante a entrevista, procurou-se averiguar qual a relação existente entre a empresa e o setor público, da cidade de Natal, que lida com as políticas e ações para resíduos. Conforme a entrevistada:

O ministério público ele cobra da URBANA, vamos falar da PNRS, no capítulo dos resíduos eletroeletrônicos tem-se uma câmara técnica que ainda não foi regulamentada, andou e parou, algumas instituições fizeram estudos, a norma avançou, mas não foi concluída. Porque não foi concluída? Por que se diz na política pública: é responsabilidade de quem produz de quem insere, de quem compra, a destinação correta. E o custo disso? Quem é que vai assumir? Quem é que vai me pagar? Quem é que vai me remunerar? É o cidadão que comprou o material e levou para casa, na hora de descartar o equipamento que lhe custou caro, você vai ter que pagar? É o poder público que vai disponibilizar essa coleta para que você o cidadão comum não coloque no resíduo normal, de coleta normal, para evitar a perca de equipamentos eletroeletrônicos e de materiais que podem ser remanufaturados e que podem ser inseridos na cadeia produtiva? É a indústria que produziu e esse equipamento não produzido por uma única indústria, ele tem diversas partes de equipamentos que montam um computador desse, que tem desde peças que entram de forma legais como peças que entram de formas ilegais. Então fica um jogando para o outro e para outro, e a coisa não funciona (Representante da EVS, 2016).

Diante do entendimento da entrevistada acerca da cadeia produtiva de reciclagem de materiais, procurou-se saber como teve início o trabalho da empresa nas questões relativas aos REEE:

Em 2010, na época que estava se começando a falar de dengue e muito lixo na rua, a gente estava numa péssima gestão municipal [...]então eu fui estudar, vi que a Política Nacional de Resíduos Sólidos estava sendo aprovada e que era uma lei que vinha sendo discutida a vinte anos e que abriram nessa lei um parágrafo para o resíduo eletroeletrônico, e eu disse: opa! Eu vou estudar isso aqui e vou trabalhar com isso, vou buscar isso aí. Que quando fosse em 2011, 2012 iria estar regulamentado e essas empresas que teriam que recolher, por exemplo, a IBM, Itautec, Positivo, Asus, enfim, as que montam os equipamentos veriam que “ah tem uma empresa lá no Rio Grande do Norte, a EVS, e eu poderia fazer dela um ponto de coleta nosso e nós vamos remunerá-la para isso”, mas isso não aconteceu e não acontece (Representante da EVS, 2016).

Dessa forma, pôde-se perceber, principalmente pelos elementos contidos na entrevista com o fiscal da SEMURB – corroborados pelas informações obtidas com as entrevistas – que a atuação do setor público ocorre muito mais no sentido de contornar os problemas de saúde do que os provenientes do acumulo de resíduos na cidade. Para averiguar a interação da empresa em outras perspectivas, perguntou-se sobre a existência de incentivos econômicos ou fiscais:

Quando você começa a trabalhar, vêm as cobranças, você não tem nenhum incentivo para nada. Faz um ano e quatro meses que eu sou cliente do Banco do Brasil, tratada como uma cliente excelente, mas eu não tenho um real de crédito, e meu faturamento não é insignificante (Representante da EVS, 2016).

No que tange às campanhas de recolhimentos, essas ações pontuais aconteceram no município de Natal, durante os anos de 2014 e 2016. Foram realizadas cinco campanhas, nas quais a Natal Reciclagem participou como parceira da EVS e dos órgãos públicos municipais, conforme é visível nas figuras 11 e 12, que mostram pontos para recolhimento dos resíduos de EEE por empresas privadas em parceria com a URBANA, que é a responsável pelos sistemas de coleta de resíduos urbanos da cidade.

Destaca-se que as campanhas periódicas para a doação voluntária de REEE ocorre através da instalação de ecoponto em estabelecimentos na cidade de Natal. As visitas aos ‘ecopontos’, em diferentes campanhas, mostraram que o recebimento ocorria em pequena escala, e com delimitação quanto ao tipo e porte de resíduos. Os REEE mais comuns eram monitores de tela de raios catódicos, televisores de tubo de raios catódicos e CPU’S (Central Processing Unit).

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Figura 11 – Ecoponto de coleta durante campanha de recolhimento na cidade de Natal

Figura 12– Resíduos coletados durante campanha de recolhimento na cidade de Natal

Fonte: arquivo pessoal, 2016.

Diante da possibilidade de as campanhas não serem instrumentos significativos de recolhimento de REEE, e após a observação de diferentes campanhas ter evidenciado que, nos ‘ecopontos’, o recebimento ocorria em pequena escala, procurou-se averiguar a atuação dessa empresa junto à cadeia de reciclagem e os meios utilizados para adquirir resíduos. Além disso, buscou-se obter informações sobre os fornecedores da empresa:

É uma cadeia e eu também tenho meus fornecedores que são as assistências técnicas, técnicos de informática avulsos que sabem que aquela placa está quebrada e que não serve mais para ele consertar um computador, e que antes ele descartava de qualquer forma, e de qualquer maneira vai lhe dar um retorno financeiro, e que vai ajudá-lo nas suas despesas mensais, e que ele vai estar fazendo um trabalho correto de destinação, porque fazer essa consciência não é fácil, tá aí esse cartão que eu deixo com as pessoas [..] agora, você fazer isso de porta em porta? Não é fácil. (Representante da EVS, 2016).

Quanto à parceria com cooperativas, catadores de materiais recicláveis, assim como sobre parcerias institucionais, questionou-se a entrevistada. Também se buscou compreender sobre a destinação de resíduos em outros países:

Aqui nós não temos nenhuma cooperativa capacitada para trabalhar com eletroeletrônico, elas são capacitadas para trabalhar com coleta seletiva domiciliar. A URBANA, ela participa e faz essas campanhas, a SEMURB não tem a responsabilidade segundo a lei, mas ela participa dessas campanhas e organiza (Representante da EVS, 2016).

Às vezes eu recebo uns materiais aqui e pergunto, menino o que você fez? “ Não é que eu botei uma água prateada aqui para tirar o ouro”. Não tirou, não conseguiu e ainda correu o risco de vida. Aí eu vou e mostro todo o processo, e digo: aqui eu não faço nenhum processo de reciclagem, eu faço o processo de descaracterização, recolho, descaracterizo, desmonto, eu testo para fazer a remanufatura de alguns equipamentos que prestam, mas eu mando tudo para a indústria da reciclagem, o importante é que eu mando para a indústrias que são certificadas. Porque esse processo de refinamento de metais não é feito no Brasil. Ele é feito nos Estados Unidos, Bélgica, Holanda, Itália, China, Japão, Coreia, Vietnã. O Brasil não, porque o Brasil tem um tratado assinado de que não vai se disponibilizar esse tipo de indústria aqui, nós somos geradores. E até porque é uma indústria altamente qualificada e com custo altíssimo (Representante da EVS, 2016).

Como se viu, a entrevistada reiterou a inexistência de parcerias com as cooperativas de catadores do município, enfatizando que não há capacitação técnica para manejo de REEE.

A busca por informações junto a duas cooperativas de material reciclável, a Cooperativa de Catadores de Materiais Recicláveis da Cidade do Natal/RN (COOPCICLA) e a Cooperativa de Catadores de Materiais Recicláveis do Rio Grande do Norte (COOCAMAR), apontou para o baixo recebimento dos REEE.

Figura 13- REEE armazenado em cooperativa em Natal/Brasil

Fonte: arquivo pessoal, 2015.

A representante da COOPCICLA informou que, dos REEE que chegam à cooperativa, são retiradas as partes de ferro, plástico vidro e cobre, e, quando não é possível a retirada desses materiais, os resíduos de EEE são direcionados a uma sucata no bairro de Cidade Nova, onde se localiza a cooperativa.

“Note-se que na cadeia produtiva da reciclagem, o catador está recebendo a menor parte dos rendimentos econômicos gerados nessa cadeia em comparação com os demais atores envolvidos. Esta cadeia é constituída por catadores, sucateiros que compram os materiais recicláveis diretamente aos catadores e vendem aos atravessadores e estes repassam os materiais às indústrias de reciclagem ” (FIGUEIREDO, 2013b p.64).

Deve-se dizer que a informalidade das ações de gerenciamento nas cooperativas de catadores, principalmente no que diz respeito ao manejo desses resíduos, é comum em algumas cidades brasileiras.

O plástico é vendido para as empresas denominadas por eles de "plastiqueiros" e o resíduo de metal vendido como sucata de ferro. O cobre e o alumínio são vendidos separadamente, devido ao alto valor comercial. As placas de circuito impresso são revendidas para as pessoas que procuram diretamente esse tipo de material. Um dos entrevistados ressaltou que vende a R$ 8,00 o quilo para uma

empresa em Belo Horizonte e esta repassa para São Paulo pelo dobro do preço (FRANCO; LANGE, 2011, p. 78, grifos do autor).

Conforme demonstram Franco e Lange (2011), em pesquisa na cidade de Belo Horizonte/MG, as cooperativas visitadas recebiam resíduos diversificados e em quantidades variáveis, os quais chegavam a esses locais através de doação, por coleta seletiva ou através de catadores, que vão de porta em porta. Os procedimentos adotados pelas cooperativas vão desde a verificação do funcionamento dos equipamentos, para uso dos cooperativados, até o desmonte dos resíduos para a venda.

Dias, Pragana e Santos (2014) avaliam que as questões socioambientais em cooperativas avançaram com a PNRS, a qual prevê a inserção dos catadores relacionada à gestão de REEE. Convém mencionar que as autoras indicam que algumas ações devem ser planejadas para que essa inserção de fato aconteça. São elas: “legitimação, estruturação técnica, capacitação, instrumentação, profissionalização e regulamentação da atuação desses trabalhadores, visando a redução dos impactos socioambientais que a temática enseja” (p. 87).

A logística reversa é vista por Dias, Pragana e Santos (2014) como um benefício ao mercado de reciclagem e também para as cooperativas. Conforme as autoras, os processos que compreendem coleta, triagem e desmontagem de REEE representam 15% do faturamento das cooperativas, competindo economicamente, dessa forma, com a reciclagem de papelão, alumínio e plástico.

Compreende-se, no entanto, que a inserção desses atores no sistema de logística reversa deve superar alguns entraves, como a exploração por atravessadores, os riscos à saúde e à segurança, a informalidade – pela falta de contratação em alguns municípios –, os problemas com qualidade e quantidade, e, por fim, a falta de qualificação desses trabalhadores (DIAS; PRAGANA; SANTOS, 2014).

Em outra perspectiva, perguntou-se a representante da empresa EVS sobre a atuação estadual: “a SEMARH - Secretaria de Estado do Meio Ambiente e dos Recursos Hídricos – se articula de alguma maneira com a sua empresa durante as campanhas de recebimento de REEE? ”. A isto, respondeu a entrevistada:

Na realidade, isso fica muito a nível local, a SEMARH se preocupa mais com essa questão dos aterros sanitários e ela tem trabalhado para fazer os consórcios, que isso foi muito trabalhado até 2014 mas deu uma parada também. (Representante da EVS, 2016).

Figura 14 - Resíduos de EEE acondicionados na empresa EVS Reciclagem

Fonte: arquivo pessoal, 2016.

A propósito das demandas pela reciclagem de lâmpadas, que já possuem um acordo setorial firmado e uma portaria municipal específica que determina o recebimento dos resíduos nos estabelecimentos que as comercializam, a entrevistada comentou sobre as perspectivas de atuação:

Eu já verifiquei que quando a gente faz campanhas, apesar da gente dizer para o povo não levar lâmpadas, mas o povo leva. E quando eu recebo eu tenho que ter o custo de mandar para empresa para poder fazer a descontaminação, tirar o pó de mercúrio de dentro, juntar com o carvão ativado para ele não ser nocivo, porque o mercúrio é extremamente contaminante. Para tentar ver como nós vamos resolver o problema de Natal. Eu cheguei no [estabelecimento comercial em Natal], e lá tinha tambores e tambores de lâmpadas ao relento, aqui na UFRN tem um departamento que cuida disso, mas, porque isso acontece? Porque tem um custo. Como é que eu a universidade vai descontaminar essas lâmpadas se uma empresa lá em são Gonçalo cobra de R$ 1,00 a R$ 1,80 para descontaminar uma lâmpada (Representante da EVS, 2016).

Figura 15 – Disposição das caixas externas de monitores na empresa EVS Reciclagem

Fonte: arquivo pessoal, 2016

No que se refere aos custos que são decorrentes da logística reversa apontados por Rodrigues (2007), Guarnieri e Seger, (2014), e Demajorovic, Augusto e Souza (2016), a entrevista com a representante da EVS Reciclagem tornou evidentes, além dos elementos econômicos inerentes à contratação de empresas recicladoras – que possuem preços fixos por quilo de determinados materiais –, também os custos dos fretes para transportá-los.

Com relação aos custos da reciclagem de resíduos, o fragmento a seguir é esclarecedor em relação à viabilidade financeira da logística reversa, demonstrando a necessidade de organização criteriosa e orientada às demandas do mercado e da cadeia de reciclagem global:

Outra coisa, esse plástico que eu juntei 23 toneladas eu mandei numa carreta para são Paulo e fui acompanhando. Trouxe um técnico especialista em triagem de plástico, e remunerei R$ 0,25 por quilo de plástico triado, e para isso acontecer esse material tem que estar limpo, sem adesivo, sem parafuso, sem porca, sem nada, limpo. Eu paguei funcionário extra para limpar e contratar uma empresa para limpar o plástico, essa empresa me cobrou R$ 0,40 por quilo, sem contar o frete até Macaíba onde ficava a empresa, depois paguei R$ 0,30 por quilo para mandar para são Paulo. O custo para moer em Macaíba foi de quase R$ 10.000,00 [...] e eu não tenho nenhum incentivo (Representante da EVS, 2016).

Alguns municípios fazem aterros controlados, o que para a reciclagem não é interessante. A representante da EVS Reciclagem comentou a esse respeito:

No caso dos aterros controlados, eles estão enterrando riqueza, e aqui com o tempo acaba com a capacidade produtiva, se não houver controle do chorume contamina o lençol freático das terras próximas, por estar numa região semiárida com pouquíssima água com chuvas irregulares e quando chove esse descontrole vai contaminar essa água e a nossa população vai morrer cada vez mais cedo de doenças seríssimas. Se você enterra plástico, vidro, alumínio, metais você tem que explorar áreas para produzir isso. Mais petróleo para produzir plástico, aí eu lhe digo outras marianas [barragem de rejeitos] vamos ter que passar? Porque aquilo ali é minério de ferro, os comodities estão aí utilizando (Representante da EVS, 2016).

Considerando o panorama local, em que as principais ações do setor público municipal para a gestão de REEE dizem respeito à realização de campanhas periódicas de recebimento de resíduos, questionou-se a entrevistada se nas campanhas eram recebidas quantidades significativas, em comparação com o que se compra em outras frentes:

É muito pouco. Porque as pessoas têm preguiça de levar nos pontos se você for botar só nos pontos que eles recebem material, é um desastre. Agora, as campanhas servem como uma divulgação, como são divulgados nossos telefones, então muita gente liga aí eu agendo, faço rotas de coleta e eu vou coletar nas casas, nas indústrias, nas empresas (Representante da EVS, 2016).

A entrevistada completou a informação acima, enfatizando que a cobrança para resíduos de maior porte, seria um impeditivo quanto à destinação correta de REEE:

Hoje, se a gente cobrar não funciona, não dá certo. Porque existe fiscalização nas empresas, ela não pode dar destinação no lixo comum. Eles juntam as sucatas eletrônicas e vendem. Aqui eu trabalho porque eu compro material. Para manter essa empresa funcionando eu vendo 3.000 quilos de placas por mês, para cobrir meu custo operacional (Representante da EVS, 2016).

A representante da EVS, considera a obtenção da licença ambiental expedida pela SEMURB, a partir de diretrizes específicas, um processo demorado:

É específica, demorada, tem muita teoria, mas muita pouca prática. Precisa de tudo que você imaginar. Precisa do alvará do bombeiro, a licença ambiental da SEMURB (relatório de impacto de vizinhança, planta baixa) dedetização (3 em 3 meses), de vigilância sanitária e etc. eu mando meu material para a LORENE, para que eu possa prestar conta com a fiscalização, que nesse caso funciona (Representante da EVS, 2016).

A destinação dos REEE envolve diversos agentes da cadeia de reciclagem de resíduos. De acordo com a entrevistada, dentre eles, estão os fornecedores locais – inserem-se aqui as assistências técnicas –, as empresas nacionais e os escritórios de representação de multinacionais, conforme expôs a representante:

Essa empresa ela faz o seguinte: quando chega lá ela tritura o material, arruma em big bags, bota o tipo e a quantidade em cada um e manda de contêiner para os Estados Unidos. Essa empresa aqui de são Paulo, que tem um escritório em Recife, a outra empresa que é do Paraná que trabalho manda para o Japão, a outra, do rio de janeiro. Eu tenho um contrato de exclusividade. Tem uma outra empresa que eu trabalho que é no Paraná que o frete é R$ 1,70 o quilo, o material dele é todo diferenciado (Representante da EVS, 2016).

De acordo com as informações da entrevistada, as placas têm preços diferenciados, e são classificadas em uma escala entre boa e péssima O envio de materiais se dá à empresa que oferecer o melhor pagamento pelos resíduos.

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