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Após a seleção dos instrumentos e execução dos procedimentos de coleta dos dados, utilizou-se como metodologia de interpretação dos dados a análise de conteúdo exploratória e indireta. Apesar de inúmeros autores abordarem essa técnica e, até mesmo, criarem terminologias próprias e diferentes para os seus diversos procedimentos, apropriou-se neste estudo da conceituação desenvolvida por Bardin (2016), validando as etapas da técnica explicitadas pelo autor.

Para Bardin (2016, p. 38), a técnica de análise de conteúdo consiste em “[...] um conjunto de técnicas de análise das comunicações, que utiliza procedimentos sistemáticos e objetivos de descrição do conteúdo das mensagens [...]”. Essa metodologia de interpretação permitiu extrair sentido lógico dos dados de texto e imagens, clarificar as expressões implícitas e enriquecer a leitura das informações coletadas na região produtiva do babaçu no Médio Mearim. Chizzotti (2006, p. 98) valida o disposto ao estabelecer que “[...] o objetivo da análise de conteúdo é compreender criticamente o sentido das comunicações, seu conteúdo manifesto ou latente, as significações explícitas ou ocultas [...]”; o que foi processado em campo.

Dentre as comunicações mais tradicionais abordadas nessa análise estão os materiais textuais escritos, tais como: notas de campo, diário de pesquisa, fichas de documentação e transcrição. Em contrapartida, essa delimitação de material não impede o alcance de uma análise mais acurada e abrangente, oportunizada pela recolha dos dados por meio de fotos, áudios e vídeos.

Para finalizar o detalhamento desta proposta metodológica, as etapas de interpretação dos dados coletados foram empreendidas conforme determinado por Bardin (2016), sendo elas, respectivamente: (a) pré-análise, (b) exploração do material; e (c) tratamento dos resultados, inferência e interpretação.

A pré-análise foi realizada através da organização dos recursos coletados em campo, que foram analisados a partir da sistematização das ideias primeiras. Esta pesquisa,

apropriando-se das edificações de Bardin (2016), balizou esse processo inicial de operacionalização dos dados mediante metodologia dividida em quatro fases: (a) leitura flutuante, quando se toma ciência dos textos (neste trabalho, os textos advêm da transcrição das entrevistas) e se estabelece vínculos com os documentos recolhidos em campo; (b) eleição dos documentos, demarcando o que foi submetido à análise e intepretação; (c) formulação das hipóteses e dos objetivos; (d) referência dos índices e elaboração de indicadores através de recortes de texto nos registros em estudo.

Merece destaque a etapa posterior, que corresponde à exploração do material, pois nela reside o potencial de viabilizar, ou não, a riqueza nas interpretações e inferências acerca dos materiais coletados. Processou-se, para tanto, uma descrição analítica, na qual o corpus – ou o conjunto do material textual coletado – foi submetido a um estudo detalhado e profundo, fundamentado nos referenciais teóricos elencados como guias de investigação. Com efeito, a codificação, a classificação e a categorização são básicas nessa fase.

Salienta-se, ainda, que a fase de exploração do material demandou a arquitetura de categorias – ou sistemas de codificação – e a definição de unidades de registro e de contexto, que devem corresponder a cada um dos segmentos eleitos para submissão dos processos de significação. Por fim, foi empreendida a etapa de tratamento dos resultados, inferência e interpretação, a qual cabe a intuição, a análise reflexiva e a crítica das informações, tendo como produto as interpretações inferenciais (BARDIN, 2016).

Com a finalidade de agilizar o processo de codificação e de qualificação do material submetido à investigação, esta pesquisa utilizou o software de análise e interpretação de dados qualitativos NVIVO17. Sistema interpretativo de comunicação em uso expressivo no cenário dos ensaios acadêmicos da área de Administração. É oportuno frisar que a aplicação de programas computacionais com esse intuito, sob qualquer hipótese, suplanta o trabalho direto, comprometido e envolvido do pesquisador, a quem cabe a edificação das inferências em observância à fundamentação conceitual norteadora.

Em derradeiro apontamento, nesta seção, informa-se que esta investigação utilizou como recurso metodológico a noção de “processo de ambientalização”. O objetivo foi solidificar o arcabouço conceitual destinado à fundamentação das inferências da pesquisa e a exploração do material, especificamente durante a seleção e estabelecimento das unidades de contexto, as quais norteiam a compreensão e a significação de cada unidade de registro pertencente às categorias individuais desenhadas.

17 Para ampliar a ciência acerca desse software de investigação qualitativa, orienta-se o acesso ao endereço eletrônico: <http://www.qsrinternational.com/nvivo-portuguese >. Acesso em: 10 fev. 2018.

Lopes (2004) designa que o processo de ambientalização é despertado pela relação harmônica entre cinco elementos, a citar: (a) o crescimento da importância da esfera institucional do meio ambiente; (b) a relação entre os conflitos sociais em âmbito local e seus efeitos na interiorização de novas práticas; (c) a educação ambiental como novo “manual de autoajuda coletivo através da conduta individual”; (d) o modelo da participação como forma legítima de gestão; e (e) a questão ambiental como nova forma de legitimidade e de argumentação nos conflitos. Trata-se da incorporação por pessoas ou grupos de indivíduos de uma temática de ordem social fundamental, a ambiental, que pode conduzir suas percepções éticas e comportamentais efetivas.

O processo de ambientalização auxiliou na disposição das argumentações que conformam as arenas de discussão ambiental, onde as quebradeiras de coco, empreendedores e líderes de associações de extrativistas constroem, desenvolvem e solidificam suas culturas, valores éticos, representações e ações sustentáveis, ou não.

5 APRESENTAÇÃO E DISCUSSÃO DOS RESULTADOS

Nesta seção propõe-se, prioritariamente, descrever e analisar os resultados oriundos das entrevistas expressos por meio de demonstrações gráficas, percentuais e análises de cunho quantitativo das fontes, bem como a pormenorização das categorias de análise, unidades de registro e de contexto instituídas para análise de conteúdo. Posteriormente, aprofunda-se a investigação qualitativa ao explorar especificamente as categorias de análise, lógica e complementarmente dispostas, ofertando relevo aos trechos significativos provenientes das interlocuções.

Em seguida, evidenciam-se desafios e tendências, mapeados em campo, concernentes à cadeia produtiva do babaçu, à organização socioeconômica e cultural das quebradeiras de coco babaçu e ao cuidado e preservação das palmeiras de babaçu. Por fim, delineia-se o entrelaçamento das categorias supracitadas juntamente com a exibição de um infográfico que sintetiza os resultados obtidos, descortinando didaticamente as correlações entre informações e inferências decorrentes.