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No documento CRISTHYANE RAMOS HADDAD (páginas 174-179)

2007 2008 2009 2010 2012

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GRÁFICO 3 PRODUÇÕES PDE NOS ANOS DE 2007 À 2012

DESCARACTERIZAÇÃODO TRABALHO DOS PEDAGOGOS

A seguir podemos verificar os depoimentos dos pedagogos PDEs acerca da descaracterização do seu trabalho.

A função do pedagogo nas escolas públicas está um tanto quanto descaracterizada: de especialista em educação ele passa a fazer as vezes de menino de recados, fiscalizador das entradas e saídas dos alunos na escola, substituto de professores [...] realizando assim uma série de atividades paralelas que impossibilitam o trabalho pedagógico, o qual está preparado, pelo menos teoricamente para realizar. (VANZELA, 2010, p.18).

Diante destas constatações, reafirmou-se a necessidade, conforme previsto no projeto de intervenção na escola, da realização de um grupo de estudos, abordando as questões mais frágeis, reveladas ao final da pesquisa de campo, que demonstrou a descaracterização do papel do(a) pedagogo(a) no interior da escola, bem como a falta de proximidade entre equipe pedagógica com relação a equipe diretiva e corpo docente. (MARTINI, 2012, p.14).

O pedagogo, sem poder realizar as suas funções profissionais de forma satisfatória, apresenta-se confuso nas suas ações, não conapresenta-seguindo realizar o que apresenta-seria compatível com suas aspirações de pedagogo. Assim, a insatisfação do professor pedagogo, por não desempenhar seu trabalho a contento na escola e sem poder organizar um trabalho que atenda às necessidades da demanda, também, contribui para prejudicar a essência e a eficiência do ensino. (ARAUJO, 2009, p.7).

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Ficou evidente que as atividades imediatistas realizadas na escola se sobrepõem ao pedagógico e o quanto os pedagogos realizavam tais atividades no cotidiano escolar.

Constatou-se que o trabalho do pedagogo na escola tem sido realizado de forma indefinida.

(ALVES, 2009, p.21).

Podemos constatar que as atribuições aos professores pedagogos não são poucas, será que de fato ele poderá dar contar de atender todas essas atribuições? Podemos observar hoje, que na maioria das vezes, um profissional sem identidade própria, angustiado, muitas vezes taxado de tarefeiro e faz tudo, tendo que exercer múltiplas tarefas e funções, para muitas das quais não recebeu formação. (VENTURA, 2009, p.11).

A função do pedagogo nas escolas públicas está sendo descaracterizada da sua real função, onde, muitas vezes, o pedagogo passa a realizar diversas tarefas, que não são as atribuídas a ele, como fiscalizador das entradas e saídas dos alunos na escola; substituto de professores, quando necessitam se ausentar da escola, de organizador de festas e eventos, deixando, com isso a maior parte de seu tempo para realizar uma série de atividades paralelas que impossibilitam o trabalho pedagógico, o qual deveria ser, entre outros, subsidiar professores e alunos nas questões pedagógicas, contribuindo no processo de ensino/aprendizagem.

(FLÓRIDE, 2009, p.11).

Atualmente, a indefinição e a variedade de funções que são atribuídas ao pedagogo na escola pública, por meio de ocorrências disciplinares – aluno/aluno, intervenções pedagógicas – professor/aluno, infrações, entre outros, tomam a maior parte do tempo desse profissional que deveria estar comprometido com a organização e acompanhamento do trabalho pedagógico.

Essa variedade de funções que a escola vem desenvolvendo no decorrer dos últimos anos, acaba desencadeando uma desorganização nos papéis dos profissionais. (PAIXÃO, 2009, p.13).

Embora exista na escola determinações legais que direcionem o trabalho do pedagogo, este continua, por muitas vezes, caótico e confuso, ou seja, com a escola assumindo diversos papéis, o pedagogo passou a resolver situações imediatistas, que acabaram por se tornar uma função paralela as suas reais especificidades. (MATIEL, 2009, p.2).

A realidade das nossas escolas nos mostra que infelizmente esse profissional está desenvolvendo um trabalho contrário ao que foi formado. O pedagogo está resolvendo problemas gerais de indisciplina, desentendimento pessoal, brigas, violências ocorridas na escola. (PINTO, 2009, p.2).

Muitas vezes se atribuem ao pedagogo tarefas as quais não fazem parte da sua função, exigindo-se que este exerça ações que não são de sua responsabilidade. Por isso, questionamos: qual o papel do pedagogo? A comunidade escolar conhece a função do pedagogo na escola? (MEURER, 2010, p.4).

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Percebe-se que a função do pedagogo, nas escolas públicas, está um tanto quanto desarticulada com a concepção de educação transformadora, pois muitas vezes este profissional passa a fazer às vezes de “menino de recados”, fiscalizador de atrasos e faltas tanto dos alunos como dos professores; atendente de problemas disciplinares; substituto de professores que, pelos mais variados motivos, necessitam se ausentarem da escola, causando assim uma série de atividades paralelas que impossibilitam o trabalho pedagógico, o qual está preparado para realizar. Quando trocamos ideias com colegas de outras escolas e até mesmo municípios, percebemos que todos nós, pedagogos, encontramos as mesmas dificuldades, e os mesmos problemas, as mesmas angústias. (BARZOTTO, 2010, p.11).

Foi possível verificar que a comunidade escolar vê na pessoa do pedagogo um “faz tudo”, menos a sua real função. (REIS, 2010, p.10).

Este profissional no contexto escolar passa por diversas dificuldades na descaracterização de sua função ao aceitar tarefas desfocadas do processo de ensino-aprendizagem. Temos observado diariamente que devido a urgência e falta de profissionais para atender a realidade do dia a dia da escola, tem-se instalado cada vez mais na nossa escola pública problemas que são resultado de equívocos que vem ocorrendo quanto ao papel do pedagogo na visão dos gestores escolares que vem administrando as escolas. (SANTOS, 2010, p.12).

Infelizmente, ainda há indefinições e equívocos em relação às funções do pedagogo, o que descaracteriza seu trabalho, tornando secundário o que deveria ser essencial, que é o pedagógico.No caso específico do Estado do Paraná, embora a mudança na nomenclatura, que institui o “professor pedagogo”, pudesse sugerir que estaria acabando a polêmica do Curso de Pedagogia, acreditamos que ainda não se conseguiu definir uma identidade própria ao pedagogo. É preciso conquistar esse espaço e ainda definir as lutas e funções desse profissional, pois o fato de ele estar sobrecarregado com várias atividades imediatas e muitas vezes secundárias dentro da escola acaba por impossibilitar o desempenho de suas reais funções. (SOUZA DE OLIVEIRA, 2010, p.22).

De acordo com as pedagogas a falta de clareza sobre nossa real função, é uma questão que acaba por contribuir para as contradições da prática. Acabamos acumulando papéis que não nos cabe, como a indisciplina em sala de aula, nos corredores do colégio, no pátio na hora do intervalo, e nos distanciamos da nossa real função o trabalho pedagógico. (FERRAZ DE OLIVEIRA, 2009, p.10).

Na maioria das vezes o pedagogo aparece e atua como um inspetor de alunos, resolvendo em seu cotidiano assuntos disciplinares como verdadeiros “ativistas”. (VENTURA, 2009, p.7).

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Muitos professores compreendem a importância do pedagogo como apoio e suporte pedagógico para o desenvolvimento das ações educativas, porém enxergam apenas de forma prática, um profissional emergencial, podemos dizer de certa forma ou de forma figurativa, um bombeiro, que embora tente ações voltadas para a orientação dos alunos e apoio às ações do professor, está sempre suprindo a escola nos problemas imediatos e urgentes, literalmente apagando incêndios. (SANTOS, 2010, p.12).

Verificou-se uma sobrecarga de trabalho, e o pedagogo tem desenvolvido atividades imediatistas por meio de um “corre-corre” atendendo a alunos nas questões disciplinares ou a pais de alunos sobre diferentes questões, lavrando ocorrências, verificando uniforme, cuidando da fila, controlando a entrada e a saída de alunos, como se fosse um “super-herói”. (ALVES, 2009, p.3).

A atuação do pedagogo na escola pública está fragilizada. Passa a ater-se a atividades rotineiras e irreflexivas que tomam quase que seu tempo integral [...] dificultando sobremaneira a efetivação de seu trabalho, descaracterizando sua função social e da escola, limitando a ação pedagógica. (EYNG, 2009, p.4-5).

A função do pedagogo segundo documentos produzidos pela SEED é a organização do trabalho pedagógico no coletivo da escola. No entanto, no dia- a-dia do seu trabalho na escola, o pedagogo tem assumido outras funções que contrariam a proposta do documento oficial, o pedagogo tem atuado como: bombeiro, enfermeiro, inspetor de aluno, psicólogo, etc. (SALEM, 2009, p.6).

Somos engolidos pelas diversas tarefas, com alunos que estão fora da sala, alunos que querem dispensa, o professor que não sabe o que fazer com a disciplina em sala de aula, nos sentimos responsáveis por tudo, pela indisciplina, pela falta de responsabilidade do aluno, pela incapacidade de organização da sala de aula. (FERRAZ DE OLIVEIRA, 2009, p.10).

É atribuição do pedagogo orientar o processo de elaboração do plano de trabalho docente junto ao coletivo de professores do estabelecimento de ensino, mas o pedagogo, muitas vezes, por estar envolvido com tarefas corriqueiras na escola, deixa de aprofundar seus conhecimentos teórico-metodológicos e acaba se sentido despreparado para dedicar-se à tarefa de orientar o professor sobre a questão do planejamento e sua efetivação em sala de aula. (COGO, 2009, p.6).

Com este levantamento, verificou-se que tem concentrado sua atuação de acordo com as necessidades que ocorrem no dia a dia, como: verificação de uniformes; atraso de alunos;

discussão e agressão verbal entre alunos; tentativa de controlar a indisciplina na sala de aula, entre outras atividades. (ALVES, 2009, p.4).

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Vivencia-se uma prática escolar onde o pedagogo se submete por questões políticas e exigências corriqueiras a realização de cumprimentos que muitas vezes desvincula de sua real função de pedagogo. (LESSA, 2009, p.3).

As produções PDEs evidenciam que ocorre uma descaracterização do trabalho do pedagogo na escola, o qual deveria estar voltado para o processo do ensino-aprendizagem. No entanto, os pedagogos têm dedicado grande parte do seu tempo para atividades imediatistas, corriqueiras e ligadas a questões disciplinares, o que tem secundarizado o acompanhamento ao processo pedagógico.

Além disso, o trabalho multitarefas foi apontado em 39 dos artigos científicos analisados. E são definidos pelos seguintes termos: “o faz tudo”,

“tarefeiro”, “muitas tarefas”, “diferentes papéis”, “sobrecarga de trabalho”,

“múltiplas funções”, “acúmulo de papéis”, “variedade de funções”, “salvador de todos os problemas”, “série de atividades paralelas”, “inúmeras funções”,

“diversas tarefas”, “múltiplas tarefas”, “super-herói”, “inúmeras atividades”,

“corre-corre”.

O quadro a seguir apresenta a produção dos autores PDEs que apontam para o trabalho multitarefas do pedagogo.

Quadro 13:Pesquisas PDE que apontam o trabalho multitarefas

Pesquisas PDE que apontam o trabalho multitarefas dos pedagogos

2007 SOUZA, FARIA

2009 LESSA, FERRAZ DE OLIVEIRA, COGO, ARAUJO, BATISTA, ROCHA, FLÓRIDE, NALESSO, BAPTISTUCI, ZENI, MAIA OLIVEIRA, EYNG, ROTTA, ALVES, VENTURA, ROGEL, PAIXÃO, MATIEL, PINTO

2010 MEURER, MEHL, SANTOS, VANZELA, SILVA, GREZZAN, LEONEL, BARZOTTO, FERNANDES, REIS, MERLIM, MATIAS, OLIVEIRA

2012 NASCIMENTO, COLINSKI, BREGENSKI, MARTINI, OLIVEIRA.

Fonte: Produções PDE- Organização da Autora

Dos 39 artigos PDEs que apontam para o trabalho multitarefas do pedagogo, 5% dos artigos foram produzidos em2007, o que representa 2 artigos; 49% em 2009 o que representa 19 artigos; 33% em 2010, o que representa 13 artigos e 13% em 2012, o que representa 5 artigos. A maior

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parte dos artigos que apontam para o trabalho multitarefas do pedagogo foram produzidos em 2009 como podemos verificar pelo gráfico abaixo.

Pesquisas PDE que apontam o trabalho

No documento CRISTHYANE RAMOS HADDAD (páginas 174-179)