2 REFERENCIAL TEÓRICO
3.2 POPULAÇÃO E AMOSTRA
A população alvo do estudo compreende os beneficiários do Programa Bolsa Família residentes na Mesorregião Centro Ocidental Rio-Grandense, a qual é composta por 31 municípios (agrupados em 3 microrregiões - Microrregião de Santa Maria, Microrregião de Restinga Seca e Microrregião de Santiago). O interesse em investigar esse público, se deu incialmente pela identificação de que os principais estudos realizados com público de baixa renda que abordaram aspectos financeiros foram desenvolvidos em cidades metropolitanas e capitais.
Para ratificar essa assertiva destaca-se alguns desses estudos. Moura (2005), por exemplo, realizou um estudo com a população de baixa renda na cidade de São Paulo, buscando identificar o impacto do materialismo na atitude ao endividamento e no nível de dívida. As empresas Plano CDE e Bankable Frontier Associates (2012), com o objetivo de melhor entender como as famílias nas classes C, D e E gerenciam o seu dinheiro investigaram beneficiários do Programa Bolsa Família e indivíduos das classes C, D e E nos municípios de São Paulo, Rio de Janeiro, Recife e Belém. Mattoso (2005) buscou investigar aspectos simbólicos das soluções dadas aos problemas financeiros pelos pobres a partir de uma abordagem interpretativa na comunidade da Rosinha no Rio de Janeiro.
De maneira mais ampla, o MDS juntamente com a SAGI, em duas pesquisas e o Instituto Pólis, em outra, buscaram explorar os conhecimentos, atitudes e práticas financeiras das famílias inscritas no Cadastro Único para Programas Sociais bem como o padrão de consumo, endividamento e acesso a serviços/produtos financeiros dessas famílias, com os beneficiários do PBF foi investigado como eles alocam os rendimentos mensais (MDS; SAGI, 2014a; MDS; SAGI, 2012b; MDS; SAGI, 2007c). A amostra desses estudos foi ampla, englobando todas as regiões do Brasil estratificadas pelo porte dos municípios, todavia esses estudos fornecem indicativos referentes sobre o tema em um contexto mais amplo, não buscando explorar especificamente cidades mais interioranas.
Esse panorama evidencia que a preocupação com a sociedade de baixa renda se dá principalmente em grandes metrópoles, onde o contexto social, as dificuldades ultrapassadas e as vulnerabilidades enfrentadas são distintas de localidades interioranas ou por meio de uma visão mais global da situação como as realizadas pelos órgãos governamentais. Diante disso, visualizou-se a necessidade de estudos que se aprofundem na compreensão das relações da sociedade de baixa renda em uma conjuntura específica como a Mesorregião Centro Ocidental Rio-Grandense.
Essa região é caracterizada por uma economia voltada para agropecuária e o setor terciário, onde predominam as pequenas e as médias propriedades rurais, sendo o parque industrial dessa área é constituído por micro, pequenas e médias empresas, que, em geral, processam alguns produtos da agropecuária e produzem bens para o mercado regional (ALONSO, 2009). Dentre os 31 municípios que a compõe, o município de Santa Maria é a de maior representatividade, nela destacam-se os serviços de natureza pública, em especial ensino de nível superior e segurança nacional. Os demais municípios dessa mesorregião articulam-se em torno de Santa Maria, não havendo muito espaço para o surgimento de outros centros urbanos na região (MORAES, 2013).
Além dessas questões, o desempenho do PIB per capita também é um aspecto a ser salientado. Segundo pesquisa realizada por Moraes (2013), o PIB per capita da mesorregião Centro Ocidental é o mais baixo e o que apresentou menor crescimento de todas as sete mesorregiões apontadas pelo IBGE (2010). Esse panorama torna essa região ainda mais interessante para essa pesquisa, pois diante dessas dificuldades econômicas as oportunidades para essa gama da sociedade são ainda menores, havendo assim a necessidade de se compreender como estão as relações dessas pessoas, no caso dos beneficiários do PBF, com os recursos monetários, para que posteriormente possa-se sugerir o desenvolvimento de políticas que amenizem suas vulnerabilidades. A localização da Mesorregião no estado é exposta na Figura 06.
Figura 06 - Mapa do Rio Grande do Sul com destaque da Mesorregião Centro Ocidental Rio- Grandense
Fonte: (IBGE, 2010).
Para identificar a população a ser investigada utilizaram-se os dados disponíveis no portal da transparência no mês de outubro de 2014 (foi adotado o mês de outubro de 2014 como base, pois foi o último dado disponível antes do início da coleta de dados). Assim, a coleta foi realizada com base no número de beneficiários correspondentes a cada um dos 31 municípios pertencentes à Mesorregião Centro Ocidental Rio-Grandense identificados naquele período. Por meio dessa coleta identificou-se que há 31.671 beneficiários do PBF nessa mesorregião (PORTAL DA TRANSPARÊNCIA, 2014).
Considerando a amplitude dessa população alvo, buscou-se por meio do processo de amostragem, o qual permite selecionar um número adequado de indivíduos de modo que se possam fazer generalizações de forma confiável, minimizar o número de entrevistados (MATTAR, 2005). Para isso, utiliza-se o método de Martins (2011) para determinar da amostra, sendo a estimação apresentada na Equação 1.
̂ ̂
em que:
= tamanho da amostra;
= abscissa da distribuição normal padrão, fixado um nível de confiança g; ̂ = estimativa da proporção p;
̂ = 1 - ̂;
N = tamanho da população;
= erro amostral (máxima diferença permitida entre p e ̂).
Para calcular o processo de amostragem considerou-se um erro amostral de 4%, com 95% de confiança e uma população finita de 31.671 indivíduos que representam o total de beneficiários da região escolhida para o estudo. A Tabela 02 apresenta a distribuição da população, dos beneficiários e da amostra coletada.
Tabela 02 – População, beneficiários e amostra.
Cidade Nº Habitantes Beneficiados Amostra
Cacequi 13.676 1.483 28
Dilermando de Aguiar 3.064 317 6
Itaara 5.010 330 6
Jaguari 11.473 759 14
Mata 5.111 417 8
Nova Esperança do Sul 4.671 208 4 Santa Maria 261.031 11.377 212 São Martinho da Serra 3.201 270 5
São Pedro do Sul 16.368 1.046 19
São Sepé 23.798 1.572 29
São Vicente do Sul 8.440 786 15
Toropi 2.952 143 3
Vila Nova do Sul 4.221 457 9
Total Microrregião de Santa Maria 363.016 19.165 357
Agudo 16.722 928 17 Dona Francisca 3.401 233 4 Faxinal do Soturno 6.672 343 6 Formigueiro 7.014 584 11 Ivorá 2.156 88 2 Nova Palma 6.342 315 6 Restinga Seca 15.849 1.402 26 São João do Polêsine 2.635 125 2
Silveira Martins 2.449 114 2
Total Microrregião de Restinga Seca 63.240 4.132 77
Capão do Cipó 3.104 420 8 Itacurubi 3.441 468 9 Jarí 3.575 181 3 Júlio de Castilhos 19.579 1.450 27 Pinhal Grande 4.471 317 6 Quevedos 2.710 285 5 Santiago 49.071 2.742 51
Tabela 02 – População, beneficiários e amostra.
(conclusão)
Cidade Nº Habitantes Beneficiados Amostra
Tupanciretã 22.281 2.176 41
Unistalda 2.450 335 6
Total Microrregião de Santiago 110.682 8.374 156
TOTAL 536.938 31.671 590
Fonte: Elaborado pela autora com base nos dados do IBGE (2010) e Portal da Transparência (2014).
Sendo assim, a amostra final a ser investigada seria de 590 famílias beneficiadas com o PBF, distribuídas entre as cidades da Mesorregião Centro Ocidental Rio-Grandense, sendo que cada município tem sua amostra específica baseada no número de beneficiários de cada município. Todavia, 595 questionários válidos foram coletados.