• Nenhum resultado encontrado

Quadro 2 Quadro síntese: Heterogeneidade Estrutural e sua relação com a produtividade

5 A realidade produtiva brasileira de 1996 a

5.6 Pessoal Ocupado (PO)

Gráfico 24–Brasil: Evolução da Participação do Pessoal Ocupado por segmento industrial (%) (1996 - 2011)

Fonte: PIA – IBGE (Elaboração própria).

0,00% 20,00% 40,00% 60,00% 80,00% 100,00% CA CI IN IT PE

A evolução da participação do Pessoal Ocupado da indústria brasileira, dividida por segmento industrial, de 1996 a 2011 é apresentada no Gráfico 24. Como é possível observar, a grande maioria do PO brasileira está alocada na indústria tradicional, segmento IT – o VBPI e VTI brasileiros também se concentram em tal segmento, porém enquanto a participação deste segmento no VBPI e VTI fica em torno de 30% do total da indústria brasileira, a participação do PO do segmento é de mais de 50% do total industrial, durante os anos da série analisada.

O segmento CA, inicia a série com participação de 10,67% da total do PO da indústria brasileira e, em 2011, tal participação já se elevou para 17,57%. O segmento CI apresenta crescimento também na participação ao compararmos os anos de 1996 e 2011. No primeiro ano da série, a participação do segmento era de 9,41% do total, enquanto no último ano, a participação é de 10,79%. Os segmentos IN e IT perdem participação ao se comparar 1996 com 2011. O primeiro, que detinha participação de 28,89% em 1996, termina a série com participação de 24,49%, já o segundo, inicia a série com participação de 51,03% e em 2011 sua participação cai para 46,15% da participação total.

Gráfico 25–Brasil: Evolução do Pessoal Ocupado por segmento industrial (%) (1996 - 2011)

Fonte: PIA – IBGE (Elaboração própria).

-40,00% -20,00% 0,00% 20,00% 40,00% 60,00% 80,00% 100,00% CA CI IN IT Total

O Gráfico 25 apresenta a evolução do pessoal ocupado da indústria brasileira por segmento de 1996 a 2011, o ano 1996 é fixado como base. Na comparação 1996 com 2011, os segmentos industriais que apresentam maior crescimento são CA e CI – 89,12% e 31,77%, respectivamente. O segmento IN apresenta decréscimo de 2,62% do pessoal ocupado, comparando-se os números de 2011, com o que era em 1996. Já o segmento IT apresenta crescimento pequeno, de 1996 para 2011, de apenas 3,90%.

Adentrando no segmento CA, em 2011, as divisões de maior representatividade foram fabricação de produtos alimentícios, fabricação de produtos de madeira e fabricação de celulose, papel e produtos de papel (78,01%, 10,91% e 9,51%, respectivamente). A divisão industrial que apresentou maior crescimento de 1996 para 2011 foi fabricação de produtos alimentícios – 158,24%. As outras divisões, o crescimento foi muito pequeno, e as divisões fabricação de produtos do fumo e fabricação de celulose, papel e produtos de papel apresentaram decréscimo de 19,55% e 10,21%.

No segmento CI, as maiores participações em 1996 são fabricação de coque, de produtos derivados do petróleo e biocombustíveis, fabricação de produtos químicos e metalurgia – 23,73%, 15,55% e 15,03% de participação respectivamente. Em 2011, as maiores participação continuam das mesmas divisões, mas com números diferenciados. A divisão metalurgia cresce em participação atingindo 31,37% de participação do PO da indústria brasileira, as outras duas divisões decrescem participação para 12,65% e 13,19% – respectivamente. Já os maiores crescimentos de PO são encontrados nos segmentos extração de carvão mineral, atividades de apoio à extração de minerais e metalurgia – 318,09%, 131,47% e 174,99%. A participação da divisão extração de carvão mineral alcança 1,09% do segmento em 2011 e da divisão atividade de apoio à extração de minerais, 10,25%.

As divisões fabricação de produtos alimentícios, confecção de artigos do vestuário e acessórios, preparação de couros e fabricação de artefatos de couro, artigos para viagem e calçados e fabricação de produtos de metal, exceto máquinas e equipamentos são as representantes do segmento IT que obtiveram maior participação no PO em 2011 – 16,66%, 14,39%, 11,59% e 11,45%. Esse cenário se difere do que era observado na indústria brasileira em 1996, onde a divisão fabricação de produtos têxteis também entrava na lista de setores importantes assim como a divisão industrial fabricação de produtos diversos. As divisões que mais crescerem em termos de PO de 1996 a 2011 foram: impressão e reproduções de gravações (80,08%), fabricação de produtos de minerais

não-metálicos (50,03%) e fabricação de produtos de metal, exceto máquinas e equipamentos (55,63%).

Ressaltam-se as participações das divisões fabricação de máquinas, aparelhos e materiais elétricos, fabricação de máquinas e equipamentos e fabricação de veículos automotores, reboques e carrocerias no PO brasileiro do segmento IN em 2011 – 14,69%, 21,79% e 31,16%. Os maiores crescimentos do segmento, de 1996 a 2011, foram das divisões fabricação de produtos farmoquímicos (43,68%), fabricação de máquinas, aparelhos e materiais elétricos (39,78%), fabricação de veículos automotores, reboques e carrocerias (69,57%) e fabricação de outros equipamentos de transporte, exceto veículos automotores (93,33%).

O comportamento do pessoal ocupado se assimila ao comportamento do número de empresas ativas, mais de 50% de seu montante está alocado na indústria tradicional. Apesar de tal aspecto ocorrer com VTI e VBPI também, o percentual destes é inferior ao percentual de participação de indústria tradicional no pessoal ocupado e número de empresas ativas, o que evidencia baixa produtividade no segmento. As divisões fabricação de produtos alimentícios, confecção de artigos do vestuário e acessórios, preparação de couros são aquelas dentro do segmento IT que apresentaram maior participação, ou seja, grande parte da população brasileira está alocada em um segmento industrial com tecnologia disseminado, com baixa produtividade e pouco dinâmica.

5.7 Produtividade (Prod = VTI/PO)

O cálculo da produtividade é feito através da divisão do VTI pelo PO, assim sendo, o número obtido é referente à produtividade do trabalho e ele representa o tanto de VTI que cada trabalhador médio produziu em um ano determinado. O Gráfico 25 apresenta os valores referentes à produtividade da indústria brasileira de 1996 a 2011 por segmento industrial. Como é possível se observar, apesar das oscilações naturais da produtividade ao longo dos anos, a produtividade da indústria brasileira não tem clara tendência de aumento, mas ela anda de lado, isso significa que, de 1996 a 2011, a indústria brasileira não teve grande mudança na sua estrutura produtivo-econômica que resultasse em uma alteração na forma como se produz no país e assim em um ganho considerável de produtividade.

Ainda pelo Gráfico 26, é possível observar que o segmento industrial mais produtivo é o segmento CI, os outros apresentam

produtividade mais parecida, que pode ser melhor observada no Gráfico 27, que apresenta a produtividade de todos os segmentos em relação à produtividade total.

Gráfico 26–Brasil: Evolução da Produtividade por segmento industrial (%) (Prod=VTI/PO; 1996 - 2011)

Fonte: PIA – IBGE (Elaboração própria).

0 50 100 150 200 250 300 350 1 9 9 6 1 9 9 7 1 9 9 8 1 9 9 9 2 0 0 0 2 0 0 1 2 0 0 2 2 0 0 3 2 0 0 4 2 0 0 5 2 0 0 6 2 0 0 7 2 0 0 8 2 0 0 9 2 0 1 0 2 0 1 1 Produtividade (VTI/PO) CA CI IN IT Total

Gráfico 27–Brasil: Evolução da Produtividade em Relação à Produtividade Total por segmento industrial (%) (Prod Total=0; 1996 - 2011)

Fonte: PIA – IBGE (Elaboração Própria).

Como explanado anteriormente, o Gráfico 27 apresenta a evolução da produtividade dos distintos segmentos industriais em relação à produtividade total, fixada esta como zero. A produtividade do segmento CI é, durante toda a série superior à produtividade total, diferente da produtividade dos outros segmentos, que, em determinados anos é inferior à produtividade total da indústria. O segmento CA inicia a séria mais produtiva que a produtividade média da indústria, porém, após 2007, sua produtividade se reduz e assim se mantém até 2011. Movimento oposto ocorre com o segmento IN, que apresenta produtividade inferior à produtividade média da indústria brasileira e que, apresenta, nos anos finais da série, recuperação da mesma a números superiores ao da

-1 -0,5 0 0,5 1 1,5 2 2,5 3 1996 1997 1998 1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010 2011 P ro d u ti v id ad e ( V T I/P O) IT IN CI CA

produtividade média. O segmento IT apresenta produtividade inferior à produtividade media da indústria brasileira durante toda a séria – tal segmento é importante para a indústria brasileira, pois mais de 50% do PO brasileiro se concentra no mesmo, que, apresentando baixa produtividade apresenta baixos salários também.

Dentro do segmento CA, as divisões que apresentam maior produtividade durante toda a séria são fabricação de produtos do fumo e fabricação de celulose, papel e produtos de papel. No segmento CI, as maiores produtividades são das divisões industriais da indústria extrativa: extração de carvão mineral, extração de minerais não-metálicos e extração de minerais metálicos. Ainda no segmento CI, da indústria de transformação, destacam-se: fabricação de coque, de produtos derivados do petróleo e de biocombustíveis e metalurgia.

No segmento IT, as divisões industriais fabricação de produtos alimentícios, fabricação de bebidas, fabricação de celulose, papel e produtos de papel, impressões e reproduções de gravações e fabricação de coque, de produtos derivados do petróleo e de biocombustíveis são as que apresentam maior produtividade durante toda a série. As maiores produtividades do segmento IN são das divisões industriais: fabricação de produtos químicos, fabricação de produtos farmoquímicos e farmacêuticos e fabricação de veículos automotores, reboques e carrocerias.

O segmento industrial de maior produtividade durante a série é o segmento industrial CI, o segmento IT, aquele com maior participação no pessoal ocupado, apresenta produtividade inferior à produtividade total da indústria brasileira durante toda a série. Conclui-se assim que o número de trabalhadores da indústria brasileira alocado neste segmento, de baixa produtividade e assim baixa remuneração média da mão de obra, causa uma condição social de heterogeneidade, com muitos trabalhadores com baixa remuneração e poucos trabalhadores com alta remuneração, assim configura-se a desigualdade social observada no país e a alta concentração de renda.

5.8 Densidade (Dens = VTI/VBPI)

A densidade, representada pela razão entre VTI e VBPI, apresenta o quando de conteúdo industrial é transformado em comparação ao que é vendido. Através do estudo da densidade de uma cadeia, é possível se fazer uma análise do quando ela incorpora em seu processo produtivo de insumo importado em sua transformação industrial, ela