5. ANÁLISE DOS DADOS QUANTITATIVOS, APRESENTAÇÃO DOS
5.3 APRESENTAÇÃO DOS RESULTADOS
5.3.6 Processos de Subjetivação: Custo Humano no Trabalho
Os processos de subjetivação referentes ao custo humano no trabalho são representados por três fatores que compõe o inventário ITRA, quais sejam: o fator F1E2: Custo afetivo, o fator F2E2: Custo Cognitivo e o fator F3E2: Custo físico.
Em relação ao custo afetivo do trabalho na linha de produção da empresa Gama verificou-se que a média atribuída pelos trabalhadores foi de 2,11, o que, conforme a avaliação proposta por Mendes (2007) indica uma avaliação positiva e satisfatória deste fator. Merece atenção o fato de se ter encontrado diferença estatisticamente significativa na avaliação atribuída ao custo afetivo entre os trabalhadores com menos de 3 anos de casa (M: 1,98) e trabalhadores com mais de 5 anos de casa (M:2,30). Pode-se inferir que trabalhadores com menos tempo de empresa apresentam uma avaliação mais satisfatória em relação ao custo afetivo no trabalho na linha de produção da Gama, enquanto os mais velhos de empresa apresentam avaliação mais negativa, considerando o custo afetivo do trabalho moderado a crítico.
Foi realizada análise de regressão com o intuito de identificar relações entre as variáveis que compõe o construto do contexto de trabalho e a avaliação atribuída pelos trabalhadores para o custo afetivo de se trabalhar na linha de produção da empresa Gama. Verificou-se que associação deste com os fatores do contexto de trabalho é moderadamente forte (R: 0,64), Tem-se com isto que juntos, os fatores organização do trabalho, relações sócio profissionais e condições do trabalho são responsáveis por 64%
da variância das avaliações em relação ao custo afetivo no trabalho. Verifica-se que o fator de maior influencia é o F2E1: relações sócio-profissionais que apresenta relação direta com a variação dos custos afetivos, sendo que a cada 1 ponto de aumento, ou seja, de piora, em sua avaliação verifica-se um aumento, também uma piora, de 0,430 na avaliação dos custos afetivos no trabalho.
Verifica-se que dos quesitos que compõem o contexto sócio profissional de trabalho exercem maior influência na avaliação do custo afetivo no trabalho a dificuldade de acesso a informações necessárias para a execução das tarefas (Sig. 0,000, Beta: 0,272), seguida pelas dificuldades de comunicação entre subordinados e chefias (Sig. 0,022, Beta: 0,160) e pelas disputas profissionais do trabalho (sig. 0,051, Beta:0,118).
Em relação ao custo cognitivo do trabalho na linha de produção da empresa Gama verificou-se que a média atribuída pelos trabalhadores foi de 3,07, o que, conforme a avaliação proposta por Mendes (2007) indica uma avaliação moderada a crítica deste fator. Importante destacar que se identificou diferença estatisticamente significativa nas avaliações atribuídas pelos diferentes departamentos da empresa.
Verifica-se que o departamento de pintura (M:3,51) e de montagem (M:3,45) da fábrica CVP apresentam uma avaliação mais negativa e grave dos custos cognitivos envolvidos em seu contexto de trabalho em relação aos demais.
Foi realizada análise de regressão com o intuito de identificar relações entre as variáveis que compõe o construto do contexto de trabalho e a avaliação atribuída pelos trabalhadores para o custo cognitivo de se trabalhar na linha de produção da empresa Gama. Verificou-se que a associação deste com os fatores do contexto de trabalho é moderada (R: 0,54), tem-se com isto que juntos, os fatores organização do trabalho, relações sócio profissionais e condições do trabalho são responsáveis por 54% da variância das avaliações em relação ao custo cognitivo no trabalho.
Verifica-se que o fator de maior influencia é o F1E1: Organização do Trabalho, que tem relação direta com a variação do custo cognitivo sendo que a cada 1 ponto de aumento (piora) em sua avaliação verifica-se um aumento (piora) de 0,378 na avaliação do custo cognitivo no trabalho. O fator F3E1: Condições de trabalho também exerce um poder explicativo significativo verificando-se que a cada 1 ponto de aumento na avaliação deste fator ocorre 0,216 de aumento na avaliação do custo cognitivo no trabalho.
Verifica-se que dos quesitos que compõe a organização do trabalho os que exercem maior influência sobre o custo cognitivo no trabalho conforme avaliação dos trabalhadores são: em primeiro lugar a fiscalização do desempenho (Sig. 0,000, Beta:
0,196), seguido pela pressão por prazos (Sig. 0,032, Beta: 0,156) e pela cobrança por resultados (Sig. 0,023, Beta:0,145). Verifica-se que dos quesitos que compõem as
condições de trabalho merecem destaque a existência de muito barulho (Sig. 0,048, Beta: 0,122) e as condições de trabalho oferecerem riscos de segurança (Sig. 0,77, Beta:
0,121) como fatores apontados como custosos cognitivamente pelos trabalhadores da linha de produção da Gama.
Já em relação ao custo físico envolvido no trabalho na linha de produção da empresa Gama verificou-se que a média atribuída pelos trabalhadores foi de 3,45, o que, conforme a avaliação proposta por Mendes (2007) indica uma avaliação moderada a crítica deste fator. Vários são os pontos que merecem destaque em relação à avaliação realizada pelos trabalhadores da linha de produção da Gama em relação ao custo físico em seu trabalho:
Primeiramente em relação ao tempo de empresa e à idade dos trabalhadores verificou-se que os respondentes mais novos apresentaram avaliações mais graves, enquanto os respondentes mais velhos apresentaram médias menores, o que indica uma avaliação mais positiva. Além disso verifica-se que o grupo dos funcionários com mais de 5 anos de casa se diferencia dos demais na avaliação do custo físico, estes funcionários atribuem avaliação mais leve ao custo físico de se trabalhar na linha de produção da Gama.
Foi percebido também diferença estatisticamente significativa nas avaliações atribuídas ao custo físico pelos trabalhadores dos diferentes departamentos da Gama.
Observa-se que os departamentos de carroceria da fábrica CVP (M:3,82) e montagem da fábrica CVP (M:3,78) apresentam avaliações graves enquanto os demais departamentos apresentaram avaliações moderadas a crítica.
Finalmente foi possível identificar diferença estatisticamente significativa nas avaliações atribuídas por funcionários que foram afastados em suspensão temporária de contrato de trabalho e os que não foram. Ainda que conforme a forma de avaliação das escalas proposta por Mendes (2007), as médias de ambos os grupos caracterizem uma avaliação moderada a crítica, verifica-se que os trabalhadores que passaram por suspensão temporária de contrato de trabalho no último ano apresentaram uma avaliação mais negativa do que os demais em relação ao fator custo físico no trabalho.
Foi realizada análise de regressão com o intuito de identificar relações entre as variáveis que compõe o construto do contexto de trabalho e a avaliação atribuída pelos trabalhadores para o custo físico de se trabalhar na linha de produção da empresa Gama.
Verificou-se que a associação deste com os fatores do contexto de trabalho é moderada
(R: 0,58), tem-se com isto que juntos, os fatores organização do trabalho, relações sócio profissionais e condições do trabalho são responsáveis por 58% da variância das avaliações em relação ao custo físico no trabalho.
Verifica-se que o fator de maior influencia é o F3E1: Condições de trabalho, tendo relação direta com a avaliação do custo físico de forma que a cada 1 ponto de aumento (piora) em sua avaliação verifica-se um aumento (piora) de 0,533 na avaliação do custo físico no trabalho. O fator F1E1: Organização do trabalho também tem um poder explicativo significativo verificando-se também relação direta, sendo que a cada 1 ponto de aumento (piora) na avaliação deste fator percebem-se 0,363 pontos de aumento (piora) na avaliação do custo físico no trabalho.
Verifica-se que dos fatores relacionados às condições de trabalho na linha de produção da empresa Gama tem-se que o ambiente físico desconfortável (sig. 0,000, Beta: 0,239) e os riscos de segurança (sig. 0,000, Beta: 0,208) são os que mais fortemente se relacionam com a avaliação do custo físico no trabalho dos respondentes do questionário.
Merecem destaque ainda a existência de barulho (sig. 0,025, beta: 0,116) e a falta de material de consumo suficiente (sig. 0,003, Beta: 0,165) como pontos levantados pelos trabalhadores que se relacionam à sua percepção de custo físico no trabalho.
Em relação aos quesitos que compõem a organização de trabalho tem-se que se relacionam fortemente com a percepção de custo físico exigido pelo trabalho para os respondentes da pesquisa o fato de o ritmo de trabalho ser considerado excessivo (sig.
0,000, Beta:0,389) e as tarefas serem consideradas repetitivas (sig. 0,000, Beta: 0,211).