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4.2 Projeto de texto

4.2.1 Projeto de texto: primeira escritura

Nota-se que a devolutiva do professor (página 82) já aponta para a estrutura didática a ser produzida na Oficina. "O sistema carcerário brasileiro funciona ou não funciona?" e "Qual é sua opinião?" apontam para uma resposta de sim ou não: "sim, o sistema carcerário brasileiro funciona" ou "não, o sistema carcerário brasileiro não funciona", o que constituiria o primeiro parágrafo do texto, junto com uma breve introdução sobre a temática. "Quais são seus argumentos?" constituiriam o segundo, o terceiro e o quarto parágrafos. "Há quem pense o contrário? Que pensamento seria esse? Qual é o argumento principal desse pensamento e como você o refuta?" são as perguntas referentes ao quinto parágrafo.

Dessa forma, o papel do professor na devolutiva é o de guiar a articulista à percepção de uma conexão entre as ideias por meio da resposta às perguntas realizadas. A adaptação da devolutiva pelo professor ocorre no sentido de indicar à articulista que a incorporação dos comentários levará ao êxito na produção (ZANIN, 2018, p. 55). O par mais competente (VYGOTSKI, 1991) realizou o diagnóstico de que a aluna não compreendia o gênero (LIMA, 2016), e a instigou por meio das perguntas na devolutiva, não fornecendo as respostas de antemão. Com isso, a articulista não escreve em processo, como escrevia na primeira versão.

Com direcionamento, ela tem um programa relativamente planejado, já tem um caminho a percorrer para a elaboração do projeto (GRÉSILLON, 2007a), sendo o projeto, então, um texto mais planejado do que a primeira versão (OCHS, 2017).

Na análise do projeto de texto notou-se um padrão com relação aos fenômenos empregados na produção da primeira versão. Mantiveram-se o apagamento, a correção, a inserção e a substituição como os microfenômenos empregados pela articulista para a realização de sua vontade discursiva (BAKHTIN, 2016), sendo esses os microfenômenos identificados pelo Inputlog como insert. Perelman e Olbrechts-Tyteca (2005, p. 08) dizem que "as mesmas

técnicas de argumentação se encontram em todos os níveis" e, tomando tal colocação para os dados aqui analisados, percebe-se que os mesmos fenômenos do processo de produção textual se encontram em diferentes níveis do processo.

Com base em Bakhtin (2016), pode-se ir além dos diferentes níveis de produção de um artigo de opinião e extrapolar essa colocação para todos os gêneros. Há algo comum a todos os gêneros do discurso, já que todos possuem um conteúdo temático, uma estrutura composicional e um estilo que lhes são próprios. Ainda que os elementos sejam diferentes, já que isso diferencia um gênero do outro, os fenômenos acontecem nos processos de produção de uma forma semelhante, pois há uma organização comum em seu uso, principalmente se o interlocutor for o mesmo, pois isso influenciaria, dentre outros fatores, a escolha lexical, que incidiria sobre o fenômeno da substituição, por exemplo. Assim, o interlocutor e as escolhas linguísticas realizadas em função dele têm participação na manutenção de uma organização comum de textos, como a organização da manutenção tópica (VOLOCHÍNOV, 2017;

JUBRAN, 2006).

Além dos microfenômenos, há a manutenção de certas características do tópico e do turno discursivo. Certas, pois aqui se verifica uma mudança visível com relação, principalmente, ao tópico.

Antes do foco na análise tópica do projeto de texto, é importante destacar as instruções dadas pela professora aos articulistas sobre o projeto de texto, apresentadas no Quadro 5 a seguir.

Quadro 5: Transcrição da instrução inicial da professora sobre o projeto de texto.

(continua)

então né::: quando a gente sabe que vai ser feito uma casa... primeiro tem um projeto antes não é isso?... então no TEXto isso aí é importantíssimo... você fazer um proJEto do seu texto... é como se fosse assim um::: esqueletinho do teu texto... vocês já fizeram isso antes ou não?

não::: ((alguns alunos balançam a cabeça em negativa, inclusive a articulista em análise))

((balança a cabeça em afirmativa)) é um esqueletinho... como vocês imaginam que seja esse esqueleto esse projeto?

( ) oi?

ãhn?

o que que vocês imaginam que seja esse::: esqueleto esse projetinho de texto...

o que que vocês vão colocar nesse esqueletinho o que precisa ter no texto

oi?

o que precisa ter no texto

Quadro 5: Transcrição da instrução inicial da professora sobre o projeto de texto.

(conclusão) Professora

Aluna 1 Professora

isso o que precisa ter no texto né... então vocês vão fazer assim... como se fosse uma base né é::: um:::... um esqueleto mesmo e depois vocês vão rechear...

então lá vocês vão colocar o que vai em cada parágrafo... então em uma ou duas linhas uma ou duas linhas vocês vão resumir o que vocês vão colocar em cada parágrafo do texto de vocês... por que que é bom fazer isso... por que vocês acham que é bom fazer isso?

pra se organizar pra se organiza:::r Fonte: A autora (2020).

Depois das instruções iniciais, a professora coloca no quadro, posicionado à frente da sala, um esquema com cada parágrafo e com as informações que precisam estar contidas em cada um. A estrutura já havia sido introduzida no encontro anterior, mas sem maiores discussões. Além disso, um dos acadêmicos presentes, professor voluntário na Oficina, apresentou um exemplo de projeto de texto elaborado por ele sobre a temática "cotas raciais".

O exemplo parece ter auxiliado muito na produção da articulista, pois ela delimitou a escritura dos tópicos ao elencá-los com "Temática", "Ponto de vista", "Argumento 1",

"Argumento 2", "Argumento 3", "Ponto de vista oposto" e "Conclusão". Diferente do processo da primeira versão, no qual ela pouco retorna a um parágrafo depois de terminá-lo (considerando o término como o pressionamento da tecla enter, indicando o início de um novo parágrafo). No projeto de texto, apesar da estrutura ser essencialmente tópica, no sentido dicionarizado de tópico, de ponto principal, tema, assunto ou como aquilo "que se refere direta e precisamente àquilo de que se trata" (TÓPICO, 2020), as voltas no texto são mais frequentes e mais decisivas no quesito de direcionamento do conteúdo temático (BAKHTIN, 2016).

Conforme o mapeamento de tópicos apresentado no apêndice B, o projeto de texto contou com 17 tópicos, enquanto a primeira versão foi mapeada em 7 tópicos. Apenas por esses números constata-se um maior trabalho empreendido pela articulista na formulação do projeto de texto. Ou seja, sintetizar e organizar seu pensamento em poucas palavras foi mais difícil do que desenvolvê-lo em parágrafos.

Um tópico que exemplifica a mudança no direcionamento do conteúdo temático é o do "Ponto de vista", revisitado pela articulista diversas vezes, ilustrando a descontinuidade dessa etapa da produção (JUBRAN, 2006). A primeira definição do tópico foi "o sistema carcerário deveria funcionar de melhor forma e o governo tomar medidas necessárias", correspondendo ao tópico 2 do mapeamento. Depois, no tópico 7, tem-se a segunda versão do ponto de vista: "o sistema carcerário deveria funcionar de melhor forma trabalhando com a

reeducação do presidiário". Mais tarde, o tópico 14 traz a terceira escolha da articulista: "o sistema carcerário deveria funcionar de melhor forma trabalhando com a superlotação das cadeias". Por fim, o tópico 15 traz os fenômenos envolvidos na escolha final da articulista: "o sistema carcerário deveria funcionar de melhor forma resolvendo o problema de superlotação das cadeias".

O intenso trabalho da articulista para realizar seu ponto de vista se revela nos blocos de palavras que podem ser classificados como de posicionamento, com ênfase na atitude diretiva e obrigatória (BERBER SARDINHA; SILVA E TEIXEIRA; SÃO BENTO FERREIRA, 2014, p. 46). Essa classificação é verificada quando se analisa, primeiramente, o lexical bundle "núcleo" da articulista. "[O] sistema carcerário deveria funcionar de melhor forma" é o cerne do seu posicionamento. Tratando-o na terceira pessoa do singular, ela direciona o assunto, indicando quem (ele) deveria ser melhorado. Contudo, imprime seu ponto de vista com o restante do bundle, "deveria funcionar de melhor forma". O verbo auxiliar

"deveria" e o advérbio "melhor" indicam o posicionamento da articulista, o que poderia ser considerado suficiente para demonstração da perspectiva a ser defendida no texto.

O grande bloco inicial é composto por oito palavras, estando próximo do que Chafe e Danielwicz (1987, p. 11) atestam ser o característico de uma intonation unit no texto escrito.

Entretanto, quando divide-se o bloco em temática ("o sistema brasileiro") e em posicionamento ("deveria funcionar de melhor forma"), têm-se, respectivamente, três e cinco palavras, próximos do que Chafe (1979; 1980 apud AKINNASO, 1982, p. 107) aponta ser a intonation unit do texto oral que teria, em média, seis palavras.

Tal atributo do bloco de palavras pode indicar influência do oral no processo de escritura da articulista, tal qual o verificado por Dutra, Orfano e Berber Sardinha (2014). Os autores, trabalhando com linguística de corpus, dispõem de dados quantitativos para apresentar tal análise. Aqui tem-se apenas uma amostra de um processo de escritura, mas, além do tamanho do bloco de palavras, tem-se também a continuidade de tal bloco para corroborar essa ideia.

As três primeiras escolhas da articulista contam com seis palavras cada (1 - "e o governo tomar medidas necessárias"; 2 - "trabalhando com a reeducação do presidiário"; 3 -

"trabalhando com a superlotação das cadeias"), sendo, novamente, próximas do esperado para o texto oral. Alguns outros elementos demonstram que o segundo bloco do ponto de vista é próximo do oral. No primeiro percebe-se um tom de incompletude na frase, que poderia, dentre outras opções possíveis (VIGOTSKI, 1996), ser eliminado com a inserção de "deveria" após "e o governo". Na segunda opção da articulista ("o sistema carcerário deveria funcionar de melhor forma trabalhando com a reeducação do presidiário"), nota-se o abandono da conjunção aditiva,

que separava as duas orações do bloco de palavras, e a adição de um verbo ("trabalhando") que atribui responsabilidade ao próprio sistema carcerário. A aproximação com o texto escrito poderia surgir com a colocação de uma vírgula entre as duas orações. O mesmo ocorre com a terceira opção, na qual a articulista substitui um bundle de três palavras por outro com três palavras, mudando o rumo de sua argumentação. Por fim, a última opção e escolha final da articulista ("o sistema carcerário deveria funcionar de melhor forma resolvendo o problema de superlotação das cadeias"), indica a manutenção do bundle "superlotação das cadeias", de três palavras. Uma possível explicação para tal atitude pode ser a recorrência maior do bloco de três palavras nas diversas leituras que a articulista realiza ao longo da produção. A consulta a fontes diversas será discutida adiante.

Assim, com base nas opções da articulista, são traçadas quatro possibilidades de exploração da temática pela articulista, temática essa que já estava firmemente fixada em seu processo por meio do jato "sistema carcerário brasileiro". A temática foi o primeiro tópico escrito pela articulista e o único a não ser modificado, sendo, inclusive, o mesmo título dado à sua primeira versão, ilustrando quão enraizado tal bloco de palavras estava em seu processo de escritura, "embutidos" em sua mente (VYGOTSKI, 1991).

Relembrando duas perguntas feitas pelo professor na devolutiva, "O sistema carcerário brasileiro funciona ou não funciona?" e "Qual é sua opinião?", percebe-se que esses questionamentos afetaram a articulista, que insistiu em moldar sua opinião até que ela coubesse na pesquisa que estava realizando. Ela encaixou o jato da temática, inabalável, dentro do tópico da opinião e, como um vaso de cerâmica, moldou o restante do jato em torno dele.

Todas as possibilidades partiram de um mesmo núcleo, apresentado na Figura 10.

Figura 10: Jato escrito para o ponto de vista no projeto de texto.

Fonte: A autora (2020) - Captura de tela de relatório do Inputlog.

Assim, a fonte das quatro escolhas foi "o sistema carcerário deveria funcionar de m forma melhor de me uma melhor forma de melhor forma", que é o que está apresentado na figura. Pela filmagem da sala verificou-se que durante as longas pausas representadas na imagem, a articulista conversava com sua colega e utilizava seu celular. Não foi detectada uma expressão de aflição ou confusão sobre o texto.

O jato é a forma dada à articulista (BAKHTIN, 2016), o que está engessado e, segundo a visão dela como escritora, não deve ser alterado. Já o que ela fez de novo é o recriado, é o que é explorado por ela enquanto escritora de um artigo de opinião.

Para realizar isso, ela tateou quatro possíveis vertentes do tema: 1) responsabilidade do governo; 2) reeducação do presidiário; 3) trabalho com a superlotação das cadeias; 4) resolução do problema de superlotação das cadeias, sendo a última a que triunfou (VIGOTSKI, 1996). Essas opções não foram completamente apagadas do processo do projeto de texto. O papel da responsabilidade do governo aparece no ponto de vista oposto, quando ela recorre ao ministro do Supremo Tribunal Federal. A reeducação do presidiário surge em sua conclusão como uma questão central, tendo relevância tópica (JUBRAN, 2006). E a superlotação aparece como algo a ser trabalhado segundo seus argumentos, ainda que desarticulados entre si.

Isso quer dizer que a definição de tópico, aquilo sobre o que se fala, pode ser estendida no processo de escritura e reescritura para aquilo sobre o que se fala ou aquilo sobre o que se poderia falar, já que as possibilidades não realizadas não são, de forma alguma, apagadas do discurso, e o objeto do discurso mantém-se inexaurível (BAKHTIN, 2016). No exemplo demonstrado, cada diferente escolha mudou o rumo do texto. Por exemplo, se a articulista optasse por manter sua opinião em torno da responsabilidade do governo, seus argumentos e o ponto de vista oposto seriam inválidos, conforme pode ser visualizado na versão entregue para avaliação, apresentada na Figura 16 na página 96.

Ainda não mencionado, um microfenômeno que realiza a abertura do leque tópico, de diversas possibilidades, e a questão do turno de fala é a cópia. Como já apontado na introdução deste trabalho, um dos quesitos responsáveis pela atribuição da nota zero na redação do Enem é a cópia do texto motivador (INEP, 2020). Durante a realização do exame, o candidato tem acesso a cinco textos motivadores que têm a função de instigar e impulsionar seu raciocínio para a escritura da redação exigida. Na Oficina, com acesso à internet, os alunos têm acesso à uma infinidade de textos, acessíveis de acordo com o termo chave empregado por eles em suas buscas.

A pesquisa na internet é bastante característica da articulista desde o início, quando busca por uma temática polêmica. A cópia ocorre de duas maneiras: com expressões e com

ideias completas. O primeiro tipo pode ser observado no subtópico 3.7, no qual a articulista copia "Sistema Integrado de Informações Penitenciárias, o Infopen" de uma página e cola o trecho diretamente no texto, na escritura do Argumento 1.

O segundo tipo é a cópia de uma ideia completa, que coincidiria com o necessário para a atribuição de desconto na correção da redação do Enem (INEP, 2020). Um exemplo desse tipo de cópia é apresentado na imagem a seguir.

Figura 11: Captura de tela que mostra o momento da cópia do ponto de vista oposto do projeto de texto.

Fonte: A autora (2020) - Captura de tela de vídeo gerado pelo ScreenHunter.

A imagem corresponde ao subtópico 16.1 e retrata o momento em que ela copia a legenda da imagem com o texto "Ministro do STF diz que construção de presídios não é a solução para a crise penitenciária", correspondendo ao ponto de vista oposto. Antes disso, no tópico 13, ela começa a escritura daquele tópico, do ponto de vista oposto, na barra de pesquisa do navegador de internet. Essa escritura não é captada pelo relatório revision do Inputlog pois ocorre fora do editor de texto. Contudo, o relatório linear e os vídeos do ScreenHunter demonstram que houve um intenso trabalho de escritura e reescritura na pesquisa, conforme Figura 12.

Figura 12: Recortes que ilustram a intensa movimentação da articulista no navegador de internet.

Fonte: A autora (2020) - Capturas de tela de vídeos gerados pelo ScreenHunter.

Por meio do relatório linear denota-se que houve um desenvolvimento da articulista com relação ao conceito de tópico pela relação entre opinião e opinião oposta. Aqui, finalmente, ela toma uma posição com relação à sua temática. Ao digitar "a favor do sistema carcerário brasileiro" para pesquisar um ponto de vista oposto, ela coloca-se contra o sistema carcerário brasileiro. Quando pergunta "reeducação do presidiário seria o certo?", ela considera que há quem diga que a reeducação do presidiário é errada. Assim tem-se, segundo os termos de Vygostki (1991, p. 61), uma visão análoga ao uso de raios-X ao considerar-se que houve aprendizado no aspecto de delimitação tópica, pois vê-se "por dentro" de seu organismo. A articulista, por meio da pesquisa, das explicações e dos exemplos fornecidos, teve "embutido"

em sua mente o conceito de opinião e opinião oposta no artigo de opinião. A representação do processo no Inputlog é apresentada na Figura 13 na página seguinte.

Figura 13: Momentos de pesquisa para a escritura do ponto de vista oposto no projeto de texto.

Fonte: A autora (2020) - Captura de tela de relatório do Inputlog.

Interessante notar que a definição do posicionamento da articulista foi sendo realizada a partir de blocos de texto, moldando-se à maneira com a qual o navegador de internet trabalha, a partir de pequenas porções de texto. Os blocos produzidos pela articulista na pesquisa são os seguintes:

- "a favor do sistema carcerario brasileiro";

- "reeducaçao do presidiario seria o certo?";

- "todos sabemos que o regime prisional nao recupera ou ressocializa ninguem";

- "pessoas autoritárias falando sobre a reeducaçao nos presidios";

- "opiniao contraria a reeducaçao do presidiario".

O primeiro bloco caracteriza-se como sendo de posicionamento, tendo em vista o caráter de certeza da articulista de que há, sim, quem seja a favor do sistema carcerário brasileiro. O segundo bloco, ainda que uma pergunta, também pode ser caracterizado como de posicionamento, pois denota-se a avaliação da articulista sobre a questão da reeducação do presidiário, uma ênfase no substantivo, e a pergunta indica que ela busca por uma certeza com relação ao seu ponto de vista (BIBER; BARBIERI, 2007, p. 270).

O terceiro bloco de palavras, mais longo que os demais, é iniciado por "todos sabemos", uma expressão de posicionamento diretiva e pessoal (BERBER SARDINHA;

SILVA E TEIXEIRA; SÃO BENTO FERREIRA, 2014, p. 46). A segunda parte do bloco, a oração subordinada objetiva direta "que o regime prisional nao recupera ou ressocializa

ninguem", expressa posicionamento. Isso significa que a articulista empregou técnicas argumentativas durante sua pesquisa, ilustrando, mais uma vez, que está apropriando-se das ferramentas da argumentação.

No quarto bloco, de posicionamento, há uma confusão semântica. Quando escreve

"pessoas autoritárias falando sobre a reeducaçao nos presidios", percebe-se que o que ela pretendida era encontrar falas de autoridades sobre a reeducação de presidiários. Por fim, no quinto bloco, "opiniao contraria a reeducaçao do presidiario", nota-se uma condensação do bundle. Ela parte de um bloco de seis palavras ("a favor do sistema carcerario brasileiro"), chega a um bloco de onze palavras ("todos sabemos que o regime prisional nao recupera ou ressocializa ninguem") e finaliza a pesquisa com um bloco de seis palavras ("opiniao contraria a reeducaçao do presidiario"). Esse caminho da articulista parece tê-la confundido, pois, mais tarde, ela decide pela cópia de uma ideia ("Ministro do STF diz que construção de presídios não é a solução para a crise penitenciária") em lugar de desenvolver sua própria. Em outras palavras, a articulista parece ter se perdido em seu posicionamento ao elaborar blocos de posicionamento.

Essa revelação não seria possível na análise da versão final, pois a escolha definida pela articulista foi justamente a cópia. Ela desenvolveu a consciência textual de que precisa definir sua opinião e o que é imediatamente oposta a ela, conforme a pergunta realizada pelo professor na devolutiva. No entanto, ainda que tenha desenvolvido um conceito, ela ainda não foi capaz de articular suas ideias de maneira a ajudar a si mesma a encontrar um ponto de vista adequado, pois seu próprio ponto de vista estava confuso. Ou seja, a concernência tópica ainda não foi desenvolvida plenamente (JUBRAN, 2006). Nessa etapa do processo, o aspecto que pode ter sido decisivo para a articulista foi o do ethos (AMOSSY, 2011; MAINGUENEAU, 2014). Ao julgar seu próprio posicionamento com insegurança, ela opta por um jato pronto, copiado, no lugar de empregar seus próprios termos, assumindo um ethos que não é seu, mas que é convincente.

Linearmente, o tópico 13 teve mais de 20 minutos de duração entre escritura e reescritura. Pelo relatório linear é possível perceber que a grande maioria do tempo não foi composta por movimentos do teclado, mas sim por movimentos do mouse e pausas. Isso quer dizer que houve predominância da articulista-leitora enquanto aquela que selecionou os

Linearmente, o tópico 13 teve mais de 20 minutos de duração entre escritura e reescritura. Pelo relatório linear é possível perceber que a grande maioria do tempo não foi composta por movimentos do teclado, mas sim por movimentos do mouse e pausas. Isso quer dizer que houve predominância da articulista-leitora enquanto aquela que selecionou os