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Perfil dos sujeitos participantes 125

No documento 2013AndreiaMendiolaMarcon (páginas 126-132)

3.3. DESCRIÇÃO DAS ETAPAS 121

3.3.3 Perfil dos sujeitos participantes 125

a) Perfil do sujeito 1

O sujeito 1 é do sexo feminino e tem 38 anos de idade. Começou a adquirir a L1 aproximadamente aos 13 anos na associação de surdos. O seu interesse em aprender Libras deu-se porque antes usava o meio oral para se comunicar e não se sentia bem, por não entender nada que estava acontecendo ao seu redor. A partir do seu contato com a Libras, ela pôde significar as suas vivências e experiências, tendo mais facilidades em se comunicar, por ser uma língua visual, a língua dos surdos. Possui um conhecimento muito bom sobre os níveis de análise linguística da Libras. Comunica-se muito bem pela sua L1 e não sentiu dificuldades em adquiri-la.

Teve contato com a L2 a partir dos seis anos de idade, no contexto escolar, em uma classe especial da escola em que estudava. Seu contato com o português acontecia às vezes. Por esse motivo, ela relata que essa etapa de sua vida foi muito difícil, pois, por não saber o português, não conseguia fazer as atividades propostas pelo professor, isto é, os temas,

trabalhos, interpretar textos. Sendo assim, contava com o apoio de sua mãe, que acabava fazendo tais atividades para ela.

Sobre a exposição à L2 e as condições de conteúdo da gramática dessa língua presentes no seu aprendizado, nunca houve um contato com os seguintes elementos: a gramática, o uso e a função dessa língua na comunicação, as variações linguísticas, a organização da estrutura do texto, o trabalho com os diferentes gêneros textuais ou discursivos, estratégias de leitura e escrita, repertório linguístico de temas trabalhados. Por outro lado, quanto às condições de contexto, ela considera que sempre teve contato com os seguintes elementos: recursos visuais (imagens, figuras, fotos), recursos didáticos (livros, dicionários ou outros), recursos científicos (pesquisa, produção e divulgação de trabalho), recursos humanos (trabalhos em grupos, duplas, trios), participação em eventos (feira do livro, jornada da literatura, palestra, seminários ou outros).

A participante relata que, durante o seu processo de aprendizagem da L2, não houve afinidade, conforto e motivação, pois diz que não gostava de aprender português porque não conseguia compreender os textos e tudo se tornava muito difícil. Ela conta que demorou muito para tal e tinha muito medo de que as pessoas ouvintes pensassem ser estranho ela não saber o português. Entretanto, com muito esforço e com o tempo, conseguiu ultrapassar a barreira da dificuldade e passou a entender a gramática da L2, começou a aprender a estrutura da escrita a partir da sua L1. Ainda encontra, porém, dificuldades em ler e escrever por não saber o conceito de palavras.

b) Perfil do sujeito 2

O sujeito é do sexo masculino, tem 27 anos de idade e começou a adquirir sua L1 aproximadamente com 13 anos, na associação de surdos. O motivo que despertou o seu interesse em aprender Libras foi o contato com colegas surdos na escola. Ele relata que adquiriu a língua de modo muito rápido. Possui um conhecimento muito bom sobre os níveis de análise linguística da Libras. Comunica-se muito bem pela sua L1 e nunca sentiu dificuldades em adquiri-la, pois mantinha contato todos os dias com surdos falantes dessa língua.

Teve contato com a L2 a partir dos seis anos de idade, no contexto familiar e na escola. Contou com muito apoio de sua mãe, pois, esta se mostrava preocupada com a sua interação social, uma vez que o português é a língua majoritária de nosso país. Seu contato

com o português acontecia diariamente, principalmente em casa com sua família, onde sempre teve estímulos para aprender o português através de materiais visuais.

Sobre a exposição na L2 e as condições de conteúdo da gramática dessa língua presentes no seu aprendizado, sempre houve um contato com os seguintes elementos: a gramática, o uso e a função dessa língua na comunicação, as variações linguísticas, a organização da estrutura do texto, o trabalho com os diferentes gêneros textuais ou discursivos, estratégias de leitura e escrita, repertório linguístico de temas trabalhados. No que concerne às condições de contexto, ele considera que sempre teve contato com os seguintes elementos: recursos visuais (imagens, figuras, fotos), recursos didáticos (livros, dicionários ou outros), recursos científicos (pesquisa, produção e divulgação de trabalho), recursos humanos (trabalhos em grupos, duplas, trios), participação em eventos (feira do livro, jornada da literatura, palestra, seminários ou outros).

O participante informa que, durante o seu processo de aprendizagem da L2, houve acolhimento da turma, relatando que seus colegas ouvintes estavam sempre dispostos a ajudá- lo. Não teve afinidade e conforto em aprender os conteúdos, pois na sala de aula não havia um tradutor/intérprete de Libras para traduzir o que era proposto pelos professores. Assim, teve interesse e atenção na aplicação de conteúdos com recursos mais visuais e motivação em aprender a L2, pois sentia curiosidade sobre o que as palavras significavam.

Sobre a estrutura da gramática da L2, ele refere que sentiu dificuldades, pois não existia uma pessoa que traduzisse o sentido das palavras e a comunicação com sua mãe era muito difícil. Acima de tudo, considera boa a sua escrita na L2, pois passou a ter aulas de reforço em português no turno inverso de aula. Assim, passou a compreender o vocabulário e a ler textos. No seu relato, avalia ter facilidade em ler e escrever na L2, visto que conseguiu se desprender da estrutura da sua L1 e passou a pensar na estrutura da L2 quando estava lendo ou escrevendo. No entanto, sua preferência é escrever na L2 usando a estrutura da sua primeira língua. Justifica sua opinião afirmando que os ouvintes também precisam respeitar o modo como os surdos pensam e a sua cultura.

c) Perfil do sujeito 3

O sujeito 3, é do sexo feminino, tem 38 anos de idade e começou a adquirir sua L1 aproximadamente com 13 anos em meio a amigos surdos falantes da Libras. O seu interesse em aprender Libras nasceu porque a partir dessa língua, por ser visual, ela conseguia dar significado aos objetos que a rodeavam. Possui um conhecimento muito bom sobre os níveis

de análise linguística da Libras. Comunica-se muito bem pela L1e não sentiu dificuldades em adquirir essa língua.

Teve contato com a L2 a partir dos seis anos de idade no contexto familiar e escolar. O motivo pelo qual aprendeu o português aconteceu porque na escola o método de ensino contemplava somente a oralização, o participante relata que os surdos tinham de se comunicar por meio da fala. Por conta disso, a sua primeira língua foi o português falado e escrito. O contato com essa língua ocorria diariamente na família e na escola. Sobre os elementos que constituem a estrutura da L2, a participante relata que teve contato com a gramatical, o uso e a função da L2 na comunicação, as variações lingüísticas. Por outro lado, não teve contato com a estrutura de texto, com os diferentes gêneros textuais, com as estratégias de leitura e escrita e repertórios lingüísticos de temas trabalhados. Sobre as condições de contexto teve contato com recursos visuais (imagens, figuras, fotos), com recursos didáticos (livros, dicionários), recursos humanos (trabalhos em grupos, duplas, trios) e não teve contato com recursos científicos (pesquisa, produção e divulgação de trabalho).

O participante relata que durante o seu processo de aprendizagem da L2, houve afinidade, conforto e motivação, pois diz que se sentiu acolhida pelos colegas em relação à comunicação, uma vez que percebia que percebia que os mesmos não tinham preconceito em relação a sua identidade surda. Também teve apoio de sua mãe, a qual sempre estava motivando-a escrever e ler na L2. Por mais que sentisse dificuldades em aprender a L2, por ser uma língua tão complexa, ainda sim sentiu conforto em ter contato com a mesma, pois sempre teve clareza de que aprender o português na modalidade escrita, interpretar textos ou entre outros era algo necessário para se comunicar com a sociedade. A participante considera seu conhecimento na escrita da L2 razoável, disse que sabe das regras gramaticais, porém sua dificuldade sempre foi em operar com as mesmas na escrita.

d) Perfil do sujeito 4

A quarta participante da pesquisa é do sexo feminino, tem 32 anos de idade e começou a adquirir sua L1 aproximadamente com nove anos, em meio a amigos surdos falantes da Libras na associação dos surdos. O seu interesse em aprender Libras foi despertado porque, a partir dessa língua, por ser visual, se sentia segura na comunicação com seus amigos surdos, tendo a certeza de que as pessoas a entendiam. Possui um conhecimento muito bom sobre os níveis de análise linguística da Libras. Comunica-se muito bem pela sua L1 e nunca sentiu dificuldades em adquiri-la.

Teve contato com a L2 a partir dos 18 anos de idade, no contexto familiar. Seu contato com o português acontecia às vezes, sempre por meio do computador, do jornal, de textos, sites e TV com legenda. Sobre a exposição à L2 e as condições de conteúdo da gramática dessa língua presentes no seu aprendizado nunca houve um contato com os seguintes elementos: a gramática, o uso e a função dessa língua na comunicação, as variações linguísticas, a organização da estrutura do texto, o trabalho com os diferentes gêneros textuais ou discursivos, estratégias de leitura e escrita, repertório linguístico de temas trabalhados.

Por outro lado, quanto às condições de contexto, ela considera que sempre teve contato com os seguintes elementos: recursos visuais (imagens, figuras, fotos) e participação em eventos (feira do livro, jornada da literatura, palestra, seminários ou outros). A participante relata que, durante o seu processo de aprendizagem da L2, não houve afinidade, conforto e motivação, pois não se sentia bem em meio às pessoas da sua turma, pois não havia interesse deles em interagir com ela.

e) Perfil do sujeito 5

A participante 5 é do sexo feminino e tem 37 anos de idade. Começou a adquirir a L1 aproximadamente aos 13 anos na associação de surdos. No questionário não ficou muito clara a sua resposta à questão que trata do motivo que a levou a adquirir Libras, disse somente que viajava a Porto Alegre para aprender e ter contato com a L1. Comunica-se regularmente pela sua L1 e sabe pouco sobre as questões linguísticas dessa língua. No entanto, encontrou facilidade em adquiri-la.

Sobre a L2, sua resposta ficou um tanto confusa, pois inicialmente sugere que nunca teve contato, porém, na sua resposta seguinte, relativa ao contexto em que teve contato com a L2, respondeu ter sido na escola, após os 18 anos. No que se refere ao motivo que a levou a aprender o português como L2, a participante se colocou em uma posição neutra. Sobre a frequência do contato com essa língua, relatou que não teve nenhum, justificando sua resposta pelo fato de o português ser muito difícil.

Sobre a exposição à L2 e as condições de conteúdo da gramática dessa língua presentes no seu aprendizado, nunca houve um contato com os seguintes elementos: as variações linguísticas, a estrutura do texto, os diferentes gêneros textuais e discursivos, as estratégias de leitura e escrita e repertório linguístico de temas trabalhados. Da mesma forma, considerou falhas as condições de contexto em relação aos seguintes elementos: didáticos

(livros, dicionários ou outros), recursos científicos (pesquisa, produção e divulgação de trabalho), recursos humanos (trabalhos em grupos, duplas, trios).

A participante relata que, durante o seu processo de aprendizagem da L2, não houve afinidade, conforto e motivação, mas não justificou o porquê dessas ausências. Sobre a gramática da L2, a participante considera seu conhecimento ruim, também sem justificar o porquê.

f) Perfil do sujeito 6

O sujeito 6 é do sexo masculino e tem 31 anos de idade. Começou a adquirir a L1 aproximadamente aos seis anos em uma escola de surdos em Porto Alegre. Teve seu interesse em aprender Libras despertado porque, no momento em que teve contato com essa língua, imediatamente começou a se comunicar por meio dela, diferentemente da língua oral utilizada em casa por sua família. Possui um conhecimento muito bom sobre os níveis de análise linguística da Libras. Comunica-se muito bem pela sua L1 e encontrou facilidades em adquiri- la, pelo fato de ser essa a primeira língua da escola em que estudava, por meio da qual encontrou sua identidade.

Sobre a exposição à L2, o participante relatou que teve contato com essa língua a partir dos seis anos de idade na escola. Começou a aprender o português porque essa língua fazia parte do currículo da escola em que estudava. Era necessário que aprendesse a gramática para poder escrever nessa língua, com a qual tinha contato às vezes. Ele relata que havia interesse em aprender tal língua, mas frequentava pouco as aulas.

Sobre as condições de conteúdo da gramática dessa língua presentes no seu aprendizado, houve um contato com os seguintes elementos: a gramática, o uso e a função dessa língua na comunicação, as variações linguísticas, repertório linguístico de temas trabalhados. Por outro lado, não houve contato com os conteúdos relacionados com a organização da estrutura do texto, com o trabalho de diferentes gêneros textuais ou discursivos e com estratégias de leitura e escrita.

Sobre as condições de contexto, o sujeito considera que sempre teve contato com os seguintes elementos: recursos visuais (imagens, figuras, fotos), recursos didáticos (livros, dicionários ou outros), recursos científicos (pesquisa, produção e divulgação de trabalho) e não teve contato com os recursos humanos (trabalhos em grupos, duplas, trios), nem participação em eventos (feira do livro, jornada da literatura, palestra, seminários ou outros).

O participante relata que, durante o seu processo de aprendizagem da L2, houve afinidade, conforto e motivação, pois diz que era importante ser bilíngue. Em relação à gramática e à escrita da L2, o participante considera o seu conhecimento bom. Encontra facilidade em ler e escrever o português em níveis de linguagem mais simples e tem dificuldade de ler e escrever o português em uma linguagem mais complexa.

Os textos produzidos pelos surdos e apresentados neste estudo trazem uma visão geral dos aspectos tratados no questionário. Na sequência, pode-se visualizar como foi organizado o trabalho de produção textual pelos surdos participantes desta pesquisa.

No documento 2013AndreiaMendiolaMarcon (páginas 126-132)