2.3 A TEORIA DE CUSTOS DE TRANSAÇÃO (TCT)
2.3.2 Pressupostos da Teoria de Custos de Transação (TCT).
Considerando que a Teoria de Custos de Transação parte da hipótese de que na relação entre os agentes a informação não é perfeita, são elaborados então os pressupostos que se caracterizam como fundamentais para a existência dos custos de transação. Williamsom (1985) elabora seus argumentos, considerando que as diversas formas de ordenar institucionalmente as transações também se diferenciam as funções que ocasionados, principalmente por causa das possíveis atitudes oportunistas que podem surgir nessa relação. Isso pode ser evitado e/ou diminuído caso existam sistemas de incentivos. Estes se baseiam em dois "pressupostos comportamentais” que colidem com os da economia neoclássica: oportunismo e racionalidade limitada.
O oportunismo é definido como uma estratégia que envolve conspirações, destinadas ao auto–interesse. Está relacionada com a falta de moral entre uma das partes da transação. Uma atitude oportunista parte do pressuposto de que entre um dos agentes econômicos haverá uma atitude de dolo, guiada por comportamentos egoístas e com a ausência de princípios éticos. Ou seja, em vez da relação ser baseada na honestidade e cooperação, um dos agentes, de forma estratégica, realizará ações visando prejudicar a outra parte.
A racionalidade limitada foi um termo foi criado em 1957 por Herbert Simon, um teórico organizacional. Refere-se a problemas de informação, mas acrescentam limitações cognitivas, de raciocínio e de habilidades para processar informações por parte dos indivíduos. A racionalidade limitada implica que os indivíduos não podem calcular todos os resultados possíveis e suas probabilidades associadas, o que não
permitirá processar o preço racional ou oferta de abastecimento. A presença da racionalidade limitada implica que todos os contratos são incompletos. Eles não podem especificar todos os fatos relevantes entre os contratantes na elaboração de um contrato. Esse pensamento se opõe ao pensamento da teoria neoclássica que considera que os sujeitos possuem informação perfeita.
De acordo com Simon (1947, 1958), os agentes econômicos se comportam segundo uma situação real, complexa e da natureza humana e não apenas limitada ao cálculo econômico. Simon argumentou que a escolha é sempre feita em função de um modelo da situação real, restrito, aproximado e simplificado e os elementos da definição da situação não são dados, isto é, não são tomados por pressupostos de teoria, mas constituem os processos psicológicos e sociológicos que incluem as atividades da pessoa que fez a escolha e as de outros integrantes do ambiente.
Além das questões comportamentais da racionalidade limitada e oportunismo, Williamson considerou, na sua análise, os pressupostos relacionados ao ambiente. Estes estão categorizados como: ativos específicos, incerteza e freqüência das transações.
Os ativos específicos tratam dos ativos que não são reutilizáveis a menos que se tenha perda de valor. São as transações que ocorrem em pequeno número, pois apenas um pequeno número de agentes pode participar destas. Sendo assim, os agentes (comprador e fornecedor), dada a natureza do produto ou do serviço, estabelecem uma relação quase ou totalmente exclusiva. Isso pode torná-los reféns um do outro (FIANI, 2002).
Williansom distingue os seguintes tipos de ativos:
1. Especificidade de local: refere-se à localização das firmas de uma mesma cadeia produtiva, ou seja, quando elas se colocam uma perto da outra, diminuem os custos referentes a transportes e armazenamento dos produtos;
2. Especificidade de ativo humano: relacionada ao capital humano, às competências numa determinada atividade;
3. Especificidade de ativo físico: relacionado aos materiais, ao maquinário utilizado para realizar um produto específico;
4. Especificidade de ativo dedicado: refere-se ao retorno decorrente da relação entre a quantidade de investimento realizado e a transação com um agente particular.
5. Especificidade temporal: refere-se ao tempo em que uma transação ocorre;
Os ativos específicos podem causar dois tipos de problemas. O primeiro é a “transformação fundamental”, ou seja, uma situação, que começa com a oferta do competidor antes do contrato e pode transformar-se num monopólio após o contrato. Uma vez que o investimento foi feito, nenhum fornecedor alternativo combina os preços do primeiro licitante bem sucedido - desde que cada novo licitante bem sucedido tenha que investir especificamente para cumprir o contrato. O segundo problema é o inerente ao monopólio em ativos específicos. Isso ocorre quando os ativos têm um único comprador, estabelecendo um resultado bilateral do monopólio. Isso significa que uma ou ambas as partes são vulneráveis à apropriação (RIVERA, 1999).
A incerteza é entendida como um fator do ambiente, que se apresenta a partir do número e medida das modificações possíveis nas transações em áreas planejadas. Considerando a existência de um ambiente inseguro, o cumprimento dos contratos, na realização da transação, passa por um percurso que envolve datas, preços, condições e quantidades. Isso implica em constantes modificações desses contratos, que, por sua vez, sofre o incremento de custos.
Segundo Williansom (1985), a incerteza pode ser de dois tipos:
1. Incerteza paramétrica: relacionada às condições situacionais das transações e seu futuro desenvolvimento;
2. Incerteza de conduta: resultante de um comportamento oportunista por parte dos agentes econômicos.
Para Rivera (1999) esta incerteza ocorre diante da impossibilidade de saber como se comportará o sócio diante das suas obrigações contratuais. Na medida em que aumenta também a incerteza ex-ante e ex-post de uma transação, ocorrerá aumento dos custos de transação ex-ante, uma vez que se precisará contar com mais eventualidades e contingências em relação ao intercâmbio e, considerando também a racionalidade
limitada dos sujeitos econômicos, os contratos também sofrerão custos (RIVERA, 1999).
A freqüência das transações está relacionada com a quantidade de vezes que os agentes se relacionam para realizar transações. Segundo Farina (1997), a freqüência com que uma transação ocorre é relevante para se determinar a estrutura de governança. A princípio, numa única transação não é necessário se montar uma estrutura complexa e esta poderá ser realizada no mercado, de forma imediata. Porém, a maior parte das transações é recorrente como, por exemplo, na compra de medicamentos para uma Secretaria de Saúde.
À medida que se estabelece uma freqüência entre as relações, os custos associados a coleta de informações e redação de contratos diminuem. Essa repetição possibilitará que as parte que negociam adquiram conhecimentos uma das outras, se estabeleça uma relação de confiança e a criação de reputação, por exemplo, a partir do estabelecimento de uma marca que ficará conhecida. A criação de compromisso confiável entre as partes possibilitará a redução do oportunismo e da incerteza pela perspectiva da continuidade da transação.
Considerando a necessidade de utilização dos escassos recursos disponíveis na sociedade, a economia busca sempre um modelo que possibilite o melhor uso possível desses recursos. Segundo Bittencourt (1999), “a economia clássica e neoclássica respondem a essa questão através da economia de escala (elevado volume de produção). Na TCT, o desempenho da economia também depende de como as empresas são administradas” (RIBEIRO, 2004).