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2.6 PROGRAMAS E INICIATIVAS GOVERNAMENTAIS

2.6.2 – PROGRAMAS E INICIATIVAS ESTADUAIS

2.6.2.1 - MS-SUSTENTÁVEL (Programa de Desenvolvimento Sustentável do Pantanal)

É um programa que visa promover o desenvolvimento sustentável da Bacia do Alto Paraguai (BAP), através do gerenciamento e da conservação de seus recursos naturais, incentivando atividades econômicas ambientalmente compatíveis com os ecossistemas e provendo melhores condições de vida à população da região.

2.6.2.2 - MS-EMPREENDEDOR (Programa Estadual de Fomento à Industrialização, ao Emprego e à Renda)

No Programa Estadual de Fomento à Industrialização, ao Trabalho, ao Emprego e à Renda (MS-Empreendedor), são cabíveis benefícios fiscais, benefícios financeiro-fiscais e benefícios extra-fiscais. Estes podem ser utilizados como instrumentos de política fiscal ou de fomento à industrialização do Estado e à circulação de bens econômicos em seu território, visando ao atingimento dos seguintes objetivos:

i. Instalação de novas indústrias;

ii. Ampliação, modernização, reativação ou realocação das indústrias existentes,

especialmente no sentido da interiorização dos empreendimentos econômicos produtivos e do aproveitamento das potencialidades econômicas regionais;

iii. Transformação de produtos primários em produtos secundários industrializados

(PMVA), favorecendo a integração e verticalização das cadeias produtivas e agregando valor à produção florestal madeireira;

iv. Diversificação das bases produtiva e circulatória de bens e serviços, dinamizando a

economia e propiciando a geração de novos empregos estáveis, o aumento da renda per capita e a melhor distribuição dos bens econômicos, com o conseqüente aumento generalizado da arrecadação de tributos, que se revertem em mais benefícios à população;

v. Melhoria aferível das condições de trabalho dos operários, inclusive a implantação de

cursos profissionalizantes pelas empresas ou em parceria com estas;

vii. Estímulo à parceria ou à troca de informações entre empresas e universidades, com ou sem a participação direta de órgãos governamentais nos projetos e atividades, nas áreas de pesquisa, desenvolvimento e difusão de novas tecnologias, concretamente aplicáveis aos empreendimentos locais, melhorando a produção e a circulação de bens e serviços;

viii. Fornecimento dos meios ao seu alcance para que as empresas locais possam tornar-se

competitivas no mercado, tendo em vista, dentre outras causas, os benefícios ou incentivos, fiscais ou financeiro-fiscais, inclusive reduções indiretas da carga tributária;

ix. Estímulo e fomento à instalação e desenvolvimento das micro e pequenas empresas

instalados no Estado, por meio da concessão de financiamentos de projetos e de benefícios ou incentivos fiscais, inclusive com redução indireta de carga tributária. As diretrizes utilizadas pelo Programa MS-Empreendedor são bastante rigorosas e muitas vezes conflitantes, denotando falta de conhecimento técnico apurado da cadeia produtiva florestal e floresto-industrial do Estado de Mato Grosso do Sul.

Estas por exemplo demandam que o empreendimento floresto-industrial seja pioneiro ou inovador na economia local, ao mesmo tempo sendo capaz de gerar novas oportunidades de mercado, desencadeando o surgimento de outros empreendimentos industriais afins em sua área de atuação. Além disso, o empreendimento floresto-industrial perseguindo os benefícios advindos do Programa MS-Empreendedor deve fazer com que este localize-se preferencialmente no interior do Estado, ou mesmo na Capital Campo Grande, caso fabrique ou venha a fabricar produto sem similar no mercado de Mato Grosso do Sul, ou que seja importado de outros Estados e Países.

O empreendimento floresto-industrial deve promover o processamento da madeira de forma integral, aproveitando até mesmo os resíduos gerados durante o processo, neste caso para a geração de energia térmica e/ou elétrica, e/ou para sua industrialização, na forma de Painéis de Madeira Reconstituída.

Para o recebimento dos benefícios, o empreendimento floresto-industrial deve ter como fornecedores de madeira empresas locais que comercializem material proveniente de florestas plantadas ou florestas naturais manejadas sustentavelmente. Este ponto não é um problema do Mato Grosso do Sul, que possui atualmente cerca de 285 mil hectares de florestas plantadas, e grande potencial para o Manejo Florestal Sustentável.

Porém, o Programa MS-Empreendedor exige que o empreendimento floresto-industrial adquira, para o recebimento de seus benefícios, outros produtos industrializados no Estado de Mato Grosso do Sul. Este mecanismo em especial dificulta um pouco a diversificação das indústrias pretendentes a se instalarem no Estado. Este ainda está buscando a diversificação industrial, ou seja, ainda não possui produção de um gama variada de bens, dificultando a atração de indústrias de PMVA, que muitas vezes exigem a troca constante de serras, e que neste caso devem ser produzidas em Mato Grosso do Sul. Outras exigências relativas à obtenção dos benefícios do Programa MS-Empreendedor podem ser observados abaixo:

i. Processo tecnológico-industrial mais avançado ou que mantenha convênio de

cooperação com universidades ou entidades de pesquisa, ciência e tecnologia;

ii. Processo industrial destinado à reciclagem de materiais, especialmente aqueles

iv. Tecnologia intensiva de mão-de-obra industrial e não elimine postos de trabalho;

v. Programas de qualificação profissional para a melhoria dos processos produtivos

industriais;

vi. Gestão ambiental, ou que promova investimentos destinados à preservação do meio

ambiente, sobretudo na recuperação dos ambientes naturais degradados;

vii. Que em sua implantação contrate obras civis, montagens, instalações industriais e

serviços com empresas deste Estado;

viii. Seja capaz de gerar excedentes exportáveis de bens, mercadorias e serviços;

ix. Possua projeto técnico econômico-financeiro, diante de estudos do mercado e previsão

de retorno dos investimentos, demonstre ser economicamente viável.

Tais exigências exigem investimentos de grande porte, em um setor onde a maior parte das empresas, mesmo em países desenvolvidos, é de porte médio. Finalmente, por falta de conhecimento técnico sobre a cadeia produtiva do setor florestal de Mato Grosso do Sul, enquanto que por um lado o MS-Empreendedor busca em seus objetivos a verticalização da produção, de outro exige que haja a formação de um “cluster”, que é o conceito puro de horizontalização.

De qualquer forma, aos empreendimentos floresto-industriais que preencherem os inúmeros requisitos demandados pelo programa de benefícios MS-Empreendedor, podem ser deferidos benefícios ou incentivos, fiscais, financeiro-fiscais ou extrafiscais:

a) De até 67% do ICMS então devido e apurado;

b) Prazo de até 5 anos, podendo ser prorrogado por até igual período, desde que sejam cumpridos os deveres jurídicos e solvidas as obrigações tributárias, bem como mantidas as condições do empreendimento aprovado.

O incentivo fiscal existente para indústrias estabelece normalmente renúncia de até 67% do ICMS devido, porém tal alíquota pode chegar até 87%, sendo que os 20% adicionais resultam em estímulo para aplicação em formação florestal.

A cota adicional de renúncia é variável, aplicada caso a caso, mediante Termo de Acordo, onde se pactua que o montante de recursos relativos ao percentual adicional a 67% deve ser obrigatoriamente aplicado na formação de estoques florestais em áreas próprias ou de terceiros

2.6.2.3 - PELT (Plano Estadual de Logística de Transportes)

Dentro do PPA-MS, o foco prioritário é a melhoria da infra-estrutura de Mato Grosso do Sul. Este programa envolve projetos que já estão inseridos no orçamento do Estado e outros que vão envolver recursos de parcerias, mas que deverão se viabilizar pela ação política do Governo do Estado.

A malha rodoviária estadual possui aproximadamente 4.300 quilômetros de rodovias pavimentadas, o que corresponde a 27% do total de rodovias. Hoje o Estado necessita ampliar a malha de rodovias pavimentadas, para atender as demandas de seu crescimento econômico,

A MS-040, entre Campo Grande e Brasilândia, deverá ser federalizada e pavimentada, possibilitando o desenvolvimento desta região. Outra estrada a ser pavimentada será a BR- 359, entre Coxim e a fronteira com o Estado de Goiás, que permitirá o redirecionamento do trânsito de passagem para a região. Por outro lado, o governo também busca a estadualização da BR-163, que corta o Estado de norte a sul. Devendo duplicar esta rodovia e reduzir o tempo de transporte dos produtos, com impacto nos seus preços.

O Projeto de Integração Ferroviária do Estado do Mato Grosso do Sul e Paraná deverá proporcionar acesso ao Porto de Paranaguá, através da construção de trecho ferroviário da Ferroeste, no segmento compreendido entre Maracajú (MS) e Cascavel (PR), com cerca de 650 quilômetros. Este trecho permitirá a conexão ferroviária dos municípios produtores de Mato Grosso do Sul com a Hidrovia Tietê-Paraná em Guairá (PR) e, a partir de Cascavel, propiciando o acesso ferroviário ao Porto de Paranaguá. Além disso, dentro do PPA-Brasil, deverá também ser construído ramal entre Guairá (PR) e Cianorte (PR), interligando o Mato Grosso do Sul à Paranaguá (PR) também à partir de Maringá (PR).

2.6.2.4 - Poliduto MS/PR

O Poliduto MS-Paraná, que ligará Campo Grande ao Porto de Paranaguá, terá capacidade para transportar 18 milhões de litros por ano de etanol, gasolina ou diesel. O projeto integra o PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) do Governo Federal. A obra, cujo início está previsto para 2008, terá custo de R$ 2 bilhões. O etanol atualmente é transportado por caminhões. A construção dos dutos possibilitaria reduzir o custo de US$ 4 para até US$ 0,80 por metro cúbico.

2.6.2.5 – ZAE-MS (Zoneamento Agro-Ecológico de Mato Grosso do Sul)

O ZAE-MS (Zoneamento Agro-Ecológico de Mato Grosso do Sul) é uma ação conjunta da SEPROTUR e da SEMAC, em parceria com a EMBRAPA Solos. Este é um Programa estruturante e estratégico, que visa fornecer elementos para a tomada de decisão quanto a investimentos públicos e privados, através da geração de informações técnicas, ambientais e sociais.

Com o ZAE-MS o Estado passa a ter um melhor critério para a identificação de áreas aptas ou não para a agropecuária. Dessa forma, obras de infra-estrutura e de apoio à produção e a seu escoamento podem ser priorizadas.

Para tanto, já foram feitas coletas de mais de 1.100 amostras de diferentes tipos de solos nos municípios de Antônio João, Bela Vista, Bodoquena, Bonito, Caracol, Guia Lopes da Laguna, Jardim, Miranda, Nioaque, Ponta Porã e Porto Murtinho. Concluída a primeira fase, os trabalhos agora estão sendo realizados em outros 22 Municípios da Região Centro-Norte de Mato Grosso do Sul.

Mais do que uma análise do solos, o ZAE-MS também está ligado ao clima e à infra-estrutura. Tudo isso é compilado e resulta em um Mapa de Aptidão, resultado de um banco de dados com informações geográficas (SIG, ou Sistema de Informações Geográficas).

A previsão é que até final de 2009 todo o trabalho esteja concluído, atingindo todos os municípios do Estado. Também são parceiros do ZAE-MS as prefeituras municipais e os Sindicatos Rurais.

2.6.2.6 - ZEE-MS (Zoneamento Ecológico Econômico de Mato Grosso do Sul)

O ZEE-MS (Zoneamento Ecológico Econômico de Mato Grosso do Sul) tem como objetivo estabelecer normas técnicas e legais para o adequado uso e ocupação do território, compatibilizando, de forma sustentável, as atividades econômicas, a conservação ambiental e a justa distribuição dos benefícios sociais.

Como princípio, o ZEE exige uma série de entendimentos prévios da realidade do território, o que por sua vez define a necessidade de um diagnóstico multidisciplinar para identificar as vulnerabilidades e as potencialidades específicas ou preferenciais de uma das áreas, ou subespaços do território em estudo. Somente neste sentido poderá ser um instrumento de orientação de parâmetros para a sua utilização.

No Mato Grosso do Sul, o ZEE-MS se desenvolve como ferramenta do planejamento estratégico do Estado, sob a coordenação geral da SEMAC. Com este estudo, a Comissão Coordenadora do ZEE-MS, disponibiliza mais um produto para subsidiar a construção do ZEE- MS.

A opção administrativa do Governo Estadual em obter, no curto prazo, as normas gerais do Zoneamento Ecológico Econômico para orientação de suas próprias políticas públicas e para promover o ordenamento geral de uso e ocupação do território sul-mato-grossense fez com que se fizesse a opção pela organização dos trabalhos em 3 etapas, ou Aproximações.

A Primeira Aproximação tem o objetivo de fixar as normas e os conceitos gerais do ZEE-MS. A Segunda Aproximação deverá promover o detalhamento e a compatibilização com a metodologia geral do ZEE-Brasil, e a terceira etapa deve preparar e apoiar a realização do ZEE-MS em escala local, municipal ou regional.