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Planejamento e Construção do Campus Central da UFRN

PROCESSO DE PLANEJAMENTO E CONSTRUÇÃO DO CAMPUS CENTRAL DA UFRN

LOCAL ONDE FOI CONSTRUÍDA A

4.2 Planejamento e Construção do Campus Central da UFRN

O planejamento para construção do Campus Central da UFRN teve início em 1968, no reitorado de Onofre Lopes da Silva (1959-1971), quando foi criado um Grupo de Trabalho com a responsabilidade de coordenar os estudos necessários para a implantação do “campus” universitário41. No ano seguinte, foi instituída uma comissão para implantação da Reforma

Universitária, cujo objetivo era programar a nova estrutura universitária e administrativa da UFRN42. De acordo com esta Resolução, seria criado um “plano global de implantação” cujas

atividades, com início previsto para 1970, deveriam ocorrer de forma escalonada e atendendo a metas prioritárias, estabelecidas num cronograma de execução.

O reitor Genário Alves da Fonseca iniciou sua gestão em maio de 1971 e uma de suas primeiras atividades foi designar uma comissão para tratar da implantação do campus universitário da UFRN. Para tanto, contou com o assessoramento de um escritório inglês especializado na elaboração de projetos de campus universitários, o International

Processional Consortia Ltda. Dois arquitetos dessa empresa - David Johnson e Michael

Baliard - vieram pessoalmente a Natal prestar essa assessoria43/44.

A partir destas orientações, foi criado um Grupo de Trabalho formado pelo arquiteto da Diretoria de Obras da UFRN Manoel Coelho da Silva; pelo arquiteto e professor da Escola de Engenharia da UFRN, João Maurício de Miranda; pelo engenheiro Antônio Emanoel Lago, professor da Escola de Engenharia da UFRN; pelo contador, professor da antiga Faculdade de Ciências Econômicas, Contábeis e Atuariais, José Cláudio de Morais Melo; e pelo advogado Carlos Jussier Trindade dos Santos, auxiliar direto do reitorado de Genário Alves da Fonseca45. O objetivo desta comissão era realizar, o levantamento preliminar de dados

para subsidiar a elaboração do anteprojeto para construção do campus universitário da UFRN. Ainda de acordo com a matéria que divulgou esta notícia, “o início dos trabalhos de construção do campus está na dependência da liberação da área por parte do Comando da ID/7. Logo que isso seja feito, a UFRN começará os estudos topográficos”.

Miranda (2009, p. 112) lembra que os integrantes desse Grupo “reuniam-se semanalmente à noite, na antiga residência do Sr. Fernando Gomes Pedroza, na Avenida Nilo Peçanha, adquirida pela UFRN e onde se instalara a administração da Faculdade de Medicina”. O anteprojeto elaborado por esta equipe foi concluído em março de 1972, contendo os estudos de viabilidade econômico-financeira e de localização que resultaram no Projeto

41 RESOLUÇÃO CONSUNI nº. 64/68-U, de 02 de agosto de 1968. 42 RESOLUÇÃO CONSUNI nº. 47/69-U, de 19 de setembro de 1969.

43 CAMPUS Universitário foi assunto no 1º dia de trabalho do Reitor. Diário de Natal, Natal, 27 mai. 1971. Disponível em: http://memoria.bn.br/. Acesso em 03/07/2017.

44 Infelizmente, na nossa pesquisa historiográfica não foram encontradas outras informações sobre essa assessoria, seus desdobramentos ou o motivo desse escritório inglês ter sido escolhido.

45 COMISSÃO vai elaborar anteprojeto do campus. Diário de Natal, Natal, 28 mai. 1971. Disponível em: http://memoria.bn.br/. Acesso em 03/07/2017.

Global do Campus. Inicialmente, a previsão era que a construção do campus da UFRN ocorresse em três etapas bianuais. Na primeira, seria implantada a infraestrutura e construção dos Institutos Básicos; na segunda, seriam construídos os prédios para abrigar as atividades das áreas tecnológica e humanística; e na terceira, seria construída a área biomédica. Vale ressaltar que, antes mesmo da finalização desses estudos, o levantamento topográfico do terreno localizado nas proximidades da Escola de Engenharia já havia sido realizado.

O levantamento planimétrico do terreno com 140 hectares próximo à Escola de Engenharia foi concluído no início do mês de novembro de 1971. Nesse mesmo período, o reitor Genário Alves da Fonseca foi a Brasília tratar do processo licitatório para realizar os estudos de viabilidade econômica e os projetos urbanístico e arquitetônico do campus universitário. Nesta viagem, o reitor já levou o projeto de construção do Centro de Desportos da Universidade, elaborado pelos arquitetos João Maurício de Miranda e Manoel Coelho, ao qual estava destinada uma verba de Cr$ 400 mil46.

O Relatório de Atividades da UFRN realizadas ao longo do ano de 1971 também aborda esta questão, destacando o fato de que a equipe da Diretoria de Obras da universidade havia colaborado diretamente nas atividades de planejamento e construção do campus universitário através da realização do levantamento topográfico e supervisão dos serviços de desmatamento e terraplenagem do terreno (

Figura 23).

46 LEVANTAMENTO para “campus” concluído. Diário de Natal, Natal, 05 nov. 1971. Disponível em: http://memoria.bn.br/. Acesso em 03/07/2017.

Figura 23: Serviços de desmatamento e terraplenagem da área onde seria construída a Praça Cívica

do Campus, situada nas proximidades da antiga Escola de Engenharia.

Fonte: Acervo pessoal do engenheiro Erivan Romão.

Um fato pouco divulgado nos documentos e publicações que tratam da fase de planejamento do campus da UFRN é que, além dos produtos especificados no parágrafo anterior, os arquitetos Manoel Coelho e João Maurício, também elaboraram um anteprojeto urbanístico, com uma proposta para o campus universitário (Figura 24 e Figura 25). O projeto já seguia as orientações das diretrizes traçadas pelo MEC para a Reforma Administrativa da UFRN, na qual os institutos e faculdades isoladas eram agrupados em cinco Centros (Centro de Ciências Naturais – CCEN; Centro de Ciências Humanas Letras e Artes – CCHLA; Centro de Tecnologia – CT; Centro de Ciências da Saúde – CCS; Centro de Ciências Sociais Aplicadas – CCSA) (UFRN, 1973, p. 42-43).

De acordo com Miranda (2009), os Centros eram considerados “ilhas de saber”, circundados por anéis viários, com uma setorização atividades, na qual as áreas periféricas eram ocupadas por jardins e áreas arborizadas, e as edificações eram distribuídas a partir de uma praça central. Ele indica ainda que devido à irregularidade do terreno (área de dunas), estas unidades deveriam ser implantadas em locais onde fosse necessário o mínimo de movimentação de terra, em plataformas com diferentes níveis, demonstrando uma preocupação com os custos da execução.

Os Centros foram projetados em forma de hexágonos inscritos numa circunferência de raio=200m. Em torno de uma praça central de forma quadrada se desenvolvem as áreas físicas correspondentes e necessárias

para o conjunto didático. Os projetos obedecem a uma estrutura simples e modulada para facilitar a necessidade de expansão. Estão interconectados por jardins e passeios de comunicação entre os prédios. Na periferia foi projetado um cinturão de árvores de grande porte, nativas, como o oiti, sobre um gramado, para sombreamento e manutenção de um clima de temperatura baixa. Circunda o hexágono um anel viário para cada centro, sem cruzamentos e com grandes estacionamentos, ligados à praça central por passeios sombreados (MIRANDA, 2009, p.116).

O detalhamento desse anteprojeto resultou em um Plano Piloto, porém o mesmo não foi executado (Figura 26). Essa primeira proposta para o campus da UFRN também apresenta características do planejamento moderno. Seu desenho é formado por várias células (centros de inteligência / ilhas do saber) que se intercomunicam ao longo de uma circulação central, fazendo lembrar a ideia das cidades-jardins propostas por Ebenezer Howard.

A pesquisa historiográfica realizada neste trabalho não deixou claro o motivo pelo qual este projeto, desenvolvido pela equipe local, não foi levado adiante. João Maurício de Miranda (2009), um dos autores deste Plano Piloto, dá a entender, quase num tom de desabafo, que a contratação do escritório de Alcyr Meira ocorreu devido a influências políticas, já que ele e o ministro da Educação eram paraenses, mas nada disso é comprovado pela documentação oficial.

Quando o novo anteprojeto estava para ser enviado ao Departamento de Assuntos Acadêmicos do Ministério da Educação e Cultura, chegou à Reitoria um anteprojeto da Empresa Alcyr Meira & Cia, de Belém do Pará. Era Ministro da Educação o Sr. Jarbas Passarinho, militar da reserva do Exército e senador do Estado do Pará.

Figura 24: Arquiteto Manoel Coelho apresentando o anteprojeto do Campus para um grupo de

alunos e funcionários da universidade.

Figura 25: Anteprojeto para o campus universitário da UFRN elaborado pelos arquitetos João

Maurício de Miranda e Manoel Coelho da Silva.

Fonte: Editado pela autora a partir do original publicado em Miranda (2009, p. 115-117).

Figura 26: Plano Piloto para o campus universitário da UFRN elaborado pelos arquitetos João

Maurício de Mirante e Manoel Coelho da Silva.

Fonte: Acervo da mapoteca da INFRA/UFRN.

As primeiras negociações visando à contratação do escritório do arquiteto paraense Alcyr Meira para que o mesmo coordenasse o projeto urbanístico do Campus Universitário da

LEGENDA