4. A PRESENTAÇÃO E D ISCUSSÃO DOS R ESULTADOS
4.6. Prevalência de excesso de peso e obesidade
Caracterizar a amostra quanto ao IMC percentilado é de extrema importância para o presente estudo. Verificámos que a maioria das crianças da amostra se situa no peso normal (56,1%).
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No entanto, não podemos deixar de referir que se juntarmos as crianças com pré-obesidade (23,3%) e obesidade (19,6%) já instalada ficamos com uma prevalência de 42,9% (Tabela 15).
Tabela 15.
Distribuição da amostra quanto ao IMC percentilado das crianças
Pela análise dos dados obtidos na avaliação do IMC das crianças, observamos que na nossa amostra a prevalência de crianças em idade pré-escolar com obesidade e pré-obesidade é superior à prevalência encontrada em outros estudos locais realizados em Portugal, como os de Cordeiro et al. (2007), em que a prevalência foi de 13,8% para o excesso de peso e 11,5% para a obesidade; Gomes, Espanca, Gato e Miranda (2010), no qual se verificou uma prevalência de excesso de peso de 25,4% e obesidade de 11,6%; e Martins (2011), com uma prevalência de excesso de peso de 12,2% e obesidade de 18,9%.
A Tabela 16 revela os resultados da relação entre o IMC percentilado das crianças com as varáveis relativas à caracterização da amostra. Assim, podemos observar que a aplicação dos testes não paramétricos apenas resultou em diferença estatisticamente significativa em relação à idade das crianças e ao tipo de estabelecimento de ensino.
Tabela 16.
Nível de significância dos testes não paramétricos: IMC percentilado das crianças e algumas variáveis de caracterização da amostra
Variáveis IMC percentilado das crianças
Sexo da criança M-W=4149,0 p = 0,436
Idade da criança M-W=3597,0 p = 0,010
Tipo de estabelecimento de ensino M-W=3436,5 p = 0,030
Idade da mãe K-W=3,431 p = 0,180
Rendimento mensal da família K-W=7,050 p = 0,133
Habilitações literárias da mãe K-W=4,958 p = 0,175
Classificação do IMC das crianças n %
Baixo peso 2 1,1
Peso normal 106 56,1
Pré-obesidade 44 23,3
Obesidade 37 19,6
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Em relação ao sexo, não se observam diferenças estatisticamente significativas, tal como sucedeu com Oliveira et al. (2003), pois como o autor refere, as diferenças entre género, no que diz respeito ao IMC, poderão surgir mais tarde, no terceiro período crítico para o aparecimento de obesidade, a adolescência. Cordeiro et al. (2007), com uma amostra que varia entre os 5 e os 10 anos de idade, também não obtiveram diferença estatisticamente significativa entre o IMC e o sexo das crianças, tal como Simon et al. (2009), numa amostra com idades entre os 3 e 6 anos de idade. No estudo de Sousa (2011), por exemplo, em que a idade das crianças da amostra é em média 13,7 anos, já se verificam diferenças estatisticamente significativas, sendo que nessa mesma amostra, existem mais rapazes do que raparigas com excesso de peso e obesidade. Já Gomes et al. (2010), numa amostra de idade pré-escolar, tal como a nossa, obtiveram uma diferença estatisticamente significativa em relação ao sexo, com o género feminino a ser identificado como fator de risco para a ocorrência de excesso de peso.
A idade, no nosso estudo, parece ser um fator preponderante para o aparecimento de excesso de peso e obesidade nas crianças, com uma diferença estatisticamente significativa de p=0,01, e a média na ordem das classes superior nas idades mais elevadas [57-73 meses]. Entendemos assim que nas idades superiores existem mais casos de excesso de peso e obesidade, tendo sucedido o mesmo no estudo de Cordeiro et al. (2007). Por sua vez, no estudo de Simon et al. (2009), a idade não se verificou associada ao aumento do IMC nas crianças de idade pré- escolar.
No nosso estudo, existe uma associação estatisticamente significativa entre o IMC das crianças e o tipo de estabelecimento de ensino que frequentam (p=0,03), sendo que existe uma maior prevalência de excesso de peso e obesidade nas crianças que frequentam as escolas privadas. Este achado vai de encontro aos resultados de Leão, Araújo, Pimenta de Moraes e Assis (2003) e Oliveira et al. (2003). Simon et al. (2009), no seu estudo realizado apenas em escolas privadas, concluiu também que a prevalência de obesidade nessas escolas é superior à média nacional brasileira. Talvez possamos explicar este facto com os recursos financeiros dos pais das crianças, que frequentam estabelecimentos de ensino privados, já que, ao disporem de mais recursos financeiros, possivelmente as crianças têm mais acessibilidade a alimentos altamente calóricos.
A idade da mãe, o rendimento mensal da família e as habilitações literárias da mãe não têm qualquer associação estatisticamente significativa com o IMC das crianças, na nossa amostra.
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A idade das mães, apesar de não estar diretamente associada ao IMC das crianças, segundo os dados reportados por Keller et al. (2006), está associada à atitude de monitorizar a alimentação, ou seja, segundo os autores, as mães mais jovens tendem a monitorizar mais a ingestão de alimentos por parte das crianças. Quanto ao rendimento mensal da família e habilitações literárias, segundo Oliveira et al. (2003), são fatores de risco para o surgimento de excesso de peso e obesidade nas crianças, ou seja, quanto maior o grau académico das mães e o rendimento mensal da família, maior será o risco de a criança desenvolver excesso de peso ou obesidade. Os resultados de Brophy et al. (2009), contrariam os descritos por Oliveira et al. (2003), e indicam que quanto menor é o nível académico dos pais, maior será o risco de desenvolver obesidade. Também segundo os resultados de Padez et al. (2005) e Giugliano e Carneiro (2004), o nível académico dos pais parece ter um efeito protetor contra o desenvolvimento de excesso de peso e obesidade nas crianças. Tal facto não se verificou na nossa amostra.
Passando à classificação do IMC dos pais, foram muitos os que não contribuíram com a informação de peso e altura. Apenas 45,5% indicaram informação dos pais e 72,0% indicaram informação das mães. No entanto, vamos reportar-nos apenas àqueles que forneceram esses mesmos dados. Salientamos que os parâmetros foram referidos pelos pais e não mensurados por nós. Relativamente às mães, 63,2% revelam ter peso normal, sendo que as restantes variam entre pré-obesidade (27,2%) e obesidade grau I e II (9,5%). Os pais têm peso normal em menor percentagem (40,7%), sendo que a maioria (45,3%) se encontra num estado de pré- obesidade (Tabela 17).
Tabela 17.
Distribuição da amostra quanto ao IMC dos pais
Classificação do IMC dos pais n %
IMC da mãe Peso normal Pré-obesidade Obesidade Grau I Obesidade Grau II Total 86 37 9 4 136 63,2 27,2 6,6 2,9 100,0 IMC do pai Peso normal Pré-obesidade Obesidade Grau I Total 35 39 12 86 40,7 45,3 14,0 100,0
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Em relação às mães, podemos afirmar que apresentam uma prevalência de excesso de peso e obesidade bem inferior aos dados reportados pela DGS (2005a). Já em relação aos pais, no que diz respeito à pré-obesidade/excesso de peso, a sua prevalência ultrapassa a média nacional reportada no mesmo documento da DGS (2005a) e apresenta uma prevalência semelhante no que respeita à obesidade.
Com o nosso estudo procurámos explicar a relação entre algumas variáveis e o desenvolvimento de excesso de peso e obesidade nas crianças da população em causa. De seguida apresentam-se os resultados dos testes aplicados para verificação de cada uma das hipóteses.
IMC dos pais - No nosso estudo, procurámos encontrar uma associação entre o IMC das crianças e o IMC de cada um dos progenitores, pelo que aplicámos o teste de correlação de
Pearson (CP), que resultou em diferença estatisticamente significativa (p=0,00), na
correlação entre IMC da mãe e da criança, o que significa que existe uma correlação positiva, mas a intensidade da correlação é fraca (R= +0,352) (Tabela 18).
Tabela 18.
Nível de significância da correlação de Pearson: IMC das crianças e o IMC de ambos os progenitores
Variáveis IMC das crianças
IMC das mães CP=0,352 p=0,00
IMC dos pais CP=0,036 p=0,737
Pela análise da tabela, podemos afirmar que à medida que aumenta o IMC da mãe, aumenta o IMC da criança. Assim sendo, podemos afirmar que mães com excesso de peso ou obesas têm filhos com IMC elevado, ou seja, também eles com excesso de peso ou obesidade. O mesmo sucede no estudo de Ramos e Barros Filho (2003), em que na população estudada se verificou uma maior prevalência de excesso de peso e obesidade em adolescentes que possuem pai e mãe obesos. No estudo de Giugliano e Carneiro (2004), resultou diferença estatisticamente significativa para a relação entre o IMC das crianças e dos pais, em que a frequência de excesso de peso e obesidade nos pais das crianças com excesso de peso e obesidade foi maior do que nos pais das crianças normoponderais. No estudo de Padez et al. (2005), a obesidade dos pais verificou-se significativamente associada ao excesso de peso e obesidade nas crianças, com mais força em relação às mães, tal como no presente estudo.
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História gestacional - A Tabela 19 expõe os resultados da relação entre o IMC percentilado das crianças com as variáveis relativas à história obstétrica e aleitamento materno, obtida através da aplicação dos testes M-W e K-W. Uma rápida análise permite-nos perceber que das quatro variáveis analisadas apenas a idade gestacional parece estar associada ao IMC percentilado das crianças (p=0,016).
Tabela 19.
Nível de significância dos testes não paramétricos: IMC percentilado das crianças e variáveis relativas à história obstétrica e aleitamento materno
Variáveis IMC percentilado das crianças
Diabetes gestacional M-W=1158,5 p = 0,444
Idade gestacional K-W=8,215 p = 0,016
Peso ao nascer K-W=0,478 p = 0,478
Tempo de amamentação K-W=6,826 p = 0,078
Relativamente ao diagnóstico de diabetes gestacional, não se verificaram estudos que o associassem diretamente ao desenvolvimento de obesidade na infância. No entanto, Silva et al. (2009) associam a presença de diabetes mellitus na gravidez ao nascimento de bebés grandes para a idade gestacional, o que não se verificou no nosso estudo (p=0,336).
Apesar de no nosso estudo se ter verificado diferença estatisticamente significativa no cruzamento do IMC percentilado das crianças com o tempo de gestação, em outros estudos, como o de Novaes, Lamounier, Franceschini e Priore (2009), o mesmo não se verificou. Ou seja, para estes autores, a idade gestacional parece ter pouco peso no desenvolvimento da obesidade infantil, o que contraria os dados obtidos no presente estudo.
Contrariamente ao nosso estudo, em que não existem diferenças estaticamente significativas na relação entre o peso ao nascer e o IMC percentilado das crianças, nos estudos de Drachler et al. (2003), He, Ding, Fong e Karlberg (2000) e Tene, Espinoza-Mejía, Silva-Rosales e Girón-Carrillo (2002), o peso ao nascer revelou-se ser um fator predisponente para o surgimento da obesidade na infância, ou seja, um bebé que nasce grande para a idade gestacional tem uma maior predisposição para vir a ser uma criança com excesso de peso ou obesa, o que não aconteceu no nosso estudo.
Quanto ao tempo de amamentação, apesar de não termos verificado uma relação estatisticamente significativa com o IMC percentilado das crianças, podemos dizer, pela
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observação da posição da média na ordem das classes, que a maioria das crianças obesas teve um tempo de aleitamento materno inferior ou igual a três meses. Já no estudo de Araújo et al. (2006), 60% das crianças obesas manifestaram uma amamentação ineficaz, ou seja, inferior a seis meses, segundo os critérios da OMS (WHO, 2001), o que nos dá a indicação de que este pode ser um fator de risco para o desenvolvimento da obesidade infantil.
Atividade física e higiene do sono - Os dados apresentados na Tabela 20 dizem respeito aos níveis de significância dos testes não paramétricos de K-W para a relação entre o IMC percentilado das crianças e o índice de atividade física e higiene do sono. Das duas variáveis analisadas nenhuma parece estar relacionada com o IMC percentilado das crianças.
Tabela 20.
Nível de significância dos testes não para métricos: IMC percentilado das crianças e o índice de atividade física e higiene do sono
Variáveis IMC percentilado das crianças
Índice de atividade física K-W=1,627 p = 0,443
Higiene do sono K-W=1,095 p = 0,578
A atividade física tem vindo a ser considerada não só como protetora contra o desenvolvimento de obesidade na infância, mas também, e acima de tudo, como fundamental para o seu tratamento quando já instalada, conforme nos mostram Enes e Slater (2010) e Davis et al. (2007). Brophy et al. (2009), estudaram vários fatores que podem contribuir para o desenvolvimento do excesso de peso e obesidade nas crianças, e concluíram que baixos níveis de atividade física e um tempo de permanência em frente ao ecrã superior a três horas por dia são importantes fatores de risco. Oliveira et al. (2003) e Novaes et al. (2009), chegaram à mesma conclusão. Padez et al. (2005) e Giugliano e Carneiro (2004) estudaram ainda a influência da higiene do sono no desenvolvimento de excesso de peso e obesidade nas crianças, e em ambos os estudos concluíram que quanto maior o número de horas de sono das crianças, menor será o seu risco de vir a desenvolver obesidade. No nosso estudo, não obtivemos os mesmos resultados.
Qualidade dos hábitos alimentares - Os dados apresentados na Tabela 21, dizem respeito aos níveis de significância dos testes não paramétricos de K-W para a relação entre IMC percentilado das crianças e a qualidade dos hábitos alimentares dos pais e perceção do estado
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nutricional das crianças. Das duas variáveis analisadas, apenas a perceção do estado nutricional parece estar relacionada com o IMC percentilado das crianças (p=0,00).
Tabela 21.
Nível de significância dos testes não paramétricos: IMC percentilado das crianças e a qualidade dos hábitos alimentares dos pais e perceção do estado nutricional das crianças
Variáveis IMC percentilado das crianças
Qualidade dos hábitos alimentares dos pais M-W=1,538 p = 0,215
Perceção do estado nutricional das crianças K-W=90,914 p = 0,000
Relativamente à qualidade dos hábitos alimentares dos pais, Kral e Rauh (2010) bem como Campbell et al. (2007), sugerem que esta pode influenciar o IMC das crianças, mas não diretamente. Ou seja, os hábitos alimentares dos pais têm uma influência direta nos hábitos alimentares das crianças, já que é no ambiente familiar que se dão as primeiras experiências com a comida, logo, quanto melhores forem os hábitos alimentares dos pais, maior será a probabilidade de as crianças desenvolverem também bons hábitos alimentares, o que por sua vez contribuirá para a manutenção de um IMC normal. Não se comprovou esta relação no presente estudo.
No nosso estudo, verificou-se uma diferença estatisticamente significativa entre o IMC percentilado das crianças e a perceção que os pais têm do estado nutricional das crianças, sendo que, pela análise da posição da média na ordem das classes, podemos afirmar que as mães de crianças com excesso de peso ou obesas têm uma perceção do estado nutricional da criança distorcida, ou seja, inferior ao estado nutricional real. Segundo Mulder, Kain, Uauy e Seidell (2009), as mães de crianças obesas têm uma maior tendência para ter uma perceção distorcida do peso da criança, o que vem de encontro aos nossos resultados.
Perceção da responsabilidade dos pais, crenças, atitudes e práticas na alimentação infantil - Aplicámos o teste não paramétrico K-W, para verificar a relação entre IMC percentilado das crianças e cada um dos fatores da escala do QCAPAI. Os dados apresentados na Tabela 22 permitem verificar que apenas existe diferença estatisticamente significativa no cruzamento do IMC percentilado das crianças com o Fator 4 (preocupação com o peso da criança) e com o Fator 6 (pressão para comer). Sendo que, pela análise da posição da média na ordem das classes, a preocupação com o peso é maior nos pais das crianças com maior
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IMC percentilado e os que exercem mais pressão para comer correspondem às crianças com menor IMC percentilado. Deste resultado se pode sugerir que, possivelmente, os pais das crianças com maior IMC gostariam que as crianças perdessem peso e que os pais de crianças com menor IMC exercem demasiada pressão para que os filhos comam, já que pretendem que estes aumentem o seu peso.
Tabela 22.
Nível de significância dos testes não paramétricos: IMC percentilado das crianças e cada fator da escala do QCAPAI
Fatores IMC percentilado das crianças
Fator 1: Monitorização K-W=3,768 p = 0,288
Fator 2: Responsabilidade percebida K-W=3,624 p = 0,163
Fator 3: Restrição1 K-W=1,984 p = 0,576
Fator 4: Preocupação com o peso da criança K-W=22,154 p = 0,000
Fator 5: Controlo K-W=4,051 p = 0,256
Fator 6: Pressão para comer K-W=8,703 p = 0,034
Fator 7: Recompensa K-W=0,766 p = 0,858
Na última década, muitos autores têm vindo a estudar a influência das crenças, atitudes e práticas alimentares dos pais no desenvolvimento da obesidade infantil. O primeiro fator, a monitorização, foi estudada por Faith, Scanlon, Birch, Francis e Sherry (2004) e Sato et al. (2010), e em ambos os estudos ficou demonstrado que quanto maior for a monitorização dos pais em relação à alimentação dos filhos, menor será o seu risco de desenvolver obesidade. No presente estudo o mesmo não se verificou.
Faith et al. (2004), também englobaram no seu estudo o fator responsabilidade percebida, e concluíram que uma perceção reduzida da responsabilidade dos pais acerca da alimentação infantil prediz um aumento do IMC das crianças. No nosso estudo o mesmo não sucedeu, já que não se verificou qualquer diferença estatisticamente significativa entre as duas variáveis em causa.
A influência do uso da restrição foi amplamente estudada por vários autores. Segundo Faith et al. (2004), a atitude mais restritiva corresponde às mães de crianças com excesso de peso ou obesidade. Também Keller et al. (2006), afirmam que as mães de crianças obesas ou com excesso de peso ou obesidade tendem a ser mais restritivas. Burrows, Warren e Collins (2010), num estudo em que teve como objetivo avaliar uma intervenção direcionada às práticas alimentares dos pais de crianças obesas, concluíram que uma redução da atitude
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restritiva tem efeito a longo prazo na redução do IMC das crianças. No nosso estudo não se acharam resultados que vão de encontro aos autores citados.
O mesmo sucede, segundo os mesmos autores, com a preocupação com o peso da criança, sendo que quando esta diminui, diminui também, com o tempo, o IMC das crianças. Faith et al. (2004) chegaram exatamente à mesma conclusão. Keller et al. (2006) referem que as mães revelam uma maior preocupação com o peso das crianças quando estas já são detentoras de excesso de peso ou obesidade. Johannsen et al. (2006), Spurijt-Metz, Lindquist, Birch, Fisher e Goran (2002) e Spurijt-Metz, Cohen, Birch e Goran (2006), também concluíram que uma elevada preocupação com o peso das crianças é característica das mães de crianças com excesso de peso ou obesidade. Os resultados do nosso estudo vão de encontro aos estudos descritos anteriormente.
Relativamente ao quinto fator, o controlo, Davis et al. (2007), sugerem que o controlo dos pais sobre a alimentação dos filhos não está relacionado com a obesidade das crianças, tal como sucede na nossa população. No entanto, Johannsen et al. (2006) afirmam existir uma associação entre um elevado controlo por parte dos pais e um maior IMC das crianças.
A pressão para comer é outro dos fatores mais amplamente estudado e mais associado à obesidade infantil. Tal como no nosso estudo, também nos estudos de Faith et al. (2004), Keller et al. (2006), Miranda da Cruz (2009), Sato et al. (2010), Spurijt-Metz et al. (2002) e Spurijt-Metz et al. (2006), foi possível concluir que existe uma relação inversa entre o uso de pressão para comer e o IMC das crianças. O uso excessivo da pressão para comer parece ser uma característica presente nas mães das crianças com menor IMC.
Pela nossa pesquisa, o uso de comida como recompensa tem sido o fator menos estudado, ou pelo menos, menos referido. Segundo Burrows et al. (2010), o uso de comida como recompensa está muitas vezes associado à atitude restritiva, sendo que, supostamente, uma entra em compensação da outra. Os mesmos autores referem que uma intervenção junto dos pais, para a diminuição do IMC das crianças com excesso de peso e obesidade, deve passar pela diminuição do uso de comidas calóricas como recompensa, o que, juntamente com a diminuição do uso da restrição, resultará numa diminuição do IMC das crianças, a longo prazo. No nosso estudo não se verificou nenhuma relação entre o uso da recompensa e o desenvolvimento de excesso de peso ou obesidade.
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