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questões relativas ao ensino e à aprendizagem. Quanto a isso não há dúvidas, no entanto, para que o pedagogo possa trabalhar na perspectiva da indissociabilidade do ensino-aprendizagem, é preciso muito mais do que apenas propor a unificação das atribuições. Para que a transformação do trabalho do pedagogo se efetive na perspectiva da unitariedade, é necessário assumir como fundamento as categorias de uma pedagogia emancipatória.
Caso contrário, nos aponta Kuenzer, o que se efetivará é a passagem de um trabalhador especializado do taylorismo fordismo para um trabalhador multitarefa subsumido pelo capital, como no toyotismo.
A construção dessa nova concepção para o trabalho dos pedagogos desencadeou, no Estado do Paraná, uma revisão das atuais atribuições do pedagogo tendo em vista que já se colocava como perspectiva a superação do trabalho das antigas habilitações do supervisor escolar e do orientador educacional. Esse dado pode ser constatado nas atribuições do professor pedagogo nos Editais de Concurso de 2004, 2007 e 2013. No próximo item passa-se à análise do referido material.
4.4 Políticas do Estado do Paraná para Pedagogos a partir da Lei
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ela vinculadas, incluídas as de direção, coordenação, assessoramento, supervisão, orientação, planejamento e pesquisa, atuando na Educação Básica, nos termos da Lei Complementar nº 7, de 22 de dezembro de 1976, que dispõe sobre o Estatuto do Magistério Público do Estado do Paraná.
Art. 4º Para efeito desta Lei entende-se por:
V-Professor: servidor público que exerce docência, suporte pedagógico, direção, coordenação, assessoramento, supervisão, orientação, planejamento e pesquisa exercida em Estabelecimento de Ensino, Núcleos Regionais da Educação, Secretaria de Estado da Educação e unidades a ela vinculadas.
Art 5º A Carreira de Professor da Rede Estadual de Educação Básica do Paraná é integrada pelo cargo único de provimento efetivo de Professor e estruturada em 06 (seis) Níveis, cada um deles composto por 11 (onze) Classes.
§ 4º Para o exercício do cargo de Professor nas atividades de coordenação, administração escolar, planejamento, supervisão e orientação educacional é exigida a graduação em Pedagogia.
Art. 20 Fica instituído, no âmbito da Secretaria de Estado da Educação do Paraná, o Programa de Desenvolvimento Educacional-PDE, destinado ao professor, com o objetivo de aprimorar a qualidade da Educação Básica da Rede Pública Estadual. (Lei Complementar 103/2004).
Nesse sentido, o pedagogo, que anteriormente era entendido como um especialista da educação realizando funções bem distintas de supervisão escolar e de orientação educacional,passa a ser chamado de professor pedagogo e assume a responsabilidade de articular e mediar entre os professores a organização do trabalho pedagógico. Importante destacar que essas alterações ocorriam no Estado do Paraná articuladas as alterações que vinham sendo propostas para os cursos de Pedagogia a partir da aprovação da LDB 9394/96 e as discussões em torno da elaboração e aprovação das novas Diretrizes para o curso de Pedagogia, que vieram a ser aprovadas apenas em 2006.
Pelo artigo 33 da Lei Complementar nº 103/2004, ficou estabelecido que o cargo de professor e especialista da educação ficam transformados em cargos de professor.
Art. 33. Os cargos de Professor e Especialistas de Educação, que compõem o Quadro Próprio do Magistério da Rede Estadual de Educação Básica do Paraná, ficam transformados em cargos de Professor, sendo que os ocupantes dos referidos cargos ficam enquadrados no presente Plano de Carreira do Professor, obedecidos os critérios estabelecidos nesta Lei. (Lei Complementar 103/2004).
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Através do artigo 39 da referida Lei, verifica-se a extinção dos cargos de orientador educacional, supervisor escolar e administrador escolar.
Art. 39 Ficam considerados em extinção, permanecendo com as mesmas nomenclaturas, os cargos de Orientador Educacional, Supervisor Educacional, Administrador Escolar na medida em que vagarem, assegurando-se tratamento igual ao que é oferecido ao Professor, inclusive o direito ao desenvolvimento na carreira, para aqueles que se encontrarem em exercício. (Lei Complementar 103/2004).
O professor pedagogo passa a fazer o trabalho de suporte pedagógico à docência, planejamento, administração, supervisão e orientação, que antes era realizado pelo supervisor escolar e pelo orientador educacional.
No mesmo ano da aprovação da Lei nº 103/2004, a Secretaria de Estado da Educação realizou o primeiro concurso público para contratação de professores pedagogos para atuarem nas escolas dedicadas ao atendimento da educação básica e que foi regulamentado pelo Edital nº 37/2004. No referido edital encontram-se descritas as atribuições do professor pedagogo, que estão elencadas a seguir:
Coordenar a elaboração coletiva e acompanhar a efetivação do projeto político-pedagógico e do plano de ação da escola; coordenar a construção coletiva e a efetivação da proposta curricular da escola, a partir das políticas educacionais da SEED/PR e das DiretrizesCurriculares Nacionais do CNE; promover e coordenar reuniões pedagógicas e grupos de estudo para reflexão e aprofundamento de temas relativos ao trabalho pedagógico e para a elaboração de propostas de intervenção na realidade da escola; participar e intervir, junto à direção, da organização do trabalho pedagógico escolar no sentido de realizar a função social e a especificidade da educação escolar; participar da elaboração do projeto de formação continuada de todos os profissionais da escola, tendo como finalidade a realização e o aprimoramento do trabalho pedagógico escolar; analisar os projetos de natureza pedagógica a serem implantados na escola; coordenar a organização do espaço-tempo escolar a partir do projeto político-pedagógico e da proposta curricular da escola, intervindo na elaboração do calendário letivo, na formação de turmas, na definição e distribuição do horário semanal das aulas e disciplinas, do “recreio”, da hora-atividade e de outras atividades que interfiram diretamente na realização do trabalho pedagógico; coordenar, junto à direção, o processo de distribuição de aulas e disciplinas a partir de critérios legais, pedagógico-didáticos e da proposta pedagógica da escola; responsabilizar-se pelo trabalho pedagógico-didático desenvolvido na escola pelo coletivo dos profissionais que nela atuam; implantar mecanismos de acompanhamento e avaliação do trabalho pedagógico escolar pela comunidade interna e externa; apresentar propostas, alternativas, sugestões e/ou críticas que promovam o desenvolvimento e o aprimoramento do trabalho pedagógico escolar, conforme o projeto político-pedagógico, a proposta curricular e o plano de ação da escola e as políticas educacionais da SEED; coordenar a elaboração de critérios para aquisição, empréstimo e seleção de materiais, equipamentos e/ou livros de uso didático-pedagógico, a partir da proposta curricular e do projeto político-pedagógico da escola; participar da organização pedagógica da biblioteca da escola, assim como do processo de aquisição de livros e periódicos; orientar o processo de elaboração dos planejamentos de ensino junto ao coletivo de professores da escola; subsidiar o aprimoramento teórico-metodológico do coletivo de professores da escola, promovendo estudos sistemáticos, trocas de experiência, debates e
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oficinas pedagógicas; elaborar o projeto de formação continuada do coletivo de professores e promover ações para sua efetivação; organizar a hora-atividade do coletivo de professores da escola, de maneira a garantir que esse espaço-tempo seja de reflexão-ação sobre o processo pedagógico desenvolvido em sala de aula; atuar, junto ao coletivo de professores, na
elaboração de projetos de recuperação de estudos a partir das necessidades de aprendizagem identificadas em sala de aula, de modo a garantir as condições básicas para que o processo de socialização do conhecimento científico e de construção do saber realmente se efetive;
organizar a realização dos conselhos de classe, de forma a garantir um processo coletivo de reflexão-ação sobre o trabalho pedagógico desenvolvido pela escola e em sala de aula, além de coordenar a elaboração de propostas de intervenção decorrentes desse processo; informar ao coletivo da comunidade escolar os dados do aproveitamento escolar, de forma a promover o processo de reflexão-ação sobre os mesmos para garantir a aprendizagem de todos os alunos;
coordenar o processo coletivo de elaboração e aprimoramento do Regimento Escolar da escola, garantindo a participação democrática de toda a comunidade escolar; orientar a comunidade escolar a interferir na construção de um processo pedagógico numa perspectiva transformadora; desenvolver projetos que promovam a interação escola-comunidade, de forma a ampliar os espaços de participação, de democratizaçãodas relações, de acesso aosaber e de melhoria das condições de vida da população; participar do Conselho Escolar subsidiando teórica e metodologicamente as discussões e reflexões acerca da organização e efetivação do trabalho pedagógico escolar; propiciar o desenvolvimento da representatividade dos alunos e sua participação nos diversos momentos e órgãos colegiados da escola; promover a
construção de estratégias pedagógicas de superação de todas as formas de discriminação, preconceito e exclusão social e de ampliação do compromisso ético-político com todos as categorias e classes sociais; observar os preceitos constitucionais, a legislação educacional em vigor e o Estatuto da Criança e do Adolescente, como fundamentos da prática educativa.
(Edital nº 37/2004).
Ao realizar a leitura do referente edital, é possível perceber dois aspectos fundamentais. Em primeiro lugar, que o pedagogo passa a responder pela coordenação e pela articulação da organização do trabalho pedagógico da escola pública paranaense. Em segundo, facilmente é possível observar o grande número de atribuições delegadas ao pedagogo. O professor pedagogo passa a assumir a responsabilidade por diferentes ações que envolvem: o projeto político-pedagógico, a proposta pedagógica curricular, as reuniões pedagógicas, a organização do trabalho pedagógico escolar, os processos de formação continuada da escola, a organização do tempo-espaço, o calendário letivo, a distribuição de aulas, o trabalho pedagógico-didático da escola, a avaliação do trabalho da escola, a utilização dos equipamentos, dos livros de uso didático-pedagógico, a organização da biblioteca, o planejamento de ensino, a organização do trabalho na hora- atividade dos professores, projetos de recuperação de estudos, a organização dos conselhos de classe, o aproveitamento escolar dos alunos, o regimento escolar, os projetos de interação escola-comunidade, estratégias de representatividade dos alunos nos órgãos colegiados. Tais atribuições passam a ser responsabilidade do professor pedagogo, as quais foram ampliadas.
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Em 2007, novo concurso público foi realizado e, conforme o Edital nº 10/2007, indicam-se como atribuições do pedagogo a participação na organização e gestão pedagógica da escola. Estabelecendo uma comparação entre os editais de 2004 e 2007, é possível observar que, em 2007, foram incluídas mais duas atribuições aos professores pedagogos e que dizem respeito à sistematização junto à comunidade escolar de atividades voltadas ao processo do ensino-aprendizagem, de modo a garantir o atendimento às necessidades dos educandos; e em relação ao preenchimento do Livro Registro de Classe dos professores.
-sistematizar, junto à comunidade escolar, atividades que levem à efetivação do processo ensino e aprendizagem, de modo a garantir o atendimento às necessidades do educando;
-coordenar a organização do espaço-tempo escolar a partir do Projeto Político-Pedagógico e da Proposta Pedagógica Curricular da Escola, intervindo na elaboração do calendário letivo, na formação de turmas, na definição e distribuição do horário semanal das aulas e disciplinas, da hora-atividade, no preenchimento do Livro Registro de Classe de acordo com as Instruções Normativas da SEED e em outras atividades que interfiram diretamente na realização do trabalho pedagógico. (Edital nº 10/2007).
Ao realizar uma análise dessas atribuições, constata-se que o foco do trabalho do pedagogo, segundo os documentos oficiais da Rede Estadual de Ensino, deve estar voltado para a organização do trabalho pedagógico e para o acompanhamento sistemático do processo do ensino-aprendizagem. É importante perceber que a organização do trabalho pedagógico envolve diferentes dimensões, como apontadas nos editais, entre elas: o projeto político-pedagógico, a proposta pedagógica curricular, o plano de ação, o planejamento do ensino, a avaliação da aprendizagem, a organização do trabalho na hora-atividade, a organização do trabalho nos conselhos de classe.
Além disso, o pedagogo é o profissional responsável por informar os pais sobre os dados do aproveitamento escolar dos estudantes e por fazer o acompanhamento sistemático da aprendizagem, bem como realizar os encaminhamentos que se fizerem necessários, de forma a atender as necessidades de cada estudante.
Ao pedagogo cabe, ainda, uma série de tarefas operacionais e burocráticas, que envolvem preenchimento de relatórios e fichas solicitados pela mantenedora e por órgãos como Conselho Tutelar, Rede de Proteção à
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Criança e Adolescente, além da orientação aos professores sobre o preenchimento do Livro Registro de Classe e outros documentos que envolvem questões legais e pedagógicas.
No entanto, o trabalho do pedagogo não se encerra no que está prescrito nos editais; inclui atribuições rotineiras e cotidianas que vão aparecendo durante o dia de trabalho e que envolvem a indisciplina dos alunos, a violência, a falta dos professores, os conflitos entre alunos e entre alunos e professores, o atendimento aos pais, uniforme dos alunos, chegadas com atraso, tarefas escolares, bilhetes aos pais, enfim, uma infinidade de atividades diárias que ele necessita resolver.
Há que se notar que as políticas do Estado do Paraná para o trabalho dos pedagogos foram inovadoras, na medida que propõem a superação da fragmentação do trabalho das antigas habilitações do orientador educacional e do supervisor escolar e apontam para o acompanhamento do processo ensino-aprendizagem e para a organização do trabalho pedagógico. No entanto, pela análise dos editais de concursos, pode-se observar que as atribuições dos pedagogos foram ampliadas. Cabe-nos investigar se os pedagogos têm conseguido realizar o acompanhamento ao processo pedagógico e quais os sentidos que eles atribuem ao seu trabalho.
Na teoria, postula-se o trabalho de um pedagogo unitário, capaz de superar a fragmentação dos especialistas da educação. Na prática, verifica-se um enorme número de atribuições delegadas a um suposto superprofissional, capaz de realizar muitas tarefas.
Em 2013, ocorreu novo concurso para contratação de pedagogos, agora sob o governo de Carlos Alberto Richa, o qual foi regulamentado pelo Edital nº 17/2013. Segundo o referido documento, são atribuições do pedagogo:
Atividades de Suporte Pedagógico direto à docência na Educação Básica, voltadas para planejamento, administração, supervisão e orientação educacional, incluindo, entre outras, as seguintes atribuições: coordenar a elaboração e execução da proposta pedagógica da escola; administrar o pessoal e os recursos materiais e financeiros da escola, tendo em vista o atingimento de seus objetivos pedagógicos; assegurar o cumprimento dos dias letivos e horas-aula estabelecidas; zelar pelo cumprimento do plano de trabalho dos docentes; prover meios para a recuperação dos alunos de menor rendimento; promover a articulação com as famílias e a comunidade, criando processos de integração da sociedade com a escola; informar os pais ou responsáveis sobre a frequência e o
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rendimento dos alunos, bem como sobre a execução da proposta pedagógica da escola; coordenar, no âmbito da escola, as atividades de planejamento, avaliação e desenvolvimento profissional;
acompanhar e orientar o processo de desenvolvimento dos estudantes, em colaboração com os docentes e as famílias; elaborar estudos, levantamentos qualitativos e quantitativos indispensáveis ao desenvolvimento do sistema ou rede de ensino ou da escola;
elaborar, implementar, acompanhar e avaliar planos, programas e projetos voltados para o desenvolvimento do sistema e/ou rede de ensino e da escola, em relação a aspectos pedagógicos, administrativos, financeiros, de pessoal e de recursos materiais;
acompanhar e supervisionar o funcionamento das escolas, zelando pelo cumprimento da legislação e normas educacionais e pelo padrão de qualidade de ensino. (Edital nº17/2013).
Ao realizar a comparação do edital de 2013 em relação aos editais de 2004 e 2007, diferenças substanciais podem ser percebidas com a simples leitura dos documentos. Nos editais anteriores, iniciava-se a descrição das atribuições pela elaboração do projeto político-pedagógico. O documento de 2013 não fala em projeto político-pedagógico, mas em proposta pedagógica. O documento de 2013 fala em suporte pedagógico em relação ao planejamento, administração, supervisão e orientação. O edital de 2013 aponta, ainda, que o professor pedagogo é responsável pela administração de pessoal e por atividades que envolvem o desenvolvimento profissional, ao contrário dos editais anteriores, que adotavam o termo da formação continuada e acompanhamento à hora-atividade. O edital de 2013 explicita, ainda, como atribuições do professor pedagogo o levantamento qualitativo e quantitativo, aspectos esses considerados fundamentais para os projetos voltados para o desenvolvimento do sistema de ensino e da escola. Finalmente, o edital de 2013 aponta a atribuição de acompanhar e supervisionar o funcionamento das escolas. As diferenças entre tais documentos não são meramente formais, mas se tratam de concepções diferenciadas para o trabalho do pedagogo, já que são propostas diferentes para a educação. As dos primeiros editais, numa proposta mais progressista da educação, e a segunda, numa perspectiva mais funcionalista, pautada em metas e resultados na lógica burguesa.
4.5 As Políticas do Estado do Paraná para o Cálculo do Número de