Dayanne Batista Sampaio Jairane Escócia Silva Aquino Rosimeyre Vieira da Silva Andréia Lima Santos Hérica Maria Saraiva Melo Rita de Cássia Magalhães Mendonça Francisco Ednaldo Pinto Mousinho
INTRODUÇÃO: No Brasil, o Programa Mulheres Mil (PMM) foi implementado entre 2007 e 2011, em cooperação com o Canadá.
O Programa destaca as temáticas de gênero, diversidade cultural e étnica e consiste em atender, por meio da educação e do trabalho, às demandas relacionadas à promoção social da mulher, questões socioeconômicas, culturais e ambientais (BATISTA et al., 2011). Com o fim de reconhecer e valorizar os saberes construídos na comunidade e no cotidiano, o PMM traz para toda instituição parceira, uma oportunidade de construir um diálogo com as diversidades, integrando o conhecimento acadêmico ao percurso formativo dessas mulheres e das populações (BRASIL, 2014). Daí a importância de reconhecer a experiência do CTT com o PMM, uma vez que os princípios, objetivos e metodologia exigiram uma reformulação do contexto educativo para a “criação de uma comunidade escolar segura, acolhedora, colaborativa e estimulante, com ênfase na valorização do sujeito” (BRASIL, 2011, p. 26).
OBJETIVOS: Relatar a experiência da equipe técnica do Mulheres Mil no CTT, na facilitação de um ambiente de ressignificação
de conhecimentos, valores e afetos, colaborando com a autonomia dessas mulheres na construção da sua história.
MÉTODOS: A primeira experiência do Programa Mulheres Mil no CTT ocorreu entre novembro de 2014 e junho de 2015.
Os cursos de Confeiteiro e Produtor de Olerícolas foram escolhidos pelas comunidades Vila do Arame, Parque Universitário, Satélite e Piçarreira, atendendo 60 mulheres. A estrutura curricular contou com duas bases: 1) formação cidadã; 2) formação profissional. O PMM possui uma “Metodologia Específica de Acesso, Permanência e Êxito”, prevendo assistências social, psicológica e pedagógica. Conforme o sistema de Avaliação e Reconhecimento de Aprendizagem Prévia (ARAP),foram utilizados questionários de acesso, mapas da vida e portfólios para reconhecer as aprendizagens formais e/ou não formais (BRASIL, 2014). Os questionários serviram para identificar condições socioeconômicas e educacionais. O “Mapa da Vida” objetivou a troca de experiências e reapropriação da história. E o portfólio, descrever habilidades e competências, avaliar e certificar conhecimentos prévios (BATISTA et al., 2011).
RESULTADOS: No CTT, o perfil geral etário do PMM se constituiu de mulheres idosas (28%), adultas de 41-50 anos (24%),
51-60 anos (19%), 31-40 (19%), 26-30 anos (8%) e até 25 anos (2%). O perfil étnico racial autodeclarado foi de 81% (mulatas ou pardas), 11% brancas e 8% negras. Quanto à escolaridade, 66% possuíam Ensino Fundamental incompleto, 19% concluíram o Ensino Médio, 13% não alfabetizadas e2% Ensino Fundamental completo. Ressalta-se que 67% apresentaram analfabetismo funcional (não sabem ler e escrever ou têm menos de 3 anos de escolaridade e não conseguem ler e compreender ou interpretar um texto). Em termos ocupacionais, 25% são autônomas, 21% aposentadas/pensionistas, emprego informal (15%), atividades eventuais (15%), diaristas (10%), ajuda de terceiros e/ou auxílio de programa de transferência de renda (9%) e ocupação formal (2%), o que significa que essas mulheres não acessam o mundo formal do trabalho. Há, ainda, prevalência de uma renda média de R$146,26, refletindo a carência de boas condições de subsistência.
ANÁLISE CRÍTICA: Inicialmente, a turma MIL MARIAS, nome escolhido pela equipe e alunas olericultoras, teve maiores
dificuldades por possuir menor escolaridade, renda e 12 mulheres não alfabetizadas. Por isso, realizaram-se atividades de alfabetização partindo de um diagnóstico de leitura e escrita, utilização de textos relacionados ao cotidiano das mulheres e da Entrevista Narrativa a fim de gerar textos sobre suas experiências(JOVCHELOVITCH; BAUER, 2002). As entrevistas e os memoriais
1 - UNIVERSIDADE FEDERAL DO PIAUÍ - UFPI - 2 - COLÉGIO TÉCNICO DE TERESINA - CTT - 3 – COLÉGIO TÉCNICO DE TERESINA - CTT - 4 - COLÉGIO TÉCNICO DE TERESINA - CTT - 5 - COLÉGIO TÉCNICO DE TERESINA - CTT - 6 - COLÉGIO TÉCNICO DE TERESINA - CTT - 7 - COLÉGIO TÉCNICO DE TERESINA - CTT.
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S A N A R E, Suplemento 3, ISSN:2447-5815, V.15 - 2016 - V COPISPdas atividades foram importantes estratégias para o portfólio, sendo possível refletir sobre a imagem profissional e pessoal dessas mulheres. Verificou-se que as confeiteiras se visualizavam mais individualmente e as olericultoras, grupalmente. Essa projeção também surgiu na execução dos mapas da vida. A vivência comunitária por meio das hortas parecia unir as experiências em um compartilhamento de uma separação dada pela singularidade (PELBART, 2003, p. 33). Além de maior desenvolvimento grupal, as olericultoras mostraram clara diferença na efetuação das atividades relacionadas a sonhos e metas, predominando palavras e sentidos de amizade, solidariedade e natureza. As confeiteiras expuseram anseios mais individuais, como “minha casa”, “meu negócio”, “minha família”. Considera-se que o auxílio do grupo refletiu na frequência/permanência das alunas, tendo a turma MIL MARIAS apresentado menos índice de faltas e nenhuma evasão. A turma DOÇURA DE MULHER teve um número de cinco alunas desistentes.
CONCLUSÃO: O encontro do CTT com o Mulheres Mil possibilitou uma (re)construção de sentidos e práticas. Enfatiza-se
o refazer-se da escola enquanto espaço de acolhimento e cidadania. A escola para essas mulheres foi a porta de acesso a diversos saberes e experiências, especialmente ao reconhecimento de seus próprios. As ações realizadas possibilitaram um reavivamento das condições subjetivas e socioeconômicas das mulheres assistidas, com ênfase na descoberta de possibilidades e competências individuais e grupais. Para algumas, aprender a escrita de seu nome foi uma reafirmação da própria identidade, assim como estar em um ambiente escolar, sendo reconhecida nos seus direitos de mulher e cidadã. Uma reafirmação do sentir- se gente,sentir-se parte e apropriar-se da vida. Os impactos do PMM atuaram não somente na vida dessas mulheres,mas também influenciaram a ótica institucional acerca do seu papel de inclusão e educação, despertando interesse em buscar meios de contribuir com as comunidades atendidas.
REFERÊNCIAS:
BATISTA, A. C. O. et al. Guia Metodológico do Sistema de Acesso, Permanência e Êxito. Brasília: Ministério da Educação, 2011;
BRASIL. Ministério da Educação. Secretaria de Educação Profissional e Tecnológica. Mulheres Mil: Educação, Cidadania e Desenvolvimento Sustentável. Artigos e Relatos. 2011. Disponível em: http://mulheresmil. mec.gov.br. Acesso em 20 de Julho, 2015;
_______. Ministério da Educação. Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome. PRONATEC-Brasil sem Miséria. Mulheres Mil. 2014. Disponível em: http://www.mds.gov.br/.../brasil_sem_miseria/cartilha_mulheres_mil.pdf.Acesso em: 20 de Julho, 2015;
JOVCHELOVITCH, S.; BAUER, M. W. Entrevista narrativa. In: BAUER, M. W.; GASKELL, G. Pesquisa qualitativa com texto, imagem e som. Tradução: Pedrinho Guareschi. Petrópolis, RJ: Vozes, 2002;
PELBART, P. P. Vida capital: ensaios de biopolítica. São Paulo: Iluminuras, 2003.