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1. Objetivos e hipóteses

1.3 Procedimento de recolha e análise de dados

Inicialmente, foram contactadas as diferentes instituições responsáveis pela aprovação da realização do estudo, tendo em conta os participantes. Concretamente, como pretendíamos desenvolver o estudo com os profissionais das USF do distrito do Porto e Viana do Castelo, contactamos os respetivos Conselhos Clínicos dos ACES e Comissões de Ética da ARS Norte, da Unidade Local de Saúde de Matosinhos e da Unidade Local de Saúde do Alto Minho. Os pedidos de autorização foram realizados via correio eletrónico, acompanhados pelos documentos solicitados, nomeadamente, um resumo do projeto de investigação de enquadramento do mesmo, um exemplar do Consentimento Informado Livre e Esclarecido de Participação na Investigação, de acordo com a Declaração de Helsínquia, a entregar aos participantes, declaração do orientador e um exemplar dos questionários a aplicar. A autorização por parte da ARS Norte implicou ainda um pedido prévio de aprovação por parte da Comissão de Ética da FPCEUP e da Comissão Nacional de Proteção de Dados, cujo parecer foi positivo.

Seguidamente, foram contactados os coordenadores das USF via correio eletrónico, onde eram informados de forma breve sobre os objetivos do estudo e era solicitada uma sessão presencial de apresentação do estudo aos profissionais, numa das reuniões de equipa semanais. Na sessão de apresentação do estudo às equipas era realizado um breve enquadramento teórico da temática em análise, ressalvando a sua relevância para os profissionais das USF, sendo também explicados detalhadamente os objetivos do estudo e todo o procedimento de recolha de dados. Eram igualmente esclarecidas dúvidas dos profissionais e enfatizado o carácter voluntário da sua participação, assim como a garantia do anonimato e confidencialidade nos dados recolhidos, na medida em que era solicitado um código a ser indicado pelos profissionais no final do questionário eletrónico. Assim, à semelhança de estudos internacionais, que também utilizaram o método dos estudos diários, o nosso estudo também foi conduzido em duas fases. Numa primeira fase de avaliação geral, após aceitarem colaborar no estudo, os profissionais responderam ao questionário eletrónico cujo link de acesso era enviado via correio eletrónico pela investigadora aos coordenadores das USF, que o disseminavam internamente pelos profissionais da equipa.

Numa segunda fase, correspondente ao estudo diário, os profissionais preencheram o questionário diário em papel durante uma semana típica de trabalho, de Segunda a Sexta- Feira, e recolheram quatro amostras de saliva no domicílio, duas na Segunda-Feira de

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manhã e outras duas na Sexta-Feira de manhã. Esta segunda fase do estudo era iniciada sempre na semana seguinte ao preenchimento do questionário online da primeira fase. O questionário diário era preenchido todos os dias, no final do dia de trabalho antes de dormir e de manhã antes de ir para o trabalho. A recolha de amostras de saliva foi realizada através de recolha direta para os tubos de plástico (eppendorfs). Os questionários desta segunda fase eram entregues pela investigadora em envelopes individuais, juntamente com um exemplar do Consentimento Informado Livre e Esclarecido e um protocolo de recolha das amostras de saliva com a descrição de todo o procedimento de recolha. Os kits de recolha das amostras de saliva eram entregues em sacos próprios e identificados com o dia (Segunda-feira e Sexta-feira) e os tubos de plástico (eppendorfs) eram identificados com o número de recolha (1, 2, 3, 4), juntamente com etiquetas para o registo da hora das recolhas das amostras (Figura 3).

Nesta segunda fase do estudo podiam participar todos os profissionais que já se encontrassem pelo menos há um ano na USF, que se voluntariaram para o estudo comunicando à investigadora o seu interesse e que não se encontrassem medicados com corticoides, uma vez que estes influenciam os níveis de cortisol (Hellhammer et al., 2007). No que diz respeito ao procedimento de recolha das amostras de saliva, conforme descrito no respetivo protocolo, os profissionais iniciavam na segunda-feira recolhendo uma amostra de saliva imediatamente após acordarem, diretamente para o tubo 1 do kit de Segunda-Feira. Em seguida, colocavam-na no congelador e registavam a hora da recolha na respetiva etiqueta. Seguidamente, deveriam aguardar 30 minutos até à segunda recolha, não podendo durante este tempo fumar, lavar os dentes ou ingerir qualquer tipo de alimento ou líquido. Findo este tempo, recolhiam a segunda amostra utilizando o tubo 2, colocando-o no congelador e registando a hora das recolhas. Na sexta-feira repetiam exatamente o mesmo procedimento, mas utilizando os tubos 3 e 4.

Findas as recolhas das amostras e o preenchimento do questionário diário, os profissionais transportavam as amostras de saliva para as USF, onde também as colocavam no congelador da instituição. Apesar da literatura indicar que as amostras de saliva mantêm as suas propriedades durante algumas horas, solicitamos aos participantes que no transporte das amostras de casa para o local de trabalho utilizassem sacos térmicos. No final da semana de trabalho referente ao estudo diário, a investigadora deslocou-se a cada USF para recolher os envelopes dos questionários diários selados e as amostras de saliva. Seguidamente, a investigadora transportou as amostras numa bolsa térmica até à Escola

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Superior de Tecnologia da Saúde do Porto, local onde foi realizada a análise de cortisol. O cortisol foi analisado através de um kit de imunoensaio enzimático (EIA) da empresa Arbor Assays. Relativamente à sensibilidade do kit, o seu limite de deteção é de 45,4 pg/ml, sendo o anticorpo (reação cruzada) composto por cortisol (100%), dexametasona (18,8%), prednisolona (7,8%), corticosterona (1,2%), cortisona (1,2%) e progesterona (<0,1%).

Figura 3. Eppendorfs utilizados para a recolha direta de amostras de saliva

Relativamente à análise dos dados, esta foi conduzida no programa SPSS PASW, versão 21, em ambas as fases do estudo. Para a determinação dos níveis das variáveis foram realizadas estatísticas descritivas e testes t Student e ANOVA para comparação de médias. Para a determinação da relação entre as variáveis utilizamos o coeficiente de correlação de Pearson e na análise dos preditores recorremos à análise de regressão hierárquica múltipla. Estas análises serão explicadas em detalhe à medida que os resultados forem sendo apresentados. Quanto à análise do cortisol salivar, os resultados das amostras foram enviados num ficheiro em Excel, em nmol/l, e identificados com o código criado pelos profissionais. Ainda relativamente ao cortisol salivar, à semelhança de um estudo internacional de referência (Bernhardt, 2007) e um estudo português que também o utilizou como referência (Mendes, 2011) iremos analisar a Resposta de Cortisol ao Acordar (Cortisol Awakening Response; CAR), que resulta da média entre a amostra recolhida imediatamente após acordar e a amostra recolhida 30 minutos após acordar. O início da semana (Segunda-Feira) será considerado como linha basal do nível de cortisol salivar dos participantes e o fim da semana (Sexta-Feira) como consequência do tipo de interação entre o trabalho e a família.

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