5. ANÁLISE DOS DADOS QUANTITATIVOS, APRESENTAÇÃO DOS
5.3 APRESENTAÇÃO DOS RESULTADOS
5.3.5 Processos de Subjetivação: Vivências de sofrimento
Dois fatores que compõe o Inventário ITRA tratam das vivências de sofrimento decorrentes do contexto de trabalho, são eles: os fatores F3E3: Vivência de Sofrimento e F4E3: Falta de reconhecimento.
Em relação às vivências de sofrimento verificou-se que a média atribuída pelos trabalhadores foi de 2,58, o que, conforme a avaliação proposta por Mendes (2007) indica uma avaliação moderada à crítica deste fator.
Merece atenção o fato de se ter verificado diferença estatisticamente significativa nas avaliações dos trabalhadores de diferentes departamentos da Gama em relação a este fator. Verificou-se que os departamentos de montagem (M:1,61) e cabeçote (M:1,62) da fábrica CMO apresentaram as melhores avaliações dentre os departamentos analisados, indicando uma situação satisfatória, enquanto os demais departamentos apresentaram avaliações moderadas e críticas das vivências de sofrimento em seus contextos de trabalho, com destaque para o departamento de
usinagem da fábrica CMO (M:3,35) que teve a pior avaliação dentre todos departamentos.
Foi realizada análise de regressão com o intuito de identificar relações entre as variáveis que compõe o construto do contexto de trabalho e a avaliação atribuída pelos trabalhadores para as vivências de sofrimento. Verificou-se que a associação desta com os fatores do contexto de trabalho é moderada (R: 0,53), tem-se com isto que juntos, os fatores organização do trabalho, relações sócio profissionais e condições do trabalho são responsáveis por 53% da variância das avaliações em relação às vivências de prazer relacionadas à realização profissional. Dessa forma, ainda que 47% da variância das avaliações das vivências de sofrimento na linha de produção da empresa Gama estejam relacionadas a outras causas é possível afirmar grande parte da mesma está relacionada ao contexto de trabalho.
Verificou-se que o fator do contexto de trabalho de maior influência neste resultado é o F2E1: relações sócio-profissionais, sendo que a cada 1 ponto de aumento em sua avaliação verifica-se um aumento de 0,62 na avaliação das vivências de sofrimento, sendo seguido de perto pelo fator F1E1: organização do trabalho, sendo que a cada 1 ponto de aumento na avaliação daquele fator as avaliações em relação às vivencias de sofrimento aumentam 0,507. Tem-se com isto que quando a avaliação das relações sócio profissionais piora 1 ponto a avaliação em relação às vivências de sofrimento piora 0,62 pontos, e quando a avaliação da organização do trabalho piora 1 ponto, a avaliação das vivencias de sofrimento pioram 0,507 pontos.
Verifica-se que dentre os quesitos das relações sócio-profissionais que mais influenciam nas avaliações relacionadas às vivências de sofrimento exercem maior peso a questão dos resultados esperados serem considerados pelos trabalhadores como fora da realidade (sig.0.005. beta:0,177), a descontinuidade das tarefas (Sig. 0,051, Beta:
0,115), a inexistência de autonomia (sig. 0,004, Beta: 0,179) e a presença de disputas profissionais no trabalho (sig. 0,025, Beta: 0,142).
Já dentre os quesitos da organização do trabalho verifica-se terem maior peso explicativo para a variação das avaliações relacionadas às vivências de sofrimento as questões relacionadas ao ritmo excessivo de trabalho (sig. 0,00, Beta: 0,283) e à pressão por prazos (sig, 0,17, Beta: 0,177).
Já quanto às vivências de sofrimento relacionadas à falta de reconhecimento verificou-se que a média atribuída pelos trabalhadores foi de 2,02, o que, conforme a avaliação proposta por Mendes (2007) indica uma avaliação moderada à crítica deste fator. Merece atenção o fato de ter se identificado diferença estatisticamente significativa nas avaliações atribuídas por trabalhadores com mais tempo de empresa.
Foi possível verificar que quanto maior o tempo de empresa, pior a avaliação que se faz em relação à falta de reconhecimento na linha de produção da empresa Gama.
Foi realizada análise de regressão com o intuito de identificar relações entre as variáveis que compõe o construto do contexto de trabalho e a avaliação atribuída pelos trabalhadores para as vivências de sofrimento ligadas à falta de reconhecimento.
Verificou-se que a associação dos fatores do contexto de trabalho com as avaliações das vivencias de sofrimento relacionadas à falta de reconhecimento é moderadamente forte (R: 0,66), tem-se com isto que juntos, os fatores organização do trabalho, relações sócio profissionais e condições do trabalho são responsáveis por 66% da variância das avaliações em relação às vivências de prazer relacionadas à realização profissional.
Assim pode-se concluir que ainda que 34% da variação da avaliação dos trabalhadores em relação a realização profissional na linha de produção da empresa Gama esteja relacionada a outras causas, o contexto do trabalho exerce considerável influência nesta avaliação.
Verifica-se que o fator de maior influência é o F2E1: relações sócio-profissionais sendo que a cada 1 ponto de aumento em sua avaliação verifica-se um aumento de 0,774 na avaliação das vivências de sofrimento relacionadas à falta de reconhecimento, sendo seguido pelo fator F3E1: Condições de trabalho, sendo que a cada 1 ponto de aumento na avaliação daquele fator as avaliações em relação às vivencias de sofrimento aumentam 0,478. Verifica-se relação direta dentre estes fatores sendo que pioras nas avaliações das relações de trabalho e nas condições de trabalho acarretam pioras nas avaliações das vivências de sofrimento relacionadas à falta de reconhecimento.
Dentre os quesitos que compõem as relações sócio profissionais exercem maior influência nas vivências de sofrimento relacionadas à falta de reconhecimento: a percepção do trabalhador de que falta apoio das chefias para o desenvolvimento profissional (sig. 0,001, Beta: 0,218); seguido de perto pelo fato dos trabalhadores considerarem que os resultados esperados são fora da realidade (Sig. 0,008, Beta, 0,156). A falta de autonomia, as disputas profissionais no trabalho e as dificuldades de
comunicação entre subordinados e chefia também exercem considerável influência sobre as vivências de sofrimento relacionadas à falta de reconhecimento.
Verifica-se ainda que no fator condições de trabalho a questão da falta de material de consumo (sig. 0,00, Beta: 0,217) também é um fator de relevância para explicar as vivências de sofrimento relacionadas à falta de reconhecimento.